{"id":46858,"date":"2025-04-14T11:18:20","date_gmt":"2025-04-14T11:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=46858"},"modified":"2025-04-14T11:18:20","modified_gmt":"2025-04-14T11:18:20","slug":"alberto-consolaro-dente-da-origem-ao-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/alberto-consolaro-dente-da-origem-ao-cancer\/","title":{"rendered":"Alberto Consolaro: Dente d\u00e1 origem ao c\u00e2ncer?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Alberto Consolaro<\/em><\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 necess\u00e1rio definir o que \u00e9 um dente. Para as pessoas comuns, dente s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os formados pelos tecidos duros ou mineralizados que tem um canal onde se encontra a polpa, por muito tempo chamada simplesmente de nervo do dente. A polpa formou a maior parte do dente, a dentina, e agora ela fica no canal para lhe dar sensibilidade.<\/p>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel o fato da polpa ser o \u00fanico tecido do corpo humano que n\u00e3o d\u00e1 origem a nenhum tipo de c\u00e2ncer. Isto \u00e9 um segredo que ela guarda e n\u00e3o conseguimos ainda desvendar, o que talvez nos ajudaria a compreender melhor o c\u00e2ncer e o tratar de forma diferente, muito melhor, quando ocorresse nos demais tecidos.<\/p>\n<p>Os outros dois tecidos mineralizados do dente, o esmalte e cemento, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam como dar origem ao c\u00e2ncer, mas as c\u00e9lulas que os produzem sim, como os ameloblastos e os cementoblastos. Onde ficam estas c\u00e9lulas? Nos dentes completamente formados, o esmalte est\u00e1 exposto na boca e os ameloblastos morrem naturalmente. J\u00e1 os cementoblastos, ficam aderidos a vida toda na superf\u00edcie das ra\u00edzes, produzindo cemento como uma camada bem fina de material adesivo ligando dente e osso, inserindo as fibras do ligamento periodontal.<\/p>\n<p>Em dentes n\u00e3o irrompidos dentro do osso, erroneamente chamados de dentes \u201cinclusos\u201d, os ameloblastos formam o esmalte ou est\u00e3o aderidos a ele de forma atr\u00f3fica, isolando-se a coroa dent\u00e1ria do osso ao seu redor. Este tecido mole aderido ao esmalte, onde se tem ameloblastos e derivados, \u00e9 chamado de fol\u00edculo pericoron\u00e1rio. Ou seja, dentes n\u00e3o irrompidos possuem alguma forma de ameloblastos, como alguns de seus precursores ou atr\u00f3ficos, em forma de muitas ilhotas e cordoes de c\u00e9lulas persistentes ou remanescentes.<\/p>\n<p>As neoplasias representam perda de controle da prolifera\u00e7\u00e3o celular por alguns tecidos. Isto pode ser localizado, focal e isolado pelo corpo, quando s\u00e3o chamadas de neoplasias benignas. Mas, as vezes proliferam desordenadamente, invadem os tecidos vizinhos, destruindo-os e at\u00e9 se esparramam pelo corpo, gerando filiais chamadas de met\u00e1stases. Estas caracter\u00edsticas s\u00e3o t\u00edpicas das neoplasias malignas.<\/p>\n<p>Os ameloblastos e os cementoblastos, podem dar origem a neoplasias benignas e, muito raramente, malignas. Quando se remove um dente posicionado na boca, os cementoblastos tendem a sair aderidos nas ra\u00edzes, podendo ficar eventualmente alguns raros remanescentes.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos dentes n\u00e3o irrompidos ou \u201cinclusos\u201d, como os terceiros molares ou dentes do siso, a exodontia leva \u00e0 sa\u00edda do dente, mas os seus fol\u00edculos pericoron\u00e1rios que estavam aderidos ao esmalte, tendem a ficar aderidos no retalho cir\u00fargico ou no osso adjacente. Se a inten\u00e7\u00e3o ou indica\u00e7\u00e3o era tirar este dente para prevenir-se de alguma neoplasia benigna ou maligna, e tirarmos apenas o \u201cdente\u201d de tecidos mineralizados, deixaremos os tecidos moles do fol\u00edculo pericoron\u00e1rio na loja cir\u00fargica, e o objetivo n\u00e3o foi alcan\u00e7ado. O \u201cdente\u201d de tecidos mineralizados ou duros n\u00e3o d\u00e1 origem a nenhum c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00e3o final<\/strong><br \/>\nO ideal em uma cirurgia para a exodontia de dentes n\u00e3o irrompidos, \u00e9 procurar o fol\u00edculo pericoron\u00e1rio ap\u00f3s a sa\u00edda do \u201cdente\u201d de tecido duro, pois ele n\u00e3o sai aderido ao esmalte. Ao remov\u00ea-lo, deve ser analisado ao microsc\u00f3pio e receber um laudo. Se o fol\u00edculo pericoron\u00e1rio ficar na loja cir\u00fargica e nem for analisado microscopicamente, a preven\u00e7\u00e3o de neoplasias benignas e malignas n\u00e3o foi efetiva, n\u00e3o ocorreu na realidade. Estamos evoluindo para que isto seja regra geral.<\/p>\n<p>Ao analisar-se microscopicamente os fol\u00edculos pericoron\u00e1rios, pode se descobrir neoplasias em suas fases mais incipientes poss\u00edveis. As doen\u00e7as se iniciam muito pequenas e nem mudam ainda o aspecto cl\u00ednico ou radio e tomogr\u00e1fico. E quando tratadas no seu in\u00edcio, os danos funcionais e est\u00e9ticos s\u00e3o m\u00ednimos ou inexistentes. Dente, do ponto de vista biol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 somente de tecidos duros, mas tamb\u00e9m tem os tecidos moles que o circundam, como o ligamento periodontal e o fol\u00edculo pericoron\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alberto Consolaro Primeiro \u00e9 necess\u00e1rio definir o que \u00e9 um dente. Para as pessoas comuns, dente s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os formados pelos tecidos duros ou mineralizados que tem um canal onde se encontra a polpa, por muito tempo chamada simplesmente de nervo do dente. 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