{"id":47332,"date":"2025-09-29T08:00:50","date_gmt":"2025-09-29T08:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=47332"},"modified":"2025-10-02T14:36:23","modified_gmt":"2025-10-02T14:36:23","slug":"alberto-consolaro-dentes-deciduos-apoptose-e-as-estacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/alberto-consolaro-dentes-deciduos-apoptose-e-as-estacoes\/","title":{"rendered":"Alberto Consolaro: &#8220;Dentes dec\u00edduos, apoptose e as esta\u00e7\u00f5es&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Alberto Consolaro<\/em><\/p>\n<p>Um frio ameno e gostoso com ventos uivantes pelas frestas de janelas e portas, anunciam a noite. O sol pregui\u00e7oso, amea\u00e7a esquentar e, mais amarelo, destaca as sombras que embeleza tudo. Nas ruas, os ip\u00eas amarelos insistem em florir, quase a resistir e a persistir. Os ip\u00eas brancos e rosados j\u00e1 se foram, junto com o frio cortante que j\u00e1 se despediu.<\/p>\n<p>Apesar da raridade de flores azuis, os jacarand\u00e1s est\u00e3o soltos nas pra\u00e7as e ruas. Expl\u00edcitos demais s\u00e3o os tapetes urbanos e amarelos embaixo das copas frondosas das sibipirunas. Mesmo assim, muitos nem reparam, como aut\u00f4matos e calculistas, precisam cumprir o apertar dos parafusos e bot\u00f5es em seu trabalho tal como mostrou Chaplin. Os entediados reclamam das flores ca\u00eddas levadas pelas suas vassouras gastas e ralos entupidos. Talvez estejam cansados e tristes de viver.<\/p>\n<p>De galhos retorcidos e secos, os flamboyants est\u00e3o rachando suas vagens antigas a soltar sementes, mas j\u00e1 florescem com o alaranjado de suas orquid\u00e1ceas e sensuais p\u00e9talas. Veja bem de perto suas flores, pend\u00f5es e bot\u00f5es, s\u00e3o sensuais!<\/p>\n<p>No virar da esquina, me deparo com os cachos e lustres amarelos de ac\u00e1cias que resistem teimosamente ao vento. S\u00f3 faltam tilintar como cristais a cada balan\u00e7o da brisa. Que \u00e9 isso! Falta nada, eu escuto-os na minha imagina\u00e7\u00e3o! Os cachos floridos s\u00e3o verdadeiros mensageiros do vento nas varandas e alpendres a chacoalharem e tilintarem para acalmar os esp\u00edritos humanos ansiosos e cansados no final do dia!<\/p>\n<p>As buganv\u00edlias ou primaveras n\u00e3o se fazem rogadas e exibem o vermelho rutilante que nos deixam calados e perplexos pela abund\u00e2ncia e vivacidade de tons. Para alguns, uma flor \u00e9 nada mais do que uma flor! Para outros uma orqu\u00eddea \u00e9 arte virginal e natural em suas formas sugestivas e sensuais. Por minha vez, vejo poesia em tudo.<\/p>\n<p>Ip\u00eas, flamboyants, jacarand\u00e1s, ac\u00e1cias e buganv\u00edlias derramem e soltem suas flores por mim e pelos que amam, sem pensar que isto seja inconsequente! Aos chatos de medo, precavidos sem sabores l\u00fadicos e aos que reclamam de tudo todos os dias, livrem-se das algemas do bom senso aprendam com as \u00e1rvores e flores: sejam expl\u00edcitos, exuberantes, intensos e desprendidos, afinal a vida \u00e9 tempor\u00e1ria!<\/p>\n<p><strong>RIZ\u00d3LISE<\/strong><br \/>\nEm plena atividade na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Odontopediatria e Ortodontia da Usp em Ribeir\u00e3o Preto, falar dos dentes dec\u00edduos e seus mecanismos moleculares e celulares, me toca como versos os mecanismos para que sejam exfoliados e substitu\u00eddos pelos permanentes.<\/p>\n<p>Quando completam a sua forma\u00e7\u00e3o, as c\u00e9lulas de cada dente dec\u00edduo libera o gene da morte celular programada geneticamente. Toda c\u00e9lula tem seu tempo de vida programado. Liberando o gene p53, estas c\u00e9lulas desencadeiam vias bioqu\u00edmicos para dissolver o seu esqueleto proteico, assumindo um aspecto de maracuj\u00e1 secando na fruteira, para logo depois soltarem fragmentos bem embalados por membranas a serem fagocitados pelas c\u00e9lulas vizinhas de forma silenciosa, sem inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do grego, despetalar ou desfolhar d\u00e1 origem \u00e0 palavra apoptose que significa morte celular geneticamente programada e silenciosa. As c\u00e9lulas do dente como cementoblastos, odontoblastos e os restos epiteliais de Malassez morrem fisiologicamente por apoptose e desnudam as ra\u00edzes dec\u00edduas. Isto atrai os osteoclastos para que reabsorvam e sorvam a intimidade da dentina.<\/p>\n<p><strong>REFLEX\u00c3O FINAL<\/strong><br \/>\nC\u00e9lulas e dentes dec\u00edduos se esfoliam, se perdem em um espet\u00e1culo esvoa\u00e7ante no espa\u00e7o do c\u00e9u da boca imagin\u00e1rio, tal como as p\u00e9talas e folhas caindo macias e hesitantes no ch\u00e3o. Isto sugere uma celebra\u00e7\u00e3o da vida, um momento de recria\u00e7\u00e3o e reformata\u00e7\u00e3o do corpo infantil, e por que n\u00e3o talvez, um renascer de esperan\u00e7a e paz com os novos dentes permanentes. A exfolia\u00e7\u00e3o dos dentes dec\u00edduos lembra o outono, j\u00e1 a erup\u00e7\u00e3o dos permanentes, me parece imitar a primavera!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alberto Consolaro Um frio ameno e gostoso com ventos uivantes pelas frestas de janelas e portas, anunciam a noite. O sol pregui\u00e7oso, amea\u00e7a esquentar e, mais amarelo, destaca as sombras que embeleza tudo. 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