Uma incrustação de jadeíta encontrada em um molar de um antigo indivíduo maia está levando pesquisadores a reconsiderar a finalidade das modificações dentárias praticadas por essa civilização. A posição da pedra, em um dente posterior e pouco visível, sugere que o procedimento pode ter sido realizado com finalidade terapêutica, como tratamento de cárie, dor ou dano estrutural, e não apenas como adorno.
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O estudo foi publicado no Journal of Archaeological Science: Reports e conduzido por pesquisadores liderados por Estuardo Mata-Castillo, da Universidade Francisco Marroquín, na Guatemala. A equipe analisou um molar preservado em uma coleção do Museu Popol Vuh, formada por vestígios arqueológicos de diferentes regiões da Guatemala.
Incrustações de materiais como jade e pirita em dentes maias já eram conhecidas. Como eram encontradas principalmente em dentes anteriores, essas intervenções costumavam ser relacionadas à estética, identidade, posição social ou práticas rituais. O novo caso chama atenção justamente porque a jadeíta estava inserida na superfície de um molar posterior, região que normalmente não aparece durante o sorriso.
Os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada de feixe cônico para examinar o dente sem danificá-lo. As imagens identificaram calcificação da câmara pulpar, uma resposta biológica que indica que a intervenção foi realizada enquanto o indivíduo ainda estava vivo. O caso é descrito pelos autores como o primeiro registro conhecido de uma incrustação oclusal em dente posterior entre os antigos maias.
Uma das hipóteses é que o tecido comprometido tenha sido removido antes da colocação da pedra. Pesquisas anteriores também indicaram que cimentos empregados pelos maias para fixar incrustações podiam conter resinas vegetais e óleos essenciais com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias.
Apesar dos indícios, os pesquisadores ressaltam que não é possível determinar com certeza a finalidade do procedimento. As tomografias não revelaram sinais claros de deterioração ativa, e a intervenção também pode ter resultado de uma prática individual ou experimental.
Assim, o achado não comprova que os maias realizavam restaurações equivalentes às obturações modernas. A descoberta, no entanto, amplia as evidências de que algumas modificações dentárias na Mesoamérica poderiam ter funções práticas relacionadas à preservação dos dentes e à saúde bucal.

