{"id":47659,"date":"2025-12-16T08:00:04","date_gmt":"2025-12-16T08:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=47659"},"modified":"2025-12-30T17:48:52","modified_gmt":"2025-12-30T17:48:52","slug":"variacoes-geneticas-ajudam-a-explicar-inflamacao-bucal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/variacoes-geneticas-ajudam-a-explicar-inflamacao-bucal\/","title":{"rendered":"Varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ajudam a explicar inflama\u00e7\u00e3o bucal"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"120\" data-end=\"621\">Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto (Forp) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) identificaram varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no DNA humano que podem ajudar a explicar por que alguns pacientes continuam apresentando inflama\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s um tratamento de canal bem executado. O estudo investigou a chamada periodontite apical persistente (PAP), uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que afeta a regi\u00e3o ao redor da raiz do dente, e foi publicado na revista cient\u00edfica <em data-start=\"594\" data-end=\"620\">Archives of Oral Biology<\/em>.<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/\"> A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do Jornal da USP<\/a>.<\/p>\n<ul>\n<li data-start=\"120\" data-end=\"621\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/museu-de-odontologia-e-inaugurado-em-piracicaba\/\">Museu de Odontologia \u00e9 inaugurado em Piracicaba<\/a><\/li>\n<li data-start=\"120\" data-end=\"621\"><a href=\"https:\/\/www.dentalpressbooks.com\/especialidades\/livros-digitais\/\">Conhe\u00e7a os livros digitais dispon\u00edveis para compra da Editora Dental Press<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p data-start=\"623\" data-end=\"1132\">A pesquisa foi conduzida pelo Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Endodontia da Forp-USP, sob coordena\u00e7\u00e3o do professor Manoel Dami\u00e3o Sousa Neto, e contou com a participa\u00e7\u00e3o do professor Igor Bassi Ferreira Petean, do Departamento de Odontologia Restauradora. Os resultados indicam que polimorfismos gen\u00e9ticos, pequenas varia\u00e7\u00f5es no DNA, em dois genes ligados \u00e0 resposta inflamat\u00f3ria e ao metabolismo \u00f3sseo podem influenciar diretamente o sucesso da cicatriza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o tratamento endod\u00f4ntico.<\/p>\n<p data-start=\"1134\" data-end=\"1519\">A periodontite apical ocorre, em geral, como consequ\u00eancia de c\u00e1ries profundas ou traumas, que levam \u00e0 morte da polpa dental e \u00e0 infec\u00e7\u00e3o do canal radicular. O tratamento de canal remove o tecido comprometido e sela o espa\u00e7o interno do dente. Ainda assim, entre 10% e 15% dos casos evoluem para a forma persistente da doen\u00e7a, mesmo quando o procedimento \u00e9 tecnicamente adequado.<\/p>\n<p data-start=\"1521\" data-end=\"1866\">Segundo os pesquisadores, a observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de respostas diferentes entre pacientes submetidos ao mesmo protocolo foi o ponto de partida do estudo. \u201cPercebemos que indiv\u00edduos tratados de forma semelhante apresentavam desfechos distintos, o que sugeria a influ\u00eancia de fatores individuais, incluindo caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas\u201d, explica Petean.<\/p>\n<p data-start=\"1521\" data-end=\"1866\"><strong>An\u00e1lise gen\u00e9tica<br \/>\n<\/strong>O estudo analisou 423 pacientes brasileiros que haviam passado por tratamento de canal. Desse total, 172 apresentaram periodontite apical persistente, enquanto 251 tiveram cicatriza\u00e7\u00e3o completa. Foram exclu\u00eddos casos com falhas t\u00e9cnicas evidentes, como fratura radicular ou tratamento endod\u00f4ntico inadequado, para garantir que a an\u00e1lise se concentrasse em fatores biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p data-start=\"2304\" data-end=\"2586\">As amostras gen\u00e9ticas foram obtidas a partir da saliva dos pacientes, coletada por meio de bochecho com solu\u00e7\u00e3o salina. O DNA foi extra\u00eddo e analisado por meio da t\u00e9cnica de PCR em tempo real com sistema TaqMan, que permite identificar varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas com alta precis\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"2588\" data-end=\"2874\">Os pesquisadores investigaram genes associados \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o, como TNF-\u03b1, SOCS1 e os receptores TNFRSF1A e TNFRSF1B, e ao metabolismo \u00f3sseo, incluindo RANK, RANKL e OPG, todos relacionados \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria e da remodela\u00e7\u00e3o do osso ao redor da raiz do dente.<\/p>\n<p data-start=\"2588\" data-end=\"2874\"><strong>Variantes<\/strong><br \/>\nOs resultados mostraram que dois polimorfismos espec\u00edficos estiveram associados a um menor risco de desenvolver a PAP. Pacientes com o alelo A no gene TNF-\u03b1 e aqueles homozigotos para o alelo T no gene RANKL apresentaram maior chance de cicatriza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p data-start=\"3197\" data-end=\"3488\">No caso do TNF-\u03b1, a variante gen\u00e9tica est\u00e1 relacionada a n\u00edveis mais baixos de citocinas inflamat\u00f3rias, reduzindo a intensidade da inflama\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o gen\u00f3tipo TT do RANKL est\u00e1 associado a uma regula\u00e7\u00e3o mais equilibrada da remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, favorecendo a recupera\u00e7\u00e3o do tecido afetado.<\/p>\n<p data-start=\"3490\" data-end=\"3797\">Outros genes analisados n\u00e3o apresentaram associa\u00e7\u00e3o isolada significativa. No entanto, a an\u00e1lise conjunta revelou uma intera\u00e7\u00e3o entre TNF-\u03b1, TNFRSF1B e RANKL, indicando que o risco ou a prote\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a pode depender da a\u00e7\u00e3o combinada de m\u00faltiplos genes, e n\u00e3o de um \u00fanico marcador gen\u00e9tico.<\/p>\n<p data-start=\"3490\" data-end=\"3797\"><strong>Odontologia de precis\u00e3o<\/strong><br \/>\nEmbora o estudo tenha sido realizado apenas com pacientes da regi\u00e3o Sudeste do Brasil, o que limita a generaliza\u00e7\u00e3o dos resultados, os autores destacam que os achados refor\u00e7am a vis\u00e3o de que a periodontite apical persistente tem origem multifatorial. Al\u00e9m da t\u00e9cnica cl\u00ednica, fatores gen\u00e9ticos, ambientais e at\u00e9 epigen\u00e9ticos influenciam os desfechos do tratamento.<\/p>\n<p data-start=\"4217\" data-end=\"4591\">\u201cEsses resultados devem ser interpretados com cautela, mas indicam a necessidade de novos estudos, com amostras maiores e mais diversas\u201d, afirma Petean. Segundo ele, a identifica\u00e7\u00e3o de marcadores gen\u00e9ticos pode, no futuro, ajudar a prever o risco de insucesso, orientar estrat\u00e9gias terap\u00eauticas personalizadas e definir protocolos de acompanhamento mais espec\u00edficos.<\/p>\n<p data-start=\"4593\" data-end=\"5023\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">A equipe j\u00e1 trabalha na amplia\u00e7\u00e3o das pesquisas, integrando an\u00e1lises gen\u00e9ticas, epigen\u00e9ticas e dados cl\u00ednicos e radiogr\u00e1ficos. O objetivo \u00e9 desenvolver modelos preditivos que apoiem decis\u00f5es individualizadas em endodontia. \u201cQueremos consolidar bases cient\u00edficas para aplicar os princ\u00edpios da Odontologia de Precis\u00e3o, aproximando os tratamentos de uma abordagem cada vez mais personalizada e eficaz\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto (Forp) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) identificaram varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no DNA humano que podem ajudar a explicar por que alguns pacientes continuam apresentando inflama\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s um tratamento de canal bem executado. 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