{"id":3529,"date":"2017-05-24T15:00:30","date_gmt":"2017-05-24T18:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=3529"},"modified":"2017-05-30T15:33:30","modified_gmt":"2017-05-30T18:33:30","slug":"estudo-biomecanico-interfaces-proteticas-revisao-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/estudo-biomecanico-interfaces-proteticas-revisao-literatura\/","title":{"rendered":"Estudo biomec\u00e2nico das interfaces prot\u00e9ticas: revis\u00e3o de literatura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-implantodontia-2\/\">Implantodontia<\/a> tem se aperfei\u00e7oado para aprimorar suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas e mec\u00e2nicas. Contudo, o grande desafio atual \u00e9 oferecer tratamento reabilitador est\u00e9tico, duradouro e que possibilite manuten\u00e7\u00e3o das estruturas circunvizinhas, tais como o tecido \u00f3sseo e a mucosa, onde esse equil\u00edbrio depende de diversos fatores, entre eles, o tipo de interface prot\u00e9tica. Os primeiros implantes desenvolvidos apresentavam uma jun\u00e7\u00e3o externa por sobreposi\u00e7\u00e3o hexagonal; no entanto, v\u00e1rios relatos cl\u00ednicos descrevem complica\u00e7\u00f5es que resultaram em afrouxamento de parafusos e, at\u00e9 mesmo, fraturas de componentes prot\u00e9ticos e implantes. Para diminuir essas falhas mec\u00e2nicas, foram desenvolvidas conex\u00f5es de encaixe interno, sendo hexagonais, triangulares, octogonais ou c\u00f4nicas. Com o advento e maior op\u00e7\u00e3o de interfaces prot\u00e9ticas para planejamento reabilitador, faz-se necess\u00e1rio melhor conhecimento sobre suas caracter\u00edsticas biomec\u00e2nicas e longevidade. <strong>Palavras-chave<i>:\u00a0<\/i><\/strong>Implantes dent\u00e1rios. Biomec\u00e2nica. Falha de pr\u00f3tese.<\/p>\n<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos grandes desafios da Implantodontia atual \u00e9 obter um sistema de conex\u00e3o entre <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-protese-sobre-implante-mais-protese-fixa\/\">implante<\/a> e pr\u00f3tese dent\u00e1ria que satisfa\u00e7a as necessidades biomec\u00e2nicas e est\u00e9ticas, seja de f\u00e1cil manuseio, que resista \u00e0s cargas funcionais mastigat\u00f3rias e que possua aceit\u00e1vel longevidade cl\u00ednica. Devido \u00e0 grande versatilidade de tipos de implantes e interfaces prot\u00e9ticas, compete ao cl\u00ednico escolher o mais indicado para cada planejamento, levando em conta as caracter\u00edsticas biomec\u00e2nicas do sistema de implantes dent\u00e1rios, sua experi\u00eancia, prefer\u00eancia pessoal e custo final ao paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a osseointegra\u00e7\u00e3o do implante, \u00e9 conferido ao tipo de conex\u00e3o prot\u00e9tica dar estabilidade \u00e0 pr\u00f3tese, e a isso s\u00e3o delegados todos os esfor\u00e7os da longevidade do tratamento implantol\u00f3gico e prot\u00e9tico<sup>1<\/sup>. O desenho da plataforma prot\u00e9tica do implante deve: (I) facilitar o desenvolvimento fisiol\u00f3gico do contorno <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">gengival<\/a> para obter um aspecto natural das coroas prot\u00e9ticas; (II)\u00a0o\u00a0resultado est\u00e9tico final deve ser aceit\u00e1vel; (III) apresentar longevidade cl\u00ednica; e (IV) promover restaura\u00e7\u00f5es funcionais assemelhando-se aos dentes naturais<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os fatores de risco para os implantes osseointegr\u00e1veis est\u00e3o os fatores biol\u00f3gicos, est\u00e9ticos, funcionais e mec\u00e2nicos. Os fracassos biol\u00f3gicos s\u00e3o complica\u00e7\u00f5es que podem levar \u00e0 aus\u00eancia de osseointegra\u00e7\u00e3o dos implantes e a inflama\u00e7\u00f5es na mucosa peri-implantar. A n\u00e3o-osseointegra\u00e7\u00e3o pode resultar em mobilidade, <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a> e\/ou perda \u00f3ssea peri-implantar, cujo diagn\u00f3stico etiol\u00f3gico \u00e9 multifatorial, podendo ser proveniente de contamina\u00e7\u00e3o bacteriana, da qualidade ou quantidade \u00f3ssea insuficiente, de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">cirurgia<\/a> traum\u00e1tica, de presen\u00e7a de for\u00e7as excessivas sobre o implante no per\u00edodo de osseointegra\u00e7\u00e3o, entre outros. Inflama\u00e7\u00f5es na mucosa que circunda os implantes dent\u00e1rios podem resultar em mucosite e peri-implantite. A mucosite ocorre quando o controle da placa bacteriana peri-implantar \u00e9 deficiente e quando h\u00e1 presen\u00e7a de perda \u00f3ssea associada \u00e0 flora patog\u00eanica, chamada de peri-implantite<sup>3<\/sup>. Os fracassos funcionais s\u00e3o relacionados com a fona\u00e7\u00e3o e posi\u00e7\u00e3o lingual, onde, por sua vez, a passagem de ar entre os dentes\/pr\u00f3tese pode criar dificuldades fon\u00e9ticas, e que pr\u00f3teses implantossuportadas na mand\u00edbula ou maxila com infraestrutura envolvendo o espa\u00e7o lingual podem levar a desconforto<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A determina\u00e7\u00e3o da etiologia da fratura de implantes e componentes prot\u00e9ticos e seu tratamento podem ser complexos. As causas podem ser divididas em tr\u00eas categorias<sup>5<\/sup>: (I) defeitos de desenho do implante ou do material; (II) pr\u00f3teses sem encaixe passivo e (III)\u00a0sobrecarga mastigat\u00f3ria fisiol\u00f3gica ou patol\u00f3gica. Em implantes que utilizam interface prot\u00e9tica externa, o afrouxamento do parafuso \u00e9, muitas vezes, observado antes de ocorrer falhas no sistema de reten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m disso, \u00e9 frequentemente observada perda \u00f3ssea angular ao redor dos implantes fraturados. As falhas mec\u00e2nicas nos implantes dent\u00e1rios t\u00eam sido associadas \u00e0 instabilidade da jun\u00e7\u00e3o implante\/pr\u00f3tese, onde alguns autores relatam que complica\u00e7\u00f5es biomec\u00e2nicas podem reduzir a vida \u00fatil das pr\u00f3teses implantossuportadas e, at\u00e9 mesmo, dos implantes dent\u00e1rios, sendo a maioria dessas complica\u00e7\u00f5es observadas em reabilita\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias, tanto na regi\u00e3o anterior quanto posterior<sup>1,6<\/sup>. Essa revis\u00e3o de literatura aborda caracter\u00edsticas biomec\u00e2nicas de implantes dent\u00e1rios que utilizam os tipos de interfaces prot\u00e9ticas externa e interna.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Revis\u00e3o de Literatura<\/h3>\n<h5><b>Implante de interface prot\u00e9tica externa<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio dos anos de 1960, Per-Ingvar Br\u00e5nemark e colaboradores iniciaram o desenvolvimento de um sistema de implante dent\u00e1rio end\u00f3steo, cuja fun\u00e7\u00e3o e longevidade cl\u00ednica dependiam de uma ancoragem \u201cdireta\u201d ao osso, denominada osseointegra\u00e7\u00e3o<sup>7<\/sup>. Esse\u00a0tipo de implante, do qual derivam os atuais sistemas de implantes dent\u00e1rios, possuem dois componentes principais: o implante de forma cil\u00edndrica ou c\u00f4nica, constitu\u00eddo por tit\u00e2nio comercialmente puro e um componente prot\u00e9tico que sustenta a pr\u00f3tese dent\u00e1ria. Ao longo dos anos, a reabilita\u00e7\u00e3o com implantes dent\u00e1rios end\u00f3steos se efetivou como sendo uma modalidade terap\u00eautica segura e bastante previs\u00edvel para as aus\u00eancias dent\u00e1rias parciais ou totais. A\u00a0utiliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de implantes com conex\u00f5es hex\u00e1gono externo se tornou popular, sendo muito utilizado na Implantodontia, talvez por ser o sistema precursor da osseointegra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por ser o tipo de implante mais divulgado, tornando-o popular entre os cirurgi\u00f5es <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentistas<\/a> (Fig.\u00a01).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as vantagens desse tipo de interface, est\u00e3o a possibilidade de abordagem em dois est\u00e1gios cir\u00fargicos, presen\u00e7a de mecanismo antirrotacional, reversibilidade e, principalmente, compatibilidade da plataforma de encaixe prot\u00e9tico entre marcas diferentes. As principais desvantagens seriam micromovimentos devido \u00e0 pouca altura do hex\u00e1gono, afrouxamento e\/ou fratura do parafuso prot\u00e9tico (Fig.\u00a02); espa\u00e7o entre o implante e o pilar possibilitando percola\u00e7\u00e3o de fluidos de microrganismos que, por sua vez, causam reabsor\u00e7\u00f5es \u00f3sseas ao redor da regi\u00e3o cervical do implante (Fig.\u00a03). Estudos cl\u00ednicos<sup>5,8-11<\/sup> encontraram de 30,7 a 49% de desapertos em parafusos prot\u00e9ticos de implantes de interface externa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3537 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig01.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig01\" width=\"300\" height=\"253\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3538 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig02.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig02\" width=\"800\" height=\"394\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig02-300x147.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig03.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3539 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig03.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig03\" width=\"800\" height=\"273\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig03.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig03-300x102.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h5><b>Implante de interface prot\u00e9tica interna<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o surgimento das interfaces prot\u00e9ticas internas (hexagonais, triangulares, octogonais e cone parafuso), houve uma melhora na adapta\u00e7\u00e3o entre os conectores por estabelecer uma interposi\u00e7\u00e3o do pilar prot\u00e9tico com o implante, oferecendo maior estabilidade e efeito antirrotacional. Tamb\u00e9m observou-se maior resist\u00eancia e distribui\u00e7\u00e3o das cargas oclusais, tornando-as mais adequadas para restaura\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias do que as conex\u00f5es externas. Como desvantagem, observa-se fragilidade das paredes do implante, dificuldades de ajustar diverg\u00eancias de angula\u00e7\u00e3o entre implantes no momento da reabilita\u00e7\u00e3o e ocorr\u00eancia de afrouxamento dos parafusos prot\u00e9ticos nas conex\u00f5es hexagonais internas<sup>4,12,13,14<\/sup> (Fig.\u00a04).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interface prot\u00e9tica interna Cone Morse \u00e9 baseada no princ\u00edpio mec\u00e2nico de \u201ccone dentro de cone\u201d, o qual proporciona grande atrito de contato entre as superf\u00edcies, sendo frequentemente utilizado nas diversas \u00e1reas da Engenharia e Sa\u00fade. Esse sistema de conex\u00e3o teve origem no s\u00e9culo XIX e foi desenvolvido por Stephen Ambrose Morse, em 1864. Esse conceito de encaixe por Cone Morse, na Implantodontia, foi introduzido em 1985 por Thomas D. Driskell, pela empresa Bicon, nos Estados Unidos, e alguns autores<sup>15,16<\/sup> estudaram seu comportamento biomec\u00e2nico. A jun\u00e7\u00e3o do componente prot\u00e9tico ao implante \u00e9 conseguida a partir de uma for\u00e7a de compress\u00e3o aplicada sobre o pilar prot\u00e9tico, intruindo-o no implante, onde a estabilidade do conjunto \u00e9 dada por fric\u00e7\u00e3o, que \u00e9 determinada como solda fria (propriedade mec\u00e2nica definida como um aumento no torque de afrouxamento em rela\u00e7\u00e3o ao torque de aperto). Desde 1997, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT) regulamenta as conex\u00f5es e equipamentos mec\u00e2nicos, entre eles, os que utilizam a conex\u00e3o Cone Morse, por meio da Normativa 1119, que estabelece que para ser considerado Cone Morse a somat\u00f3ria dos \u00e2ngulos internos dos componentes devem ser menor que 3,014\u00ba de diverg\u00eancia<sup>17<\/sup>. Sendo\u00a0assim, o sistema de implantes dent\u00e1rios c\u00f4nicos que apresentam angula\u00e7\u00f5es da interface prot\u00e9tica menor que 3,014\u00b0 s\u00e3o considerados Cone Morse \u201creal\u201d, onde n\u00e3o utilizam parafuso como meio auxiliar de reten\u00e7\u00e3o prot\u00e9tica (Fig.\u00a05), e implantes de interface prot\u00e9tica c\u00f4nica que apresentam angula\u00e7\u00e3o maior que 3,014\u00b0 s\u00e3o considerados cone parafuso, dependentes de parafuso para sua reten\u00e7\u00e3o prot\u00e9tica<sup>17,18<\/sup> (Fig.\u00a06).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig04_5_6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3540 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig04_5_6.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig04_5_6\" width=\"800\" height=\"406\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig04_5_6.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig04_5_6-300x152.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sistemas de implantes dent\u00e1rios Cone Morse s\u00e3o denominados autotravantes, pois utilizam exclusivamente a reten\u00e7\u00e3o friccional para dar estabilidade e reten\u00e7\u00e3o prot\u00e9tica. S\u00e3o representados pelos sistemas de implantes dent\u00e1rios Bicon (Boston, EUA); Leone (It\u00e1lia); Ma (It\u00e1lia), Axiom (Fran\u00e7a) e Sistema Friccional Biol\u00f3gico Kopp (Curitiba\/PR), sendo que esse \u00faltimo utiliza conicidade entre suas paredes de 2,54\u00b0 e comprimento do cone interno de 3mm, levando ao efeito friccional de reten\u00e7\u00e3o do componente prot\u00e9tico (Fig.\u00a07).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sistemas de conex\u00e3o interna c\u00f4nica, cone parafuso e Cone Morse t\u00eam apresentado melhores desempenhos cl\u00ednicos. Essas interfaces facilitam o posicionamento dos pilares, oferecem maior estabilidade e efeito antirrotacional, proporcionam maior resist\u00eancia e distribui\u00e7\u00e3o das cargas oclusais, sendo que v\u00e1rios autores<sup>2,14,19,20,21<\/sup> avaliaram os implantes cone parafuso, com o afrouxamento do parafuso ficando entre 3,6 e 14%. O sistema Cone Morse \u00e9 pouco estudado em rela\u00e7\u00e3o aos outros tipos de conex\u00f5es, por\u00e9m, entre os estudos realizados, a maioria relata a resist\u00eancia \u00e0 soltura de componentes prot\u00e9ticos<sup>22-25<\/sup>, transmiss\u00e3o de micromovimentos da conex\u00e3o implante\/pilar em ensaio com elementos finitos e estudos cl\u00ednicos que abordam complica\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas<sup>16,26,27<\/sup>. A Tabela\u00a01 apresenta alguns estudos cl\u00ednicos prospectivos e retrospectivos que avaliaram a sobreviv\u00eancia de reabilita\u00e7\u00f5es prot\u00e9ticas unit\u00e1rias, utilizando implantes de interfaces externa, cone parafuso e Cone Morse.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3541 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig07.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig07\" width=\"800\" height=\"331\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig07.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig07-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90tab01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3542 size-full\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90tab01.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90tab01\" width=\"800\" height=\"431\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90tab01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90tab01-300x161.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os implantes Cone Morse apresentam algumas vantagens, como simplicidade na t\u00e9cnica de confec\u00e7\u00e3o da pr\u00f3tese, por n\u00e3o existir parafuso conectando o implante ao sistema prot\u00e9tico; seu componente prot\u00e9tico (munh\u00e3o s\u00f3lido) pode ser customizado preparando-o como se fosse um dente para receber uma pr\u00f3tese convencional cimentada ou ser aplicado material est\u00e9tico sobre o mesmo, tornando-o uma pr\u00f3tese coroa-munh\u00e3o-interada<sup>16,28<\/sup>. O perfil cervical do componente prot\u00e9tico \u00e9 reduzido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 plataforma do implante (plataforma switching), favorecendo a personaliza\u00e7\u00e3o de um perfil de emerg\u00eancia prot\u00e9tico semelhante ao do elemento dent\u00e1rio e, com isso, melhor est\u00e9tica gengival no perfil de emerg\u00eancia da pr\u00f3tese<sup>29<\/sup>. A maior vantagem biomec\u00e2nica dos implantes com configura\u00e7\u00e3o de plataforma switching nos implantes dent\u00e1rios, segundo alguns autores<sup>29<\/sup>, seria menor estresse ao n\u00edvel da cervical do implante, resultando em melhor distribui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as mastigat\u00f3rias ao tecido \u00f3sseo. Um\u00a0estudo prospectivo<sup>28<\/sup> avaliou a altura da crista \u00f3ssea em torno dos implantes dent\u00e1rios com plataforma switching, que apresentaram significativamente menor perda \u00f3ssea quando comparados com os implantes de configura\u00e7\u00e3o padr\u00e3o, caracterizando menor remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea nos implantes (Fig.\u00a08).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3543 \" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/implant_v07_n04_90fig08.jpg\" alt=\"implant_v07_n04_90fig08\" width=\"396\" height=\"337\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros autores<sup>30<\/sup> evidenciaram uma diminui\u00e7\u00e3o na infiltra\u00e7\u00e3o de microrganismos na interface implante\/intermedi\u00e1rio, o que reduz odores desagrad\u00e1veis e poss\u00edveis remodela\u00e7\u00f5es \u00f3sseas ao redor da plataforma do implante. Apesar da for\u00e7a mastigat\u00f3ria gerar movimentos oclusais de flex\u00e3o e tra\u00e7\u00e3o, que podem interferir negativamente na reten\u00e7\u00e3o do pilar, a for\u00e7a oclusal de compress\u00e3o atua na dire\u00e7\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o do pilar prot\u00e9tico, favorecendo uma autoativa\u00e7\u00e3o em implantes de interface c\u00f4nica<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Discuss\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, a desaparafusagem e fratura de componentes prot\u00e9ticos s\u00e3o atribu\u00eddos \u00e0 sobrecarga oclusal e pilares prot\u00e9ticos desajustados, com a maioria dessas complica\u00e7\u00f5es se encontrando nos sistemas de conex\u00e3o externa. A introdu\u00e7\u00e3o do sistema de conex\u00e3o interna c\u00f4nica apresenta uma menor incid\u00eancia de tais problemas, pois se baseiam em uma jun\u00e7\u00e3o implante\/pilar com press\u00e3o no interior dos implantes, tornando a conex\u00e3o mais segura<sup>13<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desgaste, afrouxamento e fratura de parafusos prot\u00e9ticos s\u00e3o os insucessos mec\u00e2nicos de maior frequ\u00eancia em pr\u00f3teses implantossuportadas de interface prot\u00e9tica externa, onde desapertos dos parafusos podem variar de 30,7 a 49% das pr\u00f3teses maxilares ou mandibulares, sendo mais significativos na maxila<sup>9,10<\/sup>. Foi observado que a maioria dos pacientes apresentou afrouxamento dos parafusos prot\u00e9ticos antes da ocorr\u00eancia de fratura<sup>5<\/sup>. Outros autores<sup>8<\/sup> relatam que o comprimento dos hex\u00e1gonos externos pode influenciar a resist\u00eancia e estabilidade na interface implante-conector. Assim, o hex\u00e1gono externo de maior comprimento demonstrou melhor desempenho na resist\u00eancia a esfor\u00e7os mec\u00e2nicos e melhorou a estabilidade mec\u00e2nica dos implantes dent\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um estudo retrospectivo<sup>19<\/sup> em que foram instalados 174 implantes cone parafuso ITI (Straumann) para reconstru\u00e7\u00e3o de dentes unit\u00e1rios, constatou-se incid\u00eancia de 8,7% de afrouxamento do parafuso prot\u00e9tico e somente uma taxa de 3,6% de ocorr\u00eancia em afrouxamento de pilares s\u00f3lidos c\u00f4nicos. Em outro estudo<sup>11<\/sup>, analisaram a instala\u00e7\u00e3o de 5.439 implantes cone parafuso Ankylos (Friadent), desses, 943 implantes foram inseridos em regi\u00f5es de perdas dent\u00e1rias unit\u00e1rias. No\u00a0per\u00edodo de controle p\u00f3s-tratamento de, aproximadamente, seis anos houve 13 falhas, alcan\u00e7ando 98,7% de sucesso. No estudo cl\u00ednico de acompanhamento de 233 implantes dent\u00e1rios unit\u00e1rios de interface prot\u00e9tica cone-parafuso Ankylos e controle de cinco anos observou-se afrouxamento em 1,3% dos pilares prot\u00e9ticos<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns autores<sup>16<\/sup>, em avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, descrevem que quando do uso de implantes de interface c\u00f4nica, o Cone Morse diminuiu o problema de solturas de componentes prot\u00e9ticos e mostrou alto desempenho ao longo do tempo, alcan\u00e7ando 99% de sucesso em um per\u00edodo de 10 anos em restaura\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias. Outros<sup>23<\/sup> avaliaram 307 implantes Cone Morse para reabilita\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria em um per\u00edodo de acompanhamento de quatro anos, observando duas solturas de pilar prot\u00e9tico (0,66%), com \u00edndice de sobrevida de 98,4%. Em estudos prospectivos<sup>23,24<\/sup> com implantes Cone Morse por um per\u00edodo de cinco a seis anos, a soltura de componentes prot\u00e9ticos foi de 0,37%.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 not\u00f3rio que implantes de conex\u00e3o externa t\u00eam seu valor hist\u00f3rico e indicativos de planejamento prot\u00e9tico implantossuportado, principalmente em pr\u00f3teses fixas, por\u00e9m, estudos v\u00eam demonstrando a necessidade de rever alguns conceitos quanto \u00e0s falhas biomec\u00e2nicas e na instabilidade dos tecidos peri-implantares. Os\u00a0sistemas de interface prot\u00e9tica c\u00f4nica v\u00eam ao encontro dos anseios de se obter um equil\u00edbrio entre as caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas e mec\u00e2nicas dos implantes dent\u00e1rios.<\/p>\n<h4><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Biomechanical study of prosthetic interfaces: A literature review<\/b> \/ Implantology has been improved to enhance its biological and mechanical characteristics. However, the big challenge now is to offer rehabilitation treatment aesthetic, durable and enabling maintenance of surrounding structures such as bone and mucosa, where this balance depends on several factors among which the type of prosthetic interface. The first implants were developed by superimposing external hexagonal interface, however, several reports have described clinical complications that resulted in loosening of screws and even fractures implants and prosthetic components. To reduce these failures were developed mechanicals connections internal fitting, being hexagonal, triangular, octagonal or conical. With the advent and greater choice of interfaces for prosthetic rehabilitation planning it is necessary to better knowledge about their biomechanical characteristics and longevity. \/ Keywords \/ Dental implants. Biomechanics. Prosthesis failure.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como citar este artigo:<\/b> Santos AMT. Biomechanical study of prosthetic interfaces: A literature review. Dental Press Implantol. 2013 Oct-Dec;7(4):90-7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><em>&gt;&gt; O autor declara n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Endere\u00e7o de correspond\u00eancia: <\/b>Angelo Marcelo Tirado dos Santos<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">E-mail: angelomarcelosantos@bol.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><em>\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes desafios da Implantodontia atual \u00e9 obter um sistema de conex\u00e3o entre implante e pr\u00f3tese dent\u00e1ria que satisfa\u00e7a as necessidades biomec\u00e2nicas e est\u00e9ticas, seja de f\u00e1cil manuseio, que resista \u00e0s cargas funcionais mastigat\u00f3rias e que possua aceit\u00e1vel longevidade cl\u00ednica.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":18420,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3529","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}