A perda de dentes vai além das dificuldades na alimentação e pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro. É o que indica um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Hiroshima, no Japão. A pesquisa mostrou que ratos idosos que perderam os molares apresentaram um declínio cognitivo mensurável, mesmo mantendo uma dieta nutricionalmente adequada.
Os resultados foram publicados na revista científica Archives of Oral Biology e reforçam a hipótese de que a mastigação tem papel importante na saúde cerebral durante o envelhecimento.
“A perda dentária é comum em populações idosas, mas o impacto neurológico direto desse processo ainda não é totalmente compreendido”, afirma Rie Hatakeyama, pesquisadora de pós-doutorado da Escola de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas e da Saúde da instituição e primeira autora do estudo.
Segundo a pesquisadora, o objetivo do trabalho foi investigar se a perda dentária, por si só — e não fatores associados, como deficiências nutricionais decorrentes de uma dieta pobre em proteínas — poderia provocar prejuízos cognitivos. Para isso, os cientistas analisaram ratos machos idosos que tiveram os molares removidos e compararam seu desempenho em testes de memória com o de animais do grupo controle.
Mesmo recebendo a mesma alimentação balanceada, os ratos que perderam os dentes apresentaram pior desempenho nos testes de memória, indicando que a redução da mastigação pode afetar diretamente a função cerebral.
Os achados sugerem que a saúde bucal, especialmente a preservação dos dentes e da capacidade mastigatória, pode desempenhar um papel mais relevante do que se imaginava na manutenção das funções cognitivas ao longo do envelhecimento.

