{"id":549,"date":"2013-09-11T15:03:41","date_gmt":"2013-09-11T18:03:41","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=549"},"modified":"2013-09-11T15:03:41","modified_gmt":"2013-09-11T18:03:41","slug":"entrevista-com-won-moon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/entrevista-com-won-moon\/","title":{"rendered":"Entrevista com Won Moon"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevistado.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-579\" alt=\"v18n03_entrevistado\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevistado.jpg\" width=\"400\" height=\"510\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevistado.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevistado-235x300.jpg 235w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em>Em tudo na vida, h\u00e1 um lado bom\u2026 Em 2010, cursava o doutorado em Ortodontia na UNESP-Araraquara quando, por raz\u00f5es pessoais, precisei me ausentar das atividades acad\u00eamicas e retornar a Salvador por alguns dias. E\u00a0eis que, por sorte ou provid\u00eancia de Deus, fui afortunado com um grande presente: a oportunidade de conhecer o Dr.\u00a0Won\u00a0Moon, que estava em visita ao Brasil, ministrando <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">Curso<\/a> na Especializa\u00e7\u00e3o em Ortodontia da Universidade Federal da Bahia. Foi admira\u00e7\u00e3o e amizade \u00e0 primeira vista. Uma segunda chance de desfrutar da conviv\u00eancia com Won ocorreu em 2011, quando fui realizar o doutorado-sandu\u00edche na UCLA. Conhecer suas qualidades mais de perto foi motiva\u00e7\u00e3o para grande aprendizado. Won \u00e9 um exemplo de professor \u2014 reconhecimento ilustrado nas diversas homenagens concedidas por seus alunos. Sua compet\u00eancia cl\u00ednica \u00e9 marcante! Em diversas situa\u00e7\u00f5es desafiadoras, ouvi de seus residentes a seguinte frase: \u201cCasos assim, s\u00f3 o Dr. Moon trata&#8230;\u201d. Nem julgo necess\u00e1rio alongar-me a respeito do brilhantismo de sua carreira como palestrante internacional&#8230; Depois de ter visitado os principais centros de refer\u00eancia em Ortodontia do mundo, voc\u00eas poder\u00e3o apreciar essa habilidade por conta pr\u00f3pria! N\u00e3o demorei a perceber que suas qualidades ultrapassam a esfera profissional. Al\u00e9m de ser afortunado por ter uma fam\u00edlia muito especial, ainda consegue espa\u00e7o na sua agenda para se dedicar a esportes radicais, como o alpinismo e o montanhismo. Sempre acompanhado pela esposa, Miran, e sua filha, Crystal, n\u00e3o economiza nas hist\u00f3rias de viagens pelo mundo. Faz-se n\u00edtida a cumplicidade de um casamento que come\u00e7ou na adolesc\u00eancia! Feitas as devidas apresenta\u00e7\u00f5es do nosso ilustre entrevistado, dedico meus cordiais agradecimentos aos colegas Sergei Rabelo, Richard Kulbersh, Greg Huang e Barry Briss, por aceitarem o convite de participar ativamente dessa entrevista. Agrade\u00e7o, ainda, \u00e0 Dental Press, pela honra a mim concedida, em conduzir essa experi\u00eancia. Desejo a todos os leitores que essa leitura seja t\u00e3o prazerosa e rica quanto o trajeto cient\u00edfico que nos trouxe a essa entrevista.<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong><em>Andr\u00e9 Wilson Machado<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor poderia nos falar um pouco sobre sua experi\u00eancia em Odontologia e Ortodontia?<\/strong><\/p>\n<p>Cresci no sul da Calif\u00f3rnia, em 1976, e inicialmente procurei a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Matem\u00e1tica na universidade local, UC Irvine (UCI). Depois de obter o t\u00edtulo de\u00a0BS (Bacharel em Ci\u00eancias) em Matem\u00e1tica, mudei o rumo de minha carreira. Sa\u00ed de casa pela primeira vez e busquei o t\u00edtulo de cirurgi\u00e3o-dentista (Doctor of Dental Medicine) na Harvard School of Dental Medicine (HSDM), em Boston. Depois de me qualificar como <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentista<\/a> pelo Northeastern Regional Dental Board no \u00faltimo ano da faculdade de Odontologia, fui volunt\u00e1rio do Peace Corps e ajudei a construir uma cl\u00ednica de Odontologia na cidade de Above Rocks, na Jamaica. Esse projeto foi encerrado devido ao furac\u00e3o Gilbert, que causou destrui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Depois de minha volta antecipada da Jamaica, participei da Cl\u00ednica de Especialistas na HSDM como cirurgi\u00e3o-dentista, antes de voltar para a Calif\u00f3rnia, em 1989, para um programa de resid\u00eancia em Ortodontia na Faculdade de Odontologia da Universidade da Calif\u00f3rnia, Los Angeles (UCLA). Enquanto estudava Odontologia, tamb\u00e9m me inscrevi no programa de Mestrado em Ci\u00eancias (MS) em Biologia Oral na UCLA. Durante meus estudos em Odontologia, meu interesse em pesquisa cl\u00ednica cresceu, e produzi e defendi, com sucesso, tr\u00eas teses.<\/p>\n<p>Desde minha formatura, em 1991, trabalhei em uma cl\u00ednica privada de Ortodontia nos sub\u00farbios da \u00e1rea metropolitana de Los Angeles. Em 2002, recebi a diploma\u00e7\u00e3o do Board Americano de Ortodontia. Em 2003, passei a fazer parte do Departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UCLA, como membro do corpo docente. Desde ent\u00e3o, tenho trabalhado na UCLA como Diretor Cl\u00ednico do curso de Ortodontia, Diretor de Educa\u00e7\u00e3o Continuada Avan\u00e7ada, Diretor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, e Diretor do Programa de Preceptoria. Durante esse tempo, tamb\u00e9m fui Diretor de Departamento e Diretor Assistente para a Regi\u00e3o Sul da Calif\u00f3rnia na Pacific Coast Society of Orthodontists (PSCO). Em 2012, decidi deixar a cl\u00ednica privada, depois de 21 anos de pr\u00e1tica ortod\u00f4ntica, e passei a trabalhar na UCLA como professor em tempo integral. Fui indicado para o cargo de Diretor do Programa de Resid\u00eancia em Ortodontia da UCLA, e tamb\u00e9m mantive o cargo de Diretor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p>Atualmente, estou envolvido em v\u00e1rios projetos de pesquisa, que incluem Movimenta\u00e7\u00e3o Dent\u00e1ria Acelerada, Associa\u00e7\u00e3o de Estudos de Genoma nos Fen\u00f3tipos Craniofaciais, Estudos com Modelos de Elementos Finitos, An\u00e1lise de Imagens Tridimensionais, e Estudos com Mini-implantes em Ortodontia. Como pode ver, minha experi\u00eancia com matem\u00e1tica tem um papel importante na minha \u00e1rea de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Que t\u00e9cnica ortod\u00f4ntica usa em sua cl\u00ednica?\u00a0Qual a filosofia de ensino da UCLA?<\/strong><\/p>\n<p>Desde que o Dr. Edward Angle desenvolveu a t\u00e9cnica do arco de canto (Edgewise) na Ortodontia moderna, passamos por v\u00e1rias mudan\u00e7as na nossa filosofia de tratamento: extra\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o extra\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup>, modifica\u00e7\u00e3o do crescimento ou Ortodontia cir\u00fargica<sup>2<\/sup>, aparelho extrabucal ou aparelho funcional<sup>2<\/sup>, oclus\u00e3o c\u00eantrica ou rela\u00e7\u00e3o c\u00eantrica<sup>3,4<\/sup>, etc. Podemos facilmente encontrar, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, resultados de pesquisas argumentando a favor e, depois, contra a alegada superioridade de uma filosofia em rela\u00e7\u00e3o a outra, o que apenas prova que h\u00e1 muitas formas diferentes de fazer tratamentos ortod\u00f4nticos com resultados satisfat\u00f3rios. O advento de novas ferramentas e aparelhos, tais como mini-implantes, alinhadores transparentes, braquetes autolig\u00e1veis e imagens de tomografia computadorizada de feixe c\u00f4nico (TCFC) apenas botou mais lenha na fogueira. Os tradicionalistas continuam a defender que os fundamentos da biomec\u00e2nica ortod\u00f4ntica n\u00e3o podem mudar, enquanto os dentistas contempor\u00e2neos desafiam, rotineiramente, as antigas tradi\u00e7\u00f5es. Como a UCLA \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o educacional que precisa respeitar a ci\u00eancia baseada em evid\u00eancias, mas que tamb\u00e9m tem a obriga\u00e7\u00e3o de alimentar novos conceitos, onde ficamos? Estamos, indubitavelmente, no campo do ensino da Ortodontia baseada em evid\u00eancias; entretanto, devemos tamb\u00e9m nos esfor\u00e7ar, igualmente, na constru\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias. Sem pioneiros na nossa profiss\u00e3o, n\u00e3o seremos capazes de progredir.<\/p>\n<p>A UCLA tem uma filosofia educacional \u00fanica. Recusamo-nos a rotular a maneira como fazemos Ortodontia. Como sabemos que h\u00e1 muitas formas efetivas de fazer o tratamento ortod\u00f4ntico e ortop\u00e9dico, tentamos criar um ambiente educacional que seja um verdadeiro caldeir\u00e3o, cheio de ideias diferentes. Temos 35 professores cl\u00ednicos em tempo parcial, que se formaram em 20 institui\u00e7\u00f5es diferentes, alguns vindos de outros pa\u00edses, usando v\u00e1rias t\u00e9cnicas ortod\u00f4nticas. Continuamos, intencionalmente, a recrutar professores de nosso pa\u00eds e de fora dele, com diferentes experi\u00eancias de forma\u00e7\u00e3o, a fim de diversificar nossa filosofia de ensino. Tamb\u00e9m recrutamos estudantes e pesquisadores vindos de todo o mundo para ajudar nesse prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Como pode imaginar, essa \u00e9 uma tarefa desafiadora. J\u00e1 \u00e9 suficientemente dif\u00edcil ensinar uma t\u00e9cnica; imagine, ent\u00e3o, lidar com todas as diferen\u00e7as mencionadas acima. Por sorte, conseguimos, a cada ano, recrutar os melhores entre os mais brilhantes alunos. Submetemos eles a um curr\u00edculo extremamente rigoroso e com uma quantidade enorme de recursos da UCLA. Resumindo, damos tudo para esses indiv\u00edduos incrivelmente inteligentes e vemos o que funciona. Ao final de sua resid\u00eancia, cada aluno ter\u00e1 adotado seu pr\u00f3prio tipo de t\u00e9cnica ortod\u00f4ntica, que funcione melhor para ele. Essa filosofia de ensino tem funcionado bem para n\u00f3s, e a cada ano continuamos a formar ortodontistas altamente competentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O diagn\u00f3stico \u00e9 um passo essencial para o sucesso na Ortodontia. Qual a sua opini\u00e3o sobre o papel atual da cefalometria bidimensional tradicional no diagn\u00f3stico em Ortodontia?<\/strong><\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o do Dr. Broadbent para a Ortodontia \u00e9 imensur\u00e1vel<sup>5<\/sup>. Ele trouxe objetividade para os nossos diagn\u00f3sticos ao introduzir as imagens cefalom\u00e9tricas. Desde ent\u00e3o, muitos desenvolveram an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas para auxiliar no diagn\u00f3stico e impulsionaram o avan\u00e7o da Ortodontia moderna. Entretanto, esses sistemas ficaram muito limitados a simples medi\u00e7\u00f5es lineares, incluindo \u00e2ngulos e dist\u00e2ncias. Apesar\u00a0de terem estabelecido par\u00e2metros normativos e de nos fornecerem dados iniciais, essas medi\u00e7\u00f5es lineares t\u00eam problemas inerentes, pois s\u00e3o adequadas para medir estruturas regulares, como escrivaninhas ou tampos de mesa, mas s\u00e3o inadequadas para a medi\u00e7\u00e3o de estruturas irregulares, como o cr\u00e2nio humano. O termo linear vem da palavra <i>linearis<\/i>, em latim, que significa \u201c<i>parecido com uma linha<\/i>\u201d. A morfologia humana est\u00e1 muito longe de se parecer com uma linha. Por isso, as equa\u00e7\u00f5es e fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares atraem o interesse de engenheiros, f\u00edsicos e matem\u00e1ticos, j\u00e1 que podem ser usadas para representar muitos fen\u00f4menos naturais e estruturas irregulares. Ao se medir do ponto A ao ponto B, a informa\u00e7\u00e3o entre esses dois pontos \u00e9 perdida, no caso de um sistema de medi\u00e7\u00e3o linear (Fig. 1). Nessa analogia, dois pr\u00e9dios com morfologias muito diferentes ter\u00e3o valores de medi\u00e7\u00e3o semelhantes ao usarmos medidas lineares. Esse tipo de fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser usado para analisar a morfologia de estruturas irregulares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-560\" alt=\"v18n03_entrevista_fig01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig01.jpg\" width=\"800\" height=\"256\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig01-300x96.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as medi\u00e7\u00f5es lineares muitas vezes ignoram as rela\u00e7\u00f5es espaciais. As Figuras 2 a 5 mostram alguns dos muitos problemas que enfrentamos ao usar a an\u00e1lise cefalom\u00e9trica com a qual muitos de n\u00f3s est\u00e3o acostumados. Esses problemas surgem porque pontos de refer\u00eancia como n\u00e1sio, sela, orbital, b\u00e1sio e PT s\u00e3o extremamente vari\u00e1veis espacialmente<sup>6<\/sup>. Na verdade, an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas tais como as de Steiner e de Ricketts s\u00e3o an\u00e1lises unidimensionais, aplicadas a imagens bidimensionais, de estruturas tridimensionais. Imagens bidimensionais exigem uma an\u00e1lise bidimensional para uma quantifica\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-561\" alt=\"v18n03_entrevista_fig02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig02.jpg\" width=\"800\" height=\"337\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig02-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-562\" alt=\"v18n03_entrevista_fig03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig03.jpg\" width=\"800\" height=\"337\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig03.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig03-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-563\" alt=\"v18n03_entrevista_fig04\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig04.jpg\" width=\"800\" height=\"339\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig04.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig04-300x127.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-565\" alt=\"v18n03_entrevista_fig05\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig05.jpg\" width=\"800\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-566\" alt=\"v18n03_entrevista_fig06\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig06.jpg\" width=\"400\" height=\"357\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig06.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig06-300x267.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante minha resid\u00eancia em Ortodontia na UCLA (1989-1991), investigamos a possibilidade de desenvolver uma avalia\u00e7\u00e3o verdadeiramente bidimensional, usando a an\u00e1lise el\u00edptica de Fourier (AEF) (Elliptic Fourier Descriptor)<sup>7<\/sup>. Ao usar essa equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, podemos descrever qualquer linha curva irregular em um espa\u00e7o bidimensional. A Figura 6 ilustra a aplica\u00e7\u00e3o dessa abordagem a um cefalograma lateral. Essa \u00e9 uma an\u00e1lise verdadeiramente bidimensional, que d\u00e1 conta das rela\u00e7\u00f5es espaciais e tamb\u00e9m \u00e9 completamente quantific\u00e1vel, pois o contorno do cr\u00e2nio \u00e9 descrito por uma equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica. Isso significa que somos capazes de gerar uma ilustra\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do par\u00e2metro normativo, calculando uma equa\u00e7\u00e3o que representa a m\u00e9dia das equa\u00e7\u00f5es de muitos indiv\u00edduos. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios n\u00fameros, e a sobreposi\u00e7\u00e3o da imagem do valor normativo e a do paciente pode apontar as discrep\u00e2ncias entre eles em qualquer ponto pertencente ao contorno do cr\u00e2nio. Essa abordagem foi largamente ignorada pelos ortodontistas, por falta do desejo de aprender um novo m\u00e9todo para avaliar a estrutura craniana; j\u00e1 no campo da Antropologia, seu impacto foi maior<sup>8<\/sup>. Aprendi que \u00e9 dif\u00edcil mudar a maneira como os tradicionalistas pensam, especialmente quanto a algo t\u00e3o sagrado como os valores cefalom\u00e9tricos. O \u00e2ngulo IMPA com valor de 90<sup>o<\/sup> foi impregnado no c\u00e9rebro de todos n\u00f3s, desde 1991.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com base nos problemas mencionados na resposta anterior, a respeito das an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas convencionais, como lidar com as imagens tridimensionais em Ortodontia?<\/strong><\/p>\n<p>Levou 20 anos para finalmente entendermos completamente como as an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas convencionais s\u00e3o deficientes. Com o advento da tomografia computadorizada de feixe c\u00f4nico (TCFC), enfrentamos problemas mais complexos para quantificar as estruturas tridimensionais. Muitos pesquisadores ainda est\u00e3o utilizando medi\u00e7\u00f5es lineares para descrever um cr\u00e2nio humano tridimensional, aplicando sistemas de medi\u00e7\u00f5es unidimensionais em imagens tridimensionais irregulares<sup>9<\/sup>. Alguns fazem uma compress\u00e3o dessas estruturas tridimensionais e as transformam em imagens bidimensionais, para ent\u00e3o aplicarem an\u00e1lises unidimensionais convencionais. Isso \u00e9 o mesmo que tocar um CD de m\u00fasica digital com alta qualidade em um toca-fitas anal\u00f3gico. Essa nova tecnologia tridimensional requer um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise tridimensional que lide com estruturas tridimensionais, e precisamos, desesperadamente, de uma nova abordagem.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, pensamos que poder\u00edamos expandir o uso da an\u00e1lise el\u00edptica de Fourier (AEF) para o espa\u00e7o tridimensional. Isso significaria poder descrever matematicamente qualquer linha em um espa\u00e7o tridimensional. Na verdade, isso foi tentado em 1993, utilizando-se o cr\u00e2nio seco de um coelho<sup>7<\/sup>. As informa\u00e7\u00f5es sobre as superf\u00edcies podem ser quantificadas com exatid\u00e3o usando essa fun\u00e7\u00e3o. Entretanto, essa abordagem tem uma defici\u00eancia inerente em compara\u00e7\u00e3o com a an\u00e1lise bidimensional: o contorno da superf\u00edcie contido pela linha n\u00e3o \u00e9 descrito pela AEF. Para tentar resolver essa quest\u00e3o, estamos desenvolvendo outra fun\u00e7\u00e3o para mapeamento de superf\u00edcies, ilustrada na Figura 7. Essa fun\u00e7\u00e3o converte a informa\u00e7\u00e3o sobre a superf\u00edcie em uma s\u00e9rie, que transformamos em uma matriz matem\u00e1tica quantitativa. Um\u00a0total de 67 imagens tridimensionais de cr\u00e2nios foi convertido em fun\u00e7\u00f5es de mapeamento de superf\u00edcie, e a m\u00e9dia dessas fun\u00e7\u00f5es foi calculada e tra\u00e7ada nessa ilustra\u00e7\u00e3o\u00a0(Fig. 7). A Figura 8 \u00e9 um mapa, colorido, de deslocamento, que mostra a sobreposi\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos 67 cr\u00e2nios e da fun\u00e7\u00e3o de um cr\u00e2nio individual. Aqui podemos perceber, visualmente, as discrep\u00e2ncias entre o cr\u00e2nio m\u00e9dio e o cr\u00e2nio de um paciente espec\u00edfico, sem ter que recorrer a dados matem\u00e1ticos confusos, como aqueles que o sistema de medi\u00e7\u00f5es lineares nos fornece. Entretanto, essa an\u00e1lise tamb\u00e9m tem defici\u00eancias inerentes: estruturas internas como os pontos sela e PT est\u00e3o faltando, e os limites n\u00e3o s\u00e3o claros. Ao combinar essa fun\u00e7\u00e3o \u00e0 AEF e aos pontos cefalom\u00e9tricos convencionais, a an\u00e1lise tridimensional resultante fornecer\u00e1 informa\u00e7\u00f5es tanto sobre a superf\u00edcie quanto sobre os limites, permitindo uma compara\u00e7\u00e3o retroativa com dados pr\u00e9vios, anteriores \u00e0 era da informa\u00e7\u00e3o tridimensional. A\u00a0Figura\u00a09 ilustra essa fun\u00e7\u00e3o combinada. A minha equipe de pesquisa na UCLA j\u00e1 alcan\u00e7ou progressos significativos nessa \u00e1rea, e esperamos, nos pr\u00f3ximos anos, conseguir chegar a uma an\u00e1lise verdadeiramente tridimensional.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-567\" alt=\"v18n03_entrevista_fig07\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig07.jpg\" width=\"800\" height=\"558\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig07.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig07-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-568\" alt=\"v18n03_entrevista_fig08\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig08.jpg\" width=\"800\" height=\"414\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig08.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig08-300x155.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-569\" alt=\"v18n03_entrevista_fig09\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig09.jpg\" width=\"800\" height=\"630\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig09.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig09-300x236.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No futuro, ser\u00e1 f\u00e1cil usar essas formula\u00e7\u00f5es complexas na cl\u00ednica ortod\u00f4ntica? Em outras palavras, as an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas bidimensionais s\u00e3o simples de usar, apesar de apresentarem problemas. A an\u00e1lise tridimensional ser\u00e1 acess\u00edvel para o usu\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o creio que nossa an\u00e1lise cefalom\u00e9trica atual \u2014 que avalia uma dimens\u00e3o, ou, na melhor das hip\u00f3teses, uma dimens\u00e3o e meia \u2014 seja t\u00e3o simples de usar se estivermos em busca de precis\u00e3o. Na UCLA, usamos no m\u00ednimo tr\u00eas diferentes an\u00e1lises para cada caso, a fim de entender completamente a rela\u00e7\u00e3o dentoesquel\u00e9tica. Muitas vezes, essas an\u00e1lises s\u00e3o discordantes entre si:\u00a0por exemplo, na Figura 10, qual das tr\u00eas an\u00e1lises est\u00e1 correta? Alguns <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/especializacao-em-implantodontia-transforme-sua-carreira-com-precisao-e-seguranca\/\">cursos<\/a> de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ortodontia preferem considerar apenas uma an\u00e1lise e evitar essa confus\u00e3o, mais isso n\u00e3o significa que est\u00e3o considerando a informa\u00e7\u00e3o correta. Alguns profissionais podem ser capazes de identificar a raz\u00e3o dessa discrep\u00e2ncia, com base em sua experi\u00eancia, e ajustar seu modo de pensar de forma adequada, mas dificilmente essa \u00e9 uma forma objetiva de se lidar com o problema.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-570\" alt=\"v18n03_entrevista_fig10\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig10.jpg\" width=\"800\" height=\"315\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig10.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig10-300x118.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por outro lado, no exemplo da resposta anterior, a an\u00e1lise verdadeiramente bidimensional usando a AEF \u00e9 muito mais precisa e visualmente descritiva (Fig. 6). A\u00a0elimina\u00e7\u00e3o dos valores num\u00e9ricos e a visualiza\u00e7\u00e3o da linha tra\u00e7ada a tornam muito mais f\u00e1cil para o operador. O\u00a0mesmo acontece com o m\u00e9todo de an\u00e1lise tridimensional com o qual estamos trabalhando atualmente\u00a0(Fig.\u00a08). A avalia\u00e7\u00e3o dos dados \u00e9 razoavelmente simples; por\u00e9m, poder\u00e3o ocorrer problemas em potencial, para o usu\u00e1rio, no registro desses dados. Trabalhar\u00a0com estruturas tridimensionais requer muito esfor\u00e7o para o registro de dados. A resposta para esse problema depender\u00e1 muito da capacidade do <i>software<\/i> em identificar a configura\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica, processar os dados DICOM<sup>10<\/sup> e automatizar os passos envolvidos. Essa parte do aprendizado poder\u00e1 levar algum tempo, mas acabaremos chegando l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em sua opini\u00e3o, os ortodontistas estar\u00e3o usando a an\u00e1lise tridimensional em um futuro pr\u00f3ximo? Como isso poder\u00e1 alterar os diagn\u00f3sticos ortod\u00f4nticos e os resultados dos tratamentos?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favidas de que, no futuro, estaremos usando an\u00e1lises tridimensionais. A quest\u00e3o de quanto tempo isso vai demorar para acontecer depender\u00e1 da facilidade de utiliza\u00e7\u00e3o do <i>software<\/i>. Al\u00e9m disso, o maior obst\u00e1culo ser\u00e1 a pol\u00edtica na Ortodontia. Como em qualquer outra \u00e1rea, haver\u00e1 uma batalha entre os tradicionalistas e os pioneiros na ado\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sua segunda pergunta \u00e9 muito mais interessante. Essa \u00e9, na verdade, a pergunta fundamental quando temos uma nova ferramenta. Ser\u00e1 que esse novo e sofisticado sistema mudar\u00e1 a forma como vemos e fazemos as coisas? H\u00e1bitos antigos s\u00e3o dif\u00edceis de se abandonar, e estamos aqui, claramente, lidando com comportamentos humanos. Digamos que temos um homem com um carro velho, que ele dirige h\u00e1 20 anos; \u00e9 um carro velho, mas confi\u00e1vel. Um dia, esse homem decide comprar um brinquedo novo, e compra um carro sofisticado, modern\u00edssimo, com todas as novidades no mercado. O\u00a0carro vem com todos os equipamentos mais recentes de seguran\u00e7a, um sistema climatizador autom\u00e1tico, um\u00a0sistema de som de alta defini\u00e7\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o de assento program\u00e1vel, e o mais recente sistema de navega\u00e7\u00e3o por GPS, que mostra o fluxo do tr\u00e1fego e as poss\u00edveis rotas alternativas. Ser\u00e1 que esse carro mudaria a forma como esse homem vai para o trabalho e volta para casa? Mudaria seus h\u00e1bitos de dire\u00e7\u00e3o? Inicialmente, ele vai continuar a dirigir seu novo carro da mesma forma que dirigiu seu antigo carro nos \u00faltimos 20 anos. \u00c0 medida que se familiariza com os novos recursos, ele lentamente vai mudar. Agora, ele ouve esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio por sat\u00e9lite, sem interrup\u00e7\u00f5es comerciais; aproveita o sistema de climatiza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica; e confia na c\u00e2mera de marcha a r\u00e9 quando precisa manobrar. \u00c0 medida que se acostuma com o novo sistema de navega\u00e7\u00e3o, vai descobrindo muitos atalhos para chegar ao trabalho, e frequentemente pega os desvios sugeridos pelo sistema de navega\u00e7\u00e3o, a fim de evitar o tr\u00e2nsito terr\u00edvel durante as horas de maior fluxo. Sim, seus h\u00e1bitos de dire\u00e7\u00e3o mudar\u00e3o gradualmente para um modo mais eficiente. \u00c9\u00a0exatamente assim que a an\u00e1lise tridimensional conquistar\u00e1 seu espa\u00e7o no diagn\u00f3stico e planejamento do tratamento ortod\u00f4ntico: devagar, mas com toda a certeza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea pensa a respeito do protocolo ideal de TCFC para uso na Ortodontia? Com a preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, acredita que devemos solicitar tomografias tridimensionais de todos os pacientes ortod\u00f4nticos?<\/strong><\/p>\n<p>Um artigo recente no New York Times levantou muitas preocupa\u00e7\u00f5es, tanto para os pacientes quanto para os dentistas, a respeito da dose de radia\u00e7\u00e3o aumentada vinculada \u00e0s imagens da TCFC<sup>11<\/sup>. Essa preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi externada por alguns ortodontistas. Estamos tratando de uma an\u00e1lise dos riscos e benef\u00edcios e, se olharmos para tr\u00e1s para ver a hist\u00f3ria do uso da radiografia na Odontologia, veremos que percorremos um longo caminho. Com o desenvolvimento das capacidades de aprimoramento digital das imagens, fomos capazes de reduzir a dose de radia\u00e7\u00e3o a uma fra\u00e7\u00e3o da que est\u00e1vamos acostumados a usar<sup>12<\/sup>. Quando consideramos a quantidade de radia\u00e7\u00e3o a que nossos pacientes est\u00e3o sujeitos quando a TCFC \u00e9 usada, vemos que \u00e9 muito menor do que a quantidade em uma s\u00e9rie de radiografias bucais solicitadas anualmente por cirurgi\u00f5es-dentistas, ou nas radiografias panor\u00e2micas convencionais que os ortodontistas solicitavam rotineiramente h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, antes da radiografia digital se tornar o\u00a0padr\u00e3o. Pode-se argumentar, com boa justificativa, que, se essa quantidade de radia\u00e7\u00e3o era considerada segura no passado, ent\u00e3o deve ser segura hoje tamb\u00e9m<sup>13<\/sup>. Por outro lado, os limiares para as doses aceit\u00e1veis de radia\u00e7\u00e3o foram reduzidos drasticamente nos \u00faltimos anos, devido \u00e0s modernas inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso significa que n\u00e3o devemos nos preocupar com a radia\u00e7\u00e3o associada \u00e0 TCFC? Como \u00e9 bem documentado que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o dura por toda a vida, devemos tentar minimizar essa exposi\u00e7\u00e3o sempre que poss\u00edvel<sup>14<\/sup>. Isso significa que qualquer radia\u00e7\u00e3o, incluindo a de radiografias convencionais que solicitamos rotineiramente, deve ser evitada sempre que n\u00e3o trouxer um benef\u00edcio significativo ao diagn\u00f3stico e ao tratamento. Portanto, como definir as diretrizes para o uso de radiografias? Quem deve decidir qual o risco aceit\u00e1vel? Minha opini\u00e3o, em particular, \u00e9 que o dentista deve avaliar e decidir qual paciente pode se beneficiar de que tipo de imagens radiogr\u00e1ficas, j\u00e1 que a rela\u00e7\u00e3o risco-benef\u00edcio depende quase totalmente da habilidade e do conhecimento do dentista para interpretar essas imagens. Se ele n\u00e3o for capaz de obter informa\u00e7\u00f5es valiosas, para um determinado paciente, a partir da radiografia \u2014 seja ela uma radiografia lateral cefalom\u00e9trica convencional ou uma TCFC, mais complexa \u2014, essa n\u00e3o dever\u00e1 ser solicitada. Muitas vezes, solicitamos o conjunto padr\u00e3o de radiografias sem considerar as necessidades do paciente ou a capacidade do operador para avaliar essas imagens. Por outro lado, se esse profissional tiver um conhecimento extraordin\u00e1rio para extrair informa\u00e7\u00f5es valiosas da TCFC \u2014 que poder\u00e3o ajudar potencialmente na obten\u00e7\u00e3o de um melhor diagn\u00f3stico e de resultados consistentes do tratamento\u00a0\u2014, penso que a solicita\u00e7\u00e3o rotineira da TCFC pode se adequar aos padr\u00f5es de atendimento desse dentista. Se n\u00e3o o fizer, os cuidados prestados ao paciente poder\u00e3o ser abaixo do ideal. Perguntaram-me se a TCFC mudou meus planos de tratamento, em compara\u00e7\u00e3o com o tempo em que essa modalidade n\u00e3o era dispon\u00edvel. Nem sempre ela muda meus planos de tratamento; entretanto, essa pergunta n\u00e3o deve ser o crit\u00e9rio decisivo sobre a utilidade geral da TCFC. O\u00a0Dr. Angle, por exemplo, podia fazer tratamentos ortod\u00f4nticos sem a ajuda de radiografias cefalom\u00e9tricas. Durante o exame diagn\u00f3stico inicial, a maioria de n\u00f3s formula como deve ser abordado o tratamento de cada paciente e, na maioria dos casos, os resultados das radiografias meramente confirmam que nosso pensamento inicial estava correto. Esse fato n\u00e3o significa que essas imagens que pretendemos solicitar s\u00e3o desnecess\u00e1rias. O uso da TCFC \u00e9 muito semelhante a esse exemplo, pois nos fornece dados mais precisos e seguros.<\/p>\n<p>Em resumo, a minha resposta \u00e0 sua pergunta \u00e9 que depende do conhecimento que o operador tem na utiliza\u00e7\u00e3o da TCFC. Como haver\u00e1 desenvolvimentos futuros na utiliza\u00e7\u00e3o desses dados \u2014 tais como a an\u00e1lise tridimensional, a previs\u00e3o tridimensional do crescimento e a sobreposi\u00e7\u00e3o tridimensional \u2014, as vantagens de se utilizar imagens tridimensionais proliferar\u00e3o exponencialmente no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acabamos de conversar sobre algumas das tecnologias de ponta relacionadas ao diagn\u00f3stico ortod\u00f4ntico. Vamos, agora, conversar sobre uma t\u00e9cnica ortod\u00f4ntica atual que pode ter alterado nossa pr\u00e1tica: os mini-implantes. Qual sua opini\u00e3o sobre como os mini-implantes mudaram o planejamento do tratamento ortod\u00f4ntico?<\/strong><\/p>\n<p>Os mini-implantes (MIs) est\u00e3o, lentamente, mudando a cara da Ortodontia. Inicialmente, eram usados principalmente como ancoragem, e tinham o nome pouco inspirador de dispositivos de ancoragem tempor\u00e1ria (DAT). Muitos ainda acreditam que os MIs n\u00e3o mudaram o panorama da Ortodontia, e que s\u00e3o apenas outro dispositivo de ancoragem. Entretanto, in\u00fameros relatos de caso t\u00eam expandido os limites das cren\u00e7as convencionais em Ortodontia<sup>15,16,17<\/sup>. Agora, podemos distalizar os molares muito mais do que imagin\u00e1vamos, e podemos intruir os molares para corrigir casos de mordida aberta esquel\u00e9tica. E n\u00e3o para por a\u00ed; agora, incorporamos os MIs em corre\u00e7\u00f5es esquel\u00e9ticas. Podemos expandir a arcada maxilar sem inclinar a denti\u00e7\u00e3o para vestibular, permitindo uma maior expans\u00e3o esquel\u00e9tica. Podemos aumentar o espa\u00e7o intercaninos sem comprometer a cortical alveolar vestibular. Podemos usar MIs em corre\u00e7\u00f5es ortop\u00e9dicas de pacientes com altera\u00e7\u00f5es esquel\u00e9ticas. Podemos tratar com seguran\u00e7a pacientes com valores extremamente elevados do \u00e2ngulo do plano mandibular e manejar pacientes com mordida profunda e sorriso gengival<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os MIs t\u00eam um impacto enorme no planejamento do tratamento ortod\u00f4ntico, ao fornecer possibilidades que ainda n\u00e3o foram totalmente exploradas. N\u00e3o foram os MIs que mudaram a Ortodontia; na verdade, \u00e9 a forma como os MIs s\u00e3o aplicados que faz a diferen\u00e7a. Nos \u00faltimos cinco anos, a Confer\u00eancia Mundial sobre Implantes Ortod\u00f4nticos (World Implant Orthodontic Conference &#8211; WIOC) esteve \u00e0 frente desse esfor\u00e7o para promover a colabora\u00e7\u00e3o internacional no campo das ideias. Esse evento tem crescido regularmente e, atualmente, atrai audi\u00eancias do mundo todo. Mais de 50 palestrantes internacionais j\u00e1 participaram desses encontros, e o Dr. Jorge Faber, de Bras\u00edlia, foi um desses conferencistas de renome. Esse tipo de f\u00f3rum d\u00e1 continuidade ao avan\u00e7o da utiliza\u00e7\u00e3o dos MIs na Ortodontia, e um futuro brilhante est\u00e1 se aproximando mais rapidamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como modificamos o crescimento usando os mini-implantes? Isso significaria que alguns casos cir\u00fargicos podem ser tratados sem cirurgia, se usarmos essa abordagem?<\/strong><\/p>\n<p>A modifica\u00e7\u00e3o do crescimento \u00e9 controversa em Ortodontia, com muitos achados conflitantes nas pesquisas<sup>19,10<\/sup>. Esse conflito n\u00e3o pode ser resolvido facilmente, visto que as mudan\u00e7as esquel\u00e9ticas nos pacientes que foram tratados com dispositivos ortop\u00e9dicos \u2014 tais como aparelho extrabucal, m\u00e1scara facial, expans\u00e3o r\u00e1pida palatal, aparelhos funcionais fixos, etc. \u2014 s\u00e3o dif\u00edceis de serem isoladas porque a for\u00e7a ortop\u00e9dica \u00e9 aplicada nos dentes. Altera\u00e7\u00f5es dentoalveolares s\u00e3o quase sempre encontradas nesses pacientes, e podem mascarar ou limitar as verdadeiras altera\u00e7\u00f5es esquel\u00e9ticas. Durante os \u00faltimos cinco anos, tenho tentado isolar as mudan\u00e7as esquel\u00e9ticas, eliminando as mudan\u00e7as dentoalveolares durante a corre\u00e7\u00e3o ortop\u00e9dica, e os resultados foram profundamente diferentes daqueles de estudos pr\u00e9vios. Al\u00e9m de conseguir eliminar essas mudan\u00e7as indesejadas, tamb\u00e9m fomos capazes de reverter a compensa\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria existente e maximizar a corre\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica<sup>21<\/sup>. Em muitos dos casos de Classe III, a descompensa\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria ocorre espontaneamente \u00e0 medida que a rela\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica melhora, o que corrobora a teoria da matriz funcional<sup>22<\/sup>. Apresentarei, a seguir, duas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que confirmam as afirmativas acima.<\/p>\n<p>A Figura 11 ilustra uma m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II sendo tratada com um aparelho funcional fixo (AF) e mini-implantes, em um menino de 13 anos. Os dentes inferiores foram retra\u00eddos contra os mini-implantes colocados na regi\u00e3o posterior, \u00e0 medida que a mand\u00edbula era empurrada para a frente por um aparelho funcional fixo. Essa mec\u00e2nica previne que os incisivos inferiores se movam para a frente quando o aparelho funcional estiver totalmente acionado para se alcan\u00e7ar um oclus\u00e3o em Classe\u00a0I. \u00c0s vezes, dois mini-implantes adicionais podem ser colocados no osso alveolar maxilar, se a movimenta\u00e7\u00e3o para distal dos dentes da maxila for uma das preocupa\u00e7\u00f5es. Os mini-implantes permitem realizar corre\u00e7\u00f5es esquel\u00e9ticas verdadeiras sem movimentar os dentes, e tamb\u00e9m permitem uma maior magnitude da corre\u00e7\u00e3o ortop\u00e9dica, ao eliminarem compensa\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias preexistentes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-571\" alt=\"v18n03_entrevista_fig11\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig11.jpg\" width=\"800\" height=\"236\" \/><\/a><\/p>\n<p>As radiografias cefalom\u00e9tricas da Figura 12 mostram que, ap\u00f3s doze meses de tratamento com o ativador fixo, a mand\u00edbula cresceu significativamente mais do que a maxila. Para comparar o resultado do tratamento, \u00e9 importante certificar-se de que o paciente apresente a mesma posi\u00e7\u00e3o condilar (ilustrada, na Fig. 12, pelas setas finas em vermelho). \u00c0\u00a0medida que a mand\u00edbula cresceu na dire\u00e7\u00e3o anterior, as vias a\u00e9reas tamb\u00e9m se alargaram.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-572\" alt=\"v18n03_entrevista_fig12\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig12.jpg\" width=\"800\" height=\"319\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig12.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig12-300x119.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Figura 13 mostra a sobreposi\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7ados gerados a partir dessas radiografias. Um crescimento significativamente diferente foi observado entre os dois maxilares. Os incisivos inferiores foram descompensados com retra\u00e7\u00e3o ancorada em mini-implantes \u00e0 medida que a mand\u00edbula cresceu para a frente com a ajuda do aparelho funcional. Entretanto, a denti\u00e7\u00e3o superior se moveu em dire\u00e7\u00e3o posterior porque os mini-implantes foram usados somente na maxila, e a for\u00e7a para posterior gerada pelos aparelhos funcionais moveu os dentes superiores para tr\u00e1s. Como mencionei antes, esse movimento pode ser compensado usando-se mini-implantes na arcada superior. Nesse caso espec\u00edfico, o movimento para posterior dos dentes superiores era desejado, devido \u00e0 protrus\u00e3o do l\u00e1bio superior do paciente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig13_14.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-573\" alt=\"v18n03_entrevista_fig13_14\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig13_14.jpg\" width=\"800\" height=\"340\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig13_14.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig13_14-300x127.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Figura 14 mostra a sobreposi\u00e7\u00e3o gerada dez meses ap\u00f3s a conclus\u00e3o do tratamento com o aparelho funcional. O tra\u00e7ado preto foi gerado antes do tratamento com o aparelho funcional; o tra\u00e7o vermelho, logo ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o da terapia com aparelho funcional por doze\u00a0meses; e\u00a0o tra\u00e7ado verde, dez meses depois. Surpreendentemente, a mand\u00edbula continuou a crescer mais do que a maxila, e o incisivo inferior ficou em uma posi\u00e7\u00e3o mais verticalizada \u00e0 medida que a rela\u00e7\u00e3o maxilomandibular mudou. Al\u00e9m disso, os incisivos superiores tamb\u00e9m iniciaram um movimento de inclina\u00e7\u00e3o para vestibular, minimizando o movimento para posterior observado antes, durante o tratamento com ativador fixo. Esse fen\u00f4meno \u00e9 totalmente corroborado pela teoria da matriz funcional de Moss<sup>22<\/sup>.<\/p>\n<p>Todos os anos de controv\u00e9rsia relacionada \u00e0 terapia com ativadores fixos podem ser encerrados se pudermos isolar as mudan\u00e7as ortop\u00e9dicas, sem efeitos colaterais nos dentes. Ap\u00f3s tratar muitos pacientes com m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II, sou otimista quanto ao fato de podermos criar mudan\u00e7as verdadeiramente ortop\u00e9dicas. Obviamente, o acompanhamento em longo prazo \u00e9 necess\u00e1rio para legitimar essa alega\u00e7\u00e3o, e os resultados aparecer\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma, um conceito semelhante pode ser aplicado \u00e0s m\u00e1s oclus\u00f5es de Classe III. A Figura\u00a015 mostra o Hyrax modificado para corre\u00e7\u00e3o ortop\u00e9dica: o corpo do aparelho Hyrax foi ajustado \u00e0 ab\u00f3bada palatina, e quatro MIs foram usados para fix\u00e1-lo em cada um dos lados da sutura palatina mediana. \u00c0 medida que esse aparelho Hyrax \u00e9 ativado, a for\u00e7a de expans\u00e3o se situa perto da sutura palatina mediana e causa uma expans\u00e3o maxilar, desarticulando as suturas circum-maxilares<sup>23<\/sup>. Esse aparelho tamb\u00e9m tem dois ganchos para m\u00e1scara facial\u00a0(MF), presos \u00e0s bandas dos molares, e a for\u00e7a de protra\u00e7\u00e3o gerada pelo uso da m\u00e1scara facial ser\u00e1 direcionada, principalmente, \u00e0 maxila. Como o aparelho est\u00e1 firmemente fixado ao osso do palato, os movimentos verticais dos dentes s\u00e3o controlados. Isso significa que mesmo um paciente com Classe III e \u00e2ngulo vertical aberto pode ser tratado, sem medo de se criar uma mordida aberta anterior. Os pacientes com Classe III e \u00e2ngulo vertical aberto s\u00e3o considerados, por muitos, o problema mais desafiador na Ortodontia. Apresentarei, a seguir, um paciente com Classe\u00a0III desse tipo, o qual foi tratado usando esse protocolo de tratamento descrito.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-574\" alt=\"v18n03_entrevista_fig15\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig15.jpg\" width=\"400\" height=\"290\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig15.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig15-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa paciente se apresentou com \u00e2ngulo PM-HF de 31,4<sup>o<\/sup> (par\u00e2metro normativo = 24,5) e medida de Wits de -20,8 (norma = 1,0). A paciente, de 11 anos de idade, se apresentou com rela\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica de Classe III com \u00e2ngulo de valor elevado e mordida cruzada anterior e posterior. Depois do tratamento com m\u00e1scara facial (MF) por 14 meses, tanto a rela\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica quanto a dent\u00e1ria melhoraram (Fig. 16, 17).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575\" alt=\"v18n03_entrevista_fig16\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig16.jpg\" width=\"800\" height=\"335\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig16.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig16-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig17.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-576\" alt=\"v18n03_entrevista_fig17\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig17.jpg\" width=\"800\" height=\"329\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig17.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig17-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As sobreposi\u00e7\u00f5es da Figura 18 ilustram que a maxila cresceu para a frente significativamente mais do que a mand\u00edbula, durante os 14 meses de tratamento com a\u00a0MF. De\u00a0forma interessante, os incisivos superiores e inferiores sofreram retroinclina\u00e7\u00e3o e proclina\u00e7\u00e3o, respectivamente, \u00e0 medida que a rela\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica melhorou. Apesar de nenhum desses dentes estar com qualquer aparelho ortod\u00f4ntico, descompensaram-se espontaneamente \u00e0 medida que os maxilares eram alinhados. Apesar da face ter crescido para a frente e para baixo, o \u00e2ngulo do plano mandibular n\u00e3o mudou. A Tabela 1 confirma essas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig18_19.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-631\" alt=\"v18n03_entrevista_fig18_19\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig18_19.jpg\" width=\"800\" height=\"315\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig18_19.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig18_19-300x118.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tab_01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-559\" alt=\"tab_01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tab_01.jpg\" width=\"800\" height=\"223\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tab_01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tab_01-300x83.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Novamente, precisamos nos perguntar se esses resultados s\u00e3o est\u00e1veis. A Figura 19 mostra o acompanhamento de sete meses ap\u00f3s conclu\u00eddo o uso da MF. Parece que o crescimento maxilar advindo do tratamento com a MF se manteve est\u00e1vel, mas a mand\u00edbula cresceu um pouco mais do que a maxila. Isso confirma um estudo anterior de outros autores, que mostrou que pacientes com rela\u00e7\u00e3o esquel\u00e9tica de Classe III s\u00e3o predispostos ao crescimento em um padr\u00e3o de Classe III<sup>23<\/sup>. Alguns sugerem uma sobrecorre\u00e7\u00e3o, de forma a compensar o crescimento futuro<sup>23<\/sup>. \u00c9 importante acompanhar de perto esses pacientes at\u00e9 que seu crescimento se complete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em sua opini\u00e3o, essa mesma estrat\u00e9gia pode ser usada com pacientes adultos?<\/strong><\/p>\n<p>Em pacientes sem crescimento, essa abordagem descrita n\u00e3o funcionaria. Entretanto, alguns relatos indicam sucesso na expans\u00e3o da maxila em largura, como nos casos de expans\u00e3o r\u00e1pida da maxila assistida cirurgicamente<sup>24<\/sup>. Na UCLA, obtivemos sucesso na separa\u00e7\u00e3o da sutura palatal mediana em pacientes adultos, usando o disjuntor de expans\u00e3o palatal r\u00e1pida assistida por mini-implantes como os exibidos na Figura 20. O Dr. Eric Liou e outros tiveram algum sucesso em afrouxar a maxila por meio de expans\u00f5es e constri\u00e7\u00f5es da sutura maxilar, sucessivas e alternadas, usando um disjuntor ancorado em mini-implantes<sup>24<\/sup>. Esse processo simula a distra\u00e7\u00e3o osteog\u00eanica e a maxila pode ser rapidamente protru\u00edda. Isso\u00a0pode nos levar a um avan\u00e7o importante, mas, atualmente, o crescimento sutural em pacientes adultos parece ser bom demais para ser verdade. J\u00e1 no caso de pacientes adultos com Classe II e mand\u00edbulas retrognatas, ainda n\u00e3o tenho conhecimento de nenhuma ideia inovadora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig20.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-637\" alt=\"v18n03_entrevista_fig20\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig20.jpg\" width=\"800\" height=\"246\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig20.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/v18n03_entrevista_fig20-300x92.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com base em sua vasta experi\u00eancia com mini-implantes, poderia discorrer, brevemente, sobre os fatores importantes relacionados \u00e0 estabilidade dos MIs?<\/strong><\/p>\n<p>A estabilidade dos MIs pode ser dividida em estabilidade prim\u00e1ria e secund\u00e1ria. A estabilidade prim\u00e1ria vem do entrela\u00e7amento mec\u00e2nico entre o MI e o osso ao seu redor. Os fatores envolvidos na estabilidade prim\u00e1ria podem ser, ainda, divididos em fatores biol\u00f3gicos e mec\u00e2nicos. A densidade e o volume \u00f3sseo, a espessura do tecido, o tipo de tecido gengival, as estruturas vitais, etc. constituem o fator biol\u00f3gico. Os fatores mec\u00e2nicos dependem, fundamentalmente, do <i>design<\/i> do MI e incluem o di\u00e2metro, comprimento, forma, densidade do fio, etc.<sup>25<\/sup> Deve-se notar, tamb\u00e9m, que o osso cortical \u00e9 respons\u00e1vel pela estabilidade dos MIs, e o osso trabecular tem um papel menos importante. Os fatores biol\u00f3gicos s\u00e3o inerentes a cada paciente, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mud\u00e1-los. Devemos tentar definir cuidadosamente o local para coloca\u00e7\u00e3o dos MIs, de forma a maximizar sua estabilidade. Entretanto, a posi\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel pode n\u00e3o ser a mais vantajosa para a biomec\u00e2nica ortod\u00f4ntica, e pode-se acabar escolhendo um local menos est\u00e1vel. Como a estabilidade dos MIs \u00e9 o problema mais frustrante que enfrentamos, sugiro encontrar o local mais est\u00e1vel para eles e achar uma solu\u00e7\u00e3o para a mec\u00e2nica ortod\u00f4ntica, em vez de aceitar um local menos est\u00e1vel. \u00c9 de import\u00e2ncia cr\u00edtica ser criativo quanto \u00e0 biomec\u00e2nica ortod\u00f4ntica. O\u00a0fator mec\u00e2nico \u00e9 onde temos muito mais controle, pois podemos controlar as vari\u00e1veis. H\u00e1 numerosos <i>designs<\/i> de MIs dispon\u00edveis no mercado, e entender os fatores associados a cada <i>design<\/i> ajudar\u00e1 na escolha do MI certo para cada circunst\u00e2ncia espec\u00edfica<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p>A estabilidade secund\u00e1ria passa a fazer parte do quadro \u00e0 medida que a osseointegra\u00e7\u00e3o acontece. Quando o osso se remodela ao redor dos MIs, grande parte da estabilidade prim\u00e1ria, atribu\u00edda \u00e0 firmeza promovida pelo entrela\u00e7amento mec\u00e2nico e pela compress\u00e3o \u00f3ssea (vista com frequ\u00eancia nos modelos c\u00f4nicos), se torna irrelevante. A integra\u00e7\u00e3o \u00f3ssea pode ter papel muito mais significativo na estabilidade ap\u00f3s a remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea acontecer na \u00e1rea circundante. A estabilidade secund\u00e1ria tamb\u00e9m pode ser dividida em fatores biol\u00f3gicos e mec\u00e2nicos: o\u00a0metabolismo \u00f3sseo, a densidade \u00f3ssea, etc. influenciam nos fatores biol\u00f3gicos; e o <i>design<\/i> dos MIs contribui para o fator mec\u00e2nico. Da mesma forma que com a estabilidade prim\u00e1ria, os fatores mec\u00e2nicos s\u00e3o mais f\u00e1ceis de se controlar. Quanto maior for a \u00e1rea de superf\u00edcie dos MIs em contato com o osso, mais integra\u00e7\u00e3o com o osso poder\u00e1 ser estabelecida. A textura e o tratamento da superf\u00edcie tamb\u00e9m podem facilitar essa integra\u00e7\u00e3o \u00f3ssea<sup>26<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em anos recentes, alguns dentistas cl\u00ednicos t\u00eam mostrado a tend\u00eancia de usar exageradamente os mini-implantes no tratamento ortod\u00f4ntico cl\u00ednico. Ainda assim, a literatura ainda n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es sobre a resposta em longo prazo dos tecidos circundantes (i.e., ra\u00edzes) e a estabilidade de alguns resultados cl\u00ednicos. Em sua opini\u00e3o, com base na literatura atual, devemos ter alguma precau\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer novo procedimento deve ser usado com precau\u00e7\u00e3o. A seguran\u00e7a dos MIs j\u00e1 foi bem estabelecida, mas tamb\u00e9m h\u00e1 relatos de danos ao tecido circundante. A decis\u00e3o de usar MIs deve ser feita ap\u00f3s a an\u00e1lise de riscos e benef\u00edcios, da mesma forma que no caso da TCFC. Se os MIs puderem ser colocados com seguran\u00e7a e sem danos teciduais, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para se evitar seu uso. Se os MIs tiverem que ser colocados em \u00e1reas com algum risco, toda precau\u00e7\u00e3o deve ser tomada. Em termos gerais, a maioria dos problemas est\u00e1 associada a les\u00f5es na raiz, o que pode ser totalmente evitado com uma escolha cuidadosa do local e do <i>design<\/i> apropriado para o MI. A tend\u00eancia atual \u00e9 utilizar a regi\u00e3o palatal e MIs com di\u00e2metros pequenos, na tentativa de reduzir o contato com as ra\u00edzes<sup>27<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ouvimos falar que o senhor desenvolveu um novo <i>design<\/i> de mini-implantes. Pode descrever brevemente esse novo projeto?<\/strong><\/p>\n<p>Os objetivos desse novo <i>design<\/i> s\u00e3o: evitar o risco de atingir estruturas vitais; maximizar a \u00e1rea de contato com o osso cortical; reduzir o torque de inser\u00e7\u00e3o, para facilitar a coloca\u00e7\u00e3o; maximizar o torque de remo\u00e7\u00e3o, para aumentar a estabilidade; e maximizar a osseointegra\u00e7\u00e3o, para aumentar a estabilidade secund\u00e1ria<sup>28<\/sup>. Esse MI tem apenas 2,0mm de comprimento, para evitar o contato com a raiz e os feixes neurovasculares; mas tem 3,0mm de di\u00e2metro, para maximizar a estabilidade (Fig.\u00a020). \u00c9\u00a0oco por dentro, para reduzir o torque de inser\u00e7\u00e3o e aumentar o contato com o osso. A \u00e1rea de superf\u00edcie total em contato com o osso cortical \u00e9 maior do que no caso de MIs convencionais. A c\u00e2mara interna tem o formato de cone invertido, para facilitar a inser\u00e7\u00e3o. O osso retido dentro da c\u00e2mara passar\u00e1 por um processo de remodelagem e preencher\u00e1 o vazio. Isso cria um retentor mec\u00e2nico dentro do osso cortical e maior integra\u00e7\u00e3o do osso com o MI, internamente, o que auxilia na estabilidade secund\u00e1ria. Nossos estudos, partes 1 e 2, publicados no peri\u00f3dico Angle Orthodontist<sup>28<\/sup>, ilustram a estabilidade desse novo MI <i>in vitro<\/i>. Nosso mais recente estudo tamb\u00e9m demonstrou a superioridade de sua estabilidade em v\u00e1rias simula\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Estamos, agora, prontos para um teste cl\u00ednico desse <i>design<\/i> na UCLA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A comunidade ortod\u00f4ntica ficou entusiasmada com a ideia de reduzir o tempo de tratamento com o uso de braquetes autolig\u00e1veis, mas, ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o dos estudos recentes, viu-se que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar pacientes mais rapidamente. O\u00a0que pensa a respeito disso?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 foi bem estabelecido que os braquetes autolig\u00e1veis n\u00e3o reduzem significativamente o tempo de tratamento<sup>29<\/sup>. Fico preocupado com a recente tend\u00eancia de \u201cracioc\u00ednio baseado no aparelho\u201d. Em toda a nossa volta, h\u00e1 propagandas promovendo aparelhos, como o Invisalign, o Damon Brackets, e o Incognitos. Entendo que os fabricantes desses produtos estejam tentando convencer o p\u00fablico, pois t\u00eam que vender seus produtos. Muitos de n\u00f3s nos rendemos a essa press\u00e3o e fornecemos esses servi\u00e7os aos pacientes, os quais muitas vezes podem n\u00e3o ser a melhor op\u00e7\u00e3o de tratamento. Tamb\u00e9m \u00e9 triste ver que muitos ortodontistas promovem, sem pensar, os dispositivos escolhidos pelos fabricantes, alegando que esses produtos s\u00e3o superiores e\/ou mais eficientes, sem oferecer evid\u00eancias cient\u00edficas concretas.<\/p>\n<p>Creio firmemente que todos devamos voltar \u00e0 Ortodontia com base na habilidade e tratar esses novos sistemas apenas como meras ferramentas para atingir nossas metas. Usei MIs extensivamente e, por vezes, atingi metas de tratamento que n\u00e3o teriam sido poss\u00edveis no passado\u00a0\u2014\u00a0mas n\u00e3o foram os MIs que trataram os pacientes, a diferen\u00e7a est\u00e1 no que eu fa\u00e7o com essa nova ferramenta. Se voc\u00ea est\u00e1 procurando uma boa refei\u00e7\u00e3o, vai procurar um restaurante com um <i>chef<\/i> excelente, e n\u00e3o vai se preocupar muito com o tipo de faca que esse <i>chef<\/i> usa. A diferen\u00e7a est\u00e1 no que o <i>chef<\/i> faz, n\u00e3o em qual ferramenta usa.<\/p>\n<p>Se quisermos realmente reduzir o tempo do tratamento, devemos considerar dois fatores: biomec\u00e2nica e biologia \u00f3ssea. Os ortodontistas tendem a se concentrar mais na biomec\u00e2nica do que na biologia \u00f3ssea. Ao longo dos anos, muitos trabalhos foram produzidos na \u00e1rea de biomec\u00e2nica da Ortodontia, e trouxeram progresso para a ci\u00eancia. Talvez seja por isso que vendemos nossas almas para esses novos dispositivos que alegam tornar a Ortodontia mais f\u00e1cil e mais eficiente. Novos arcos hi-tech, novos aparelhos e novos materiais melhoraram nossos protocolos de tratamento, mas vejo que a melhora na velocidade do tratamento foi, na melhor das hip\u00f3teses, m\u00ednima. N\u00e3o interessa quais novos dispositivos temos, n\u00e3o podemos mover os dentes mais rapidamente do que a velocidade de remodela\u00e7\u00e3o do osso.<\/p>\n<p>Eis minha opini\u00e3o a respeito da redu\u00e7\u00e3o no tempo de tratamento: seria muito mais eficiente se pud\u00e9ssemos influenciar o processo de remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. Os\u00a0irm\u00e3os Wilco apresentaram a movimenta\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria acelerada, e os resultados n\u00e3o foram igualados por nenhuma inven\u00e7\u00e3o biomec\u00e2nica at\u00e9 hoje<sup>30<\/sup>. A chave \u00e9: como conseguir resultados semelhantes aos obtidos por eles sem usar um procedimento t\u00e3o invasivo? A movimenta\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria acelerada \u00e9 um dos meus projetos na UCLA, e esperamos ter boas novidades em breve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma analogia interessante poderia ser feita para os casos em que s\u00e3o usados mini-implantes. Em sua opini\u00e3o, podemos diminuir o tempo de tratamento usando mini-implantes?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma alega\u00e7\u00e3o comum, que escuto de muitas pessoas. N\u00e3o concordo com essa generaliza\u00e7\u00e3o. Em casos que exigem coopera\u00e7\u00e3o do paciente ou ancoragem m\u00e1xima, controle de ancoragem assim\u00e9trica, controle vertical, etc., os MIs podem ajudar na efici\u00eancia e controle. Entretanto, em muitos casos, os MIs podem ser usados para corrigir problemas que n\u00e3o poderiam ser corrigidos com recursos mec\u00e2nicos convencionais: inclina\u00e7\u00e3o acentuada, mordida aberta acentuada, excesso maxilar vertical, grande altura inferior da face, apinhamento excessivo em casos tratados sem extra\u00e7\u00f5es, casos com comprometimento periodontal, desequil\u00edbrio esquel\u00e9tico, etc. Como agora somos capazes de corrigir esses problemas t\u00e3o dif\u00edceis, o tratamento muitas vezes leva muito mais tempo do que os casos ortod\u00f4nticos t\u00edpicos. N\u00e3o \u00e9 necessariamente a redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do tratamento que devemos celebrar, mas a capacidade de oferecer, no tratamento de casos extremamente desafiadores, resultados mais excelentes usando os MIs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800000;\">ENTREVISTADORES<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Andr\u00e9 Wilson Machado<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Professor Adjunto de Ortodontia da UFBA. Professor colaborador do Mestrado em Ortodontia da UCLA. Doutor em Ortodontia,\u00a0 UNESP-Araraquara \/ UCLA. Mestre em Ortodontia, PUC Minas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Barry Briss<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Professor e Chairman do Departamento de Ortodontia da Tufts University \/ Boston. Especialista em Ortodontia \/ Tufts University. Diplomado pelo Board Americano de Ortodontia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Greg Huang<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00bb Professor e Chairman do Departamento de Ortodontia da University of Washington \/ Seattle. Doutor em Epidemiologia e Mestre em Ortodontia, University of Washington.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Richard Kulbersh<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Professor e Chairman do Departamento de Ortodontia da University of Detroit Mercy \/ Detroit. Mestre em Ortodontia, University of Detroit Mercy. Diplomado pelo Board Americano de Ortodontia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Sergei Godeiro Fernandes Rabelo Caldas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Professor do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Ortodontia da UnP. Professor Substituto da Disciplina de Cl\u00ednica Infantil da UFRN. Doutor e Mestre em Ortodontia, UNESP-Araraquara. Especialista em Ortodontia, ABO\/RN.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p><b>Como citar esta se\u00e7\u00e3o:<\/b> Moon W. Interview. Dental Press J Orthod. 2013 May-June;18(3):12-28.<\/p>\n<p><b>Enviado em: <\/b>14 de fevereiro de 2013 &#8211; <b>Revisado e aceito: <\/b>7 de mar\u00e7o de 2013<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Os pacientes que aparecem na presente se\u00e7\u00e3o autorizaram previamente a publica\u00e7\u00e3o de suas fotografias e radiografias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Em tudo na vida, h\u00e1 um lado bom\u2026 Em 2010, cursava o doutorado em Ortodontia na UNESP-Araraquara quando, por raz\u00f5es pessoais, precisei me ausentar das atividades acad\u00eamicas e retornar a Salvador por alguns dias. E\u00a0eis que, por sorte ou provid\u00eancia de Deus, fui afortunado com um grande presente: a oportunidade de conhecer o Dr.\u00a0Won\u00a0Moon,<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-549","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/549\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}