{"id":7177,"date":"2015-08-28T15:10:24","date_gmt":"2015-08-28T18:10:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=7177"},"modified":"2015-10-16T09:55:32","modified_gmt":"2015-10-16T12:55:32","slug":"anil-anti-inflamatorio-antioxidante-revela-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/anil-anti-inflamatorio-antioxidante-revela-estudo\/","title":{"rendered":"Anil \u00e9 anti-inflamat\u00f3rio e antioxidante, revela estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Anil.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-7178\" alt=\"Anil\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Anil-300x201.jpg\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Anil-300x201.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Anil.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O \u00edndigo, ou anil, um corante de origem vegetal usado pela humanidade h\u00e1 milhares de anos, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamat\u00f3rias que podem vir a ser \u00fateis no tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais (DII), como a colite ulcerativa e a Doen\u00e7a de Crohn, mostra uma s\u00e9rie de estudos em animais descrita na tese de doutorado \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do Efeito do Alcaloide \u00cdndigo em Modelos Experimentais de Colite\u201d, da pesquisadora Ana Cristina Alves de Almeida, defendida no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bioci\u00eancias e Tecnologia de Produtos Bioativos.<\/p>\n<p>Nos modelos experimentais usados por Ana Cristina, drogas foram usadas para provocar sintomas de colite aguda, cr\u00f4nica e tamb\u00e9m de inflama\u00e7\u00e3o associada a c\u00e2ncer de c\u00f3lon, em ratos e camundongos, e os animais foram tratados com \u00edndigo por via oral.<\/p>\n<p>\u201cO modelo que se aproxima mais da doen\u00e7a de Crohn \u00e9 bastante agressivo. Nesse modelo, o tratamento com \u00edndigo reduziu a les\u00e3o macrosc\u00f3pica, e isso por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um sinal interessante, porque a les\u00e3o \u00e9 bastante severa\u201d, disse a pesquisadora. \u201cObservamos tamb\u00e9m que o \u00edndigo melhorou alguns marcadores do estresse oxidativo no c\u00f3lon dos animais que foram tratados\u201d. Nesse modelo, no entanto, n\u00e3o foi detectada redu\u00e7\u00e3o nas mol\u00e9culas envolvidas no processo inflamat\u00f3rio. \u201cMas houve uma a\u00e7\u00e3o um pouco mais antioxidante que auxiliou no efeito de prote\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 na vers\u00e3o menos severa da inflama\u00e7\u00e3o, onde as les\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis a olho nu, o tratamento com \u00edndigo reduziu alguns sintomas da doen\u00e7a, bem como a presen\u00e7a das mol\u00e9culas que marcam a inflama\u00e7\u00e3o. \u201cEle n\u00e3o minimizou todos os sintomas da doen\u00e7a, mas alguns, sim: os animais tratados perderam menos peso, houve menor mortalidade. A gente percebe que o \u00edndigo teve um efeito protetor\u201d.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para falar na aplica\u00e7\u00e3o dessas descobertas no tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias em humanos \u2013 s\u00e3o necess\u00e1rios mais experimentos em animais, em modelos que se aproximem mais da forma como a doen\u00e7a se manifesta nas pessoas, antes de se avan\u00e7ar para os testes de seguran\u00e7a em seres humanos e, por fim, para os ensaios cl\u00ednicos \u2013, mas Ana Cristina lembra que a mol\u00e9cula do \u00edndigo n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 abundante na planta original do corante, a indig\u00f3fera, como pode ser facilmente sintetizada: a maior parte do corante usado hoje n\u00e3o \u00e9 mais extra\u00eddo da natureza, mas fabricado por meio de um processo barato e j\u00e1 bem estabelecido.<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00edveis de pureza podem ser diferentes, mas a mol\u00e9cula do corante fabricado \u00e9 a mesma que testamos, extra\u00edda de\u00a0<em>Indigofera truxillensis<\/em>\u201d, disse ela. \u201cCom base nos resultados, n\u00e3o s\u00f3 do meu trabalho como do nosso grupo, outros grupos de pesquisa podem levar adiante o estudo, avaliando melhor o poss\u00edvel efeito toxicol\u00f3gico das mol\u00e9culas e realizar o estudo em humanos, a pesquisa cl\u00ednica. Isso pode ser feito por meio de parcerias, ou do interesse de outros grupos de pesquisa\u201d.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o, os melhores tratamentos dispon\u00edveis hoje em dia para essas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o agentes biol\u00f3gicos que afetam o sistema imunol\u00f3gico: caros, de fabrica\u00e7\u00e3o complexa e tendem a produzir efeitos colaterais.<\/p>\n<p>\u201cEsses tratamentos s\u00e3o eficazes, mas t\u00eam custo elevado e muitos efeitos colaterais, j\u00e1 que geralmente o tratamento envolve a inibi\u00e7\u00e3o do sistema imune\u201d, disse a pesquisadora. \u201cOutra coisa que motiva a busca por novos tratamentos \u00e9 que h\u00e1 pacientes que n\u00e3o respondem aos tratamentos existentes. E \u00e0s vezes o tratamento pode deixar de ser efetivo para uma pessoa. Na pr\u00e1tica, o paciente come\u00e7a um tratamento, depois tem que passar para outro, e depois de um certo tempo deixa de responder tamb\u00e9m e tem que mudar outra vez\u201d, descreveu.<\/p>\n<p>Essas doen\u00e7as inflamat\u00f3rias s\u00e3o mais diagnosticadas no mundo desenvolvido, mas os registros nos pa\u00edses em desenvolvimento v\u00eam crescendo. Em sua tese, a pesquisadora nota que \u201ch\u00e1 aumento significativo da incid\u00eancia de DII praticamente em todos os pa\u00edses onde h\u00e1 dados relatados, mesmo em locais com poucos casos, como \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina (&#8230;) A preval\u00eancia e incid\u00eancia de DII t\u00eam aumentado em pa\u00edses em desenvolvimento, o que se deve, possivelmente, a uma maior efic\u00e1cia na identifica\u00e7\u00e3o dos pacientes, aliada a maior acesso a ferramentas de diagn\u00f3stico, e \u00e0s mudan\u00e7as ambientais como industrializa\u00e7\u00e3o e ado\u00e7\u00e3o de estilo de vida semelhante a dos pa\u00edses desenvolvidos\u201d.<\/p>\n<p><strong>DROGAS E VENENOS<\/strong><\/p>\n<p>O \u00edndigo \u00e9 um alcaloide, uma classe de mol\u00e9cula de origem vegetal que inclui diversas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas ou psicoativas, como cafe\u00edna, morfina, nicotina e estricnina. \u201cO alcaloide \u00e9 o que a gente chama de metab\u00f3lito secund\u00e1rio, uma classe de produtos que s\u00e3o sintetizados pelas plantas que n\u00e3o est\u00e3o relacionados ao metabolismo principal, mas que conferem alguma vantagem de sobreviv\u00eancia\u201d, explicou Ana Cristina.<\/p>\n<p>\u201cOs alcaloides geralmente s\u00e3o mol\u00e9culas pequenas, contendo nitrog\u00eanio. Existem v\u00e1rios alcaloides, e a gente ouve falar mais dos perigosos, mas existe uma diversidade muito grande, tanto de estrutura qu\u00edmica quanto de atividade biol\u00f3gica no ser humano e em outros organismos\u201d.<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores j\u00e1 haviam testado a toxicidade do \u00edndigo em culturas de c\u00e9lulas e em bact\u00e9rias, encontrando efeitos negativos. \u201cEncontrou-se um certo efeito mutag\u00eanico em uma linhagem de bact\u00e9rias (<em>Salmonella<\/em>\u00a0TA98), e toxicidade em certos tipos celulares (c\u00e9lulas de adenocarcinoma de pulm\u00e3o e de mama)\u201d, relatou Ana Cristina. \u201cPor conta disso, avaliei tamb\u00e9m um pouco da toxicidade no meu trabalho\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora acompanhou os animais, durante o per\u00edodo de tratamento, em busca de sinais de mudan\u00e7a de comportamento, e tamb\u00e9m analisou a sa\u00fade dos \u00f3rg\u00e3os dos roedores, como cora\u00e7\u00e3o, rins e f\u00edgado, ap\u00f3s o final do estudo. \u00a0\u201cTamb\u00e9m fiz outro experimento, de toxicidade aguda de dose \u00fanica: a ideia \u00e9 dar uma dose bem alta da subst\u00e2ncia e acompanhar os animais por duas semanas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o ficaram doid\u00f5es\u201d, brincou Ana Cristina, \u201ce nem encontramos sinais de toxicidade. Ent\u00e3o, a gente acredita que,\u00a0<em>in vivo<\/em>, o \u00edndigo n\u00e3o tenha toxicidade alta. Mas, antes de passar isso para um estudo em humanos, ainda h\u00e1 protocolos que precisam ser testados, n\u00e3o s\u00f3 em roedores como tamb\u00e9m em algum outro animal, diferente do roedor, ao menos ter uma ideia melhor da n\u00e3o toxicidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>BIOTA<\/strong><\/p>\n<p>O interesse pelo \u00edndigo, disse a pesquisadora, surgiu depois que duas esp\u00e9cies de\u00a0<em>Indigofera<\/em>\u00a0foram estudadas em um projeto tem\u00e1tico do programa Biota Fapesp, \u201cUso sustent\u00e1vel da biodiversidade brasileira: prospec\u00e7\u00e3o qu\u00edmico-farmacol\u00f3gica em plantas superiores\u201d, que trabalhou com caracteriza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e avalia\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica de extratos e fra\u00e7\u00f5es, a partir de conhecimentos tradicionais de popula\u00e7\u00f5es do cerrado brasileiro sobre propriedades medicinais de plantas. Esse projeto, que durou de 2003 a 2008, foi encabe\u00e7ado por Wagner Vilegas, da Unesp, e teve, entre seus pesquisadores principais, a professora Alba Regina Monteiro Souza Brito, orientadora da tese de Ana Cristina.<\/p>\n<p>\u201cMinha tese j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais dentro do Biota, mas surgiu dos trabalhos feitos dentro desse projeto\u201d, disse a pesquisadora. \u201cDepois desse projeto inicial, houve outro no guarda-chuva do Biota, \u2018Fitoter\u00e1picos padronizados como alvo para o tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u2019 (em andamento), que levou adiante estudos em algumas das plantas avaliadas, mas a indig\u00f3fera acabou n\u00e3o sendo selecionada\u201d.<\/p>\n<p>Ana Cristina espera ter, at\u00e9 o fim do ano, pelo menos um artigo, escrito e enviado a peri\u00f3dico cient\u00edfico, sobre seu trabalho com \u00edndigo. O prosseguimento dos estudos depende de acertos de agenda, j\u00e1 que ela, al\u00e9m de pesquisadora, tamb\u00e9m \u00e9 funcion\u00e1ria do IB. \u201cPrestei um concurso no final de 2012 e fui chamada para trabalhar no IB em 2013. J\u00e1 estava no meio do doutorado quando comecei a trabalhar aqui, como biologista no Departamento de Gen\u00e9tica\u201d, disse. \u201cPretendo ainda fazer alguns ensaios com o \u00edndigo, para publicar o meu trabalho de tese de doutorado, mas gostaria de test\u00e1-lo num outro modelo, que se aproxima mais da forma como a doen\u00e7a se manifesta em humanos. E talvez fazer alguma outra pesquisa mais relacionada ao c\u00e2ncer colorretal, s\u00f3 que a\u00ed j\u00e1 sem o \u00edndigo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Publica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tese<\/strong>: \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do Efeito do Alcaloide \u00cdndigo em Modelos Experimentais de Colite\u201d<\/p>\n<p><strong>Autora<\/strong>: Ana Cristina Alves de Almeida<\/p>\n<p><strong>Orientadora<\/strong>: Alba Regina Monteiro Souza Brito<\/p>\n<p><strong>Unidade<\/strong>: Instituto de Biologia (IB)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"comments\">\u00a0<strong>FONTE<\/strong>: Jornal da Unicamp<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00edndigo, ou anil, um corante de origem vegetal usado pela humanidade h\u00e1 milhares de anos, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamat\u00f3rias que podem vir a ser \u00fateis no tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais (DII), como a colite ulcerativa e a Doen\u00e7a de Crohn, mostra uma s\u00e9rie de estudos em animais descrita na tese de doutorado<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":7178,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-7177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}