{"id":869,"date":"2013-09-12T18:34:05","date_gmt":"2013-09-12T21:34:05","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=869"},"modified":"2013-09-12T18:34:05","modified_gmt":"2013-09-12T21:34:05","slug":"avaliacao-da-rugosidade-superficial-de-duas-ceramicas-odontologicas-submetidas-a-diferentes-tratamentos-polidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/avaliacao-da-rugosidade-superficial-de-duas-ceramicas-odontologicas-submetidas-a-diferentes-tratamentos-polidores\/","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00e3o da rugosidade superficial de duas cer\u00e2micas odontol\u00f3gicas submetidas a diferentes tratamentos polidores"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p><b>Objetivo:<\/b> avaliar por meio de an\u00e1lise rugosim\u00e9trica e imagens de microscopia eletr\u00f4nica de varredura, a rugosidade superficial (Ra) de duas cer\u00e2micas odontol\u00f3gicas, ap\u00f3s simula\u00e7\u00e3o de ajuste com brocas diamantadas e diferentes tratamentos de polimento. <b>M\u00e9todos:<\/b> foram confeccionados dois grupos de corpos de prova, sendo (G1) a cer\u00e2mica CCS de alta fus\u00e3o e, o segundo grupo (G2), a cer\u00e2mica Duceram LFC de baixa fus\u00e3o. Para cada cer\u00e2mica foram confeccionados 20 corpos de prova, separados em quatro subgrupos. <b>Resultados:<\/b> na primeira etapa desse trabalho, tanto em G1 quanto em G2, os maiores valores de Ra foram encontrados no tratamento T3. Na segunda etapa, os corpos de prova foram analisados por MEV e notou-se que as fotografias de T3 aparecem em ambos os grupos com aumento de poros e riscos na superf\u00edcie. <b>Conclus\u00e3o:<\/b> foi encontrada correla\u00e7\u00e3o entre os dados do rugos\u00edmetro e das fotomicrografias de MEV; e alguns processos de polimento, como T2, produzem superf\u00edcie semelhante \u00e0 glazeada quando analisada quantitativamente, no entanto, com maior quantidade de riscos e poros quando analisadas qualitativamente e comparadas \u00e0 superf\u00edcie glazeada (T1) e reglazeada (T4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento restaurador dent\u00e1rio requer cada vez mais materiais odontol\u00f3gicos que preencham as necessidades est\u00e9ticas e funcionais dos pacientes. Com a evolu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas adesivas e o aprimoramento das cer\u00e2micas odontol\u00f3gicas, passou-se a utilizar esse material cada vez com maior \u00edndice de sucesso cl\u00ednico<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Excelentes propriedades est\u00e9ticas, biocompatibilidade, excelente integridade marginal, baixa condutividade t\u00e9rmica e el\u00e9trica, estabilidade de cor, lisura de superf\u00edcie, resist\u00eancia mec\u00e2nica e longevidade quando expostos ao meio bucal<sup>3,14<\/sup>, s\u00e3o caracter\u00edsticas que fazem com que esse material seja usado em coroas, inlays, onlays, facetas laminadas, pr\u00f3teses fixas de cer\u00e2mica livres de metal e coroas metalocer\u00e2micas<sup>1,14<\/sup>.<\/p>\n<p>O uso cl\u00ednico das cer\u00e2micas, especificamente utilizadas em Odontologia, \u00e9 limitado por problemas como a falta de espa\u00e7o interoclusal, tempo envolvido, por ser uma t\u00e9cnica indireta, por suscetibilidade \u00e0 fratura quando colocados sob tens\u00e3o \u2014 em fun\u00e7\u00e3o do seu baixo valor de tenacidade<sup>9<\/sup> e dureza elevada \u2014, fazendo com que esse material tenha maior resist\u00eancia ao desgaste, quando comparado ao esmalte dent\u00e1rio humano. Sendo assim, quando esse material \u00e9 utilizado como antagonista de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> naturais ou outros materiais restauradores presentes, pode provocar desgaste por atri\u00e7\u00e3o, e a quantidade de desgaste est\u00e1 relacionada diretamente com a rugosidade superficial da restaura\u00e7\u00e3o em porcelana<sup>19<\/sup>\u00a0.<\/p>\n<p>Quando um ajuste na cer\u00e2mica que j\u00e1 passou pelo processo de glaze \u00e9 necess\u00e1rio, deve-se restabelecer a lisura dessa superf\u00edcie. Esse objetivo pode ser alcan\u00e7ado por meio do polimento ou da nova queima do glaze<sup>18<\/sup>. Quando a temperatura do glazeamento \u00e9 alcan\u00e7ada e se forma um fino filme v\u00edtreo atrav\u00e9s de um escoamento viscoso nessa superf\u00edcie, o glaze odontol\u00f3gico promove o fechamento de fendas e poros abertos na superf\u00edcie da porcelana sinterizada<sup>9<\/sup> e, idealmente, as restaura\u00e7\u00f5es de porcelana deveriam preservar essa camada intacta.<\/p>\n<p>No entanto, caso a execu\u00e7\u00e3o de ajustes intrabucais seja necess\u00e1ria, como nos casos de restaura\u00e7\u00f5es cer\u00e2micas coladas \u00e0 estrutura dent\u00e1ria, os testes e ajustes oclusais somente podem ser executados ap\u00f3s as colagens. O acabamento e polimento adequado tamb\u00e9m assegura <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/especializacao-em-harmonizacao-orofacial\/\">harmonia<\/a> entre a restaura\u00e7\u00e3o de porcelana e os tecidos gengivais circunvizinhos, evitando o ac\u00famulo de biofilme, sendo importante para que uma \u00f3tima biocompatibilidade da porcelana, no que se refere \u00e0 resposta do tecido <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">gengival<\/a>, seja preservada<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p>Devido ao usual procedimento cl\u00ednico de realizar ajustes intrabucais nas cer\u00e2micas e por existirem diversos materiais e m\u00e9todos para seu polimento, realizou-se o presente estudo com o objetivo de analisar, entre as t\u00e9cnicas e materiais selecionados, qual ser\u00e1 capaz de diminuir a rugosidade superficial, e compar\u00e1-los ao reglazeamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Material e M\u00e9todos<\/strong><\/p>\n<p>Foram confeccionadas amostras de dois materiais <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-imersao-laminados-ceramicos-clinico\/\">cer\u00e2micos<\/a>, que foram separados em dois grupos: G1\u00a0\u2013\u00a0cer\u00e2mica Carmen CCS (Dentaurum) de alta fus\u00e3o (n = 20), e G2\u00a0\u2013 cer\u00e2mica Duceram LFC (Ducera GmbH &amp; Co. KG) de baixa fus\u00e3o (n = 20). Cada tipo de cer\u00e2mica foi dividido em quatro subgrupos, de acordo com o tratamento polidor realizado. Os agentes polidores utilizados nesse trabalho, bem como seus fabricantes e suas marcas comerciais, foram:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Ponta diamantada cil\u00edndrica de granula\u00e7\u00e3o fina (FG3098F \u2013 Kg Sorensen Ind. e Com. Ltda.).<\/p>\n<p>\u00bb Ponta diamantada cil\u00edndrica de granula\u00e7\u00e3o ultra-fina (FG3098FF \u2013 Kg Sorensen Ind. e Com. Ltda.).<\/p>\n<p>\u00bb Sistema de acabamento e polimento dent\u00e1rio Sof-Lex (3\/4\u201d \u2013 3M).<\/p>\n<p>\u00bb Roda de feltro para metais e porcelanas Super Buff (Shofu Inc.).<\/p>\n<p>\u00bb Pasta diamantada para polimento e brilho de porcelana e esmalte (Crystar-past, Kota Ind. e Com. Ltda).<\/p>\n<p>\u00bb Borrachas polidoras impregnadas com diamante Ceragloss para cer\u00e2mica (Edenta AG Dental Produkte).<\/p>\n<p>\u00bb Glaze para cer\u00e2mica convencional Vita Akzent Fluid (Vita Zahnfabrik H. Rauter GmbH &amp; Co. KG).<\/p>\n<p>\u00bb Glaze para cer\u00e2mica de baixa fus\u00e3o Duceram LFC Glasur (Ducera GmbH &amp; Co. KG).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As cer\u00e2micas utilizadas nesse estudo s\u00e3o indicadas para a realiza\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00f5es prot\u00e9ticas metalocer\u00e2micas ou cer\u00e2micas puras.<\/p>\n<p>Para a padroniza\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es dos corpos de prova, foi utilizada uma matriz cil\u00edndrica de metal polido com uma perfura\u00e7\u00e3o central no seu sentido longitudinal com 10mm de di\u00e2metro, na qual se encaixou um \u00eambolo, tamb\u00e9m de metal polido, que permitiu definir e padronizar a espessura dos corpos de prova.<\/p>\n<p>A barbotina de cer\u00e2micas foi preparada pela mistura de \u00e1gua bidestilada ao p\u00f3 cer\u00e2mico, sobre uma bandeja apropriada, at\u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de uma consist\u00eancia cremosa, adequada para manipula\u00e7\u00e3o. O excesso de l\u00edquido da mistura foi removido com len\u00e7os de papel absorvente. Foi aplicada uma fina camada de isolante para cer\u00e2micas no \u00eambolo e, posteriormente, a barbotina foi acomodada no interior da matriz com o aux\u00edlio de uma esp\u00e1tula de silicone, at\u00e9 o seu completo preenchimento. Em seguida, todo o conjunto matriz-barbotina foi colocado sobre um vibrador de gesso, em baixa intensidade, a fim de que a barbotina se assentasse adequadamente e o excesso de \u00e1gua aflorasse na superf\u00edcie, sendo, ent\u00e3o, removida com um len\u00e7o de papel absorvente. Os discos de barbotina cer\u00e2mica foram removidos do interior da matriz (Fig.\u00a01) por meio de movimenta\u00e7\u00e3o do \u00eambolo met\u00e1lico, e colocados sobre uma base de l\u00e3 de vidro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s coc\u00e7\u00e3o em forno, os cilindros medindo aproximadamente 10mm de di\u00e2metro e 4mm de altura foram aplainados em sua extremidade superior, por meio de uma ponta diamantada cil\u00edndrica para pe\u00e7a reta, em baixa velocidade (#92G, s\u00e9rie 3, KG Sorensen Ind. e Com. Ltda.), at\u00e9 que fosse obtida uma superf\u00edcie homog\u00eanea, para que ficassem o mais paralelo poss\u00edvel ao plano horizontal. Em seguida, os corpos de prova foram lavados em \u00e1gua bidestilada em lavadora ultrass\u00f4nica por 10 minutos. Posteriormente, passaram pelo glaze, tamb\u00e9m de acordo com as especifica\u00e7\u00f5es dos fabricantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura do forno e ao tempo de queima (Quadro 1).<\/p>\n<p>Em seguida, foi feita a divis\u00e3o desses 20 corpos de prova de cada grupo de cer\u00e2mica (G1 e G2) em quatro subgrupos (n = 5) para cada grupo de cer\u00e2mica, de acordo com o tipo de tratamento superficial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-881\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig01.jpg\" width=\"400\" height=\"350\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig01.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig01-300x262.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-882\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig02.jpg\" width=\"800\" height=\"161\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig02-300x60.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os esp\u00e9cimes foram desgastados com pontas diamantadas 3098F, lavados com spray de \u00e1gua\/ar da seringa tr\u00edplice e, depois, com ponta diamantada 3098FF, para a simula\u00e7\u00e3o de um ajuste intrabucal pr\u00e9vio, exceto a amostra controle. O procedimento foi efetuado com o longo eixo da ponta diamantada paralelo \u00e0 superf\u00edcie do corpo de prova, com press\u00e3o moderada, durante 10 segundos e com refrigera\u00e7\u00e3o abundante, removendo a camada superficial de glaze. Cada ponta diamantada foi substitu\u00edda por outra ap\u00f3s o desgaste de cinco corpos de prova de um subgrupo (50s de uso).<\/p>\n<p>A seguir, s\u00e3o descritos os tratamentos realizados em cada grupo dos corpos de prova: T1 (controle) \u2013 Glaze laboratorial; T2 \u2013 discos Soflex (3M) + polidor de feltro (Komet) + pasta diamantada; T3 \u2013 polidores Ceragloss verde, azul e amarelo (Edenta, AV\/SG) e T4 \u2013 reglazeamento (Quadro 2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb <b>Grupo T1<\/b> \u2013 controle. N\u00e3o receberam nenhum tratamento adicional ap\u00f3s serem glazeados.<\/p>\n<p>\u00bb <b>Grupo T2<\/b> \u2013 o polimento foi feito com os discos Soflex, composto com abrasivos de \u00f3xido de alum\u00ednio, de granula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia (azul-escuro), fina (azul) e superfina (azul claro), montados em mandril para pe\u00e7a reta. Cada disco foi utilizado uma \u00fanica vez, durante 40 segundos (conforme instru\u00e7\u00f5es do fabricante), com movimentos circulares e leve press\u00e3o. Entre cada disco, os corpos de prova foram lavados com jato de \u00e1gua\/ar por um minuto e secados com ar. Ap\u00f3s, foram polidos com polidor de feltro (Komet) e pasta diamantada (Kota) durante 30 a 40 segundos, com leve press\u00e3o e movimentos circulares.<\/p>\n<p>\u00bb <b>Grupo T3<\/b> \u2013 polidos com pr\u00e9-polidor verde (333\u00a0AR) para eliminar os riscos e imperfei\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie, polidor azul (3033 AR) para polimento com leve abras\u00e3o e polidor amarelo (30033\u00a0AR) para polimento de alto brilho sem pasta de polimento, todos da marca Edenta (Su\u00ed\u00e7a).<\/p>\n<p>\u00bb <b>Grupo T4<\/b> \u2013 foram levados ao forno para coc\u00e7\u00e3o das cer\u00e2micas para um segundo processo de glaze, id\u00eantico ao primeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos os corpos de prova, ap\u00f3s receberem seus tratamentos, foram colocados em banho de ultrassom com \u00e1gua destilada, por 10 minutos, para limpeza da superf\u00edcie tratada.<\/p>\n<p>As mensura\u00e7\u00f5es da rugosidade de superf\u00edcie foram realizadas nos 40 corpos de prova por meio de um rugos\u00edmetro, modelo Form TalySurf Series 2 (Taylor-Hobson), que opera com uma ponta palpadora de superf\u00edcie. O rugos\u00edmetro oferece v\u00e1rios padr\u00f5es de leitura, mas a rugosidade m\u00e9dia (Ra) foi o par\u00e2metro utilizado nesse estudo.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o das leituras do padr\u00e3o de rugosidade m\u00e9dia (Ra), apresentados na unidade de medida micr\u00f4metros (\u00b5m), foram utilizados 5 cut-off (m\u00ednimo comprimento de amostragem) com tamanho de 0,25mm, totalizando uma extens\u00e3o de trajeto (Ln) de 1,25mm, velocidade constante e filtros de rugosidade e de Gauss. A leitura sequencial de tr\u00eas repeti\u00e7\u00f5es, ou seja, a extens\u00e3o de trajeto de leitura (Ln) foi percorrida tr\u00eas vezes, com um intervalo de 0,1mm entre elas, totalizando uma leitura de superf\u00edcie de 3,75mm. Os corpos de prova foram rotacionados em, aproximadamente, 60\u00ba entre as leituras, possibilitando a an\u00e1lise de diferentes \u00e1reas de um mesmo corpo de prova e eliminando a possibilidade de aferir no mesmo sentido em que os tratamentos foram realizados. Foi calculada a Ra obtida para cada esp\u00e9cime atrav\u00e9s da media das tr\u00eas leituras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig03.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-892\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig03.jpg\" width=\"800\" height=\"185\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig03.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig03-300x69.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Ra considerada para o estudo foi a m\u00e9dia aritm\u00e9tica entre os tr\u00eas valores de rugosidade mensurados pela agulha analisadora durante sua extens\u00e3o de trajeto, valor que era automaticamente apresentado na tela do aparelho. O valor de Ra de cada corpo de prova foi resultado da m\u00e9dia aritm\u00e9tica das tr\u00eas aferi\u00e7\u00f5es realizadas; j\u00e1 o valor de Ra de cada tratamento (T) consiste na m\u00e9dia aritm\u00e9tica dos cinco valores de Ra obtidos para cada corpo de prova.<\/p>\n<p>Foi realizada a microscopia eletr\u00f4nica de varredura (SSX-550, Superscan) de um esp\u00e9cime da cada grupo, com aumento de 50 vezes, na \u00e1rea central dos corpos de prova, o que permitiu uma n\u00edtida visualiza\u00e7\u00e3o de algumas caracter\u00edsticas de superf\u00edcie que os filtros do rugos\u00edmetro nem sempre conseguem detectar.<\/p>\n<p>Os dados foram catalogados e submetidos \u00e0 an\u00e1lise estat\u00edstica para compara\u00e7\u00e3o inter e intragrupos. O n\u00edvel de signific\u00e2ncia foi de 5%. A normalidade (dados em forma de sino) das observa\u00e7\u00f5es coletadas foi verificada atrav\u00e9s do teste de Lilliefors e aplicado, tamb\u00e9m, o teste n\u00e3o-param\u00e9trico de Kruskal-Wallis, por causa da falta de normalidade encontrada nos grupos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cer\u00e2mica Carmen CCS<\/strong><\/p>\n<p>As m\u00e9dias, tamanho da amostra, desvios-padr\u00f5es, valores m\u00ednimo e m\u00e1ximo para ambas as cer\u00e2micas e tratamentos utilizados s\u00e3o apresentados na Tabela 1. A normalidade das observa\u00e7\u00f5es coletadas foi verificada atrav\u00e9s do teste de Lilliefors. Para o material CCS, n\u00e3o foi comprovado o pressuposto de normalidade, ent\u00e3o, nesse caso, foi aplicado para compara\u00e7\u00e3o dos tratamentos o teste n\u00e3o-param\u00e9trico de Kruskal-Wallis, o qual indicou diferen\u00e7as significativas entre os tratamentos, pois forneceu uma estat\u00edstica de 16,577 com p-valor\u00a0=\u00a00,0009.<\/p>\n<p>O teste da diferen\u00e7a m\u00ednima significativa observou apenas duas diferen\u00e7as significativas entre os tratamentos: T1 difere de T3 e T4 difere de T3. As demais compara\u00e7\u00f5es pareadas n\u00e3o acusaram diferen\u00e7as significativas. Portanto, o tratamento T3 apresentou valores superiores \u00e0queles obtidos atrav\u00e9s do tratamento T1 e T4.<\/p>\n<p>Pode-se observar na Figura 2 que o tratamento 3 apresentou mais rugosidade que os demais. Estatisticamente, no entanto, n\u00e3o foi observada diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento 2. Nota-se a presen\u00e7a de valores considerados \u201coutliers\u201d. Entretanto, mesmo excluindo essas observa\u00e7\u00f5es, os resultados do teste de Kruskal-Wallis apresentaram as mesmas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cer\u00e2mica Duceram LFC<\/strong><\/p>\n<p>Obteve-se, tamb\u00e9m, para esse material, uma an\u00e1lise descritiva do conjunto de dados para proporcionar um resumo das observa\u00e7\u00f5es. Para isso, foram obtidas as medidas descritivas: m\u00e9dia, tamanho da amostra, desvio-padr\u00e3o, valor m\u00ednimo e m\u00e1ximo (Tab. 2).<\/p>\n<p>A normalidade das observa\u00e7\u00f5es coletadas foi verificada atrav\u00e9s do teste de Lilliefors e, para esse material, o pressuposto de normalidade foi atendido, por isso aplicou-se o m\u00e9todo da An\u00e1lise de Vari\u00e2ncia Simples, com teste de compara\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas de Tukey. O n\u00edvel de signific\u00e2ncia empregado foi de 5%. O teste de an\u00e1lise de vari\u00e2ncia (Tab. 3) forneceu uma estat\u00edstica de 4,057 com p-valor de 0,025. Portanto, \u00e9 indicativo de diferen\u00e7as significativas entre os tratamentos. O teste de compara\u00e7\u00f5es de Tukey observou apenas uma diferen\u00e7a significativa entre os tratamentos: T3 apresenta valores superiores a T4. As demais compara\u00e7\u00f5es pareadas n\u00e3o acusaram diferen\u00e7as significativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-894\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig04\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig04.jpg\" width=\"800\" height=\"226\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig04.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig04-300x84.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-895\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig05\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig05.jpg\" width=\"400\" height=\"513\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig05.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig05-233x300.jpg 233w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Figura 3 mostra o gr\u00e1fico de compara\u00e7\u00e3o entre os tratamentos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rugosidade para G2, afirmando os valores discrepantes para o T2.<\/p>\n<p>Para compara\u00e7\u00e3o dos tratamentos, entre os diferentes materiais (CCS e LFC), foi aplicado o teste de Mann-Whitney, sendo observada diferen\u00e7a significativa apenas entre os tratamentos 1 e 3 (Tab. 4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-896\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig06\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig06.jpg\" width=\"800\" height=\"225\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig06.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig06-300x84.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-897\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig07\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig07.jpg\" width=\"800\" height=\"103\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig07.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig07-300x38.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-898\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig08\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig08.jpg\" width=\"800\" height=\"232\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig08.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig08-300x87.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-899\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig09\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig09.jpg\" width=\"400\" height=\"379\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig09.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig09-300x284.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Microscopia eletr\u00f4nica de varredura<\/strong><\/p>\n<p>As fotomicrografias comparadas (Fig. 4, 5, 6) s\u00e3o aquelas obtidas com magnifica\u00e7\u00e3o de 50x, aferindo a \u00e1rea central de cada corpo de prova, em fun\u00e7\u00e3o da maior \u00e1rea abrangente.<\/p>\n<p>As fotografias de T3 aparecem em ambos os grupos G1 e G2, com um aumento de poros e riscos na superf\u00edcie, diferindo das superf\u00edcies que passaram pelo processo de glazeamento ou reglazeamento (T1 e T4) (Fig. 4, 5, 6).<\/p>\n<p>Em G2, as fotografias de T2 apresentaram-se com menos riscos e poros em sua superf\u00edcie, quando comparadas ao mesmo tratamento em G1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-900\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig10\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig10.jpg\" width=\"800\" height=\"322\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig10.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig10-300x120.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-901\" alt=\"Casos_Estetica_v10_n01_fig11\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Casos_Estetica_v10_n01_fig11.jpg\" width=\"800\" height=\"328\" 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da cer\u00e2mica apresente-se o mais lisa poss\u00edvel. Sua rugosidade superficial deve ser reduzida com o acabamento inicial e a aplica\u00e7\u00e3o do glaze. Willems et al.<sup>22<\/sup> sugeriram que a rugosidade superficial do esmalte dent\u00e1rio deve ser considerada como padr\u00e3o de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Existem diversas maneiras de aferir a rugosidade de uma superf\u00edcie, entre elas pode-se citar a perfilometria de contato<sup>10,11<\/sup>, a MEV<sup>11,16,17<\/sup> e, ainda, outros m\u00e9todos como a reflex\u00e3o especular com <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">laser<\/a> He-Ne<sup>11<\/sup>, an\u00e1lise visual com examinadores diferentes fazendo uso de uma lupa manual<sup>17<\/sup>, ou por meio de crit\u00e9rios pr\u00e9-selecionados.<\/p>\n<p>Alguns artigos sugerem que superf\u00edcies com valores de rugosidade superficial m\u00e9dia (Ra) superiores a 0,2\u00b5m favorecem a reten\u00e7\u00e3o bacteriana<sup>4<\/sup>. Autores encontraram em seus trabalhos valores elevados de Ra nos tratamentos com pontas diamantadas de granula\u00e7\u00e3o fina e ultrafina, situa\u00e7\u00e3o que simula o ajuste cl\u00ednico<sup>4,21<\/sup>.<\/p>\n<p>Muitos profissionais defendem o uso do polimento superficial ao inv\u00e9s da reaplica\u00e7\u00e3o do glaze para controlar o brilho e a textura de superf\u00edcie em restaura\u00e7\u00f5es cer\u00e2micas<sup>13,19,20<\/sup> quando a restaura\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 cimentada definitivamente ou, como op\u00e7\u00e3o, quando a cimenta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi realizada, devendo o cl\u00ednico dispor de recursos que visem o adequado acabamento e polimento das superf\u00edcies desgastadas que ficam rugosas. O ideal \u00e9 que uma nova aplica\u00e7\u00e3o de glaze seja realizada para que se restabele\u00e7a a integridade e lisura da superf\u00edcie<sup>10,16<\/sup>.<\/p>\n<p>Percebe-se uma controv\u00e9rsia na literatura sobre a efic\u00e1cia do polimento superficial das cer\u00e2micas. V\u00e1rios s\u00e3o os fatores que interferem nas avalia\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es dos diferentes trabalhos, a come\u00e7ar do pr\u00f3prio processo de medi\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o da rugosidade m\u00e9dia\u00a0(Ra). Existem trabalhos na literatura que utilizaram diferentes m\u00e9todos de polimento, diferentes equipamentos e processos de medi\u00e7\u00e3o. Par\u00e2metros como Ra s\u00e3o v\u00e1lidos na avalia\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies dentro de condi\u00e7\u00f5es experimentais definidas, por isso n\u00e3o devem ser correlacionadas com outros estudos<sup>10,12<\/sup>.<\/p>\n<p>No presente trabalho observou-se que, tanto em G1 quanto em G2, os maiores valores de Ra foram encontrados no tratamento T3: 0,466\u00b5m e 0,301\u00b5m, respectivamente.<\/p>\n<p>Para G1, foram encontradas diferen\u00e7as significativas entre o grupo controle (T1) e o grupo em que foram utilizados polidores (T3), tamb\u00e9m entre o grupo que sofreu reglazeamento (T4) e o grupo T3. N\u00e3o foram encontradas, no entanto, diferen\u00e7as significativas entre os grupos em que foram utilizados os discos Soflex + polidor de feltro Komet e pasta diamantada (T2) e o grupo controle (T1), e entre o grupo que sofreu reglazeamento (T4) e o grupo controle (T1). Bottino et al.<sup>7<\/sup> realizaram um trabalho semelhante e apenas o grupo em que foi utilizado o disco de feltro impregnado com pasta diamantada produziu rugosidade superficial semelhante \u00e0 superf\u00edcie glazeada<sup>7<\/sup>. Nota-se, ent\u00e3o, que para G1 torna-se vi\u00e1vel a utiliza\u00e7\u00e3o do reglazeamento do material quando isso \u00e9 poss\u00edvel, ou a utiliza\u00e7\u00e3o do tratamento T2 quando o polimento intrabucal for necessit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para G2, foram encontradas diferen\u00e7as significativas apenas entre o grupo em que foram utilizados os polidores (T3) e entre o grupo que sofreu reglazemanto (T4). N\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas entre os tratamentos T1 e T3, com Ra de 0,240\u00b5m e 0,301\u00b5m, respectivamente. Entre T1 e T2, tamb\u00e9m n\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas, com Ra de 0,240\u00b5m e 0,200\u00b5m, respectivamente. Os tratamentos T3 e T2 tamb\u00e9m se apresentaram estatisticamente semelhantes ao G2. Como primeira hip\u00f3tese para devolver a lisura superficial para essa cer\u00e2mica, pode-se fazer uso do reglazeamento ou, tamb\u00e9m, utilizar o tratamento T2, o qual, para esse material, apresentou resultados melhores at\u00e9 mesmo que para G1. O tratamento T3 n\u00e3o est\u00e1 contraindicado, mas qualitativamente pode-se observar um aumento consider\u00e1vel de riscos e poros com esse procedimento.<\/p>\n<p>Os valores de Ra obtidos nesse experimento (0,091\u00b5m para G1 e 0,240\u00b5m para G2) s\u00e3o inferiores aos encontrados na literatura para os mesmos materiais (0,311\u00b5m<sup>16<\/sup> e 0,44\u00b5m<sup>19<\/sup>, respectivamente). Sugere-se que essa diferen\u00e7a seja pelo m\u00e9todo de processamento e propor\u00e7\u00f5es diferentes dos materiais. Autores que tamb\u00e9m avaliaram a rugosidade superficial da Duceram LFC obtiveram Ra de 0,44\u00b5m ap\u00f3s o glaze, e de 0,37\u00b5m ap\u00f3s o overglaze, valor maior do que o encontrado nesse trabalho, com o mesmo material (0,177\u00b5m)<sup>20<\/sup>.<\/p>\n<p>Alguns trabalhos n\u00e3o encontraram diferen\u00e7as significativas entre o grupo controle (glaze inicial) e os grupos em que foi realizado polimento<sup>21<\/sup>. Outros, utilizando o par\u00e2metro de rugosidade m\u00e9dia (Ra), conclu\u00edram que as superf\u00edcies polidas foram mais lisas que as com glaze<sup>19,20<\/sup>. J\u00e1 para alguns autores<sup>2,6<\/sup>, os valores de Ra para as superf\u00edcies com glaze se mostraram mais baixos que as superf\u00edcies polidas. Em outro estudo<sup>15<\/sup>, utilizaram discos Sof-Lex + discos de feltro com pasta diamantada como um dos sistemas de polimento, assim como no presente\u00a0 trabalho.<\/p>\n<p>Patterson et al.<sup>16<\/sup> realizaram an\u00e1lise por meio de MEV e demonstraram que a superf\u00edcie polida apresentou falhas, como um aumento de riscos e de porosidade, que n\u00e3o se apresentavam com o glaze, informa\u00e7\u00e3o que confere com os resultados observados na MEV do presente trabalho. As fotografias de T3 aparecem em ambos os grupos G1 e G2, com um aumento de poros e riscos na superf\u00edcie, diferindo das superf\u00edcies que passaram pelo processo de glazeamento ou reglazeamento (T1 e T4), como \u00a0orroboram alguns estudos<sup>14,15<\/sup>. Em G2, as fotografias de T2 apresentaram-se com menos riscos e poros em sua superf\u00edcie, quando comparadas ao mesmo tratamento em G1.<\/p>\n<p>Nesse estudo foi encontrada uma correla\u00e7\u00e3o (superf\u00edcies mais rugosas e aumento de poros nas imagens) entre os dados do rugos\u00edmetro e os resultados observados \u00e0 MEV; entretanto, alguns trabalhos n\u00e3o encontraram essa correla\u00e7\u00e3o<sup>16,17<\/sup>. A maior discrep\u00e2ncia de resultados \u00e9 verificada nos estudos que utilizaram imagens de MEV para avaliar a superf\u00edcie de cer\u00e2micas polidas. Nesse processo de an\u00e1lise, \u00e9 muito dif\u00edcil quantificar numericamente a rugosidade, ao contr\u00e1rio dos rugos\u00edmetros<sup>12<\/sup>. Por outro lado, permite uma defini\u00e7\u00e3o de forma e contorno, que os filtros dos rugos\u00edmetros nem sempre permitem detectar<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>Muitos observaram a necessidade do uso de uma pasta diamantada como est\u00e1gio final ao polimento de superf\u00edcie, promovendo uma redu\u00e7\u00e3o significativa nos valores de Ra, sendo, assim, uma alternativa ao reglazeamento<sup>2,7,8,11,18<\/sup>. A escova de Robinson, a roda de feltro e o disco de feltro foram ve\u00edculos efetivos para serem usados em associa\u00e7\u00e3o com as pastas diamantadas; j\u00e1 o uso das ta\u00e7as de borracha foi o ve\u00edculo menos eficiente<sup>9<\/sup>. Para o presente estudo, tanto para G1 como para G2, o grupo em que foi utilizada a pasta diamantada como est\u00e1gio final (T2) n\u00e3o apresentou diferen\u00e7a significativa ao grupo controle (T1), e nem ao grupo em que os corpos de prova foram reglazeados (T4), refor\u00e7ando, assim, essa necessidade, e dando uma poss\u00edvel op\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para ajustes cer\u00e2micos intrabucais.<\/p>\n<p>Apesar de T2 e T3, com valores m\u00e9dios de Ra de 0,247\u00b5m e 0,466\u00b5m, respectivamente, n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7as estat\u00edsticas significativas entre si, necessita-se que mais pesquisas ou que estudos cl\u00ednicos sejam realizados para a utiliza\u00e7\u00e3o do tratamento T3, devido \u00e0 diferen\u00e7a de superf\u00edcies encontrada utilizando esse material e das glazeadas e reglazeadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com base no m\u00e9todo proposto e na an\u00e1lise dos resultados obtidos, pode-se concluir que, tanto em G1 quanto em G2, os maiores valores de Ra foram encontrados no tratamento T3 (polidores Ceragloss verde, azul e amarelo da Edenta). Foi encontrada correla\u00e7\u00e3o entre os dados do rugos\u00edmetro e as fotomicrografias de MEV. Tamb\u00e9m foi percebido que alguns processos de polimento, como T2, produzem superf\u00edcie semelhante \u00e0 glazeada quando analisadas quantitativamente, no entanto, com maior quantidade de riscos e poros quando analisadas qualitativamente e comparadas \u00e0 superf\u00edcie glazeada (T1) e \u00e0 reglazeada (T4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como citar este artigo<\/strong><\/p>\n<p>Olivieri KAN, Pelissari LP, Teixeira ML, Miranda ME. Avalia\u00e7\u00e3o da rugosidade superficial de duas cer\u00e2micas odontol\u00f3gicas submetidas a diferentes tratamentos polidores. Rev Dental Press Est\u00e9t. 2013 jan-mar;10(1):96-107. \u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avaliar por meio de an\u00e1lise rugosim\u00e9trica e imagens de microscopia eletr\u00f4nica de varredura, a rugosidade superficial (Ra) de duas cer\u00e2micas odontol\u00f3gicas, ap\u00f3s simula\u00e7\u00e3o de ajuste com brocas diamantadas e diferentes tratamentos de polimento. <\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-869","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}