{"id":2940,"date":"2013-12-02T11:49:41","date_gmt":"2013-12-02T14:49:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=2940"},"modified":"2020-05-29T19:23:58","modified_gmt":"2020-05-29T22:23:58","slug":"entrevista-paulo-sergio-perri-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/entrevista-paulo-sergio-perri-carvalho\/","title":{"rendered":"Entrevista com: Paulo S\u00e9rgio Perri de Carvalho"},"content":{"rendered":"<p><em><br \/>\n<\/em><em><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/dpi_v07_n03_Destaque.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"dpi_v07_n03_Destaque\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/dpi_v07_n03_Destaque.jpg\" width=\"400\" height=\"480\" \/><\/a><\/em>Professor Titular da UNESP e da USP, o Prof. Dr. Paulo S\u00e9rgio Perri de Carvalho demonstra, entre suas qualidades, uma aula consistente, com palavras rigorosamente pronunciadas e em um tom de voz forte e constante. Especialista, Mestre,<a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/dpi_v07_n03_Destaque.jpg\"><br \/>\n<\/a> Doutor e Livre-docente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, o Professor Perri dedica 34 horas de sua semana \u00e0 carreira acad\u00eamica. Frequente na rodovia Marechal Rondon, ele transita entre Ara\u00e7atuba, cidade de sua resid\u00eancia, e Bauru.<\/p>\n<p><em>Nas poucas horas restantes, dedica-se a aplicar seus conhecimentos pr\u00e1tico-cient\u00edficos, atendendo pacientes em sua cl\u00ednica particular, onde desfruta da companhia de sua esposa, a Profa. Mariliza Comar Astolphi de Carvalho, especialista em Dent\u00edstica Restauradora, Pr\u00f3tese Dent\u00e1ria e Periodontia. Em sua brilhante carreira, o Professor Paulo Perri dedicou-se ao estudo do tecido \u00f3sseo. Da repara\u00e7\u00e3o alveolar \u00e0s grandes reconstru\u00e7\u00f5es, Perri pode ser considerado uma lideran\u00e7a atual no tema enxerto \u00f3sseo. Com grande experi\u00eancia cl\u00ednica em t\u00e9cnicas como remo\u00e7\u00e3o de enxerto da calota craniana, suas aulas te\u00f3ricas s\u00e3o repletas de casos realizados e de resultados cient\u00edficos, investigados por ele mesmo, dando \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o um car\u00e1ter verdadeiro e preciso sobre o conhecimento explanado.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nessa entrevista, podemos conhecer um pouco mais desse cirurgi\u00e3o-dentista que escolheu fazer a diferen\u00e7a sendo, ao mesmo tempo, professor, pesquisador, cl\u00ednico e, al\u00e9m de tudo isso, uma pessoa de fino trato, que transita bem por todas as \u00e1reas da Odontologia.<\/em><\/p>\n<p><em><b>Luis Rog\u00e9rio Duarte<\/b><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A carreira acad\u00eamica na Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho, de acordo com a resolu\u00e7\u00e3o UNESP n\u02da 13, de 17 de mar\u00e7o de 2011, possui n\u00edveis verticais e n\u00edveis horizontais de progress\u00e3o. Os n\u00edveis verticais se iniciam em Professor Assistente, evoluindo para Professor Assistente Doutor, Professor Adjunto e, por fim, Professor Titular, o cargo m\u00e1ximo da carreira. Desde sua formatura, na pr\u00f3pria UNESP, em 1976, o senhor passou a dedicar-se \u00e0 especialidade de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, ingressando no mestrado no ano seguinte. Seu objetivo, desde a gradua\u00e7\u00e3o, sempre foi seguir a carreira acad\u00eamica at\u00e9 o cargo de Professor Titular? O que o senhor via naquela \u00e9poca em um Professor Titular e que o senhor v\u00ea em si hoje? O que \u00e9 diferente do que o senhor almejou? Algum professor nesse cargo te serviu de exemplo?<\/b><\/p>\n<p>Na gradua\u00e7\u00e3o, eu me interessei, inicialmente, pela disciplina de Patologia, onde fiz est\u00e1gio como acad\u00eamico orientado pelo Prof. Ronaldo Maia Melhado, mas, \u00e0 medida que as disciplinas cl\u00ednicas iam desenvolvendo-se, destacaram-se a Endodontia, na \u00e9poca liderada pelo Prof. Roberto Holland, e a Cirurgia, liderada pelos professores Ruy dos Santos Pinto, Tetuo Okamoto e por meu irm\u00e3o, Antonio Cesar Perri de Carvalho. Essas disciplinas destacaram-se para mim porque os procedimentos cl\u00ednicos que ensinavam baseavam-se na pesquisa e na explica\u00e7\u00e3o dos \u201cporqu\u00eas\u201d, e n\u00e3o como uma t\u00e9cnica que deveria ser treinada. A partir desse est\u00edmulo, interessei-me pela carreira acad\u00eamica, mas meu objetivo n\u00e3o era ser Professor Titular, e sim professor de uma disciplina que tinha lideran\u00e7a, pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica baseada em evid\u00eancias cient\u00edficas. Eu tinha a consci\u00eancia que os t\u00edtulos acad\u00eamicos viriam naturalmente, se me dedicasse ao estudo, \u00e0 pesquisa e \u00e0 pr\u00e1tica da doc\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre os docentes da \u00e9poca de minha gradua\u00e7\u00e3o com os de hoje \u00e9 que havia um idealismo \u201crom\u00e2ntico\u201d; no entanto, as incumb\u00eancias e as cobran\u00e7as eram menores que as que se observa atualmente, al\u00e9m das m\u00faltiplas incumb\u00eancias\u00a0administrativas. Analisando sob o ponto de vista da hierarquia, em tempos passados, conversar ou questionar um Professor Titular \u2014\u00a0alguns deles chamados de Catedr\u00e1ticos, pelo tipo de progress\u00e3o vertical que havia\u00a0\u2014 era privil\u00e9gio de poucos alunos, o que, nos dias atuais, \u00e9 impens\u00e1vel, principalmente porque, no entendimento de nossos dias, o docente com mais experi\u00eancia consegue trabalhar melhor com a diversidade de alunos que cursam o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">curso<\/a> superior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas expectativas, elas foram totalmente atingidas. Isso pode ter acontecido sem conflitos porque tinha o meu irm\u00e3o mais velho, que foi professor universit\u00e1rio em Ara\u00e7atuba. Portanto, tive a oportunidade de ver de perto o que era ser um professor universit\u00e1rio, com a diferen\u00e7a que sempre fui mais inquieto do que ele com rela\u00e7\u00e3o aos limites que a carreira universit\u00e1ria impunha, e imp\u00f5e at\u00e9 hoje, como, por exemplo, atividades externas \u00e0 universidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse, tive a oportunidade de me espelhar em v\u00e1rios docentes da disciplina em que trabalhei at\u00e9 fevereiro de 2013, e procurei aproveitar o exemplo de cada um deles para construir a minha personalidade acad\u00eamica, mas, sem d\u00favida, a conviv\u00eancia com o meu orientador, o Prof.\u00a0Tetuo Okamoto, e com meu irm\u00e3o, o Prof. Cesar, foram mais determinantes; mas, tamb\u00e9m, foi muito importante o conv\u00edvio com Dr. Ruy dos Santos Pinto, idealizador do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Ara\u00e7atuba (UNESP) e do CAOE (Centro de Atendimento a Pacientes Excepcionais); com o Prof. Edmur Callestine; Prof.\u00a0M\u00e1rcio Giampietro Sanches (meu companheiro de sala e de cirurgias); Prof.\u00a0Michel Saad Neto e, mais recentemente, o Prof. Osvaldo Magro Filho e Prof.\u00a0Idelmo Rangel Garcia Junior. Com\u00a0cada um desses professores aprendi algo e pude compartilhar experi\u00eancias acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O cargo de Professor Titular s\u00f3 pode ser preenchido por um docente com experi\u00eancia em ensino e pesquisa. Atuando como professor titular, ao mesmo tempo, em duas das maiores universidades do pa\u00eds, o que muda na responsabilidade de um Professor Titular que n\u00e3o existe no cargo de Professor Assistente Doutor?<\/b><\/p>\n<p>O Professor Titular tem como objetivo maior liderar a equipe com que trabalha, e desempenhar essa fun\u00e7\u00e3o de forma positiva, estimulando e discutindo com o grupo os anseios e as oportunidades de progresso de cada um. Ele tem de oferecer, criar ou mostrar oportunidades iguais para todos os integrantes da equipe e, ao mesmo tempo, ter o discernimento de que o aproveitamento dessas oportunidades acontecer\u00e1 de forma diferente e de acordo com o potencial, momento acad\u00eamico e emocional de cada um.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o estatuto de cada universidade, o Professor Titular tem incumb\u00eancias administrativas que s\u00f3 poder\u00e3o ser executadas por outros docentes em caso de sua desist\u00eancia formal, como, por exemplo, cargos de chefia. Para outras universidades, essas fun\u00e7\u00f5es podem ser desempenhadas a partir do Professor com o t\u00edtulo de Doutor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, a diferen\u00e7a que existe entre o Professor Titular e os outros professores \u00e9 que, normalmente, esse cargo \u00e9 ocupado pelo docente de maior experi\u00eancia, e que deve us\u00e1-la como ponto de equil\u00edbrio e de lideran\u00e7a positiva em sua equipe, sem limitar ou restringir o progresso de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como educador, seu papel \u00e9 fundamental, tanto na figura de l\u00edder motivador quanto no papel de incentivador da busca por conhecimento. Qual \u00e9 o ponto fundamental, que deve existir em qualquer universidade, para a forma\u00e7\u00e3o de um profissional inquieto e com senso cr\u00edtico para tomar suas decis\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p>Sem d\u00favida \u00e9 por meio do est\u00edmulo \u00e0 busca do conhecimento, o qual a ci\u00eancia tem demonstrado ser ilimitado. S\u00f3crates, fil\u00f3sofo, quando foi declarado o mais s\u00e1bio dos gregos, declarou \u201cs\u00f3 sei que nada sei\u201d, o que fica evidente que quanto mais se sabe, mais deveremos ter a consci\u00eancia que precisamos aprender mais e mais. O pesquisador precisa desenvolver a qualidade da humildade diante da ci\u00eancia. Por outro lado, o Papa Francisco, quando esteve recentemente no Rio de Janeiro, disse que a juventude precisa ser revolucion\u00e1ria. Ele n\u00e3o quis dizer revolucion\u00e1ria no sentido de praticar a viol\u00eancia e ser agressivo, mas no sentido de n\u00e3o ser conformista. Assim, a forma\u00e7\u00e3o de um profissional inquieto \u00e9 feita mostrando que ele n\u00e3o pode achar que \u00e9 o dono da verdade, mas que h\u00e1 um grande caminho a percorrer na busca do conhecimento, que n\u00e3o pode ser conformista e achar que tudo vai acontecer de forma natural em sua vida acad\u00eamica, mas que ele deve buscar, sempre, as respostas para suas d\u00favidas ou para os questionamentos que fazem as diversas \u00e1reas do conhecimento. J\u00e1 o senso cr\u00edtico \u00e9 conseguido por meio do estudo continuado e reflexivo; no entanto, apresenta varia\u00e7\u00f5es conforme o grau de amadurecimento do aluno. O\u00a0educador deve interpretar essas nuances, que s\u00e3o individuais, e promover uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es educativas e motivadoras para o desenvolvimento cr\u00edtico de seu aluno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma caracter\u00edstica marcante de sua carreira \u00e9 uma grande produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o que demonstra imensa dedica\u00e7\u00e3o ao ensino e \u00e0 academia. Entretanto, o senhor nunca deixou de atender pacientes, mantendo atividades cl\u00ednicas tanto na universidade quanto na cl\u00ednica particular. O senhor pode nos dar alguns exemplos de evid\u00eancia cient\u00edfica aplicada a procedimentos cir\u00fargicos executados frequentemente em sua pr\u00e1tica cir\u00fargica?<\/b><\/p>\n<p>Tive o meu primeiro contato com a <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/especializacao-em-implantodontia-transforme-sua-carreira-com-precisao-e-seguranca\/\">Implantodontia<\/a> em 1989, por meio do curso de credenciamento do sistema TF, realizado na cidade de Ros\u00e1rio, na Argentina. Durante esse curso, acompanhamos uma s\u00e9rie de cirurgias de instala\u00e7\u00e3o de implantes, e a primeira d\u00favida que tive foi sobre a fresagem, j\u00e1 que hav\u00edamos publicado um trabalho experimental que demonstrava que a a\u00e7\u00e3o do instrumento rotat\u00f3rio provocava les\u00e3o na superf\u00edcie \u00f3ssea, e que o reparo \u00f3sseo da cavidade ficava comprometido de acordo com o trauma recebido. Em\u00a0meu retorno ao Brasil, procurei estudos a respeito, mas haviam poucos dados sobre o assunto. Foi minha primeira pesquisa na \u00e1rea da Implantodontia, onde avaliamos a a\u00e7\u00e3o das fresas em f\u00edbula de coelhos com e sem irriga\u00e7\u00e3o. Depois\u00a0dessa pesquisa, desenvolvemos a pesquisa de instala\u00e7\u00e3o de implantes ap\u00f3s fresagem com e sem irriga\u00e7\u00e3o, e observamos que os implantes instalados com a fresagem sem irriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o osseointegravam. Para cada d\u00favida que tinha, realizava uma pesquisa experimental de repeti\u00e7\u00e3o com os materiais que disp\u00fanhamos no Brasil, e os resultados das pesquisas foram dando seguran\u00e7a e conhecimento de como aplicar a t\u00e9cnica da Implantodontia na pr\u00e1tica cl\u00ednica. O mesmo aconteceu com os enxertos \u00f3sseos e biomateriais. Essa\u00a0\u00e9 a minha rotina. Aplico na cl\u00ednica, t\u00e9cnicas e materiais que apresentam evid\u00eancias cient\u00edficas comprovadas em minhas pesquisas ou nas de outros investigadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ainda existe uma grande dist\u00e2ncia entre as publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e os cirurgi\u00f5es dentistas que se dedicam exclusivamente \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica, ou seja, poucos profissionais buscam o conhecimento diretamente na fonte, em trabalhos de pesquisa, testados e publicados de forma criteriosa. Em\u00a0sua opini\u00e3o, o que o modelo de publica\u00e7\u00e3o pode evoluir para aumentar a penetra\u00e7\u00e3o de achados cient\u00edficos na cl\u00ednica odontol\u00f3gica comum?<\/b><\/p>\n<p>Atualmente, existem in\u00fameros meios de buscar o conhecimento: revistas nacionais em papel ou eletr\u00f4nicas, revistas internacionais de impacto nas bibliotecas e na internet, livros textos nacionais com conte\u00fado excelente, os principais livros em l\u00ednguas estrangeiras traduzidos para o portugu\u00eas, eventos cient\u00edficos para todas as tend\u00eancias, entrevistas de esclarecimento na m\u00eddia, etc. Na minha opini\u00e3o, o que falta \u00e9 o h\u00e1bito da leitura e estudo! A maioria dos profissionais da Odontologia admira a t\u00e9cnica e se conforma em execut\u00e1-la sem ter a preocupa\u00e7\u00e3o de ter conhecimento sobre os seus porqu\u00eas e, acima de tudo, sobre a longevidade e complica\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o surgir.<br \/>\nE\u00a0por que isso acontece? Porque grande parte dos procedimentos s\u00e3o revers\u00edveis. Mas, no meu modo de entender, \u00e9 um vi\u00e9s da nossa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A dist\u00e2ncia ainda presente entre evid\u00eancia cient\u00edfica e cl\u00ednica odontol\u00f3gica \u00e9 uma defici\u00eancia bilateral. Ao mesmo tempo que as evid\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o diretamente aplicadas pelo cl\u00ednico, os resultados obtidos em tratamentos realizados nas cl\u00ednicas particulares, salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o computados em publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Como o senhor v\u00ea essa evolu\u00e7\u00e3o? \u00c9\u00a0poss\u00edvel que os cl\u00ednicos, futuramente, se envolvam mais com a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/b><\/p>\n<p>Na literatura internacional e nacional existem trabalhos de divulga\u00e7\u00e3o que foram desenvolvidos em cl\u00ednicas particulares mas que, normalmente, t\u00eam origem em profissionais que foram ou est\u00e3o engajados em programas de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo ligados a algum grupo de pesquisa. N\u00e3o \u00e9 propriamente uma investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas resultados cl\u00ednicos obtidos a partir de um procedimento protocolado e com comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica anterior. No Mestrado Profissionalizante que coordeno junto \u00e0 Faculdade S\u00e3o Leopoldo Mandic de Campinas, realizo com os alunos estudos retrospectivos, aproveitando a experi\u00eancia que eles desenvolvem em seus consult\u00f3rios ou hospitais, sendo que muitos casos s\u00e3o transformados em disserta\u00e7\u00e3o. Assim, a partir do momento que existe um protocolo de procedimento, \u00e9 poss\u00edvel realizar compara\u00e7\u00f5es e, ap\u00f3s analisar as vari\u00e1veis e a amostragem, pode surgir um trabalho de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Logo ap\u00f3s sua gradua\u00e7\u00e3o, o senhor ingressou no mestrado e, na sequ\u00eancia, finalizou o doutorado. Demonstrando grande interesse no reparo do processo alveolar, certamente o seu conhecimento adquirido na \u00e9poca tem utilidade atualmente. A Odontologia Est\u00e9tica vive um momento em que cada mil\u00edmetro \u00e9 determinante entre o sucesso e o fracasso. Quais modifica\u00e7\u00f5es alveolares, na \u00e1rea est\u00e9tica, o cl\u00ednico pode esperar encontrar alguns meses ap\u00f3s realizar uma extra\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas que antecederam os implantes osseointegr\u00e1veis, havia o paradigma que todo biomaterial implantado no alv\u00e9olo produzia retardo do processo de reparo alveolar, e que a melhor situa\u00e7\u00e3o seria seu preenchimento com co\u00e1gulo. Esse\u00a0paradigma \u00e9 verdadeiro at\u00e9 hoje mas, observou-se ao longo do tempo que o processo alveolar sofre uma remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, mais comum em alv\u00e9olos com paredes vestibulares finas da maxila anterior, e que tem como consequ\u00eancia a perda do contorno do rebordo, podendo evoluir para processos alveolares atr\u00f3ficos que dificultam a instala\u00e7\u00e3o de implantes e a est\u00e9tica. Uma das formas de se trabalhar com esses casos \u00e9 o preenchimento alveolar com biomateriais, ou at\u00e9 mesmo instalar implantes imediatamente ap\u00f3s as exodontias, com preenchimento do gap com biomateriais com o objetivo de minimizar a remodela\u00e7\u00e3o do processo alveolar. \u00c9 importante avaliar a cronologia do reparo nos casos de preenchimento alveolar, que pode variar de quatro a oito meses p\u00f3s-operat\u00f3rios. Mesmo assim, existem casos em que h\u00e1 necessidade de cirurgias de enxerto conjuntivo ou o uso de materiais que ser\u00e3o incorporados aos tecidos moles para melhorar a est\u00e9tica. No entanto, \u00e9 importante que se diga que os biomateriais n\u00e3o est\u00e3o indicados para todos os defeitos alveolares, e que muitas vezes o enxerto \u00f3sseo aut\u00f3geno est\u00e1 indicado para reconstruir esses defeitos \u00f3sseos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Atualmente, algumas t\u00e9cnicas publicadas foram desenvolvidas exclusivamente com o objetivo de manter a estabilidade do tecido gengival em arco e favorecer a melhora do fen\u00f3tipo gengival para que haja previsibilidade e manuten\u00e7\u00e3o do arco c\u00f4ncavo regular em longo prazo. Algumas preconizam realizar implante imediato com carga imediata. Outras, acrescentam ao implante imediato, t\u00e9cnicas para realizar enxerto \u00f3sseo aut\u00f3geno proveniente do t\u00faber. Enxerto de tecido conjuntivo e uso de materiais de origem animal, como enxerto xen\u00f3geno, tamb\u00e9m s\u00e3o descritos na literatura. A extra\u00e7\u00e3o de um elemento anterossuperior ocasiona um momento de dif\u00edcil decis\u00e3o. O que fazer? Como o cirurgi\u00e3o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentista<\/a> deve organizar seus pensamentos ao decidir qual a melhor t\u00e9cnica utilizar? Quais os aspectos mais importantes a serem considerados durante o diagn\u00f3stico antes de realizar a cirurgia?<\/b><\/p>\n<p>Como disse anteriormente, \u00e9 importante entender que os biomateriais apresentam alguns limites biol\u00f3gicos, e que o profissional tem de aplicar o senso cr\u00edtico e o bom senso para trabalhar com esses casos. \u00c9 importante diagnosticar o tipo de defeito \u00f3sseo e sua causa, o bi\u00f3tipo periodontal, o conhecimento real das propriedades biol\u00f3gicas do produto que ele est\u00e1 planejando utilizar e seu dom\u00ednio t\u00e9cnico para solucionar o problema. Al\u00e9m desses fatores, h\u00e1 a necessidade de conhecer o paciente e o grau de colabora\u00e7\u00e3o que apresenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A preserva\u00e7\u00e3o do processo alveolar, t\u00e3o importante para atingir o sucesso esperado, depende n\u00e3o s\u00f3 da t\u00e9cnica utilizada para mant\u00ea-lo, mas, tamb\u00e9m, da t\u00e9cnica empregada na extra\u00e7\u00e3o do elemento dent\u00e1rio. Muitas vezes o tempo destinado a realizar a exodontia se prolonga mais do que o tempo necess\u00e1rio para realizar a instala\u00e7\u00e3o do implante imediato. O que o senhor considera como exodontia atraum\u00e1tica? Quais as pe\u00e7as que n\u00e3o podem faltar em seu instrumental cir\u00fargico para realizar uma exodontia atraum\u00e1tica? Em sua opini\u00e3o, existem momentos em que \u00e9 indispens\u00e1vel abrir retalho na regi\u00e3o anterior? Quais s\u00e3o eles?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o existe cirurgia atraum\u00e1tica. As cirurgias s\u00e3o de maior ou menor complexidade, mas todas imp\u00f5em um grau de traumatismo ao paciente. Para definir a t\u00e9cnica exod\u00f4ntica, \u00e9 importante analisar, por meio das radiografias e dos exames de imagem, a forma da raiz, como tamb\u00e9m sua fragilidade e sua rela\u00e7\u00e3o com dentes vizinhos e estruturas anat\u00f4micas. Para as exodontias terem menor trauma poss\u00edvel, \u00e9 importante saber usar desde o f\u00f3rceps ao peri\u00f3tomo. J\u00e1 as incis\u00f5es na regi\u00e3o anterior da maxila est\u00e3o indicadas sempre que n\u00e3o houver acessibilidade para aplica\u00e7\u00e3o do instrumental usado para extra\u00e7\u00f5es, havendo a necessidade de osteotomias, mas elas devem ser realizadas de forma econ\u00f4mica, sem que haja o preju\u00edzo do procedimento cir\u00fargico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um fen\u00f4meno percebido ainda nos experimentos em cachorro, realizados pelo professor Br\u00e5nemark, \u00e9 a sauceriza\u00e7\u00e3o. A remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea pericervical presente em todos os modelos de implante e conex\u00f5es prot\u00e9ticas \u00e9 fator relevante para a manuten\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dio e em longo prazo, dos tecidos peri-implantares. Diferentes tipos de conex\u00f5es prot\u00e9ticas, como Cone Morse e platform switching, foram desenvolvidas para que essa remodela\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a sem perda \u00f3ssea. Quais s\u00e3o os fatores que determinam a remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea nessa regi\u00e3o? Quais as vantagens e desvantagens das conex\u00f5es Cone Morse e platform switching?<\/b><\/p>\n<p>A perda \u00f3ssea peri-implantar tem aspecto multifatorial porque pode acontecer devido \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de implantes em tecido \u00f3sseo com espessura lim\u00edtrofe, assim, por n\u00e3o haver uma revasculariza\u00e7\u00e3o adequada, como tamb\u00e9m devido a causas microbiol\u00f3gicas e biomec\u00e2nicas, esse tecido sofre reabsor\u00e7\u00e3o. Alguns trabalhos mostram que o bi\u00f3tipo periodontal tamb\u00e9m pode estar envolvido. Al\u00e9m desses fatores, pode haver a instala\u00e7\u00e3o e\/ou agravamento do quadro cl\u00ednico devido a fatores locais como higiene, h\u00e1bitos como o tabagismo e algumas enfermidades sist\u00eamicas. \u00c9 muito dif\u00edcil estabelecer uma causa para as perdas \u00f3sseas peri-implantares. O profissional tem de possuir discernimento e utilizar-se de todas as ferramentas de diagn\u00f3stico e de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edveis para definir o perfil de seu paciente e o planejamento cir\u00fargico-prot\u00e9tico mais indicado, de acordo com a expectativa do paciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vantagens e desvantagens das conex\u00f5es Morse e platform switching, temos realizado algumas pesquisas microbiol\u00f3gicas <i>in vitro<\/i> e observamos que os implantes Cone Morse apresentam uma veda\u00e7\u00e3o importante, o que, em tese, dificultaria a coloniza\u00e7\u00e3o bacteriana na interface componente prot\u00e9tico-implante. J\u00e1 o plataform switching afasta, em teoria, esse gap da regi\u00e3o peri-implantar e, com isso, o tecido \u00f3sseo n\u00e3o seria atingido pela presen\u00e7a das bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros trabalhos <i>in vitro<\/i> est\u00e3o sendo realizados utilizando os m\u00e9todos do modelo fotoel\u00e1stico e de elementos finitos, demonstrando que a tend\u00eancia das for\u00e7as que incidem nesses implantes (Cone Morse ou com plataform switching) projetam-se de forma centralizada, fazendo com que o maior estresse n\u00e3o se concentre na regi\u00e3o peri-implantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, as pesquisas t\u00eam demonstrado que as vantagens s\u00e3o biomec\u00e2nicas e microbiol\u00f3gicas, mas a cl\u00ednica \u00e9 soberana, e cabe a ela comprovar esses resultados \u2014\u00a0o que tem acontecido nos \u00faltimos anos por meio dos trabalhos cl\u00ednicos dos tipos prospectivo e retrospectivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Frequentemente, pacientes que perderam dentes posteriores na maxila h\u00e1 muito tempo, procuram cirurgi\u00f5es-dentistas para a realiza\u00e7\u00e3o de implantes. Como consequ\u00eancia de um processo fisiol\u00f3gico de atrofia \u00f3ssea, a cavidade do seio maxilar aumenta, impossibilitando a instala\u00e7\u00e3o dos implantes sem que antes seja realizado procedimento para enxerto \u00f3sseo. Quais as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, atualmente, para realiza\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o da membrana Schneideriana? Fazendo um comparativo entre enxerto \u00f3sseo aut\u00f3geno e xen\u00f3geno, quais as vantagens e desvantagens entre eles para a regi\u00e3o do seio maxilar?<\/b><\/p>\n<p>O enxerto sinusal para posterior instala\u00e7\u00e3o de implantes \u00e9 um procedimento realizado com grande frequ\u00eancia pelo especialista em Implantodontia ou pelo cirurgi\u00e3o bucomaxilofacial. Para esse tipo de cirurgia, \u00e9 importante analisar o osso remanescente e a dimens\u00e3o do seio maxilar no sentido laterolateral. No livro que publicamos em 2011 (Fundamentos da Implantodontia, Editora Quintess\u00eancia), divulgamos o protocolo de indica\u00e7\u00e3o em que quando houver at\u00e9 5mm de osso remanescente, indica-se osso aut\u00f3geno ou osso aut\u00f3geno associado a biomaterial inorg\u00e2nico; de 5 a 7mm de osso remanescente, usa-se somente biomaterial; e de 7 a 10mm, indica-se a instala\u00e7\u00e3o de implantes pela t\u00e9cnica de Summers. Nas duas \u00faltimas indica\u00e7\u00f5es, o importante \u00e9 que o implante fique com estabilidade inicial. Mais, recentemente, alguns trabalhos t\u00eam sido divulgados propagando que, aplicando a t\u00e9cnica imediata, se o implante ficar com estabilidade, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de material de preenchimento. J\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do seio baseia-se em um trabalho divulgado em 2010, em que o seio maxilar com dimens\u00e3o maior do que 12mm no sentido laterolateral necessitaria de enxerto aut\u00f3geno associado ou n\u00e3o a biomaterial osteocondutor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto aos resultados cl\u00ednicos ao se usar osso aut\u00f3geno ou material xen\u00f3geno, se houver uma boa indica\u00e7\u00e3o com procedimento cir\u00fargico sem acidente (como, por exemplo, a lacera\u00e7\u00e3o da membrana sinusal) e uma pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria pregressa, recente ou atual de patologia sinusal, os resultados s\u00e3o muito promissores, com estudos retrospectivos indicando \u00edndices de sucesso na osseointegra\u00e7\u00e3o variando de 90 a 98%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Na regi\u00e3o anterior da maxila, a atrofia \u00f3ssea acontece em altura e espessura, o que torna sua reconstru\u00e7\u00e3o bem diferente do seio maxilar, por n\u00e3o se tratar de uma cavidade. O osso particulado, para esse tipo de reconstru\u00e7\u00e3o, apresenta grande dificuldade de estabiliza\u00e7\u00e3o, sendo mais comum a utiliza\u00e7\u00e3o de enxerto em bloco, parafusado ao leito receptor. O enxerto em bloco aut\u00f3geno pode ser obtido de v\u00e1rias regi\u00f5es intra- e extrabucais. Considerando fatores como morbidade cir\u00fargica, disponibilidade de tecido a ser removido, qualidade do enxerto e manuten\u00e7\u00e3o do volume em longo prazo, qual \u00e9 o melhor enxerto?<\/b><\/p>\n<p>Os melhores enxertos aut\u00f3genos s\u00e3o os de caracter\u00edstica corticomedular. Entre as \u00e1reas intrabucais, o enxerto da linha obl\u00edqua \u00e9 predominantemente cortical, e o mento tem caracter\u00edstica corticomedular. O que difere \u00e9 o p\u00f3s-operat\u00f3rio, porque o mento pode apresentar algumas complica\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis. Os dois tipos de enxerto mant\u00eam o volume no p\u00f3s-operat\u00f3rio tardio, com a vantagem de maior disponibilidade \u00f3ssea na regi\u00e3o mentoniana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00c1reas doadoras intrabucais s\u00e3o limitadas quanto \u00e0 disponibilidade de tecido. Quando h\u00e1 necessidade de grande quantidade de enxerto para realizar a reconstru\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, \u00e9 poss\u00edvel lan\u00e7ar m\u00e3o de t\u00e9cnicas para obter tecido aut\u00f3geno em regi\u00f5es extrabucais. O senhor poderia descrever, apontando os pontos fortes e fracos, as t\u00e9cnicas mais comumente utilizadas pelos cirurgi\u00f5es-dentistas brasileiros?<\/b><\/p>\n<p>As \u00e1reas mais abordadas da regi\u00e3o extrabucal s\u00e3o a crista il\u00edaca anterior e a calota craniana. Entre essas \u00e1reas, a calota craniana tem a vantagem de manter o volume conseguido no p\u00f3s-operat\u00f3rio por um longo per\u00edodo, enquanto a crista il\u00edaca perde em volume devido \u00e0s dimens\u00f5es do espa\u00e7o trabecular. Outra vantagem da calota craniana \u00e9 a qualidade \u00f3ssea. As\u00a0\u00e1reas reconstru\u00eddas com enxerto obtido na calota craniana apresentam osso com caracter\u00edsticas de osso tipo II, enquanto na crista il\u00edaca o osso \u00e9 do tipo III ou IV. No entanto, a crista il\u00edaca proporciona blocos com a possibilidade de promover aumento em altura e espessura em um s\u00f3 bloco, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nos enxertos obtidos na calota craniana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Entre suas publica\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel identificar a prefer\u00eancia pela remo\u00e7\u00e3o de enxerto da calota craniana, t\u00e9cnica muitas vezes estudada e publicada em pesquisas sob sua lideran\u00e7a. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles que possuem atrofia \u00f3ssea, s\u00e3o indiv\u00edduos que passaram algum trauma odontol\u00f3gico na vida jovem. A Implantodontia tem o papel de consertar a imagem de uma das profiss\u00f5es mais associadas ao medo. Como \u00e9 a tarefa de conversar com um paciente inseguro quanto ao tratamento e oferecer a ele uma t\u00e9cnica em que ser\u00e1 necess\u00e1rio incisar o tecido do couro cabeludo?<\/b><\/p>\n<p>Nunca tento convencer o paciente sobre as vantagens da calota craniana. Procuro explicar, inicialmente, que para atingir suas expectativas de tratamento, \u00e9 necess\u00e1ria a cirurgia reconstrutiva, e que para o seu grau de atrofia, ser\u00e1 necess\u00e1ria a abordagem da calota craniana ou da crista il\u00edaca em ambiente hospitalar. De qualquer forma, o paciente recebe um impacto, mas quando falamos sobre o tipo de p\u00f3s-operat\u00f3rio que temos em cada uma das abordagens, a op\u00e7\u00e3o da calota craniana se faz mais interessante. Muitos colegas fazem essa pergunta em cursos ou confer\u00eancias, e eu tenho a impress\u00e3o que a aceita\u00e7\u00e3o do paciente acontece pela seguran\u00e7a que o profissional tem em expor a necessidade do enxerto e as vantagens de uma ou de outra \u00e1rea. Em uma disserta\u00e7\u00e3o que orientamos na SLMandic de Campinas, os pacientes submetidos a esse tipo de procedimento responderam, unanimemente, que indicariam, ou fariam novamente, o procedimento de obten\u00e7\u00e3o de osso de calota craniana, se fosse necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma das \u00fanicas desvantagens da utiliza\u00e7\u00e3o de enxerto \u00f3sseo aut\u00f3geno, seja intrabucal ou extrabucal, \u00e9 a necessidade de um segundo s\u00edtio cir\u00fargico. Uma alternativa comum, principalmente quando h\u00e1 necessidade de grande quantidade de enxerto, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de osso heter\u00f3logo, proveniente de bancos de tecidos musculoesquel\u00e9ticos. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de osso de banco?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho nenhuma experi\u00eancia cl\u00ednica com o uso de blocos \u00f3sseos originados de banco de tecidos. Tenho acompanhado as publica\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, mas o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a JOMI, em 2010 (2010; 25: 525-531), publicou uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica sobre o assunto, e concluiu que o assunto tem evid\u00eancias insuficientes para estabelecer a efic\u00e1cia do tratamento relativo \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o do enxerto, aumento de rebordo e sobreviv\u00eancia dos implantes. Em\u00a02008, o\u00a0doutorando Garbin Junior, da UNESP de Ara\u00e7atuba, realizou pesquisa comparando enxertos aut\u00f3geno e hom\u00f3geno, concluindo que nos grupos tardios o osso aut\u00f3geno havia sido substitu\u00eddo, enquanto o osso hom\u00f3geno apresentava-se incorporado, por\u00e9m sem remodela\u00e7\u00e3o e acelular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Companhias conhecidas por comercializar osso particulado de origem xen\u00f3gena, recentemente disponibilizaram, ao mercado, osso dessa origem em blocos. O senhor acredita ser uma alternativa vi\u00e1vel para as grandes reconstru\u00e7\u00f5es, hoje poss\u00edveis apenas com osso de origem aut\u00f3gena?<\/b><\/p>\n<p>Da mesma forma que na resposta da quest\u00e3o anterior, n\u00e3o tenho essa experi\u00eancia cl\u00ednica. Recentemente, fizemos a fase cir\u00fargica de uma pesquisa com esse tipo de material, e em breve teremos alguma resposta, muito embora alguns colegas tenham mostrado casos cl\u00ednicos com aparente sucesso, mas sem publica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m na UNESP de Ara\u00e7atuba, o\u00a0doutorando Faverani realizou, em 2013, pesquisa com bloco de osso bovino mineral, concluindo que o enxerto realizado com DBBM n\u00e3o promoveu osseointegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Nos \u00faltimos dez anos, as t\u00e9cnicas cir\u00fargicas para instala\u00e7\u00e3o de implantes evolu\u00edram para alternativas que dispensam o uso de enxerto \u00f3sseo. Os exemplos mais comuns s\u00e3o implantes zigom\u00e1ticos e a t\u00e9cnica All-on-4. O senhor acredita que \u00e9 poss\u00edvel, para todos os casos de maxila ed\u00eantula, n\u00e3o haver mais a necessidade de aumento do tecido \u00f3sseo por meio de enxertos?<\/b><\/p>\n<p>O crit\u00e9rio de indica\u00e7\u00e3o em que uso a t\u00e9cnica All-on-4 fica restrito a casos em que o seio maxilar est\u00e1 pneumatizado, no entanto, em uma posi\u00e7\u00e3o mais posterior e, tamb\u00e9m, quando o paciente reluta em aceitar o enxerto sinusal. Nas situa\u00e7\u00f5es que a usei, tive bons resultados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 para a reabilita\u00e7\u00e3o de pacientes com maxilas atr\u00f3ficas utilizando-se da fixa\u00e7\u00e3o zigom\u00e1tica, indico-a nos casos em que os implantes e o enxerto aut\u00f3geno foram utilizados com insucesso. Tenho acompanhado, por meio de publica\u00e7\u00f5es, os casos de dois colegas que respeito muito e que se utilizam dessa t\u00e9cnica com maior frequ\u00eancia, o Dr. Hugo Nary e o Dr.\u00a0Paulo Saad, como tamb\u00e9m artigos publicados na literatura que mostram \u00edndice de sucesso interessante, desde que realizado por profissionais experientes, conhecedores da t\u00e9cnica e de suas dificuldades, baseados em um planejamento criterioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o sou radical em afirmar que n\u00e3o h\u00e1 mais a necessidade de enxerto aut\u00f3geno para solucionar o problema das maxilas atr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ao longo de sua carreira, muitas mudan\u00e7as aconteceram na Odontologia. A profiss\u00e3o, considerada como traum\u00e1tica por grande parte da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 evoluindo para uma nova posi\u00e7\u00e3o. A Implantodontia, h\u00e1 mais de 25 anos no Brasil, modificou a vida de milhares de pacientes, devolvendo a seguran\u00e7a e a autoestima. Mais recentemente, a Odontologia Est\u00e9tica est\u00e1 cumprindo seu papel em se preocupar com o refinamento e a beleza dos tratamentos. Consequentemente, os cirurgi\u00f5es-dentistas passam a ter o papel que eles merecem, atuando como profissionais da beleza e do bem-estar. Qual o aspecto que mais o motivou a lutar e se esfor\u00e7ar para conseguir essa carreira s\u00f3lida j\u00e1 conquistada?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A minha carreira teve in\u00edcio na Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (onde continuo at\u00e9 hoje, na gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP) e a partir de 1989, com os estudos paralelos sobre a Implantodontia. Nascido em uma escola que incentivava a busca dos \u201cporqu\u00eas\u201d por meio da pesquisa experimental, iniciei junto com os professores M\u00e1rcio Giampietro Sanches, \u00c1lvaro Bosco, Renato Rossi e minha esposa, a Dra. Mariliza Comar Astolphi de Carvalho, uma s\u00e9rie de pesquisas experimentais sobre osseointegra\u00e7\u00e3o dos implantes nacionais, com destaque para os Sistemas Conex\u00e3o e Emfils, e mais tarde, j\u00e1 nos anos 2000, com os doutorandos Ariel Lenharo, Antonio Vicente Souza Pinto e La\u00e9rcio Vasconcelos, que pesquisaram tanto em animais como em humanos a t\u00e9cnica da carga imediata. Essas pesquisas, aliadas \u00e0s pesquisas experimentais sobre biomateriais, passaram a ser expostas em eventos cient\u00edficos, procurando sempre aliar os resultados \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica e, aos poucos, a carreira foi se consolidando. Assim, a motiva\u00e7\u00e3o inicial recaiu sobre a necessidade de estudar para conhecer melhor a nova especialidade que se estabelecia no Brasil, e a sequ\u00eancia de fatos posteriores de minha carreira foram acontecendo com base, sempre, em muito trabalho de equipe, onde cada um tem grande valor, al\u00e9m do interesse em criar uma consci\u00eancia profissional respons\u00e1vel por meio do conhecimento cient\u00edfico e do estudo continuado sobre essa especialidade, a Implantodontia, que, baseada em um planejamento reverso criterioso, \u00e9 capaz de melhorar a autoestima do paciente, de melhorar sua fun\u00e7\u00e3o mastigat\u00f3ria, mas, acima de tudo, de faz\u00ea-lo sorrir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Titular da UNESP e da USP, o Prof. Dr. Paulo S\u00e9rgio Perri de Carvalho demonstra, entre suas qualidades, uma aula consistente, com palavras rigorosamente pronunciadas e em um tom de voz forte e constante.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2942,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2940","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2940\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}