Pesquisas recentes estão revelando uma relação cada vez mais evidente entre infecções dentárias profundas e problemas no controle do açúcar no sangue. Estudos apontam que infecções silenciosas na raiz dos dentes podem provocar inflamações crônicas no organismo, interferindo diretamente na ação da insulina e na saúde metabólica.
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De acordo com pesquisadores da área de Odontologia e saúde pública, pacientes submetidos a tratamentos de canal para eliminar infecções persistentes apresentaram melhora nos níveis de glicemia e redução de marcadores inflamatórios nos anos seguintes ao procedimento.
As descobertas reforçam a ideia de que a saúde bucal está intimamente ligada à saúde geral do organismo: especialmente em pessoas com diabetes ou risco de desenvolver a doença.
Os estudos analisaram casos de periodontite apical, uma infecção profunda que ocorre ao redor da ponta da raiz do dente. O problema, muitas vezes, evolui sem dor ou sintomas aparentes, sendo identificado apenas em exames radiográficos.
Segundo os pesquisadores, quando bactérias alcançam os tecidos ao redor da raiz dentária, o sistema imunológico entra em ação. Se a infecção não é tratada, o organismo passa a manter um estado contínuo de inflamação de baixo grau, que pode se espalhar pela corrente sanguínea.
Essa inflamação crônica afeta diretamente a capacidade da insulina de transportar o açúcar do sangue para as células, dificultando o controle glicêmico.
Um dos estudos acompanhou pacientes ao longo do tempo por meio de análises metabolômicas, exames capazes de identificar centenas de moléculas relacionadas ao funcionamento do metabolismo. Os resultados mostraram melhora nos níveis de açúcar no sangue e em indicadores ligados à saúde cardiovascular após o tratamento das infecções dentárias.
Os pesquisadores observaram que a simples remoção do tecido infectado durante o tratamento de canal foi suficiente para gerar benefícios além da cavidade oral.
A relação entre diabetes e infecções dentárias também foi confirmada em revisões científicas internacionais. Uma análise envolvendo sete estudos apontou que pessoas com diabetes têm maior probabilidade de apresentar lesões persistentes em dentes tratados endodonticamente.
Especialistas explicam que o excesso de glicose no sangue compromete a resposta imunológica e dificulta a cicatrização óssea, favorecendo a permanência das infecções na região da raiz do dente.
Outras pesquisas também mostraram que pacientes diabéticos apresentam maior risco de desenvolver periodontite apical, inclusive após tratamentos de canal. Em muitos casos, as lesões demoram mais para cicatrizar quando o controle glicêmico está inadequado.
Apesar disso, os estudos indicam que o tratamento adequado das infecções contribui para reduzir inflamações sistêmicas e melhorar parâmetros metabólicos.
Além das infecções na raiz dentária, cientistas já haviam identificado relação semelhante entre doenças gengivais e diabetes. Tratamentos periodontais, voltados para remoção de placa bacteriana e infecções abaixo da gengiva, demonstraram capacidade de reduzir modestamente os níveis de HbA1c, exame utilizado para avaliar o controle glicêmico ao longo de semanas.
Os pesquisadores acreditam que a diminuição da inflamação bucal ajuda o organismo a regular melhor a glicose.
Um dos fatores que mais preocupa especialistas é o caráter silencioso das infecções apicais. Diferentemente das doenças gengivais, que costumam causar dor, sangramento e inchaço, as infecções na ponta da raiz podem permanecer ocultas por longos períodos enquanto afetam o organismo de forma sistêmica.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que o tratamento de canal não deve ser encarado como cura para o diabetes. As melhorias observadas variam de acordo com a gravidade da infecção, o estado geral de saúde do paciente e outros fatores metabólicos.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que as evidências reforçam a importância da integração entre saúde bucal e saúde médica.
Para especialistas, os estudos evidenciam que a Odontologia vai muito além do cuidado estético e pode desempenhar papel importante na prevenção e no controle de doenças sistêmicas.
“Um dente tratado adequadamente pode contribuir não apenas para preservar o sorriso, mas também para melhorar a saúde geral do paciente”, destacam os pesquisadores.
