{"id":3592,"date":"2014-02-05T10:02:10","date_gmt":"2014-02-05T13:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=3592"},"modified":"2014-02-28T13:40:15","modified_gmt":"2014-02-28T16:40:15","slug":"celulas-tronco-esperanca-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/celulas-tronco-esperanca-realidade\/","title":{"rendered":"C\u00e9lulas-tronco: a esperan\u00e7a e a realidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">Dentes<\/a> formados a partir de c\u00e9lulas-tronco por pesquisadores chineses! Osso produzido de c\u00e9lulas-tronco em laborat\u00f3rio espanhol! Carne de hamb\u00farguer produzida de c\u00e9lulas-tronco bovinas ingerida por volunt\u00e1rios em Londres! Daqui a pouco teremos: \u201cBanco Central produz dinheiro a partir de c\u00e9lulas-tronco!\u201d Ou seriam \u201cc\u00e9dulas-tronco\u201d?<\/p>\n<p>Viagens mentais na ci\u00eancia s\u00e3o livres e os caminhos, sem porteiras. Na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, n\u00e3o h\u00e1 mais diferen\u00e7a entre expectativa e imagina\u00e7\u00e3o; a dist\u00e2ncia entre elas se encurtou, elas se confundem. A fic\u00e7\u00e3o est\u00e1 em crise de criatividade. Depois das entrevistas com pesquisadores e algumas ideias geniais, sempre vem uma frase final: \u201cM<i>uitos estudos e alguns anos s\u00e3o necess\u00e1rios para se aplicar isso em humanos, com testes em laborat\u00f3rios, animais e ensaios cl\u00ednicos; o trabalho ainda vai ser publicado!<\/i>\u201d Tudo muito vago, mais para a fic\u00e7\u00e3o do que para a realidade.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 a antessala da frustra\u00e7\u00e3o. O ansioso vive infeliz, come muito e range os dentes; l\u00e1 se v\u00e3o as formas e os dentes!!!! Quando noticia-se uma pesquisa publicada em revista cient\u00edfica, a viagem mental j\u00e1 foi analisada pelos editores, o relatado se aproxima mais da aplicabilidade, a realidade est\u00e1 a alguns passos.<\/p>\n<p>Muitos pesquisadores falam antes da publica\u00e7\u00e3o, e anos depois se descobre que os resultados nem foram enviados para as revistas cient\u00edficas. Mas serviram para impressionar socialmente e pressionar chefes, institui\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias financiadoras de pesquisa, sem contar aquele \u201ccartaz\u201d na fam\u00edlia e amigos. Com as c\u00e9lulas-tronco acontece isso: muito se divulga e pouco de pr\u00e1tico existe, apenas esperan\u00e7a; mas, em ci\u00eancia, a esperan\u00e7a n\u00e3o pode se sobrepor<\/p>\n<p>Cada c\u00e9lula de embri\u00e3o, com 8 a 16 c\u00e9lulas e alguns dias de idade, pode dar origem a um novo ser, separadamente. Tem pleno potencial de gerar qualquer um dos 206 tipos de c\u00e9lulas \u2014\u00a0s\u00e3o totipotentes. Essas <i>\u201cc\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias\u201d<\/i> s\u00e3o capazes de se transformar ou se diferenciar em qualquer c\u00e9lula, mesmo ap\u00f3s longos per\u00edodos de inatividade como embri\u00f5es congelados.<\/p>\n<p>Algumas c\u00e9lulas adultas n\u00e3o se multiplicam, mas, em cultura, as c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias se reproduzem aos milhares. Injetadas em locais lesados, como cora\u00e7\u00e3o, rim e c\u00e9rebro, podem ser induzidas a formar novas c\u00e9lulas, devolvendo aos \u00f3rg\u00e3os as fun\u00e7\u00f5es especiais. No entanto, ainda n\u00e3o se tem o conhecimento de como controlar sua prolifera\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o para n\u00e3o gerarem neoplasias malignas.<\/p>\n<p>Nos tecidos e \u00f3rg\u00e3os adultos, h\u00e1 um pequeno percentual de c\u00e9lulas quase embrion\u00e1rias de reserva, ou <i>\u201cc\u00e9lulas-tronco teciduais\u201d<\/i>. Os tecidos usam-nas para reparar les\u00f5es por traumatismos, doen\u00e7as ou envelhecimento, mas de forma muito limitada. Por essa raz\u00e3o e por quest\u00f5es \u00e9ticas e morais, os\u00a0cientistas procuram obter c\u00e9lulas-tronco teciduais adultas, e, por regress\u00e3o, voltam-nas ao est\u00e1gio embrion\u00e1rio por \u201cdesdiferencia\u00e7\u00e3o\u201d. Cultivadas em laborat\u00f3rio, passam a ser injetadas para refazer tecidos e \u00f3rg\u00e3os, \u00e0s vezes no pr\u00f3prio doador.<\/p>\n<p>As \u201cc\u00e9lulas-tronco adultas\u201d t\u00eam seus limites, pois n\u00e3o conseguem diferenciar-se em qualquer tecido. Elas podem ser reprogramadas geneticamente em laborat\u00f3rio, sofrem uma regress\u00e3o total e voltam a ser totipotentes, sendo chamadas de <i>\u201cc\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Muitas pessoas acabam por acreditar que injetar c\u00e9lulas-tronco fornece garantia de que os tecidos e \u00f3rg\u00e3os ser\u00e3o refeitos. N\u00e3o \u00e9 assim. A origem e a manipula\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas, o tratamento a que foram submetidas e em que local e situa\u00e7\u00e3o ser\u00e3o utilizadas s\u00e3o aspectos fundamentais para o sucesso terap\u00eautico. Injetar c\u00e9lulas-tronco teciduais em algu\u00e9m \u00e9 muito s\u00e9rio e oferece riscos, incluindo o c\u00e2ncer. Submeter-se a protocolos experimentais autorizados tem seus riscos e pode valer a pena, mas tem gente se submetendo a isso quase que \u201cclandestinamente\u201d e com \u201cprofissionais\u201d que nem m\u00e9dicos s\u00e3o!<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, n\u00e3o existe no mundo nenhum protocolo terap\u00eautico ou tratamento autorizado para uso geral de c\u00e9lulas-tronco em pessoas portadoras de uma determinada doen\u00e7a. Alguns poucos protocolos s\u00e3o experi\u00eancias, com casos especiais sob supervis\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o de conselhos de \u00e9tica, Anvisa, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e Conselho Federal de Medicina. As\u00a0c\u00e9lulas-tronco oferecem esperan\u00e7a e perspectivas, mas ainda n\u00e3o representam uma realidade aplic\u00e1vel \u00e0s pessoas em geral: s\u00e3o pesquisas laboratoriais e eventuais ensaios excepcionalmente autorizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tenhamos calma e paci\u00eancia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dentes \u201cfabricados\u201d por c\u00e9lulas-tronco<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisadores do Instituto de Biomedicina e Sa\u00fade de Guangzhou, na China<sup>1<\/sup>, isolaram c\u00e9lulas epiteliais da urina humana e, em laborat\u00f3rio, tornaram-nas <i>\u201cc\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)\u201d.<\/i> Ao colocar essas c\u00e9lulas no mes\u00eanquima dent\u00e1rio de ratos e inserir o conjunto nas c\u00e1psulas renais, Jinglei Cai e sua equipe conseguiram obter estruturas semelhantes a dentes humanos em tr\u00eas semanas. Os\u00a0dentes apresentaram esmalte, dentina, cemento e polpa, com plena organiza\u00e7\u00e3o dos ameloblastos e odontoblastos, em fotografias muito bem apresentadas.<\/p>\n<p>Na revista \u201c<b>Cell Regeneration<\/b>\u201d, de acesso livre (www.cellregenerationjournal.com\/content\/2\/1\/6), os resultados s\u00e3o impressionantes<sup>1<\/sup>. Os dentes t\u00eam v\u00e1rios tipos de tecidos e linhagens celulares que precisam, no tempo e espa\u00e7o, interagir de forma muito precisa e intrincada. Alguns aspectos metodol\u00f3gicos n\u00e3o foram minuciosamente descritos e os resultados devem ser checados e reproduzidos em outros laborat\u00f3rios, pela relev\u00e2ncia apresentada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Obs: <\/b>Essa cr\u00f4nica foi publicada originalmente no Caderno de Ci\u00eancias do Jornal da Cidade, editado em Bauru, na coluna Ci\u00eancia no Dia a Dia, publicada semanalmente h\u00e1 4 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto de Biomedicina e Sa\u00fade de Guangzhou, na China, isolaram c\u00e9lulas epiteliais da urina humana e, em laborat\u00f3rio, tornaram-nas \u201cc\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":3725,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}