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Ômega-3 e aspirina têm efeito similar ao de antibióticos

A combinação de ômega-3 e ácido acetilsalicílico (AAS), princípio ativo da aspirina, pode representar uma alternativa complementar ao uso de antibióticos no tratamento da periodontite grave. É o que aponta um estudo clínico apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), publicado em 2026 no Journal of Periodontology.

A pesquisa acompanhou 109 pacientes diagnosticados com periodontite nos estágios III e IV, formas avançadas da doença caracterizadas pela destruição dos tecidos de sustentação dos dentes. Durante 12 meses, os pesquisadores avaliaram os resultados de diferentes tratamentos associados à instrumentação subgengival, procedimento utilizado para remover o biofilme bacteriano e os depósitos de cálculo das superfícies radiculares.

Os participantes receberam diferentes terapias complementares, incluindo antibióticos sistêmicos, a associação de ômega-3 e AAS ou a combinação das duas estratégias. No grupo submetido ao tratamento imunomodulador, foram administrados diariamente 3 gramas de ômega-3 e 100 miligramas de AAS durante seis meses. Já os pacientes tratados com antibióticos receberam amoxicilina e metronidazol por 14 dias.

Controle da inflamação
Os resultados indicaram que a associação de ômega-3 e AAS proporcionou benefícios clínicos semelhantes aos observados com a antibioticoterapia complementar, especialmente na redução das bolsas periodontais profundas.

A administração simultânea dos imunomoduladores e dos antibióticos não apresentou vantagens clínicas adicionais significativas em comparação ao uso separado dessas estratégias.

Segundo os pesquisadores, os efeitos observados podem estar relacionados à capacidade do ômega-3 de participar da formação de moléculas especializadas na resolução da inflamação. O ácido acetilsalicílico, por sua vez, pode favorecer mecanismos que contribuem para a regulação da resposta inflamatória.

Diferentemente dos antibióticos, que atuam diretamente sobre microrganismos, essa abordagem busca modular a resposta inflamatória do próprio organismo, um dos fatores envolvidos na progressão da destruição dos tecidos periodontais.

Uso racional de antibióticos
Os resultados ganham relevância diante da preocupação mundial com a resistência antimicrobiana e da necessidade de reduzir a prescrição desnecessária de antibióticos.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que as evidências ainda não permitem recomendar a substituição generalizada da antibioticoterapia pela associação de ômega-3 e AAS. Estudos adicionais, envolvendo populações maiores, são necessários para confirmar a eficácia, a segurança e os benefícios dessa estratégia em longo prazo.

Outro ponto importante é que o ácido acetilsalicílico apresenta contraindicações e pode provocar efeitos adversos, incluindo aumento do risco de sangramento. Por isso, sua utilização deve considerar as condições clínicas de cada paciente e a avaliação profissional.

A pesquisa reforça o potencial das terapias direcionadas à modulação da inflamação como recurso complementar no tratamento da periodontite avançada. Entretanto, a instrumentação periodontal mecânica permanece fundamental para o controle da doença, independentemente da estratégia medicamentosa adotada.

Na avaliação dos autores, os achados abrem caminho para novas investigações sobre tratamentos periodontais individualizados, com potencial para reduzir o uso de antimicrobianos sem comprometer os resultados clínicos

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