{"id":48197,"date":"2026-06-22T08:00:40","date_gmt":"2026-06-22T08:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=48197"},"modified":"2026-06-23T12:50:45","modified_gmt":"2026-06-23T12:50:45","slug":"tem-bacterias-na-polpa-dentaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/tem-bacterias-na-polpa-dentaria\/","title":{"rendered":"Tem bact\u00e9rias na polpa dent\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Alberto Consolaro<\/em><\/p>\n<p>Nos tecidos n\u00e3o temos bact\u00e9rias. Somos um tubo e a cavidade do est\u00f4mago e intestino, o interior do pulm\u00e3o e dentro dos ouvidos, est\u00e1 tudo em contato com o meio externo. O meio interno est\u00e1 isolado do corpo pelo revestimento epitelial da pele e mucosas.<\/p>\n<p>Quando uma bact\u00e9ria entra no interior dos tecidos, ela vai ser encontrada imediatamente por c\u00e9lulas fagocitarias leucocit\u00e1rias, anticorpos e enzimas que as destruir\u00e3o em segundos ou minutos. N\u00e3o pode demorar, pois podem encontrar cantos e recantos onde se escondem e proliferam. Seu tempo m\u00e9dio de vida, quando se divide em duas, \u00e9 20 minutos.<\/p>\n<p>A inflama\u00e7\u00e3o e sistema imunol\u00f3gico tem que estar prontos para que suas c\u00e9lulas e subst\u00e2ncias eliminem as bact\u00e9rias prontamente. Este brev\u00edssimo per\u00edodo de tempo com bact\u00e9rias no sangue se chama \u201cbacteremia transit\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Se demorar mais que segundos e poucos minutos por falha na inflama\u00e7\u00e3o ou sistema imune, elas podem se fixar e proliferar em locais bem escondidos ou previamente agredidos, o que se chama \u201canacorese\u201d. Esta falha acontece mais nos diab\u00e9ticos n\u00e3o controlados, pacientes oncol\u00f3gicos, imunodeprimidos, com dist\u00farbios alimentares, etilistas e etc. A cada 20 minutos, as bact\u00e9rias dobram o seu n\u00famero.<\/p>\n<p>\u00c9 importante reconhecer a efici\u00eancia do corpo contra as bacteremias transit\u00f3rias diariamente, quando penteamos o cabelo, escovamos os dentes, nos alimentamos, colamos braquetes, fazemos limpeza nos dentes, praticando esportes, quando fazemos limpeza de pele, tratamento endod\u00f4ntico, etc. \u00c9 t\u00e3o natural que n\u00e3o valorizamos como dever\u00edamos. Quando tratamos a c\u00e1rie, tamb\u00e9m colocamos muitas bact\u00e9rias no sangue.<\/p>\n<p><strong>FRAGILIDADE<br \/>\n<\/strong>Se n\u00e3o estivermos bem sistemicamente, poderemos ter doen\u00e7as infecciosas, quase que \u201cinexplic\u00e1veis\u201d, como artrite reumatoide, endocardite idiop\u00e1tica, doen\u00e7as renais cr\u00f4nicas. Ou o organismo pode se surpreender com tantas bact\u00e9rias que se perde a sincronia e a harmonia entre os sistemas como respira\u00e7\u00e3o, batimento card\u00edaco, fun\u00e7\u00e3o cerebral, hep\u00e1tica e renal e muitas outros. Esse quadro muito s\u00e9rio se chama \u201csepse\u201d e pode ser fatal.<\/p>\n<p>Por isto que n\u00e3o devemos deixar bact\u00e9rias no interior do corpo, mesmo que seja uma pequena carie n\u00e3o removida totalmente, embaixo de uma restaura\u00e7\u00e3o, ou um canal contaminado parcial ou incompletamente obturado, ou uma doen\u00e7a periodontal cr\u00f4nica assintom\u00e1tica. Em tese na USP em Bauru, de Val\u00e9ria Lopes Godoy em dentes com c\u00e1rie na dentina, especialmente em dentes dec\u00edduos, observamos bact\u00e9rias e aglomerados microbianos no interior do canal, mesmo quando a polpa estava viva.<\/p>\n<p>Em um dado momento da vida, podemos detectar que a sa\u00fade do paciente \u00e9 \u00f3tima, n\u00e3o importa a idade, mas com o tempo as pessoas adquirem doen\u00e7as debilitantes e estes locais de contamina\u00e7\u00e3o constante e permanente, podem significar a porta de entrada microbiana at\u00e9 para uma sepse. Pode ser at\u00e9 uma perimplantite discreta, enfim n\u00e3o podemos deixar portas de entradas abertas para as bact\u00e9rias nos dentes.<\/p>\n<p><strong>REFLEX\u00c3O FINAL<br \/>\n<\/strong>Na boca temos bilh\u00f5es de bact\u00e9rias e numerosas portas de entrada em potencial. Cuidar da sa\u00fade bucal \u00e9 cuidar do corpo como um todo. Isto vale para os dentes, ossos maxilares, mucosa bucal e orofaringe. Todos os pacientes com comorbidades devem ser tratados de forma especial, com cobertura antibi\u00f3tica se necess\u00e1ria e cuidados para evitar as consequ\u00eancias das bacteremias transit\u00f3rias. Durante a higiene bucal induzimos bacteremias transit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Nunca esque\u00e7amos que o paciente saud\u00e1vel de hoje, no tempo, pode ser o portador de uma comorbidade amanh\u00e3 e o que foi feito na boca hoje. pode ser um complicador do seu quadro clinico sist\u00eamico amanh\u00e3, n\u00e3o importa a idade. E nem sempre as pessoas que cuidam de pacientes nos leitos e hospitais, sabem ou lembram de verificar a situa\u00e7\u00e3o bucal para compreender o seu estado sist\u00eamico. A boca n\u00e3o \u00e9 a figura central do corpo, mas \u00e9 a sua porta de entrada!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alberto Consolaro Nos tecidos n\u00e3o temos bact\u00e9rias. 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