{"id":6877,"date":"2015-08-11T14:19:15","date_gmt":"2015-08-11T17:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=6877"},"modified":"2015-10-16T10:10:13","modified_gmt":"2015-10-16T13:10:13","slug":"tecnica-pioneira-reduz-ronco-trata-apneia-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/tecnica-pioneira-reduz-ronco-trata-apneia-sono\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica pioneira reduz ronco e trata apneia do sono"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/materia-do-ronco.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6878  alignleft\" alt=\"\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/materia-do-ronco.jpg\" width=\"230\" height=\"130\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pesquisadores do Laborat\u00f3rio do Sono do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) desenvolveram uma t\u00e9cnica de tratamento pioneira que, se praticada diariamente e com orienta\u00e7\u00e3o de fonoaudi\u00f3logo, reduz a frequ\u00eancia e a altura do ronco at\u00e9 ele se tornar quase impercept\u00edvel, em alguns casos. A nova t\u00e9cnica \u00e9 efetiva tamb\u00e9m no tratamento da <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">apneia<\/a> do sono de grau leve e moderado, diminuindo o n\u00famero de engasgos durante a noite. O estudo brasileiro foi publicado na revista acad\u00eamica CHEST e seus resultados surpreenderam a comunidade m\u00e9dica e a imprensa internacional.<\/p>\n<p>Segundo estimativas, cerca de 54% da popula\u00e7\u00e3o adulta sofre de ronco \u2014\u00a0com grande preval\u00eancia em obesos, idosos e mulheres na p\u00f3s-menopausa. E, a depender das estat\u00edsticas, os brasileiros v\u00e3o roncar cada vez mais, j\u00e1 que dois dos fatores que levam ao ronco continuam a crescer no Pa\u00eds: a obesidade atinge 18% da popula\u00e7\u00e3o, e a progress\u00e3o da idade continua a avan\u00e7ar (em 2030, 13% dos brasileiros ter\u00e3o mais de 65 anos). O preju\u00edzo n\u00e3o \u00e9 apenas das horas de sono ou do estigma social. O ronco pode ser um dos sinais de um problema ainda mais grave: a apneia obstrutiva do sono, fator de risco importante para as doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 hoje n\u00e3o havia registro cient\u00edfico de um tratamento que combinasse efic\u00e1cia nos resultados e facilidade para a ades\u00e3o do paciente \u00e0 terapia. Acreditamos que a t\u00e9cnica brasileira est\u00e1 tendo essa repercuss\u00e3o por unir essas duas caracter\u00edsticas\u201d, diz o doutor Geraldo Lorenzi Filho, pneumologista e diretor do Laborat\u00f3rio do Sono que orientou a pesquisa de desenvolvimento da t\u00e9cnica antirronco do Incor.<\/p>\n<p>Os tratamentos existentes para o ronco s\u00e3o muitos e incluem desde cirurgias para desobstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas superiores, implantes no palato, dispositivos intraorais at\u00e9 orienta\u00e7\u00f5es para perda de peso e mudan\u00e7a postural. O grande problema da maior parte dos estudos at\u00e9 hoje \u00e9 que o ronco n\u00e3o foi medido de forma objetiva.<\/p>\n<p><strong>Exerc\u00edcios<\/strong><br \/>\nA t\u00e9cnica Incor de tratamento do ronco consiste numa s\u00e9rie de seis exerc\u00edcios para fortalecer os m\u00fasculos envolvidos direta ou indiretamente na produ\u00e7\u00e3o do ronco e na apneia obstrutiva do sono. Com dura\u00e7\u00e3o de oito minutos, os exerc\u00edcios s\u00e3o realizados tr\u00eas vezes ao dia e, para facilitar ainda mais a ades\u00e3o do paciente ao tratamento, sempre incorporados \u00e0s atividades rotineiras (como se alimentar, escovar os <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> ou no percurso para o trabalho, por exemplo).<\/p>\n<p>\u201cEmbora seja de f\u00e1cil execu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tenha qualquer contraindica\u00e7\u00e3o, os exerc\u00edcios devem ser prescritos, orientados e acompanhados por profissionais especializados\u201d, refor\u00e7a a fonoaudi\u00f3loga Vanessa Ieto, autora do estudo que resultou na nova t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Essa medida \u00e9 necess\u00e1ria para que os desvios na execu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios sejam diagnosticados e corrigidos ao longo do tratamento. \u201cAo fazer o movimento errado, seja por um mil\u00edmetro, ser\u00e3o trabalhados m\u00fasculos que nada t\u00eam a ver com a cessa\u00e7\u00e3o do ronco\u201d, explica a especialista do Incor.<\/p>\n<p>De forma simplificada, os seis exerc\u00edcios que comp\u00f5em o tratamento antirronco do Incor s\u00e3o: Empurrar a l\u00edngua contra o c\u00e9u da boca e desliz\u00e1-la para tr\u00e1s; Sugar a l\u00edngua para cima, pressionando-a por completo contra o c\u00e9u da boca; For\u00e7ar a parte posterior da l\u00edngua contra o \u201cch\u00e3o\u201d da boca, mantendo a sua ponta em contato com os dentes incisivos inferiores; Elevar a parte de tr\u00e1s do c\u00e9u da boca e a \u00favula (conhecida popularmente como \u201ccampainha\u201d) enquanto diz a vogal \u201cA\u201d; Posicionar o dedo na parte interna da bochecha entre os dentes e pressionar a bochecha para fora (cada lado da boca); Durante a alimenta\u00e7\u00e3o, manter uma mastiga\u00e7\u00e3o bilateral alternada e degluti\u00e7\u00e3o usando a l\u00edngua no palato.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><br \/>\nA t\u00e9cnica do Incor foi testada num grupo de 39 pacientes adultos (de 20 a 65 anos), de ambos os sexos, com queixas de ronco. Ela \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o (porque mais simplificada e, portanto, de melhor ades\u00e3o do paciente), de outra t\u00e9cnica tamb\u00e9m in\u00e9dita desenvolvida pelo Laborat\u00f3rio de Sono do Incor, para tratamento da apneia do sono de grau moderado, que foi a tese da fonoaudi\u00f3loga Katia Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Segundo o doutor Lorenzi Filho, a simplifica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica original para o tratamento tamb\u00e9m do ronco s\u00f3 foi poss\u00edvel porque agora se consegue medir o ronco objetivamente, gra\u00e7as a outra tecnologia in\u00e9dita desenvolvida pela parceria do Incor com o Instituto de F\u00edsica (IF) da USP.<\/p>\n<p>O aparelho de registro cont\u00ednuo do ronco grava os sons concomitantemente \u00e0 polissonografia e, por meio de um software, analisa e registra a intensidade e a frequ\u00eancia do ronco. \u201cAntes disso, n\u00e3o t\u00ednhamos como medir o ronco de forma objetiva e, portanto, era-nos imposs\u00edvel avaliar tamb\u00e9m a sua melhora por meio dos exerc\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>Por meio do exame de polissonografia e do registro cont\u00ednuo do ronco, os participantes do estudo foram diagnosticados em tr\u00eas grupos: ronco prim\u00e1rio ou aquele associado \u00e0 apneia obstrutiva do sono de grau leve ou moderado.<\/p>\n<p>Depois disso, eles foram divididos em dois grupos: um que fazia os exerc\u00edcios do Incor e o outro que foi submetido somente a exerc\u00edcios respirat\u00f3rios e uso de dilatador nasal. Al\u00e9m disso, a percep\u00e7\u00e3o do ronco foi avaliada pelo paciente e pelo seu parceiro de quarto, por meio da aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Grupo Controle n\u00e3o apresentou varia\u00e7\u00e3o no ronco. Em contrapartida, o da Terapia obteve melhora significativa, segundo a percep\u00e7\u00e3o dos companheiros de quarto dos roncadores.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de novos exames registrou que houve diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia do ronco em 36% e de 60% em sua pot\u00eancia, que representa o barulho total do ronco durante a noite. Outro benef\u00edcio n\u00e3o menos importante para o Grupo Terapia foi uma relevante, embora suave,diminui\u00e7\u00e3o da circunfer\u00eancia do pesco\u00e7o, a conhecida \u201cpapada\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do peso, da idade e, no caso das mulheres, o per\u00edodo p\u00f3s-menopausa, existem outros fatores que levam ao ronco prim\u00e1rio ou \u00e0 piora daquele associado \u00e0 apneia obstrutiva do sono, como explica Lorenzi Filho.<\/p>\n<p>\u201cDormir de barriga para cima \u00e9 uma delas, porque a l\u00edngua cai para tr\u00e1s e obstrui a faringe; o consumo de \u00e1lcool e de sedativos \u00e9 outra, uma vez que eles relaxam a musculatura dessa regi\u00e3o, favorecendo sua vibra\u00e7\u00e3o ou colapso\u201d. Al\u00e9m de se esmerar nos exerc\u00edcios antirronco, os roncadores t\u00eam que maneirar na bebida alco\u00f3lica, para n\u00e3o deixarem seu companheiro de quarto insone.<\/p>\n<p><strong>Ronco e apneia<\/strong><br \/>\nA apneia obstrutiva do sono \u00e9 caracterizada pela obstru\u00e7\u00e3o parcial (hipopneia) e\/ou total das vias a\u00e9reas (apneia) recorrente durante a noite (nesse \u00faltimo caso, ocorre a parada da respira\u00e7\u00e3o por pelo menos dez segundos nos adultos). O ronco est\u00e1 presente em 70% a 95% dos casos de apneia.<\/p>\n<p>A gravidade da apneia obstrutiva do sono \u00e9 determinada pelo n\u00famero de ocorr\u00eancias de paradas da respira\u00e7\u00e3o por hora de sono: leve (5 a 15 paradas por hora), moderada (15 a 30) e grave (mais do que 30 eventos ou engasgos por hora de sono).<\/p>\n<p>\u201cExistem pacientes que possuem dois ou tr\u00eas eventos de apneia por minuto\u201d, comenta a fonoaudi\u00f3loga Vanessa. Para esses casos, caracterizados como graves, o tratamento indicado \u00e9 o uso do aparelho CPAP (Continuos Positive Airway Pressure\/press\u00e3o positiva cont\u00ednua na via a\u00e9rea \u2013 veja v\u00eddeo demonstrativo do aparelho).<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o do fluxo de ar para os pulm\u00f5es e as paradas respirat\u00f3rias resultam numa menor oxigena\u00e7\u00e3o do sangue e em altera\u00e7\u00f5es no sistema nervoso aut\u00f4nomo (simp\u00e1tico) que, somadas, acionam uma cascata de altera\u00e7\u00f5es no metabolismo. Est\u00e3o firmadas, assim, as bases para o surgimento e\/ou agravamento da hipertens\u00e3o, da aterosclerose e da obesidade, todos eles fatores de risco isolados para as doen\u00e7as cardiovasculares, as que mais matam no mundo. Quando conjugados, eles aumentam ainda mais o risco de infarto, AVC e arritmias.<\/p>\n<p>De acordo com estudo realizado na cidade de S\u00e3o Paulo pelo Instituto do Sono, um a cada tr\u00eas adultos tem algum grau de apneia obstrutiva do sono. Grande parte dessas pessoas segue sem diagn\u00f3stico e, portanto, sem tratamento, o que aumenta enormemente o risco das doen\u00e7as card\u00edacas. \u201cA presen\u00e7a do ronco pode ser um term\u00f4metro para que mais pessoas procurem o m\u00e9dico, seja diagnosticadas e tratadas\u201d, alerta o Dr. Lorenzi Filho.<\/p>\n<p>Os sintomas mais comuns da apneia s\u00e3o o ronco e a sonol\u00eancia excessiva diurna. Em casos mais graves, pode ocorrer ainda sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento, ao acordar nas interrup\u00e7\u00f5es mais prolongadas da respira\u00e7\u00e3o. O sono interrompido provoca cansa\u00e7o, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, irritabilidade, depress\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da libido, impot\u00eancia sexual e cefal\u00e9ia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Laborat\u00f3rio do Sono do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) desenvolveram uma t\u00e9cnica de tratamento pioneira que, se praticada diariamente e com orienta\u00e7\u00e3o de fonoaudi\u00f3logo, reduz a frequ\u00eancia e a altura do ronco at\u00e9 ele se tornar quase impercept\u00edvel, em alguns casos. 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