{"id":6847,"date":"2015-08-10T11:39:26","date_gmt":"2015-08-10T14:39:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=6847"},"modified":"2015-08-25T11:10:16","modified_gmt":"2015-08-25T14:10:16","slug":"diagnostico-identifica-dor-neuropatica-precisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/diagnostico-identifica-dor-neuropatica-precisao\/","title":{"rendered":"Diagn\u00f3stico identifica dor neurop\u00e1tica com mais precis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As dores neurop\u00e1ticas atingem a regi\u00e3o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/especializacao-em-harmonizacao-orofacial\/\">orofacial<\/a> e s\u00e3o normalmente originadas a partir de uma les\u00e3o em algum nervo da face. A <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a> muito intensa, muitas vezes cont\u00ednua e com dura\u00e7\u00e3o de horas pode, inclusive, requerer terapia com uso de anticonvulsionantes e antidepressivos. Entretanto, esses sintomas s\u00e3o muito similares aos da pulpite (dor de dente), levando a muitos erros no diagn\u00f3stico e, consequentemente, de tratamento. Durante seu doutorado pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentista<\/a> Andr\u00e9 Porporatti desenvolveu um m\u00e9todo que permite o diagn\u00f3stico mais preciso da dor neurop\u00e1tica.<\/p>\n<p>O estudo faz parte da tese de doutorado de Porporatti e foi apresentado pelo orientador do trabalho, o professor Paulo C\u00e9sar Rodrigues Conti, no\u00a0<em>39\u00ba Encontro Cient\u00edfico Anual da Academia Americana de Dores Orofaciais<\/em>, realizada entre os dias 7 e 19 de maio na cidade de Denver, Colorado, nos Estados Unidos, obtendo o primeiro lugar entre todas as pesquisas apresentadas. O trabalho teve coautoria de Yuri Martins Costa, Juliana Stuginki-Barbosa e o do professor Leonardo Rigoldi Bonjardim, integrantes do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/orofacialpain\" target=\"_blank\">Bauru Orofacial Pain Group<\/a>, grupo de pesquisa em Dor Orofacial da FOB, coordenado pelo professor Conti.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a dor neurop\u00e1tica tem como principal causa uma les\u00e3o em um dos nervos da face. \u201cNo caso das neuropatias, por algum motivo, o nervo fica inflamado, levando a uma inflama\u00e7\u00e3o neurog\u00eanica, como se estivesse com um \u2018fio desencapado\u2019\u201d, explica. J\u00e1 a pulpite \u00e9 ocasionada por c\u00e1ries, infec\u00e7\u00f5es no dente ou pela inflama\u00e7\u00e3o do canal dent\u00e1rio e quando tratada de modo correto, o paciente deixa de sentir dor. \u201cMas em caso de um diagn\u00f3stico equivocado, que levou a dor neurop\u00e1tica ser tratada como pulpite, o paciente continuar\u00e1 sentindo dor mesmo ap\u00f3s os tratamentos\u201d, explica o dentista. A preval\u00eancia de dor neurop\u00e1tica \u00e9 de 3% a 6% em pacientes que passaram por tratamento de canal e entre 7% a 9% em outros casos.<\/p>\n<p>A dor neurop\u00e1tica \u00e9 mais rara. No entanto, no consult\u00f3rio dent\u00e1rio, o paciente relata como se fosse uma dor de dente, e o profissional, no dia a dia da cl\u00ednica, tem dificuldades em diferenciar, visto que os sintomas s\u00e3o muito semelhantes. \u201cTivemos ent\u00e3o a ideia de desenvolver algo para ajudar o dentista a diferenciar um caso do outro\u201d, explica.<\/p>\n<p>Os pesquisadores selecionaram nas cl\u00ednicas da FOB tr\u00eas grupos de pacientes, sendo 20 com diagn\u00f3stico de pulpite, 20 com diagn\u00f3stico de dor neurop\u00e1tica e 20 para o grupo controle (sem dor). \u201cJ\u00e1 existem crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico de dor neurop\u00e1tica, mas n\u00e3o s\u00e3o utilizados em ambiente cl\u00ednico, como rotina\u201d, esclarece. Um dos crit\u00e9rios utilizados para selecionar os pacientes com dor neurop\u00e1tica \u00e9 a presen\u00e7a de dor persistente e continuada, no dente ou na gengiva ao redor dele, com dura\u00e7\u00e3o de mais de 8 horas por dia, mais de 15 dias ao m\u00eas, por mais de 3 meses. Tamb\u00e9m foram feitos exames como tomografia para excluir outras poss\u00edveis causas de dor.<\/p>\n<p><strong>Testes sensoriais<\/strong><br \/>\nOs pacientes selecionados passaram por v\u00e1rios testes sensoriais, sendo tr\u00eas deles os principais e que poderiam ser utilizados pelos profissionais da odontologia em suas cl\u00ednicas para diferenciar a dor neurop\u00e1tica da pulpite. O primeiro \u00e9 o de mensura\u00e7\u00e3o da dor presente ap\u00f3s um teste in\u00f3cuo ou indolor, que consistiu em friccionar levemente um cotonete na gengiva dos pacientes no local onde ocorria o inc\u00f4modo. Os que relataram dor foram identificados como dor neurop\u00e1tica; os que n\u00e3o relataram dor foram identificados como pulpite.<\/p>\n<p>No segundo e no terceiro testes, foi mensurado o limiar ao tato e \u00e0 dor de todos os pacientes por meio de filamentos de nylon denominados de estesi\u00f4metros ou monofilamentos de Von Frey. Esses filamentos permitem que o profissional imprima uma menor ou uma maior for\u00e7a de carga na gengiva. No caso do tato, os pesquisadores constataram que os pacientes que tiveram o limiar com uma for\u00e7a aplicada maior que 1 grama por mil\u00edmetro quadrado (g\/mm\u00b2) e os que tiveram um limiar de dor maior que 10 g\/mm\u00b2\u00a0apresentaram possibilidades maiores de um diagn\u00f3stico de dor neurop\u00e1tica. Segundo o Porporatti, o custo m\u00e9dio de um kit de estesi\u00f4metros \u00e9 de cerca de R$ 1.200 e poderiam ser utilizados na pr\u00e1tica cl\u00ednica de dentistas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estesi\u00f4metros.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6848 aligncenter\" alt=\"estesi\u00f4metros\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estesi\u00f4metros-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estesi\u00f4metros-300x199.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estesi\u00f4metros.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<em>Estesi\u00f4metros (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n<p>Os outros testes realizados nos pacientes s\u00e3o mais t\u00e9cnicos e tiveram o objetivo de avaliar, nos pacientes com dor neurop\u00e1tica, qual fibra nervosa em que se encontra o problema. Os pesquisadores estudaram tr\u00eas das quatro fibras nervosas existentes na regi\u00e3o orofacial: A Beta, A Delta, e Fibra tipo C. \u201cO objetivo desta parte da pesquisa foi avaliar a fisiopatologia da dor neurop\u00e1tica, para compreender um pouco mais sobre essa doen\u00e7a, pois h\u00e1 poucos estudos nesta \u00e1rea\u201d, diz o pesquisador. \u201cAo saber exatamente em qual das fibras est\u00e1 a origem da dor neurop\u00e1tica, seria poss\u00edvel desenvolver medicamentos espec\u00edficos para tratar a doen\u00e7a\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Recentemente, Porporatti desenvolveu um projeto no Facebook para divulga\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre dor para pacientes e cl\u00ednicos em geral: trata-se da p\u00e1gina<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/doutortenhodor\" target=\"_blank\">Doutor, tenho Dor<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia USP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As dores neurop\u00e1ticas atingem a regi\u00e3o orofacial e s\u00e3o normalmente originadas a partir de uma les\u00e3o em algum nervo da face. 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