{"id":46996,"date":"2025-05-29T12:35:42","date_gmt":"2025-05-29T12:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=46996"},"modified":"2025-06-02T10:23:11","modified_gmt":"2025-06-02T10:23:11","slug":"dentes-evoluiram-de-exoesqueletos-de-peixes-antigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/dentes-evoluiram-de-exoesqueletos-de-peixes-antigos\/","title":{"rendered":"Dentes evolu\u00edram de exoesqueletos de peixes antigos"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"268\" data-end=\"780\">Quem j\u00e1 passou por uma limpeza dent\u00e1ria conhece bem a sensa\u00e7\u00e3o: dentes sens\u00edveis \u00e0 temperatura, \u00e0 press\u00e3o e, claro, \u00e0 dor. Mas a fun\u00e7\u00e3o sensorial dos dentes, que hoje ajuda no processo de alimenta\u00e7\u00e3o, pode ter uma origem bem diferente daquela que se imagina. Segundo um novo estudo da <a href=\"https:\/\/www.uchicago.edu\/\">Universidade de Chicago<\/a>, publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/\"><em data-start=\"610\" data-end=\"618\">Nature<\/em><\/a>, a dentina &#8211; camada que transmite est\u00edmulos at\u00e9 os nervos da polpa dent\u00e1ria &#8211; surgiu inicialmente como um tecido sensorial em exoesqueletos de peixes primitivos.<\/p>\n<ul>\n<li data-start=\"268\" data-end=\"780\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/adiada-votacao-do-piso-salarial-de-dentista-no-senado\/\">Adiada vota\u00e7\u00e3o do piso salarial de dentista no Senado<\/a><\/li>\n<li data-start=\"268\" data-end=\"780\"><a href=\"https:\/\/www.dentalpressbooks.com\/\">Conhe\u00e7a os livros dispon\u00edveis para compra no Dental Press Books<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p data-start=\"782\" data-end=\"1238\">A pesquisa lan\u00e7a nova luz sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos dentes e refor\u00e7a a ideia de que, antes de servirem para morder ou mastigar, essas estruturas funcionavam como sensores t\u00e1teis que ajudavam os animais a perceber o ambiente ao redor. O estudo analisou f\u00f3sseis de peixes do per\u00edodo Ordoviciano, h\u00e1 cerca de 465 milh\u00f5es de anos, e encontrou evid\u00eancias de que essas criaturas j\u00e1 possu\u00edam dentina em estruturas chamadas odont\u00f3dios &#8211; sali\u00eancias na armadura corporal.<\/p>\n<p data-start=\"1278\" data-end=\"1633\">Segundo os autores, essas estruturas sensoriais, presentes nos exoesqueletos de peixes antigos, s\u00e3o compar\u00e1veis a sensores encontrados hoje em invertebrados como caranguejos e camar\u00f5es. Isso indica que diferentes grupos de animais &#8211; vertebrados e invertebrados &#8211; desenvolveram independentemente mecanismos semelhantes para detectar est\u00edmulos do ambiente.<\/p>\n<p data-start=\"1635\" data-end=\"2006\">&#8220;Quando pensamos em um animal primitivo nadando com uma armadura, \u00e9 natural imaginar que ele precisava sentir o mundo ao seu redor&#8221;, explica Neil Shubin, professor de Biologia Organ\u00edsmica e Anatomia na Universidade de Chicago e coautor do estudo. &#8220;O ambiente era altamente predat\u00f3rio, e a capacidade de perceber mudan\u00e7as na \u00e1gua poderia ser crucial para a sobreviv\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p data-start=\"2046\" data-end=\"2322\">Yara Haridy, pesquisadora de p\u00f3s-doutorado no laborat\u00f3rio de Shubin e l\u00edder do estudo, n\u00e3o come\u00e7ou a pesquisa com o objetivo de investigar os dentes. Inicialmente, ela buscava responder a uma antiga d\u00favida da paleontologia: qual seria o primeiro vertebrado do registro f\u00f3ssil?<\/p>\n<p data-start=\"2324\" data-end=\"2704\">Para isso, Haridy solicitou a museus f\u00f3sseis do per\u00edodo Cambriano (485 a 540 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) e realizou tomografias computadorizadas de alta resolu\u00e7\u00e3o utilizando o Advanced Photon Source, um acelerador de part\u00edculas no Laborat\u00f3rio Nacional de Argonne. A ideia era identificar sinais qu\u00edmicos e estruturais caracter\u00edsticos de vertebrados &#8211; entre eles, a presen\u00e7a de dentina.<\/p>\n<p data-start=\"2706\" data-end=\"2974\">\u201cFoi uma noite no acelerador de part\u00edculas, e at\u00e9 divertida\u201d, lembra Haridy. Em uma das imagens, a equipe identificou uma estrutura no f\u00f3ssil <em data-start=\"2848\" data-end=\"2860\">Anatolepis<\/em> que parecia conter dentina, o que teria ampliado o registro f\u00f3ssil dos vertebrados em dezenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p data-start=\"3003\" data-end=\"3370\">Mas, ao comparar o <em data-start=\"3022\" data-end=\"3034\">Anatolepis<\/em> com outros f\u00f3sseis, inclusive de artr\u00f3podes modernos como caranguejos, a equipe percebeu que as estruturas identificadas como dentina eram mais parecidas com sensilas &#8211; \u00f3rg\u00e3os sensoriais comuns em crust\u00e1ceos. A conclus\u00e3o: o <em data-start=\"3259\" data-end=\"3271\">Anatolepis<\/em>, que havia sido classificado como um vertebrado em 1996, era, na verdade, um artr\u00f3pode invertebrado.<\/p>\n<p data-start=\"3372\" data-end=\"3643\">\u201cMostramos que os \u2018dentes\u2019 tamb\u00e9m podem ser sensoriais mesmo quando n\u00e3o est\u00e3o na boca\u201d, afirma Haridy. \u201cTanto peixes primitivos quanto artr\u00f3podes possu\u00edam exoesqueletos com estruturas sens\u00edveis, o que ajuda a explicar a confus\u00e3o sobre a origem dos primeiros vertebrados.\u201d<\/p>\n<p data-start=\"3672\" data-end=\"4077\">A pesquisa tamb\u00e9m comparou essas estruturas antigas com dent\u00edculos d\u00e9rmicos &#8211; pequenos elementos semelhantes a dentes \u2014 presentes na pele de tubar\u00f5es, raias e peixes-gato. Haridy analisou tecidos desses animais e descobriu que, assim como os dentes, os dent\u00edculos estavam conectados a nervos. A semelhan\u00e7a com os odont\u00f3dios f\u00f3sseis e com as sensilas de artr\u00f3podes \u00e9 impressionante, segundo a pesquisadora.<\/p>\n<p data-start=\"4079\" data-end=\"4356\">\u201cAcreditamos que os primeiros vertebrados, esses peixes blindados, tinham estruturas muito parecidas morfologicamente com os artr\u00f3podes antigos e modernos\u201d, explica Haridy. \u201cTodos desenvolveram essa camada mineralizada que envolve os tecidos moles e permite sentir o ambiente.\u201d<\/p>\n<p data-start=\"4079\" data-end=\"4356\"><strong>Uma nova hip\u00f3tese<br \/>\n<\/strong>O estudo reacende o debate sobre como os dentes surgiram ao longo da evolu\u00e7\u00e3o. Existem duas teorias principais: a hip\u00f3tese \u201cde dentro para fora\u201d, que sugere que os dentes apareceram primeiro no interior da boca e depois se espalharam para a pele; e a \u201cde fora para dentro\u201d, que prop\u00f5e o caminho oposto &#8211; primeiro vieram as estruturas sensoriais externas, e depois elas foram adaptadas para fun\u00e7\u00f5es orais.<\/p>\n<p data-start=\"4812\" data-end=\"5043\">A nova pesquisa apoia essa \u00faltima ideia. \u201cAinda que n\u00e3o tenhamos encontrado o primeiro vertebrado, essa descoberta valeu todo o esfor\u00e7o\u201d, afirma Shubin. \u201cN\u00e3o encontramos o mais antigo, mas encontramos algo muito mais interessante.\u201d<\/p>\n<p data-start=\"5074\" data-end=\"5301\">O estudo intitulado <em data-start=\"5094\" data-end=\"5175\">\u201cA origem dos dentes dos vertebrados e a evolu\u00e7\u00e3o dos exoesqueletos sensoriais\u201d<\/em> foi financiado pela<a href=\"https:\/\/www.nsf.gov\/\"> National Science Foundation<\/a> (NSF), pelo Departamento de Energia dos EUA e pela Brinson Family Foundation.<\/p>\n<p data-start=\"5303\" data-end=\"5633\">Al\u00e9m de Yara Haridy e Neil Shubin, participaram da pesquisa os cientistas Sam C.P. Norris, Matteo Fabbri, Neelima Sharma, Mark Rivers, Patrick La Riviere e Phillip Vargas, todos da Universidade de Chicago; Karma Nanglu e Javier Ortega-Hern\u00e1ndez, da Universidade de Harvard; e James F. Miller, da Universidade Estadual do Missouri.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem j\u00e1 passou por uma limpeza dent\u00e1ria conhece bem a sensa\u00e7\u00e3o: dentes sens\u00edveis \u00e0 temperatura, \u00e0 press\u00e3o e, claro, \u00e0 dor. Mas a fun\u00e7\u00e3o sensorial dos dentes, que hoje ajuda no processo de alimenta\u00e7\u00e3o, pode ter uma origem bem diferente daquela que se imagina. Segundo um novo estudo da Universidade de Chicago, publicado na revista<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":46997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4764,351,757,299,3549],"tags":[],"class_list":{"0":"post-46996","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-capa","8":"category-destaque","9":"category-home","10":"category-noticias","11":"category-news"},"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46996"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47000,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46996\/revisions\/47000"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}