Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram DNA da bactéria Escherichia coli na parede de aneurismas intracranianos, resultado que levanta a hipótese de uma relação entre as microbiotas periodontal e intestinal e a formação ou ruptura dessas alterações nos vasos sanguíneos do cérebro. A associação, porém, ainda precisa ser investigada para determinar se existe relação de causa e efeito. A informação é do jornal da USP.
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O estudo, publicado na revista Clinical Neurology and Neurosurgery, analisou amostras coletadas durante microcirurgias de aneurisma em pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). O DNA bacteriano foi identificado por técnicas de PCR. A presença de E. coli foi detectada em 44% dos casos avaliados.
Segundo os pesquisadores, embora a E. coli normalmente conviva com o organismo sem provocar danos, em determinadas situações pode adquirir capacidade de causar doenças. A hipótese é que a bactéria chegue aos vasos pela corrente sanguínea e contribua para um processo inflamatório capaz de fragilizar a parede arterial.
A investigação também chama atenção para a inflamação sistêmica associada às infecções periodontais e ao desequilíbrio da microbiota intestinal. Processos inflamatórios crônicos poderiam, segundo a hipótese estudada, participar da remodelação dos vasos e contribuir para o desenvolvimento dos aneurismas.
Os aneurismas intracranianos são dilatações anormais formadas em vasos sanguíneos fragilizados e podem ou não se romper. Tabagismo, hipertensão arterial, predisposição familiar e algumas doenças genéticas estão entre os fatores de risco já conhecidos. Os pesquisadores avaliam agora se hábitos relacionados à saúde bucal e à alimentação também podem integrar esse conjunto de fatores.
Associação x Causa
Os autores ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Encontrar material genético bacteriano na parede de um aneurisma não comprova que a bactéria tenha provocado sua formação ou ruptura.
A pesquisa avaliou 36 pacientes e não coletou amostras de outros tecidos, como gengiva, sangue, intestino e cérebro, o que permitiria investigar a origem e o percurso das bactérias. Novos estudos serão necessários para confirmar a associação e esclarecer seus mecanismos. Ainda assim, os achados reforçam a investigação sobre como a saúde bucal e intestinal pode estar relacionada a processos inflamatórios em outras partes do organismo.

