{"id":46752,"date":"2025-02-27T11:26:06","date_gmt":"2025-02-27T11:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=46752"},"modified":"2025-02-27T11:27:36","modified_gmt":"2025-02-27T11:27:36","slug":"esta-infectado-ou-inflamado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/esta-infectado-ou-inflamado\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 infectado ou inflamado?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por : Alberto Consolaro<\/em><\/p>\n<div class=\"texto0 mt-4\">\n<p>A linguagem comum fica cada vez mais pr\u00f3xima da cient\u00edfica. Os interesses se misturam e a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 para todos, at\u00e9 nas revistas cient\u00edficas. As confus\u00f5es conceituais prejudicam muito a compreens\u00e3o e devemos esclarecer.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 inflama\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o. Ao ouvir ou ler sobre, na maioria das vezes, se tem certeza de que s\u00e3o sin\u00f4nimos, e n\u00e3o s\u00e3o. E ter\u00e1 certeza de que ambas s\u00e3o ruins para o organismo, e n\u00e3o necessariamente s\u00e3o ruins!<\/p>\n<p>Infec\u00e7\u00e3o \u00e9 o contato de microrganismos com o corpo. Isto pode gerar doen\u00e7as ou n\u00e3o, a depender da quantidade deles, do tipo, local onde est\u00e3o no corpo e da resist\u00eancia da pessoa. Infectado e infeccionado s\u00e3o sin\u00f4nimos.<\/p>\n<p>Inflama\u00e7\u00e3o \u00e9 mecanismo de defesa dos tecidos vascularizados frente a qualquer tipo de agress\u00e3o como as causas f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas como os microrganismos. Vencida a agress\u00e3o, a inflama\u00e7\u00e3o desencadeia sua fase final, que \u00e9 a repara\u00e7\u00e3o ou reparo.<\/p>\n<p>INFLAMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Uma infec\u00e7\u00e3o pode provocar uma inflama\u00e7\u00e3o? Sim, mas nem sempre. Os microrganismos podem, eventualmente, lesar os tecidos, matando as c\u00e9lulas o que precisa ser paralisado e um dos mecanismos mais eficientes \u00e9 a inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelos vasos, o sangue leva at\u00e9 o local agredido por qualquer causa, subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como anticorpos, enzimas e prote\u00ednas de atividade antimicrobiana, para matar ou debilitar os microrganismos. Depois de 90 minutos de agress\u00e3o, o sangue leva tamb\u00e9m c\u00e9lulas de defesa chamadas de leuc\u00f3citos, para fagocitar e destruir os microrganismos.<\/p>\n<p>Se o agressor for um produto qu\u00edmico, as subst\u00e2ncias servem para inibir e ou diluir, eliminando-o. Se for uma for\u00e7a, o edema e as c\u00e9lulas v\u00e3o dissipar a for\u00e7a. Se for uma les\u00e3o que lesou o tecido e acabou, a inflama\u00e7\u00e3o vai reparar a \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre assim? Claro que n\u00e3o, na medicina e no amor n\u00e3o existe sempre e, muito menos, nunca! As vezes a inflama\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue matar o agressor e fica guerreando com ele por meses, anos ou toda vida. A destrui\u00e7\u00e3o pode ter sido t\u00e3o grande nesta batalha, que a inflama\u00e7\u00e3o nem consegue reparar direito, mesmo se acabar com o agressor. Ou seja, a inflama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sempre eficiente, mas na grande maioria dos casos, ela \u00e9 um sucesso.<\/p>\n<p>INFEC\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Temos 10 trilh\u00f5es de c\u00e9lulas e, no mesmo corpo, tem 100 trilh\u00f5es de bact\u00e9rias, sem incluir nesta conta os fungos, v\u00edrus e parasitas. Estas bact\u00e9rias est\u00e3o na boca e demais superf\u00edcies do tubo gastrintestinal, nas demais mucosas do trato geniturin\u00e1rio, respirat\u00f3rio, olhos, ouvidos e pele.<\/p>\n<p>Elas querem entrar na intimidade dos tecidos e quando conseguem, s\u00e3o identificadas e eliminadas pela inflama\u00e7\u00e3o e sistema imunol\u00f3gico. Podemos dizer que no interior de nossos tecidos n\u00e3o tem bact\u00e9rias. Mas, podemos dizer que estamos infectados o tempo todo. Este equil\u00edbrio das microbiotas em todas as partes, nos mantem vivos. Se tirarmos as microbiotas do corpo, \u00e9 incr\u00edvel, mas morreremos. Dependemos delas para viver. Alguns microrganismos que vivem em n\u00f3s s\u00e3o essenciais, pois sintetizam subst\u00e2ncias e estimulam nossos sistemas.<\/p>\n<p>O conjunto da popula\u00e7\u00e3o de microrganismos em cada regi\u00e3o se chama microbiota. Antigamente os microrganismos eram considerados vegetais e ainda hoje os, muito antigos ou mal-informados, usam os termos inadequados \u201cflora\u201d ou \u201cmicroflora\u201d. Flora intestinal seria uma \u201cfloresta\u201d abdominal e microflora, um \u201cbosque\u201d de bonsais.<\/p>\n<p>Muitas infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o evoluem para doen\u00e7as infecciosas. Outras evoluem, pois induzem inflama\u00e7\u00e3o e geram sinais e sintomas como a tuberculose, c\u00e1rie, gripe, micose e outras. Tem infec\u00e7\u00f5es que ficam latentes e podem, a qualquer momento, gerar doen\u00e7as como o v\u00edrus da hepatite e herpes, ou as bact\u00e9rias da tuberculose.<\/p>\n<p>REFLEX\u00c3O FINAL<\/p>\n<p>Inflama\u00e7\u00e3o pode gerar danos, sinais e sintomas, mas a culpa n\u00e3o \u00e9 dela, \u00e9 de quem agride os tecidos. Exemplos s\u00e3o gorduras na obesidade, rea\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer e \u00e0s doen\u00e7as autoimunes. Ao usar inflama\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o como sin\u00f4nimos, voc\u00ea incorre em um erro conceitual prim\u00e1rio e isto pode pegar mal para voc\u00ea!<\/p>\n<p>(Alberto Consolaro \u2013 Professor Titular da USP e Colunista de Ci\u00eancias do JC)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por : Alberto Consolaro A linguagem comum fica cada vez mais pr\u00f3xima da cient\u00edfica. 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