{"id":467,"date":"2017-05-23T12:00:53","date_gmt":"2017-05-23T15:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=467"},"modified":"2017-05-29T15:59:59","modified_gmt":"2017-05-29T18:59:59","slug":"sindrome-da-apneia-obstrutiva-do-sono-saos-consideracoes-gerais-sobre-etiologia-diagnostico-e-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/sindrome-da-apneia-obstrutiva-do-sono-saos-consideracoes-gerais-sobre-etiologia-diagnostico-e-tratamento\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (saos): considera\u00e7\u00f5es gerais sobre etiologia, diagn\u00f3stico e tratamento"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<h5><b>Conceitua\u00e7\u00e3o \/ Etiologia<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por defini\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">apneia<\/a> \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o do fluxo a\u00e9reo em qualquer n\u00edvel do trato respirat\u00f3rio, mais notavelmente no nariz e orofaringe, por pelo menos 10 segundos<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o t\u00edpico paciente com s\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) \u00e9 do sexo masculino, na quinta ou sexta d\u00e9cada de vida, de baixa estatura e acima do peso. A SAOS \u00e9 trai\u00e7oeira e tem sido destacada como causa de acidentes no tr\u00e2nsito e no trabalho, isso porque os pacientes desenvolvem cefaleia ao acordar, arritmias card\u00edacas, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e problemas familiares, tais como inc\u00f4modo geral e desagrega\u00e7\u00e3o familiar, que podem levar at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o do casal<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sonol\u00eancia diurna \u00e9 muito comum porque os m\u00faltiplos epis\u00f3dios apneicos fazem com que o sono noturno n\u00e3o seja reconfortante<sup>1<\/sup>. Al\u00e9m disso, est\u00e1 atrelada a algumas desordens sist\u00eamicas, direta ou indiretamente, tais como hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica, hipotireoidismo e afec\u00e7\u00f5es cardiopulmonares, o que agrava a situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do paciente<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sindr\u00f4mica, a SAOS \u00e9 mais comumente vista em pacientes retrognatas e obesos, sendo que o consumo de \u00e1lcool piora os epis\u00f3dios apneicos. J\u00e1 na popula\u00e7\u00e3o com s\u00edndromes craniofaciais, os principais fatores que ocasionam a SAOS s\u00e3o a hipoplasia da face m\u00e9dia e mandibular. Assim, a hipoplasia mandibular pode resultar num colapso posterior da base da l\u00edngua e na diminui\u00e7\u00e3o da via a\u00e9rea na orofaringe<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<h5><b>Fisiopatologia e classifica\u00e7\u00e3o da SAOS<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um sono noturno de 8 horas para o indiv\u00edduo adulto \u00e9 considerado normal para a fisiologia humana. Constitui-se na altern\u00e2ncia de dois est\u00e1gios, as fases REM, do ingl\u00eas \u201cRapid Eye Moviment\u201d, e NREM, \u201cNon Rapid Eye Moviment\u201d. Na fase NREM as ondas cerebrais tornam-se mais lentas gradativamente, concomitantemente \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas. J\u00e1 a fase REM \u00e9 caracterizada pela atonia muscular e movimenta\u00e7\u00e3o ocular r\u00e1pida. A maioria da musculatura est\u00e1 em repouso, com exce\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos posturais e respirat\u00f3rios<sup>31<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos indiv\u00edduos com apneia obstrutiva do sono (AOS), na fase REM ocorre o relaxamento da musculatura e o bloqueio do fluxo a\u00e9reo. A apneia \u00e9 determinada de acordo com a quantidade de paradas respirat\u00f3rias. \u00c9 considerada leve quando h\u00e1 at\u00e9 10 paradas respirat\u00f3rias durante o sono di\u00e1rio; de 10 a 30 paradas, apneia moderada e, acima de 30 paradas respirat\u00f3rias, apneia severa<sup>28<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A AOS pode ser classificada em tr\u00eas tipos: central, obstrutiva e mista. Nas apneias centrais n\u00e3o \u00e9 observado movimento do t\u00f3rax durante a pausa respirat\u00f3ria. Quando ocorre o movimento do t\u00f3rax durante a pausa respirat\u00f3ria, a apneia \u00e9 denominada obstrutiva; e, quando ocorre inicialmente um epis\u00f3dio respirat\u00f3rio e posteriormente passa a ser obstrutiva, \u00e9 classificada como apneia mista<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A classifica\u00e7\u00e3o da SAOS fundamenta-se na localiza\u00e7\u00e3o da obstru\u00e7\u00e3o, em tr\u00eas n\u00edveis distintos: I, II e III. O n\u00edvel I est\u00e1 localizado na regi\u00e3o da orofaringe, ou, mais especificamente, na regi\u00e3o uvulopalatina, ou tamb\u00e9m denominada retropalatal. O n\u00edvel II localiza-se na base da l\u00edngua, ocasionado pela hipertrofia ou hiperplasia muscular e da tonsila lingual, sendo associados aos de n\u00edvel I. J\u00e1 o n\u00edvel III representa os processos exclusivos da regi\u00e3o da base da l\u00edngua (hipofaringe), ou regi\u00e3o retrolingual<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<h5><b>Diagn\u00f3stico<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico da SAOS \u00e9 realizado por meio dos exames cl\u00ednicos e imaginol\u00f3gicos. Inicialmente, os question\u00e1rios da anamnese s\u00e3o colhidos de forma detalhada, inclusive com os familiares ou o c\u00f4njuge do paciente, investigando as primeiras suspeitas sobre algum dist\u00farbio do sono<sup>26<\/sup>. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante averiguar a respeito da hist\u00f3ria de aumento de peso, da utiliza\u00e7\u00e3o habitual de medicamentos que produzam sonol\u00eancia, do consumo de \u00e1lcool e da hist\u00f3ria familiar de transtornos do sono, assim como de enfermidades card\u00edacas, hipertens\u00e3o e outras patologias neurol\u00f3gicas<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exame f\u00edsico evidenciar\u00e1 as altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas espec\u00edficas e suscet\u00edveis de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">corre\u00e7\u00e3o<\/a>. A obstru\u00e7\u00e3o retropalatal \u00e9 identificada pela avalia\u00e7\u00e3o intrabucal, identificando o palato alongado, a \u00favula hiper\u00eamica, edemaciada e com a borda livre baixa. Na regi\u00e3o retrolingual, a faringe pode parecer estreitada por tecido redundante na fossa amigdaliana e em sua parede posterior. Ainda, pode-se notar a macroglossia com impress\u00f5es dent\u00e1rias nas bordas da l\u00edngua<sup>17<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A SAOS pode acometer pacientes de todas as faixas et\u00e1rias, desde neonatos a adultos, bem como pode envolver a popula\u00e7\u00e3o de pacientes n\u00e3o-sindr\u00f4micos ou com s\u00edndromes que acometem o desenvolvimento craniofacial. O diagn\u00f3stico de casos mais severos, com maior acometimento da anatomia craniofacial, \u00e9 facilmente percebido na cl\u00ednica pela obstru\u00e7\u00e3o acentuada, que ocasiona roncos e epis\u00f3dios de apneia nos neonatos. Por\u00e9m, a polissonografia, a endoscopia e as t\u00e9cnicas mais modernas de tomografia computadorizada com reconstru\u00e7\u00e3o em 3D s\u00e3o indispens\u00e1veis para um adequado diagn\u00f3stico e plano de tratamento. Antes de qualquer planejamento cir\u00fargico, os exatos n\u00edveis de obstru\u00e7\u00e3o devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um estudo envolvendo 35 pacientes com a s\u00edndrome de Treacher Collins (13 crian\u00e7as e 22 adultos) foi notado que, apesar da hipoplasia mandibular ser comum nesses pacientes, poucos estudos sugeriam correla\u00e7\u00e3o \u00e0 SAOS<sup>3,15,16,18,22,24<\/sup>. Os pacientes foram submetidos \u00e0 polissonografia, sendo avaliados o \u00edndice de apneia-hipopneia\u00a0(IAH) e o \u00edndice de oxigena\u00e7\u00e3o-desatura\u00e7\u00e3o (IOD). O IAH foi definido como o n\u00famero de apneias obstrutivas e hipopneias por hora, e o IOD foi definido como o n\u00famero de dessatura\u00e7\u00f5es (uma diminui\u00e7\u00e3o \u2265\u00a04% da satura\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa basal durante 10 segundos) por hora. Os escores de IAH &lt;\u00a01 foram considerados normais para crian\u00e7as, entre 1\u00a0e\u00a05 foram considerados apneia leve, entre 5 e 24 como SAOS moderada, e um escore &gt;\u00a024 foi considerado como SAOS severa<sup>12,31<\/sup>. A dura\u00e7\u00e3o da apneia obstrutiva e hipopneia foi definida como \u201cmais de duas respira\u00e7\u00f5es\u201d<sup>5<\/sup>. Nas crian\u00e7as, as pontua\u00e7\u00f5es do IOD foram levadas em conta, mas n\u00e3o para a diferencia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica entre graus de gravidade da SAOS. Em rela\u00e7\u00e3o aos adultos, as normas atuais de orienta\u00e7\u00e3o para adultos com SAOS foram usadas<sup>1,9<\/sup>. A SAOS foi diagnosticada quando o IAH esteve fora do limite normal (IAH\u00a0&gt;\u00a05). IAH de 5 a 15 foi definido como SAOS leve, 15 a 30 como SAOS moderada e IAH\u00a0&gt;\u00a030 foi definido como SAOS grave.<\/p>\n<h2><b>Tratamentos<\/b><\/h2>\n<h5><b>N\u00e3o-cir\u00fargicos<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, aos pacientes com sobrepeso ou obesos e com SAOS, deve-se taxar como prioridade a perda de peso. Consumir menor quantidade de calorias diariamente, dar prefer\u00eancia a alimentos saud\u00e1veis e realizar exerc\u00edcios f\u00edsicos pode ser de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m os resultados trar\u00e3o uma melhora na sa\u00fade geral e, tamb\u00e9m, na qualidade do sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns casos, a SAOS ocorre quando os indiv\u00edduos dormem em dec\u00fabito dorsal. Isso pode ser confirmado ao exame da polissonografia e, quando positivo, medidas para evitar tal posi\u00e7\u00e3o devem ser adotadas.<\/p>\n<h5><strong>Aparelho intrabucal<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento n\u00e3o-cir\u00fargico por meio do uso de dispositivos intrabucais \u00e9 bem aceito para as SAOS mais leves, sendo esses divididos em tr\u00eas grupos gerais: retentores de l\u00edngua, reposicionadores de mand\u00edbula e elevadores de palato, sendo os dois primeiros considerados os principais. O aparelho reposicionador de mand\u00edbula evita a obstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas ao posicionar a mand\u00edbula para a frente e mover a base da l\u00edngua anteriormente, ampliando a abertura da \u00e1rea posterior da garganta e promovendo a melhor passagem do ar<sup>2<\/sup> (Fig. 1).<\/p>\n<h5><strong>CPAP \u2014 Continuous Positive Airway Pressure<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O suporte ventilat\u00f3rio com press\u00e3o positiva cont\u00ednua nas vias a\u00e9reas (CPAP) \u00e9 um aparelho utilizado na terapia domiciliar da SAOS, sendo constitu\u00eddo por um gerador de fluxo ou motor refrigerado a ar, uma v\u00e1lvula unidirecional, uma m\u00e1scara nasofacial e uma v\u00e1lvula de press\u00e3o positiva (Fig. 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CPAP \u00e9 o aparelho de press\u00e3o positiva mais utilizado no tratamento da SAOS. O n\u00edvel de press\u00e3o que atinge as vias a\u00e9reas \u00e9 o mesmo durante a inala\u00e7\u00e3o e a exala\u00e7\u00e3o do ar. O fluxo de ar produzido \u00e9 respons\u00e1vel por vencer o colapso das vias a\u00e9reas superiores, finalmente chegando aos pulm\u00f5es para realizar as trocas gasosas. Deve ser usado ao dormir e, assim, permanecer por uma m\u00e9dia de aproximadamente seis horas por noite, para que se tenha o efeito desejado<sup>26,28<\/sup>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-503 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig01.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig01\" width=\"800\" height=\"201\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig01-300x75.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-504 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig02.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig02\" width=\"800\" height=\"358\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig02-300x134.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig02-604x270.jpg 604w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h5><b>Cir\u00fargicos<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">cirurgia<\/a> realizada para o tratamento da SAOS foi a traqueostomia permanente<sup>29<\/sup>. Foi muito bem executada e com \u00f3timos resultados nas d\u00e9cadas de 70 e no in\u00edcio dos anos 80, sendo superada pelo desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas cir\u00fargicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento da SAOS \u00e9 multidisciplinar e, como a apneia, envolve diferentes altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4mico-funcionais da l\u00edngua e tecidos orofaringeanos. Assim, a equipe da anestesiologia, antes da execu\u00e7\u00e3o da anestesia geral, realiza criteriosa avalia\u00e7\u00e3o da cavidade bucal, prevendo, assim, as dificuldades com a intuba\u00e7\u00e3o dos pacientes. Para tanto, \u00e9 utilizada a classifica\u00e7\u00e3o de Mallampati, sendo que Samsoon e Young<sup>23<\/sup> propuseram a distin\u00e7\u00e3o em quatro classes para o teste de Mallampati (Fig. 3):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb Classe I: palato mole, fauce, \u00favula e pilares amigdalianos vis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb Classe II: palato mole, fauce e \u00favula vis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb Classe III: palato mole e base da \u00favula vis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb Classe IV: palato mole totalmente n\u00e3o vis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a SAOS tiver sido mal resolvida com os tratamentos n\u00e3o-cir\u00fargicos e a rela\u00e7\u00e3o maxilomandibular ainda for satisfat\u00f3ria, mas existirem altera\u00e7\u00f5es dos tecidos moles orofar\u00edngeos, est\u00e1 indicada a uvulopalatofaringoplastia (UPFP). Essa consiste na tonsilectomia associada \u00e0 adenoidectomia, excis\u00e3o da \u00favula e por\u00e7\u00e3o redundante da parede lateral da faringe, al\u00e9m da ressec\u00e7\u00e3o de 8 a 15mm da borda posterior do palato mole<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os m\u00e9todos tradicionalmente recomendados para UPFP no tratamento da SAOS advogam a excis\u00e3o da \u00favula e da por\u00e7\u00e3o posterior do palato mole com um bisturi ou <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">laser<\/a>, a fim de reduzir o palato mole e \u00favula. Por\u00e9m, Wolford e Mehra<sup>32<\/sup> relataram que tal t\u00e9cnica pode promover a forma\u00e7\u00e3o de uma banda cicatricial ao longo da margem posterior do palato mole, e pilares que envolvem as tonsilas palatinas, ocasionando um efeito tipo \u201ccortina\u201d, levando a um estreitamento da largura transversal entre os pilares, retra\u00e7\u00e3o inferior do palato mole, com consequente constri\u00e7\u00e3o da orofaringe, o que pode anular a efic\u00e1cia cl\u00ednica do procedimento. Tais problemas potenciais estimularam os autores a desenvolverem uma t\u00e9cnica modificada de UPFP, em que uma sutura especial \u00e9 usada com a finalidade de um encurtamento controlado do palato mole, e alargamento transversal da via a\u00e9rea na orofaringe entre os pilares que envolvem as tonsilas palatinas (Fig.\u00a04). Essa t\u00e9cnica est\u00e1 indicada nos casos classificados como classe III e IV de Mallampati, principalmente em pacientes com idades mais avan\u00e7adas e com excesso de tecido mole na regi\u00e3o do palato mole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores relataram, ainda, terem feito uso da t\u00e9cnica para o tratamento de ronco e SAOS nos quatro anos anteriores \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do artigo, obtendo sucesso cl\u00ednico, tanto quando foi usada independentemente, como quando indicada em combina\u00e7\u00e3o com a cirurgia segmentada da maxila e\/ou avan\u00e7o cir\u00fargico mandibular. Eles n\u00e3o encontraram nenhum caso de insufici\u00eancia velofar\u00edngea, fala hipernasal, estenose palatal, infec\u00e7\u00e3o ou comprometimento vascular dos segmentos \u00f3sseos<sup>32<\/sup> (Fig. 5 e 7).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig03.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-505 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig03.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig03\" width=\"800\" height=\"358\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig03.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig03-300x134.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig03-604x270.jpg 604w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-506 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig04.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig04\" width=\"800\" height=\"538\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig04.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig04-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-507 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig05.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig05\" width=\"800\" height=\"339\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig05.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig05-300x127.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-508 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig06.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig06\" width=\"800\" height=\"349\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig06.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig06-300x130.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-509 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig07.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig07\" width=\"800\" height=\"349\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig07.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig07-300x130.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cirurgia ortogn\u00e1tica por meio do avan\u00e7o maxilomandibular est\u00e1 indicada para pacientes com SAOS severa, com obesidade m\u00f3rbida, apresentando defici\u00eancia mandibular severa (SNB\u00a0&lt;\u00a076\u00b0) e satura\u00e7\u00e3o de O<sub>2<\/sub> abaixo de 70%, al\u00e9m da obten\u00e7\u00e3o de insucesso ap\u00f3s em outros tratamentos. Outros procedimentos, tais como a glossectomia parcial e cirurgias nasais (septoplastia, polipectomias ou turbinectomia inferior), s\u00e3o \u00fateis, pois diminuem a resist\u00eancia do ar nas vias a\u00e9reas<sup>29<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cirurgia ortogn\u00e1tica por meio da osteotomia sagital bilateral do ramo mandibular (OSBRM) permite o avan\u00e7o do processo dentoalveolar juntamente com o alongamento dos m\u00fasculos dig\u00e1stricos (ventre anterior); milo-hi\u00f3ideo, genioglosso e do g\u00eanio-hi\u00f3ideo. Dessa forma, a base da l\u00edngula \u00e9 deslocada para a frente e para cima, promovendo o aumento do espa\u00e7o a\u00e9reo posterior e criando espa\u00e7o para o reposicionamento lingual. Nesse contexto, o avan\u00e7o maxilar traciona o palato mole e o m\u00fasculo palatoglosso para anterior, aumentando a \u00e1rea retro-palatal e o suporte da l\u00edngua<sup>10<\/sup> (Fig.\u00a05 e 7). Al\u00e9m disso, a genioplastia de avan\u00e7o tamb\u00e9m permite o aumento do espa\u00e7o a\u00e9reo posterior pela reposi\u00e7\u00e3o anterior da l\u00edngua<sup>10<\/sup> (Fig. 6, 8 e 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra t\u00e9cnica dispon\u00edvel \u00e9 a osteotomia mandibular anterior com miotomia supra-hi\u00f3idea e suspens\u00e3o do osso hioide. A osteotomia envolve a regi\u00e3o anterior da mand\u00edbula, incluindo os tub\u00e9rculos genianos, promovendo o avan\u00e7o e a suspens\u00e3o do hioide juntamente com a musculatura supra-hi\u00f3idea. Da mesma forma que as t\u00e9cnicas anteriormente comentadas, essa tamb\u00e9m possibilita o aumento do espa\u00e7o a\u00e9reo<sup>20,21<\/sup> (Fig. 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A distra\u00e7\u00e3o osteog\u00eanica mandibular pode ser uma interven\u00e7\u00e3o eficaz e segura em rec\u00e9m-nascidos diagnosticados com sequ\u00eancia de Pierre Robin com micrognatia severa e obstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas. \u00c9 interessante notar que nos pacientes com s\u00edndromes adicionais complexas, a obstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas n\u00e3o \u00e9 consistentemente aliviada, provavelmente\u00a0pela deformidade adicional dos ter\u00e7os m\u00e9dio e superior da face, bem como pela poss\u00edvel atresia de coanas. Portanto, ap\u00f3s a falha de medidas conservadoras, a distra\u00e7\u00e3o osteog\u00eanica mandibular deve ser considerada a fim de se evitar a necessidade de uma traqueostomia em rec\u00e9m-nascidos micrognatas com obstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas superiores<sup>6,14<\/sup>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-510 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig08.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig08\" width=\"800\" height=\"346\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig08.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig08-300x129.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-511 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig09.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig09\" width=\"800\" height=\"362\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig09.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig09-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-512 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig10.jpg\" alt=\"Expert_v12_n02_fig10\" width=\"800\" height=\"637\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig10.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Expert_v12_n02_fig10-300x238.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h2><b>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto, temos que a SAOS abrange uma parcela significativa e heterog\u00eanea da popula\u00e7\u00e3o. Com o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e o maior conhecimento acerca do problema, \u00e9 poss\u00edvel oferecer aos pacientes, com diferentes faixas et\u00e1rias e n\u00edveis de obstru\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, tratamentos cada vez mais individualizados e espec\u00edficos. \u00c9 imprescind\u00edvel a avalia\u00e7\u00e3o e tratamento multidisciplinar, em especial nos casos sindr\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cirurgia bucomaxilofacial, principalmente por meio dos avan\u00e7os bimaxilares da cirurgia ortogn\u00e1tica, \u00e9 parte importante do arsenal terap\u00eautico dos pacientes que sofrem com a SAOS. Deve-se sempre ser ressaltado que o melhor tratamento s\u00f3 ser\u00e1 realizado quando todos os n\u00edveis de obstru\u00e7\u00e3o forem corretamente diagnosticados e corrigidos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>\u00bb Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publica\u00e7\u00e3o\u00a0de suas fotografias faciais e intrabucais.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como citar este artigo<\/b><b>: <\/b>Suguimoto RM, Ramalho-Ferreira G, Faverani LP. S\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS): considera\u00e7\u00f5es gerais sobre etiologia, diagn\u00f3stico e tratamento. Rev Cl\u00edn Ortod Dental Press. 2013 abr-maio;12(2):8-16.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, o t\u00edpico paciente com s\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) \u00e9 do sexo masculino, na quinta ou sexta d\u00e9cada de vida, de baixa estatura e acima do peso.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":18400,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}