{"id":3510,"date":"2016-06-13T16:45:11","date_gmt":"2016-06-13T19:45:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=3510"},"modified":"2016-06-14T16:23:13","modified_gmt":"2016-06-14T19:23:13","slug":"prevalencia-mesiodens-pacientes-ortodonticos-estagios-denticao-decidua-mista-associacao-anomalias-dentarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/prevalencia-mesiodens-pacientes-ortodonticos-estagios-denticao-decidua-mista-associacao-anomalias-dentarias\/","title":{"rendered":"Preval\u00eancia de mesiodens em pacientes ortod\u00f4nticos nos est\u00e1gios de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua e mista e sua associa\u00e7\u00e3o com outras anomalias dent\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><b>Objetivo:<\/b> determinar a preval\u00eancia de mesiodens nos est\u00e1gios de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua e mista, e verificar sua associa\u00e7\u00e3o com outras anomalias dent\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>M\u00e9todos:<\/b> radiografias panor\u00e2micas de 1.995 pacientes ortod\u00f4nticos foram analisadas retrospectivamente, obtendo-se uma amostra de 30 pacientes com o mesiodens. Os seguintes aspectos foram analisados: distribui\u00e7\u00e3o entre os sexos, n\u00famero de mesiodens; se irrompido ou n\u00e3o irrompido; posi\u00e7\u00e3o; complica\u00e7\u00f5es; tratamento institu\u00eddo, e anomalias dent\u00e1rias associadas. A frequ\u00eancia de anomalias dent\u00e1rias na amostra estudada foi comparada a valores de refer\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o em geral por meio do teste qui-quadrado (c<sup>2<\/sup>), com um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de 5% (p\u00a0&lt;\u00a00,05).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Resultados: <\/b>a preval\u00eancia de mesiodens foi de 1,5%, sendo mais comum no sexo masculino (1,5:1). A maior parte dos mesiodens estavam n\u00e3o irrompidos (75%) e numa posi\u00e7\u00e3o vertical, voltada para a cavidade bucal. O tratamento mais empregado foi a exodontia. As principais complica\u00e7\u00f5es associadas ao mesiodens foram o atraso na erup\u00e7\u00e3o dos incisivos permanentes (34,28%) e diastema mediano (28,57%). Pacientes com mesiodens n\u00e3o apresentaram preval\u00eancia aumentada de microdontia, agenesia de dentes permanentes ou outros supranumer\u00e1rios. De todas as anomalias analisadas, apenas a preval\u00eancia de agenesia de incisivo lateral superior mostrou-se aumentada em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o:<\/b> o mesiodens foi encontrado em uma preval\u00eancia baixa (1,5%) nas denti\u00e7\u00f5es dec\u00eddua e mista, e n\u00e3o apresentou associa\u00e7\u00e3o com outras anomalias dent\u00e1rias, com exce\u00e7\u00e3o da agenesia de incisivo lateral superior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Dente supranumer\u00e1rio. Crian\u00e7a. Preval\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O termo mesiodens refere-se aos dentes supranumer\u00e1rios localizados na regi\u00e3o da pr\u00e9-maxila, exatamente entre os incisivos centrais superiores (Fig.\u00a01 e 2). S\u00e3o\u00a0os mais frequentes entre os dentes supranumer\u00e1rios<sup>1,2<\/sup>. A\u00a0preval\u00eancia do mesiodens na literatura \u00e9 variada, e tem sido estimada de 0,15 a 7,8% (Tab. 1). Sua preval\u00eancia \u00e9 maior no sexo masculino, numa propor\u00e7\u00e3o aproximada de 2:1<sup>3-10<\/sup>. Embora sua etiologia n\u00e3o tenha sido estabelecida, menciona-se na literatura a possibilidade gen\u00e9tica, dada a sua recorr\u00eancia familiar<sup>4,11,12,13<\/sup>. Tem sido sugerido um tra\u00e7o autoss\u00f4mico dominante, com falta de penetr\u00e2ncia em algumas gera\u00e7\u00f5es<sup>13<\/sup>, e uma heran\u00e7a ligada ao cromossomo X devido \u00e0 alta preval\u00eancia nos homens.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, o mesiodens \u00e9 um dente solit\u00e1rio<sup>3,4,5,7,14<\/sup> e dism\u00f3rfico<sup>11<\/sup>, mas que pode variar em morfologia desde uma forma rudimentar c\u00f4nica de tamanho reduzido, mais frequente<sup>4,7,8,9,14,18<\/sup>, at\u00e9 uma forma complexa com v\u00e1rios tub\u00e9rculos. Raramente o mesiodens irrompe espontaneamente<sup>8,10,14,17<\/sup>. Sua erup\u00e7\u00e3o apenas ocorre nas situa\u00e7\u00f5es em que o mesiodens est\u00e1 voltado para o plano oclusal. Na maioria das vezes, o mesiodens est\u00e1 invertido, com a coroa voltada para a cavidade nasal e o \u00e1pice radicular voltado para a cavidade bucal<sup>3,8,9<\/sup>. Sua presen\u00e7a pode ocasionar desordens locais, sendo as mais comuns o atraso ou impedimento da erup\u00e7\u00e3o de dentes, deslocamento ou rota\u00e7\u00e3o dos dentes adjacentes, desenvolvimento de cistos dent\u00edgeros, reabsor\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes adjacentes, apinhamento, diastema ou dilacera\u00e7\u00e3o dos dentes permanentes<sup>1,3,4,5,7-11,14,17<\/sup>.<\/p>\n<p>Estudos sugerem uma tend\u00eancia gen\u00e9tica e heredit\u00e1ria na etiologia das anomalias dent\u00e1rias de n\u00famero, tamanho, posi\u00e7\u00e3o. Tais evid\u00eancias prov\u00eam de investiga\u00e7\u00f5es em fam\u00edlias, em g\u00eameos monozig\u00f3ticos e da observa\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es na ocorr\u00eancia de determinadas anomalias<sup>11,19,20<\/sup>. A agenesia dent\u00e1ria mostra-se frequentemente associada com outras anomalias dent\u00e1rias, como microdontia, ectopias e atraso eruptivo, mais do que se esperaria ao acaso<sup>19,20,21<\/sup>. A associa\u00e7\u00e3o dessas ocorr\u00eancias foi denominada de padr\u00e3o de anomalias dent\u00e1rias (<i>dental anomaly patterns<\/i> \u2013 DAP) por Peck<sup>20<\/sup>. Isso se explica porque um mesmo gene mutante pode ser respons\u00e1vel por mais de uma caracter\u00edstica morfol\u00f3gica e\/ou funcional.<\/p>\n<p>Dois estudos pr\u00e9vios verificaram a associa\u00e7\u00e3o entre supranumer\u00e1rios em geral e outras anomalias dent\u00e1rias, incluindo agenesias dent\u00e1rias, microdontia e erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica<sup>19,21<\/sup>. Os achados mostraram que a frequ\u00eancia de dentes supranumer\u00e1rios n\u00e3o foi elevada em pacientes com anomalias dent\u00e1rias hipopl\u00e1sicas<sup>19,21<\/sup>. No entanto, nenhum estudo pr\u00e9vio verificou a associa\u00e7\u00e3o exclusiva de supranumer\u00e1rios do tipo mesiodens com outras anomalias dent\u00e1rias. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi determinar a preval\u00eancia de mesiodens em crian\u00e7as nos est\u00e1gios de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua e mista, e verificar sua associa\u00e7\u00e3o com outras anomalias dent\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3512 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig01.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93fig01\" width=\"800\" height=\"186\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig01-300x69.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3513 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig02.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93fig02\" width=\"800\" height=\"201\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93fig02-300x75.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Material e M\u00e9todos<\/strong><\/p>\n<p>Foi avaliada a documenta\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica de 1.995 pacientes, nos est\u00e1gios de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua e mista, matriculados no <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">curso<\/a> de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da Profis (Bauru\/SP). As radiografias panor\u00e2micas e periapicais foram analisadas em negatosc\u00f3pio por um \u00fanico examinador. Os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o foram: est\u00e1gios de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua ou mista, presen\u00e7a de pelo menos um dente supranumer\u00e1rio na regi\u00e3o da pr\u00e9-maxila. Os crit\u00e9rios de exclus\u00e3o foram: presen\u00e7a de anomalias craniofaciais, presen\u00e7a de s\u00edndromes, hist\u00f3ria de extra\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria e documenta\u00e7\u00e3o incompleta. Ap\u00f3s a an\u00e1lise inicial, uma amostra de 30 pacientes com mesiodens, com idade variando de 4 a 13 anos e idade m\u00e9dia de 8 anos e 3 meses foi obtida.<\/p>\n<p>As seguintes caracter\u00edsticas foram avaliadas: 1) distribui\u00e7\u00e3o entre os sexos; 2) n\u00famero de mesiodens; 3)\u00a0se irrompido ou n\u00e3o irrompido; 4) dire\u00e7\u00e3o (se voltado para a cavidade bucal ou nasal); 5) complica\u00e7\u00f5es causadas pelo mesiodens; 6) tratamento institu\u00eddo; e 7) anomalias dent\u00e1rias associadas. A partir dessa amostra de 30 pacientes, foi analisada a presen\u00e7a de outras anomalias, tais\u00a0como: agenesias de dentes permanentes, microdontia, erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica dos primeiros molares permanentes superiores, transposi\u00e7\u00e3o entre incisivo lateral e canino permanentes inferiores, erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica dos caninos superiores por palatino, transposi\u00e7\u00e3o entre canino e primeiro pr\u00e9-molar superior, distoangula\u00e7\u00e3o do segundo pr\u00e9-molar inferior, infraoclus\u00e3o dos molares dec\u00edduos e atraso no desenvolvimento dent\u00e1rio e dentes supranumer\u00e1rios (al\u00e9m do mesiodens).<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico da erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica de caninos seguiu os par\u00e2metros radiogr\u00e1ficos sugeridos por Lindauer et al.<sup>22<\/sup>, confirmados pela interpreta\u00e7\u00e3o de radiografias periapicais pela t\u00e9cnica de Clark. Considerando os achados de Ericson e Kurol<sup>23<\/sup>, que nas crian\u00e7as com idade inferior a 10 anos de idade a tentativa de determinar radiograficamente o padr\u00e3o de erup\u00e7\u00e3o dos caninos superiores \u00e9 geralmente de pouco valor, indiv\u00edduos cujos \u00fanicos registros radiogr\u00e1ficos foram em uma idade menor do que 10 anos de idade foram omitidos da amostra na avalia\u00e7\u00e3o para erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica de caninos. O diagn\u00f3stico de angula\u00e7\u00e3o distal dos segundos pr\u00e9-molares seguiram os crit\u00e9rios descritos por Shalish et al.<sup>24<\/sup>, utilizando a borda inferior da mand\u00edbula como uma linha base. O\u00a0incisivo lateral superior foi considerado microdente quando o di\u00e2metro mesiodistal da coroa fosse menor em compara\u00e7\u00e3o com a mesma dimens\u00e3o do incisivo inferior no mesmo paciente<sup>19<\/sup>. Nessa categoria tamb\u00e9m se inclu\u00edram os incisivos laterais conoides.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia de anomalias na amostra estudada comparada a valores de refer\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o em geral foi realizada empregando o teste qui-quadrado (c<sup>2<\/sup>), sendo adotado um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de 5% (p\u00a0&lt;\u00a00,05). O <i>odds ratio<\/i> (OR) foi calculado com intervalo de confian\u00e7a de 95% para medir a for\u00e7a de associa\u00e7\u00f5es entre supranumer\u00e1rios mesiodens e a presen\u00e7a de outras anomalias dent\u00e1rias investigadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3514 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab01.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab01\" width=\"800\" height=\"530\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab01-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>A preval\u00eancia do mesiodens correspondeu a 1,5%, com uma propor\u00e7\u00e3o de 1,5:1 para o sexo masculino em rela\u00e7\u00e3o ao sexo feminino (Tab.\u00a01, 2). Entre os pacientes afetados, 80% apresentaram apenas um mesiodens, e 20% dois mesiodens (Tab.\u00a03). Tr\u00eas em cada quatro mesiodens permaneceram inclusos e na posi\u00e7\u00e3o vertical (normal, voltado para cavidade bucal), e mais de 80% tiveram indica\u00e7\u00e3o de extra\u00e7\u00e3o (Tab.\u00a04). As\u00a0complica\u00e7\u00f5es mais comuns relacionadas ao mesiodens inclu\u00edram atraso eruptivo dos incisivos centrais superiores e diastema de linha m\u00e9dia (Tab.\u00a05). Nenhuma associa\u00e7\u00e3o entre mesiodens e outras anomalias dent\u00e1rias foi encontrada, com exce\u00e7\u00e3o da agenesia de incisivos laterais superiores (Tab.\u00a06).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O presente estudo retrospectivo avaliou radiografias panor\u00e2micas de 1.995 pacientes a partir da denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua ou no in\u00edcio da denti\u00e7\u00e3o mista, sem hist\u00f3ria pregressa de tratamento ortod\u00f4ntico. Foram diagnosticados 36 mesiodens em 30 pacientes, o que correspondeu a 1,5% da amostra estudada. Essa preval\u00eancia foi aproximadamente a mesma encontrada nos estudos de Hurlen e Humerfelt <sup>17<\/sup> (1,4%) e de Salcido-Garc\u00eda et al.<sup>18<\/sup> (1,6%)e se aproxima muito da frequ\u00eancia m\u00e9dia calculada pelos valores da Tabela\u00a01 (1,67%).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao dimorfismo sexual, observou-se que o mesiodens foi mais comum no sexo masculino, numa propor\u00e7\u00e3o de 1,5:1 (Tab.\u00a02), corroborando outros relatos da literatura<sup>5-10,14<\/sup>. Em um estudo retrospectivo realizado na \u00cdndia<sup>8<\/sup>, tamb\u00e9m com uma amostra de 30 pacientes apresentando mesiodens, observou-se a mesma propor\u00e7\u00e3o de 1,5:1 do sexo masculino em rela\u00e7\u00e3o ao feminino. Propor\u00e7\u00f5es de 2:1<sup>9<\/sup>; 2,5:1<sup>5<\/sup>; e at\u00e9 4:1<sup>7<\/sup> do sexo masculino em rela\u00e7\u00e3o ao feminino t\u00eam sido descritas em outros trabalhos. O dimorfismo sexual no mesiodens foi diferente do diformismo sexual para a agenesia. As agenesias dent\u00e1rias s\u00e3o mais frequentes no sexo feminino, numa propor\u00e7\u00e3o aproximada de 2:1<sup>19,25<\/sup>.<\/p>\n<p>Em 80% dos pacientes foi encontrado um \u00fanico mesiodens, e nos 20% restantes, dois mesiodens (Tab.\u00a03). Uma propor\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima foi relatada em um estudo cl\u00ednico e radiogr\u00e1fico com 90 pacientes e 113 mesiodens<sup>10<\/sup>. A maioria dos pacientes (78%) apresentou um \u00fanico mesiodens, e o restante dois mesiodens. A mesma tend\u00eancia foi descrita por Kim e Lee<sup>7<\/sup>, onde 75% dos pacientes apresentaram apenas um mesiodens e 25% dois mesiodens. Um paciente apresentando tr\u00eas mesiodens tamb\u00e9m j\u00e1 foi descrito em um estudo retrospectivo com crian\u00e7as japonesas<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Dos 36 mesiodens encontrados na amostra, 27 deles (75%) encontravam-se n\u00e3o irrompidos e 9 (25%) irrompidos na cavidade bucal (Tab.\u00a04). Os\u00a0trabalhos s\u00e3o un\u00e2nimes em demonstrar que a maior parte dos mesiodens permanecem inclusos ou impactados<sup>6,8,9,10,14,18<\/sup>. Por esse motivo, esse dente supranumer\u00e1rio, muitas vezes, s\u00f3 \u00e9 descoberto em radiografias de rotina que foram solicitadas por outros motivos<sup>9<\/sup>. O mesiodens tamb\u00e9m pode ser identificado em radiografias solicitadas para controle de traumas acometendo incisivos ou devido a atrasos de erup\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de incisivos permanentes. Esses fatores representam as causas mais comuns de se descobrir o mesiodens<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>O mesiodens \u00e9 encontrado mais comumente em uma posi\u00e7\u00e3o vertical, voltado para a cavidade bucal, o que se pode considerar uma posi\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria normal, mas tamb\u00e9m pode ser encontrado invertido ou ainda numa posi\u00e7\u00e3o horizontal<sup>4,5,9,14<\/sup>. Na presente amostra, a posi\u00e7\u00e3o mais encontrada do mesiodens foi a posi\u00e7\u00e3o normal, ou seja, vertical e voltado para a cavidade bucal. O mesiodens foi encontrado nessa posi\u00e7\u00e3o em 75% dos casos, seguido da posi\u00e7\u00e3o invertida e, por \u00faltimo, a horizontal (Tab.\u00a04) \u2014\u00a0constata\u00e7\u00e3o j\u00e1 apresentada na literatura<sup>4,9,14<\/sup>. Esses resultados, no entanto, divergiram de outro estudo realizado com crian\u00e7as coreanas, em que a dire\u00e7\u00e3o mais comum foi com o longo eixo do mesiodens voltado para a cavidade nasal ou invertido, encontrada em 52% da amostra, seguido da posi\u00e7\u00e3o normal (38%) e, por fim, horizontal (10%)<sup>7<\/sup>. Essa mesma tend\u00eancia foi encontrada em crian\u00e7as japonesas em um estudo com 200 pacientes apresentando 256 mesiodens. A dire\u00e7\u00e3o predominante foi a invertida (67%), seguida da posi\u00e7\u00e3o normal (27%) e horizontal (6%)<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>O plano de tratamento de escolha mais comum para o mesiodens \u00e9 a exodontia<sup>4,7<\/sup>. A remo\u00e7\u00e3o do mesiodens na denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua usualmente n\u00e3o \u00e9 recomendada devido ao risco de lesar o incisivo permanente em forma\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, pelo aspecto da coopera\u00e7\u00e3o<sup>4,9<\/sup>. Dessa forma, em um primeiro momento, o acompanhamento cl\u00ednico e radiogr\u00e1fico pode ser a conduta a ser adotada nos casos em que o mesiodens n\u00e3o est\u00e1 causando uma m\u00e1 oclus\u00e3o ou n\u00e3o vai interferir no tratamento ortod\u00f4ntico<sup>9,14<\/sup>. No\u00a0presente trabalho, 86,1% dos mesiodens foram removidos cirurgicamente, aproximadamente na mesma \u00e9poca em que foram diagnosticados. Os 13,9% restantes foram acompanhados radiograficamente pela aus\u00eancia de interfer\u00eancia com o desenvolvimento da oclus\u00e3o (Tab.\u00a04).<\/p>\n<p>As principais complica\u00e7\u00f5es associadas ao mesiodens foram o atraso na erup\u00e7\u00e3o dos incisivos permanentes (34,28%), o diastema mediano (28,57%) e girovers\u00e3o do incisivo permanente (17,14%). Outras desordens locais tamb\u00e9m estiveram associadas \u00e0 presen\u00e7a do mesiodens (Tab.\u00a05). Resultados semelhantes s\u00e3o relatados na literatura<sup>7,9,14<\/sup>.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de outras anomalias dent\u00e1rias, observou-se que 22 pacientes (73,3% da amostra) n\u00e3o apresentavam outra anomalia dent\u00e1ria associada. Nos outros oito pacientes (26,7% da amostra), observou-se a presen\u00e7a de dente conoide\/microdontia, dentes supranumer\u00e1rios (al\u00e9m do mesiodens), distoangula\u00e7\u00e3o de segundos pr\u00e9-molares inferiores,\u00a0 e agenesias, totalizando 12 anomalias associadas\u00a0 (Tab.\u00a06).<\/p>\n<p>Os resultados estat\u00edsticos mostram que os pacientes com mesiodens n\u00e3o apresentam, em geral, preval\u00eancia aumentada de agenesias de dentes permanentes e de microdontia do incisivo lateral (Tab.\u00a06). No entanto, a preval\u00eancia de agenesia de incisivos laterais, especificamente, apresentou-se aproximadamente cinco vezes maior na amostra avaliada em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. Essa associa\u00e7\u00e3o incomum, a\u00a0presen\u00e7a de um supranumer\u00e1rio mesiodens e agenesia de incisivo lateral, j\u00e1 havia sido descrita na literatura por meio da apresenta\u00e7\u00e3o de um caso cl\u00ednico, e a interpreta\u00e7\u00e3o dos autores com rela\u00e7\u00e3o a essa associa\u00e7\u00e3o foi uma poss\u00edvel transposi\u00e7\u00e3o entre um incisivo lateral mal formado e o incisivo central<sup>26<\/sup>.<\/p>\n<p>Na amostra de pacientes com mesiodens, foi identificado um paciente (3,3%) com distoangula\u00e7\u00e3o de segundos pr\u00e9-molares inferiores. Devido \u00e0 pequena preval\u00eancia dessa anomalia na popula\u00e7\u00e3o em geral (0,19%), os resultados foram considerados estatisticamente significativos (Tab. 6). No entanto, considerando o tamanho pequeno da amostra, esse resultado pode ter ocorrido ao acaso, devendo ser interpretado com cautela. Amostras mais abrangentes deveriam ser utilizadas para confirmar essa associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A erup\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica de caninos superiores foi diagnosticada em um \u00fanico paciente. Entretanto, considerando que o paciente apresentava 8 anos e que o diagn\u00f3stico de ectopia em radiografias panor\u00e2micas \u00e9 mais confi\u00e1vel a partir dos 10 anos<sup>23<\/sup>, essa anomalia n\u00e3o foi considerada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3515 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab02.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab02\" width=\"400\" height=\"136\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab02.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab02-300x102.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3516 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab03.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab03\" width=\"400\" height=\"122\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab03.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab03-300x91.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3517 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab04.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab04\" width=\"400\" height=\"329\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab04.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab04-300x246.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3518 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab05.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab05\" width=\"400\" height=\"265\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab05.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab05-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3519\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab06.jpg\" alt=\"dpjo_v18_n06_93tab06\" width=\"800\" height=\"521\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab06.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dpjo_v18_n06_93tab06-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>1) O mesiodens foi encontrado em uma preval\u00eancia de 1,5% de crian\u00e7as na fase de denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua e mista, sendo mais comum no sexo masculino, em uma propor\u00e7\u00e3o de 1,5:1.<\/p>\n<p>2) O mesiodens apareceu associado a desordens locais, como girovers\u00e3o, atraso eruptivo ou impac\u00e7\u00e3o, diastema, reabsor\u00e7\u00e3o radicular e dilacera\u00e7\u00e3o de raiz.<\/p>\n<p>3) O mesiodens esteve associado a outras anomalias dent\u00e1rias em 26,7% das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>4) A preval\u00eancia de agenesia de incisivos laterais superiores mostrou-se aumentada em crian\u00e7as com mesiodens, comparada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo autorizou(aram) previamente a publica\u00e7\u00e3o de suas fotografias faciais e intrabucais, e\/ou radiografias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo:<\/b> Lara TS, Lancia M, Silva Filho OG, Garib DG, Ozawa\u00a0TO. Prevalence of mesiodens in orthodontic patients with deciduous and mixed dentition and its association with other dental anomalies. Dental Press J Orthod. 2013 Nov-Dec;18(6):93-9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Enviado em:<\/b> 10 de setembro de 2011 &#8211; <b>Revisado e aceito:<\/b> 24 de outubro de 2011<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia: <\/b>Tulio Silva Lara<\/p>\n<p>Hospital de Reabilita\u00e7\u00e3o de Anomalias Craniofaciais \/ Setor de Ortodontia<\/p>\n<p>Rua Silvio Marchione, 3-20 \u2013 CEP: 17.012-900 \u2013 Bauru\/SP<\/p>\n<p>E-mail: tuliolara@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos sugerem uma tend\u00eancia gen\u00e9tica e heredit\u00e1ria na etiologia das anomalias dent\u00e1rias de n\u00famero, tamanho, posi\u00e7\u00e3o. Tais evid\u00eancias prov\u00eam de investiga\u00e7\u00f5es em fam\u00edlias, em g\u00eameos monozig\u00f3ticos e da observa\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es na ocorr\u00eancia de determinadas anomalias.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":3520,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3510","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3510\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}