{"id":48207,"date":"2026-06-29T13:27:18","date_gmt":"2026-06-29T13:27:18","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=48207"},"modified":"2026-06-29T13:27:18","modified_gmt":"2026-06-29T13:27:18","slug":"o-paciente-oncologico-e-os-dentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/o-paciente-oncologico-e-os-dentes\/","title":{"rendered":"O paciente oncol\u00f3gico e os dentes"},"content":{"rendered":"<p>Por: Alberto Consolaro<\/p>\n<p>A neoplasia \u201cmaligna\u201d tem m\u00e9todos sorrateiros. Rouba os nutrientes que seriam para as c\u00e9lulas normais, como voraz parasita. Habita os espa\u00e7os pr\u00f3ximos aos vasos, onde mais proliferam. Fragiliza os ossos, tornando-os irregulares para que suas c\u00e9lulas possam habit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Tirando o c\u00e1lcio dos ossos, ela promove uma hipercalcemia maligna que gera uma dor insuport\u00e1vel e o paciente fica acamado, sem fazer nada, para que possa tomar conta do organismo, sem que ele reaja. Para que n\u00e3o erre caminhos, suas c\u00e9lulas bizarras invadem os tecidos por estradas naturais como os nervos e vasos, chegando nos \u00f3rg\u00e3os nobres.<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o pare de crescer e invadir os tecidos, as c\u00e9lulas malignas e mutantes ativam as mitoses e inibem os mecanismos de mortes geneticamente programadas, tornando-se imortais sobre as c\u00e9lulas normais.<\/p>\n<p>Na boca, s\u00e3o bilh\u00f5es de agentes microbianos que entram a todo momento nos tecidos como escova\u00e7\u00e3o e mastiga\u00e7\u00e3o normais. Mas as c\u00e9lulas e subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias e imunol\u00f3gicas as eliminam em segundos. Por\u00e9m, em pacientes debilitados n\u00e3o tem c\u00e9lulas e subst\u00e2ncias de defesa para \u201cimediatamente\u201d eliminar as bact\u00e9rias que entram e podem permanecer minutos preciosos que usam para se esconderem, protegerem, multiplicando-se nestes locais.<\/p>\n<p><strong>PACIENTE ONCOLOGICO<br \/>\n<\/strong>Paciente oncol\u00f3gico \u00e9 o que tem uma neoplasia maligna em seu organismo independentemente se est\u00e1 em quimio, radio ou imunoterapia. Um paciente deixa de ser considerado oncol\u00f3gico para fins odontol\u00f3gicos, apenas quando recebe alta do oncologista confirmada por uma declara\u00e7\u00e3o escrita ou verbal.<\/p>\n<p>O paciente oncol\u00f3gico deve ser considerado sistemicamente debilitado. Qualquer acesso de bact\u00e9rias ao osso, como na coloca\u00e7\u00e3o de implantes e minimplantes, pode levar a uma osteomielite que pode ser mutilante. Em paciente oncol\u00f3gico est\u00e1 contraindicado as cirurgias para implantes, deixando os para quando o paciente receber alta do oncologista. Se o paciente faz quimioterapia oncol\u00f3gica, agora tamb\u00e9m \u00e9 debilitado sistemicamente pela quimioterapia, sendo contraindicada a coloca\u00e7\u00e3o de implantes.<\/p>\n<p>Se o paciente oncol\u00f3gico recebeu radioterapia, os tecidos \u00f3sseos est\u00e3o com baixa capacidade reparat\u00f3ria, pois tem n\u00famero reduzido de osteoblastos, clastos, oste\u00f3citos, vasos e nervos. Al\u00e9m de debilitado pela doen\u00e7a, o osso irradiado que receberia um implante dent\u00e1rio tem baixa capacidade de reparo e osseointegra\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 contraindicado a coloca\u00e7\u00e3o de implantes, sendo necess\u00e1rios esperar entre 5 a 10 anos, dependendo da avalia\u00e7\u00e3o local. Se bact\u00e9rias tiver acesso a este osso, poder\u00e1 ocorrer a osteoradiomielite, ou seja, a osteomielite em osso irradiado ou com osteorradionecrose.<\/p>\n<p>No tratamento com imunoter\u00e1picos, o paciente oncol\u00f3gico n\u00e3o deixa de estar debilitado pela doen\u00e7a por si mesmo. A imunoterapia n\u00e3o debilita o paciente, mas ele est\u00e1 debilitado pela doen\u00e7a, contraindicando os implantes ou outros procedimentos com risco de se colocar bact\u00e9rias nos tecidos.<\/p>\n<p>Se o paciente oncol\u00f3gico estiver tomando antirreabsortivos \u00f3sseos, independente de for bisfosfonatos ou anticorpos monoclonais, isto indica que o paciente ainda \u00e9 oncol\u00f3gico, ou seja, \u00e9 debilitado pela doen\u00e7a e interven\u00e7\u00f5es como implantes, exodontias ou outras cirurgias, podem levar a osteomielites.<\/p>\n<p><strong>O PREPARO<\/strong><br \/>\nNos pacientes oncol\u00f3gicos, o ideal \u00e9 atuar antes para deixar a boca livre de processos infecciosos, evitar procedimentos que sangram ou lesem a mucosa, orientar a higieniza\u00e7\u00e3o e fazer o controle peri\u00f3dico. Nosso papel \u00e9 fazer com que esta fase passe livre de intercorr\u00eancias.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar terapias oncol\u00f3gicas, deve se eliminar riscos em potencial como les\u00f5es periapicais e periodontais ativas, dentes fraturados, ra\u00edzes residuais, dentes parcialmente irrompidos, etc. No paciente oncol\u00f3gico, a boca deve ser preparada antes para que receba o tratamento.<\/p>\n<p>Se procedimentos forem inadi\u00e1veis nos pacientes oncol\u00f3gicos, fazer com cadeia ass\u00e9ptica rigorosa, cobertura antibi\u00f3tica e ser minimamente invasivo dentro do poss\u00edvel. O controle p\u00f3s-operat\u00f3rio deve ser di\u00e1rio, pois os riscos s\u00e3o altos.<\/p>\n<p><strong>RELFEX\u00c3O FINAL<br \/>\n<\/strong>Nos pacientes oncol\u00f3gicos, tamb\u00e9m vale o princ\u00edpio: primeiro a biologia, depois a est\u00e9tica!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alberto Consolaro A neoplasia \u201cmaligna\u201d tem m\u00e9todos sorrateiros. 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