{"id":46162,"date":"2024-10-18T08:00:07","date_gmt":"2024-10-18T08:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/?p=46162"},"modified":"2024-10-14T11:51:21","modified_gmt":"2024-10-14T11:51:21","slug":"proteinas-do-esmalte-revelam-saude-de-populacoes-antigas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/proteinas-do-esmalte-revelam-saude-de-populacoes-antigas\/","title":{"rendered":"Prote\u00ednas do esmalte revelam sa\u00fade de popula\u00e7\u00f5es antigas"},"content":{"rendered":"<p>Um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise do esmalte dos <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> pode abrir caminhos para uma compreens\u00e3o mais profunda da sa\u00fade humana, desde as civiliza\u00e7\u00f5es antigas at\u00e9 as popula\u00e7\u00f5es modernas. O estudo, publicado no <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/journal\/journal-of-archaeological-science\"><strong>Journal of Archaeological Science<\/strong>,<\/a> investiga duas prote\u00ednas imunol\u00f3gicas incorporadas no esmalte dent\u00e1rio: a <strong>imunoglobulina G<\/strong> (IgG), um anticorpo respons\u00e1vel pelo combate a infec\u00e7\u00f5es, e a <strong>prote\u00edna C reativa<\/strong>, presente durante inflama\u00e7\u00f5es no organismo.<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/estudo-revela-ligacao-entre-bacterias-bucais-e-carcinoma\/\">Estudo revela liga\u00e7\u00e3o entre bact\u00e9rias bucais e Carcinoma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/cursos\/\">Conhe\u00e7a os cursos de Dent\u00edstica da Dental Press e seja refer\u00eancia no mercado<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Segundo <strong>Tammy Buonasera<\/strong>, professora assistente na <strong>Universidade do Alasca, em Fairbanks<\/strong>, e autora principal da pesquisa, essas prote\u00ednas encontradas nos dentes oferecem uma nova forma de estudar a sa\u00fade f\u00edsica e, possivelmente, at\u00e9 emocional de popula\u00e7\u00f5es passadas. &#8220;A an\u00e1lise de prote\u00ednas imunol\u00f3gicas no esmalte nunca foi feita antes e isso abre a porta para estudar doen\u00e7as e sa\u00fade de uma maneira mais detalhada&#8221;, afirmou Buonasera.<\/p>\n<p>O estudo teve in\u00edcio quando Buonasera era pesquisadora na <strong>Universidade da Calif\u00f3rnia, em Davis<\/strong>, e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de tribos ind\u00edgenas locais. A pesquisa analisou prote\u00ednas em dentes de tr\u00eas grupos distintos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Povo ancestral Ohlone<\/strong>, que viveu na regi\u00e3o da Ba\u00eda de S\u00e3o Francisco entre o final de 1700 e in\u00edcio de 1800. Seus esqueletos foram encontrados durante uma obra em 2016, e os descendentes ind\u00edgenas autorizaram o uso dos dentes no estudo.<\/li>\n<li><strong>Colonos europeus do s\u00e9culo XIX<\/strong>, enterrados em um cemit\u00e9rio na cidade de S\u00e3o Francisco.<\/li>\n<li><strong>Cadetes militares modernos<\/strong>, que doaram seus dentes do siso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os pesquisadores compararam os n\u00edveis de prote\u00ednas imunol\u00f3gicas nos dentes de cada grupo com o contexto hist\u00f3rico e social em que viveram. O povo Ohlone, por exemplo, enfrentou altos n\u00edveis de estresse, mortalidade elevada e doen\u00e7as infecciosas trazidas pelos colonizadores. Por outro lado, os colonos europeus, embora com expectativa de vida menor do que a atual, sofreram menos com doen\u00e7as em compara\u00e7\u00e3o ao povo ind\u00edgena. J\u00e1 os cadetes militares, presumidamente, apresentavam melhores condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados revelaram que os dentes do povo Ohlone continham n\u00edveis significativamente mais altos de imunoglobulina G e prote\u00edna C reativa do que os dos outros dois grupos, refletindo o intenso estresse e as condi\u00e7\u00f5es adversas que essa popula\u00e7\u00e3o enfrentou. &#8220;\u00c9 comovente pensar nas crian\u00e7as dessa \u00e9poca, que provavelmente perderam os pais para doen\u00e7as, foram for\u00e7adas a viver em um ambiente cultural estranho e como isso afetou seu bem-estar&#8221;, disse <strong>Jelmer Eerkens<\/strong>, professor de antropologia da <strong>Universidade da Calif\u00f3rnia, Davis<\/strong>, e coautor do estudo.<\/p>\n<h3>Um novo olhar sobre a sa\u00fade humana ao longo do tempo<\/h3>\n<p>Buonasera destaca que essa nova abordagem pode proporcionar uma vis\u00e3o mais detalhada das experi\u00eancias de sa\u00fade em diferentes momentos da hist\u00f3ria humana. Isso porque os dentes se formam em v\u00e1rias fases do desenvolvimento, desde o \u00fatero at\u00e9 a adolesc\u00eancia, e registram informa\u00e7\u00f5es sobre a sa\u00fade ao longo desse per\u00edodo, como os an\u00e9is de uma \u00e1rvore. \u201cOs dentes podem nos fornecer um registro cont\u00ednuo da sa\u00fade de uma pessoa, desde o nascimento at\u00e9 o in\u00edcio da idade adulta\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as prote\u00ednas imunol\u00f3gicas no esmalte dent\u00e1rio podem revelar respostas a doen\u00e7as e inflama\u00e7\u00f5es de maneira mais precisa do que a an\u00e1lise de ossos ou estruturas dent\u00e1rias, que muitas vezes n\u00e3o deixam vest\u00edgios vis\u00edveis de algumas enfermidades. Outra vantagem \u00e9 que o esmalte se decomp\u00f5e muito mais lentamente do que outros tecidos corporais, preservando informa\u00e7\u00f5es cruciais por milhares de anos.<\/p>\n<p>Esse m\u00e9todo inovador tamb\u00e9m pode ser aplicado para estudar os efeitos do estresse e das doen\u00e7as nas popula\u00e7\u00f5es modernas. &#8220;Analisar o estresse e as respostas imunol\u00f3gicas em popula\u00e7\u00f5es antigas pode oferecer compara\u00e7\u00f5es valiosas com os estilos de vida modernos&#8221;, ressaltou Buonasera.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m foi inovador pela precis\u00e3o que o novo m\u00e9todo oferece. <strong>Glendon Parker<\/strong>, professor associado da UC Davis e coautor do artigo, afirmou que a abordagem utilizada por Buonasera e sua equipe \u00e9 relevante para in\u00fameras quest\u00f5es. &#8220;Essas novas ferramentas nos dar\u00e3o uma vis\u00e3o mais profunda da vida das pessoas do passado. \u00c9 um momento empolgante para a bioantropologia&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>Essa pesquisa abre caminho para descobertas n\u00e3o apenas sobre a vida dos antigos humanos, mas tamb\u00e9m sobre como o estresse e as doen\u00e7as impactam as sociedades contempor\u00e2neas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise do esmalte dos dentes pode abrir caminhos para uma compreens\u00e3o mais profunda da sa\u00fade humana, desde as civiliza\u00e7\u00f5es antigas at\u00e9 as popula\u00e7\u00f5es modernas. 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