Por: Alberto Consolaro
Como foi incrível ler o livro “Galileu e os negadores da Ciência” de Mario Livio, que viveu entre 1564 e l642 com um bando de negacionistas, tal como os cientistas de hoje. São governantes, empresários e religiosos ignorantes que negam aquecimento global, vacinas e lembram a tragédia da cloroquina, ivermectina e azitromicina no tratamento da Covid 19.
Ao pesquisar desde muito cedo a “pré-maxila” com publicações e uma tese com 1138 crânios humanos, incluídos fetos, crianças e idosos, junto com Mariana Trevisan na Pós-graduação da FORP-USP em Ribeirão Preto, sempre sentia uma curiosidade adicional, especialmente depois que vi o envolvimento de Goethe, a maior intelectualidade da nação alemã, no seu processo de descobrimento.
POR QUE E COMO FOI?
Goethe fez romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Conviveu intensamente com pensadores e personalidades da sua época entre 1749 e 1832.
O que teria feito Goethe, um poeta e filósofo, estudar a pré-maxila e sua existência na espécie humana? A fonte inspiradora desta curiosidade intelectual de Goethe foram os negacionistas.
Na mesma época de Goethe, viveram vários gênios da raça humana, entre os quais Charles Darwin (1809-82), naturalista e cientista inglês, que publicava sobre a teoria da evolução humana onde mostrava que o homem advinha dos primatas.
Isto foi uma revolução em todos os níveis da humanidade. Os negacionistas religiosos achavam isto um absurdo, como poderia a obra divina ter passado por um primata. Darwin rebatia e tornava os argumentos dos negacionistas em verdadeiros panfletos opinativos.
Mas, tinha um argumento dos negacionistas cuja existência ainda persiste até hoje entre os chamados “negadores da pré-maxila”. O argumento dos negacionistas na época, era de que o homem não veio dos primatas porque eles tinham pré-maxila e os humanos não!
Goethe era amigo contemporâneo de muitos cientistas que estavam concentrados na Europa. Tomando conhecimento disto, resolveu pesquisar o assunto junto com anatomistas e outros pesquisadores, inclusive com um amigo professor de anatomia, investindo na ideia de que os humanos tinham pré-maxila, a questão eram os métodos adequados para mostrá-los. Goethe, em humanos mortos por doenças, conseguiu demonstrar anatomicamente que a pré-maxila existia.
Tanto foi assim, que até hoje encontra-se informações e afirmações de que quem descobriu a pré-maxila humana foi Goethe, muito embora ele tenha se associado a outros pesquisadores. Ter a pré-maxila como descoberta por Goethe é simplesmente encantador, afinal é um poeta e filósofo.
Ao levantar todos os livros e trabalhos do século passado até os dias atuais, ainda podemos encontrar livros que simplesmente ignoram o assunto. Outros apresentam um ou dois parágrafos afirmando ser controvertido sua existência e poucos a exploram como uma parte importante do ser humano, inclusive terapeuticamente. Os negacionistas são insidiosos, mas chegará o dia em que estarão extintos.
REFLEXÃO FINAL
Em eventos científicos percebe-se que existem “legionários negadores da pré-maxila”, mas que não conseguem explicar por que não “acreditam” e “resistem” sobre existência da pré-maxila e seu uso em técnicas terapêuticas corretivas de ortodontia e ortopedia. Negar a pré-maxila tem historicamente uma conotação dogmática, religiosa e negacionista! O verbo “acreditar” é típico da religião e da politica; na ciência deve-se constatar, checar e conferir!

