{"id":7083,"date":"2015-08-24T14:02:13","date_gmt":"2015-08-24T17:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=7083"},"modified":"2015-10-16T09:56:42","modified_gmt":"2015-10-16T12:56:42","slug":"parceria-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/parceria-abelhas\/","title":{"rendered":"Parceria com abelhas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelhas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-7084\" alt=\"Abelha\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelhas-199x300.jpg\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelhas-199x300.jpg 199w, \/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelhas.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a>Um medicamento feito de pr\u00f3polis \u2013 esp\u00e9cie de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-resina-compostas\/\">resina<\/a> produzida pelas abelhas para proteger as colmeias \u2013 poder\u00e1 ajudar a prevenir e tratar inflama\u00e7\u00f5es, infec\u00e7\u00f5es e ulcera\u00e7\u00f5es bucais, comuns em pacientes que recebem radia\u00e7\u00e3o contra c\u00e2nceres na regi\u00e3o da cabe\u00e7a e do pesco\u00e7o. O gel aderente \u00e0 mucosa da boca est\u00e1 sendo desenvolvido pela Pharma Nectar, uma pequena empresa de Belo Horizonte, em parceria com a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG). Ele j\u00e1 passou por testes\u00a0<i>in vitro<\/i>, com animais, e por avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas em pequenos grupos de pessoas, com bons resultados. Agora, est\u00e1 sendo testado em um n\u00famero maior de pacientes e comparado com drogas j\u00e1 existentes para o mesmo tipo de tratamento.<\/p>\n<p>Os principais tipos de c\u00e2ncer que atin-gem a regi\u00e3o do pesco\u00e7o e da cabe\u00e7a s\u00e3o os de boca, es\u00f4fago, tireoide e laringe. Segundo o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), a estimativa \u00e9 de que em 2014 sejam registrados no Brasil 23.710 novos casos dessas quatro esp\u00e9cies de tumores. O tratamento mais indicado \u00e9 a radioterapia. O problema \u00e9 que a radia\u00e7\u00e3o empregada causa efeitos colaterais graves, entre os quais a mucosite (inflama\u00e7\u00e3o da mucosa) e a xerostomia (falta de saliva, ou boca seca). Al\u00e9m disso, a radia\u00e7\u00e3o altera a microbiota da boca, facilitando a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es por microrganismos que vivem ali naturalmente, como a\u00a0<i>Candida albicans<\/i>, que causa o conhecido \u201csapinho\u201d. Em pacientes de radioterapia, o fungo cresce de forma descontrolada, provocando uma doen\u00e7a chamada candidose ou candid\u00edase bucal. Os resultados de todas essas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ulcera\u00e7\u00f5es e muita <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a>. \u201cAlguns pacientes n\u00e3o conseguem comer nem falar e correm o risco de desenvolver anorexia e prostra\u00e7\u00e3o\u201d, diz Vagner Rodrigues Santos, professor da FO-UFMG, que est\u00e1 trabalhando no desenvolvimento do gel de pr\u00f3polis em parceria com a Pharma Nectar.<\/p>\n<p>Ele conta que a ideia surgiu em 2007, quando assumiu a coordena\u00e7\u00e3o do Projeto de Atendimento de Suporte Odontol\u00f3gico ao Paciente Portador de C\u00e2ncer e Irradiado na Regi\u00e3o da Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o da UFMG. \u201cFoi ent\u00e3o que observei a necessidade de um produto que trouxesse melhor qualidade de vida para essas pessoas que sofriam muito com a xerostomia, mucosite e candid\u00edase associada\u201d, conta. \u201cDa\u00ed me veio a ideia de criar um gel que fosse mucoadesivo e que tivesse propriedades ao mesmo tempo anti-inflamat\u00f3rias, anest\u00e9sicas, lubrificantes, antif\u00fangicas, antibacterianas e cicatrizantes \u2013 todas qualidades atribu\u00eddas \u00e0 pr\u00f3polis.\u201d<\/p>\n<p>Para isso, Rodrigues procurou a Pharma Nectar, especializada em produtos ap\u00edcolas. \u201cA empresa surgiu informalmente no in\u00edcio dos anos 1980, como consequ\u00eancia de nosso empreendimento com abelhas no interior de Minas Gerais\u201d, conta seu diretor-executivo, Jos\u00e9 Alexandre Silva de Abreu. \u201cEm 1986 n\u00f3s a formalizamos e passamos a investir em sua estrutura\u00e7\u00e3o f\u00edsica e financeira. Em 1992, criamos a Nectar Farmac\u00eautica, quando ent\u00e3o passamos a nos empenhar na destina\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica e funcional dos produtos das abelhas\u201d, diz Abreu. \u201cExportamos para 27 pa\u00edses, empregando 35 pessoas.\u201d No total, s\u00e3o 86 produtos de linha do portf\u00f3lio da empresa.<\/p>\n<p><b>Perguntas e consultas<br \/>\n<\/b>A parceria entre a Pharma Nectar e a FO-UFMG surgiu h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. \u201cLogo ap\u00f3s terminar meu doutorado em patologia bucal, em 1996, eu estava procurando uma linha de pesquisa quando um colega comentou sobre algu\u00e9m que havia tratado uma micose entre os dedos do p\u00e9 com extrato de pr\u00f3polis\u201d, recorda Rodrigues. \u201cImediatamente surgiram perguntas: se a pr\u00f3polis trata micose do p\u00e9, pode tamb\u00e9m tratar micoses bucais? Rodrigues consultou ent\u00e3o a literatura cient\u00edfica e constatou que existiam poucas pesquisas sobre pr\u00f3polis e infec\u00e7\u00f5es da boca. \u201cCom minha primeira orientanda de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, come\u00e7amos uma investiga\u00e7\u00e3o sobre os diversos extratos encontrados no mercado de Belo Horizonte e qual deles seria o melhor para inibir o crescimento de\u00a0<i>Candida albicans<\/i>\u201d, conta. \u201cDentre as 16 marcas testadas, a de pr\u00f3polis verde da Pharma Nectar apresentou melhor resultado para a inibi\u00e7\u00e3o do microrganismo\u00a0<i>in vitro<\/i>.\u201d Essa pr\u00f3polis \u00e9 origin\u00e1ria de resinas extra\u00eddas pelas abelhas do alecrim-do-campo (<i>Baccharis dracunculifolia<\/i>).<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, ele focou os experimentos nessa pr\u00f3polis e ia todos os meses comprar amostras na farm\u00e1cia da empresa. \u201cAt\u00e9 que um dia a farmac\u00eautica e s\u00f3cia da Pharma Nectar [Sheila Lemos Abreu] me perguntou para que eu comprava tanta pr\u00f3polis\u201d, lembra Rodrigues. \u201cAo responder que eu era professor da UFMG e estava testando extratos como antimicrobiano das infec\u00e7\u00f5es bucais, ela prontamente quis uma conversa sobre o assunto e passamos a ter reuni\u00f5es mais frequentes. A Pharma Nectar passou a nos fornecer amostras de pr\u00f3polis bruta e extratos.\u201d Com a pr\u00f3polis verde e os extratos da empresa, o pesquisador realizou uma s\u00e9rie de experimentos e desenvolveu alguns produtos. Os estudos renderam pelo menos cinco trabalhos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Em 2009, Rodrigues procurou a Pharma Nectar para desenvolver o gel para uso exclusivo em pacientes com c\u00e2ncer sob tratamento radioter\u00e1pico. \u201cA ideia era que ele substitu\u00edsse a bateria de medicamentos que os pacientes usam nesses casos, como saliva artificial, antif\u00fangico, anti-inflamat\u00f3rio, analg\u00e9sicos, entre outros, que nem sempre surtem o efeito esperado\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cO que temos observado at\u00e9 agora, tanto no estudo de fase II como nesse de fase III, \u00e9 que os pacientes que fazem o uso adequado do gel antes de iniciar a radioterapia n\u00e3o t\u00eam mucosite ou, se t\u00eam, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave.\u201d Segundo ele, foram gastos at\u00e9 agora em todos os estudos e testes cl\u00ednicos cerca de R$ 60 mil, financiados pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Revista Fapesp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um medicamento feito de pr\u00f3polis \u2013 esp\u00e9cie de resina produzida pelas abelhas para proteger as colmeias \u2013 poder\u00e1 ajudar a prevenir e tratar inflama\u00e7\u00f5es, infec\u00e7\u00f5es e ulcera\u00e7\u00f5es bucais, comuns em pacientes que recebem radia\u00e7\u00e3o contra c\u00e2nceres na regi\u00e3o da cabe\u00e7a e do pesco\u00e7o. 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