{"id":2925,"date":"2017-04-10T13:30:11","date_gmt":"2017-04-10T16:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=2925"},"modified":"2020-05-29T19:23:49","modified_gmt":"2020-05-29T22:23:49","slug":"celulas-tronco-avanco-odontologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/celulas-tronco-avanco-odontologia\/","title":{"rendered":"C\u00e9lulas-tronco: um avan\u00e7o na Odontologia"},"content":{"rendered":"<h2><b>Resumo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os avan\u00e7os cient\u00edficos para a compreens\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o molecular da morfog\u00eanese do dente, da biologia das c\u00e9lulas-tronco e da biotecnologia, oferecem oportunidades para viabilizar a regenera\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> em futuro pr\u00f3ximo. As c\u00e9lulas-tronco possuem a capacidade de estimular a regenera\u00e7\u00e3o tecidual e, consequentemente, apresentam diversas perspectivas terap\u00eauticas, fato que torna poss\u00edvel sua utiliza\u00e7\u00e3o em Odontologia. Sua aplica\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o das estruturas bucais est\u00e1 cada dia mais pr\u00f3xima; por\u00e9m, muitos estudos ainda s\u00e3o necess\u00e1rios para entender o correto armazenamento e procedimentos laboratoriais adequados para a utiliza\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas, sendo necess\u00e1rio conhecer as subdivis\u00f5es celulares existentes de acordo com seu local de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-17420\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco-1024x768.jpeg\" alt=\"c\u00e9lulas-tronco\" width=\"672\" height=\"503\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco.jpeg 1024w, \/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco-300x225.jpeg 300w, \/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco-768x576.jpeg 768w, \/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas-tronco-585x439.jpeg 585w\" sizes=\"(max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9todos:<\/strong> o m\u00e9todo utilizada nesse trabalho foi a busca de artigos cient\u00edficos em revistas, livros e nas bases de dados BIREME, LILACS, PubMed e SciELO. Conclus\u00e3o: por meio dessa revis\u00e3o de literatura, buscou-se exemplificar os principais grupos celulares, suas fun\u00e7\u00f5es e dificuldades para conhecimento b\u00e1sico do cirurgi\u00e3o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentista<\/a> e sua poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave: <\/b>C\u00e9lulas-tronco. Engenharia tecidual. Reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias s\u00e3o derivadas de embri\u00f5es que se desenvolvem de \u00f3vulos fertilizados <i>in vitro<\/i>. Esses embri\u00f5es t\u00eam, tipicamente, quatro ou cinco dias de idade, e s\u00e3o vistos como uma bola oca de c\u00e9lulas chamada de blastocisto. Essas c\u00e9lulas possuem a caracter\u00edstica de se diferenciar em qualquer tipo celular, e s\u00e3o chamadas de totipotentes<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o termo pluripotente \u00e9 utilizado para descrever c\u00e9lulas-tronco derivadas das tr\u00eas camadas germinativas embrion\u00e1rias: mesoderme, ectoderme e endoderme. Os diferentes tipos de c\u00e9lulas especializadas que comp\u00f5em o corpo s\u00e3o origin\u00e1rias dessas tr\u00eas camadas. C\u00e9lulas pluripotentes possuem a capacidade de dar origem a qualquer tipo de c\u00e9lula<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chamadas c\u00e9lulas-tronco adultas s\u00e3o consideradas multipotentes, ou seja s\u00e3o c\u00e9lulas indiferenciadas, encontradas entre as c\u00e9lulas diferenciadas de um tecido ou \u00f3rg\u00e3o e podem renovar-se e diferenciar-se para produzir tipos especializados de c\u00e9lulas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentes pesquisas t\u00eam sido realizadas utilizando as terapias com c\u00e9lulas-tronco, apresentando resultados animadores no que se refere \u00e0 cura e ao tratamento sem precedentes de determinadas doen\u00e7as. A busca por formas de permitir a repara\u00e7\u00e3o tecidual, e at\u00e9 mesmo a forma\u00e7\u00e3o de tecidos novos, tem como objetivo ampliar de forma dr\u00e1stica as possibilidades terap\u00eauticas nas diferentes \u00e1reas da sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As maiores descobertas dos \u00faltimos tempos mostram que as c\u00e9lulas-tronco est\u00e3o sendo empregadas no tratamento de v\u00e1rias doen\u00e7as, como c\u00e2ncer, degenera\u00e7\u00e3o neural, recupera\u00e7\u00e3o de pacientes tetrapl\u00e9gicos e parapl\u00e9gicos, Mal de Alzeimer e, inclusive, na Odontologia<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos com as c\u00e9lulas-tronco s\u00e3o de grande interesse para a ci\u00eancia, pois possuem a capacidade de estimular a regenera\u00e7\u00e3o tecidual e, consequentemente, apresentam diversas perspectivas terap\u00eauticas, fato que torna poss\u00edvel sua utiliza\u00e7\u00e3o nas diferentes necessidades de procedimentos odontol\u00f3gicos, visando recuperar a qualidade da sa\u00fade bucal da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios fatores contribuem para a perda de dentes, entre eles: h\u00e1bitos delet\u00e9rios, defeitos gen\u00e9ticos, anomalias cong\u00eanitas ou perdas precoces causadas por trauma, doen\u00e7a periodontal e c\u00e1rie dent\u00e1ria. Atualmente, as evid\u00eancias cient\u00edficas mostram que para reabilita\u00e7\u00e3o das estruturas dent\u00e1rias perdidas, lan\u00e7a-se m\u00e3o de t\u00e9cnicas n\u00e3o biol\u00f3gicas, como as pr\u00f3teses e implantes. Outras t\u00e9cnicas para reabilita\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade bucal que evitassem complica\u00e7\u00f5es poderiam ser utilizadas com sucesso, como, por exemplo, as chamadas biol\u00f3gicas, altamente desej\u00e1veis para reposi\u00e7\u00e3o de dentes, minimizando os custos relacionados com a recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade bucal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo utilizado no presente trabalho foi a busca de artigos cient\u00edficos em revistas, livros e por meio das bases de dados BIREME, LILACS, PubMed e SciELO, objetivando revisar a literatura sobre diferentes tipos de c\u00e9lulas-tronco, demonstrando sua import\u00e2ncia na Odontologia, descrevendo, classificando os diferentes grupos, discutindo \u00e0 luz da literatura e de evid\u00eancias cient\u00edficas, buscando as mais recentes pesquisas a respeito da dificuldade de seu isolamento e potencial de utiliza\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas.<\/p>\n<h3><b>Revis\u00e3o de literatura<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou com Thomson et al.<sup>30<\/sup>, quando publicaram o primeiro isolamento de c\u00e9lulas-tronco em embri\u00f5es humanos. C\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias de rato foram isoladas<sup>31,32<\/sup> em 1981, e v\u00e1rios estudos mostraram que poderiam ser propagadas indefinidamente em cultura, mantendo sua capacidade de produzir todos os tipos de c\u00e9lulas encontradas nos ratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ferrari et al.<sup>33<\/sup> publicaram o primeiro de uma s\u00e9rie de relatos sobre a plasticidade das c\u00e9lulas-tronco adultas, desafiando a antiga cren\u00e7a de que as c\u00e9lulas-tronco adultas s\u00e3o de linhagem restrita. Na maioria desses estudos de plasticidade, geneticamente marcados a partir de c\u00e9lulas de um \u00f3rg\u00e3o de rato adulto, aparentemente deu-se origem a tipos celulares caracter\u00edsticos de outros \u00f3rg\u00e3os ap\u00f3s transplante, sugerindo que as c\u00e9lulas eram mais pl\u00e1sticas em seu potencial de desenvolvimento do que se pensava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de c\u00e9lulas-tronco adultas evitou problemas \u00e9ticos, trazendo as seguintes vantagens: as c\u00e9lulas podem ser isoladas a partir de pacientes que necessitam tratamento, evitando complica\u00e7\u00f5es de rejei\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica, e a redu\u00e7\u00e3o do risco de forma\u00e7\u00e3o de tumores, que ocorre com frequ\u00eancia elevada quando utiliza-se c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias heter\u00f3genas<sup>21<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas-tronco s\u00e3o c\u00e9lulas indiferenciadas com alta capacidade de autorrenova\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de, pelo menos, um tipo celular altamente especializado. Existem duas categorias: as embrion\u00e1rias pluripotentes e a linhagem de c\u00e9lulas unipotentes ou multipontentes, denominadas adultas ou som\u00e1ticas, que residem em tecidos diferenciados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de c\u00e9lulas-tronco com finalidade terap\u00eautica tem trazido muito interesse a v\u00e1rias \u00e1reas da sa\u00fade, incluindo a Odontologia. Com essas pesquisas e suas descobertas, novos horizontes foram abertos para a engenharia gen\u00e9tica, utilizando esses tecidos. Pesquisas na \u00e1rea de Odontologia revelam a capacidade das c\u00e9lulas-tronco na gera\u00e7\u00e3o de dentes e de outros tecidos bucais, bem como em c\u00e9lulas de tecido \u00f3sseo<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00e9lulas-tronco mesenquimais, presentes na regi\u00e3o periodontal, podem diferenciar-se dos fibroblastos, osteoblastos e cementoblastos, sendo respons\u00e1veis pelo reparo do ligamento periodontal. Um novo avan\u00e7o foi a identifica\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas-tronco adultas na polpa dent\u00e1ria com capacidade de se diferenciar em fibroblastos, componente do tecido conjuntivo, e em odontoblastos, envolvidos na forma\u00e7\u00e3o da dentina<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seo et al.<sup>9<\/sup> fizeram um estudo para isolar c\u00e9lulas-tronco em terceiros molares humanos normais coletados de adultos com 19 a 29 anos de idade. Os resultados forneceram evid\u00eancias preliminares que sugerem que as <i>dental pulp stem cells<\/i> (DPSCs) transplantadas n\u00e3o s\u00f3 podem se comprometer com a linhagem odontobl\u00e1stica, mas, tamb\u00e9m, residir na polpa, semelhantemente a tecido conjuntivo como fibroblastos e c\u00e9lulas semelhantes. Recentemente, foi relatado que genes que codificam prote\u00ednas da matriz extracelular e da dentina (Dentin Sialophosphoprotein \u2013 DSPP) podem, tamb\u00e9m, ser expressos em osso, embora em n\u00edveis baixos, mostrando, assim, que o potencial dessas c\u00e9lulas \u00e9 maior do que o esperado. Outros pesquisadores<sup>6-9<\/sup> cultivaram o mesmo tipo celular em meio indutor de mineraliza\u00e7\u00e3o semelhante, e obtiveram a forma\u00e7\u00e3o de hidroxiapatita com pequenas quantidades de carbonatos, caracter\u00edsticos de apatitas biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avan\u00e7o na ci\u00eancia vem trazendo in\u00fameros avan\u00e7os para a humanidade por meio da introdu\u00e7\u00e3o de novas vacinas e terapias, levando a um aumento da expectativa de vida e \u00e0 melhora nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade das pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas t\u00eam sido realizadas acerca da terapia com c\u00e9lulas-tronco, obtendo-se resultados animadores no que se refere \u00e0 cura e ao tratamento sem precedentes de determinadas doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia no uso de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias \u00e9 sua capacidade de prolifera\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios tipos celulares. Existem, tamb\u00e9m, algumas desvantagens, como sua instabilidade gen\u00e9tica, a obrigatoriedade de sua transplanta\u00e7\u00e3o para hospedeiros imunocomprometidos, risco de forma\u00e7\u00e3o de teratocarcinoma e de contamina\u00e7\u00e3o por meio de seu cultivo em fibroblastos de ratos<sup>10<\/sup>, al\u00e9m da quest\u00e3o \u00e9tica<sup>11<\/sup>. A possibilidade do uso das c\u00e9lulas som\u00e1ticas na reconstru\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de tecidos tem instigado novas pesquisas e tem despertado grande interesse na comunidade cient\u00edfica<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, as c\u00e9lulas som\u00e1ticas apresentam a vantagem da autogenicidade, n\u00e3o incorrendo em limita\u00e7\u00f5es morais, respondendo aos fatores de crescimento inerentes ao hospedeiro; no entanto, apresentam desvantagens, como a de n\u00e3o serem pluripotentes, a dificuldade de sua obten\u00e7\u00e3o, purifica\u00e7\u00e3o e cultivo <i>in vitro<\/i>, al\u00e9m de sua menor quantidade nos tecidos<sup>12<\/sup>. A principal fonte de c\u00e9lulas-tronco adultas \u00e9 a medula \u00f3ssea. Levando em considera\u00e7\u00e3o o n\u00edvel de plasticidade que essas c\u00e9lulas possuem, quantas diferentes vias podem seguir, e para qual por\u00e7\u00e3o de um organismo funcional que elas podem contribuir, essas c\u00e9lulas som\u00e1ticas classificam-se em multipotentes e unipotentes<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas-tronco pluripotentes podem originar tanto um organismo totalmente funcional, como qualquer tipo celular do corpo, inclusive todo o sistema nervoso central e perif\u00e9rico<sup>13<\/sup>. Entretanto, as c\u00e9lulas totipontentes s\u00e3o ef\u00eameras, necessitando, assim, serem utilizadas logo ap\u00f3s sua retirada, e desaparecem poucos dias ap\u00f3s a fertiliza\u00e7\u00e3o<sup>34<\/sup>. Apesar de existirem em menor n\u00famero e serem mais dif\u00edceis de ser isoladas, as c\u00e9lulas-tronco pluripotentes est\u00e3o presentes, tamb\u00e9m, em indiv\u00edduos adultos. Oriundas da medula \u00f3ssea, podem originar c\u00e9lulas de sangue, ossos, cartilagem, m\u00fasculos, pele e tecido conjuntivo<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas-tronco multipotentes s\u00e3o um pouco mais diferenciadas, presentes no indiv\u00edduo adulto, com capacidade de originar apenas um limitado n\u00famero de tipos teciduais. S\u00e3o designadas de acordo com o \u00f3rg\u00e3o de que derivam e podem originar somente as c\u00e9lulas daquele \u00f3rg\u00e3o, possibilitando a regenera\u00e7\u00e3o tecidual<sup>13<\/sup>. J\u00e1 as c\u00e9lulas onipotentes s\u00e3o mais f\u00e1ceis de serem isoladas e encontradas em maior n\u00famero; entretanto, originam somente um tipo celular tecidual<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, com o avan\u00e7o das pesquisas, a exist\u00eancia dessa categoria de c\u00e9lulas-tronco tem sido cada vez mais questionada, haja vista que c\u00e9lulas antes consideradas multipotentes, a exemplo das c\u00e9lulas-tronco neurais, t\u00eam se revelado pluripotentes<sup>15<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O armazenamento de c\u00e9lulas-tronco no Brasil \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, somente aquelas originadas do sangue do cord\u00e3o umbilical e placent\u00e1rio (SCUP). Esse procedimento \u00e9 regulamentado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), tendo as regras de funcionamento definidas pela Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada (RDC153\/04), nas quais est\u00e3o contempladas todas as etapas envolvidas nessa presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O banco p\u00fablico \u00e9 destinado \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de SCUP, coletado em maternidades credenciadas, para uso da popula\u00e7\u00e3o em geral, desde que haja compatibilidade. A sorologia materna positiva para qualquer doen\u00e7a que possa ser transmitida pelo sangue, inclusive IgM positiva para citomegalov\u00edrus (CMV), \u00e9, tamb\u00e9m, um fator de exclus\u00e3o para os bancos p\u00fablicos. J\u00e1 os bancos de armazenamento de SCUP privados possuem crit\u00e9rios diferentes, uma vez que o material armazenado \u00e9 para uso exclusivamente aut\u00f3logo. A capta\u00e7\u00e3o do SCUP para armazenamento privado pode ser feita em qualquer maternidade que possua licen\u00e7a sanit\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 idade materna, tamanho e peso do beb\u00ea e as amostras com sorologia positiva podem ser armazenadas se os pais assim desejarem<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sangue de cord\u00e3o umbilical e placent\u00e1rio \u00e9 conhecido como uma rica fonte de c\u00e9lulas-tronco (CT) hematopo\u00e9ticas, que podem ser utilizadas como substitutas da medula \u00f3ssea em casos de transplante. As c\u00e9lulas podem ser separadas, quantificadas, processadas e armazenadas a temperatura -196\u00baC, mantendo suas caracter\u00edsticas originais para poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o futura<sup>17<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destaca-se, tamb\u00e9m, que c\u00e9lulas-tronco p\u00f3s-natais t\u00eam sido mais utilizadas em engenharia tecidual, uma vez que elas podem ser mais facilmente isoladas e caracterizadas. \u00c9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o que essas c\u00e9lulas parecem apresentar uma certa \u201cmem\u00f3ria\u201d dos tecidos de obten\u00e7\u00e3o<sup>18<\/sup>. Dessa forma, uma c\u00e9lula de origem mesenquimal (da polpa dent\u00e1ria, por exemplo), tem maior capacidade de se diferenciar em tecidos de origem mesenquimal (polpa, dentina e osso alveolar), e assim sucessivamente<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram descobertas, basicamente, cinco popula\u00e7\u00f5es distintas a partir de tecidos dent\u00e1rios: as c\u00e9lulas-tronco da polpa dent\u00e1ria (DPSC, <i>Dental pulp stem cells<\/i>)<sup>7<\/sup>; c\u00e9lulas-tronco de dentes dec\u00edduos esfoliados (SHED, <i>Stem cells from human esfoliated deciduous teeth<\/i>)<sup>8<\/sup>; c\u00e9lulas-tronco do ligamento periodontal (PDLSC, <i>Periodontal ligament stem cells<\/i>)<sup>9<\/sup>; c\u00e9lulas progenitoras do fol\u00edculo dent\u00e1rio (DFPC, <i>Dental foliclle progenitor cells<\/i>)<sup>19<\/sup> e c\u00e9lulas-tronco da papila apical (SCAP, <i>Stem cells from the apical papilla<\/i>)<sup>20<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As DPSC s\u00e3o obtidas por um protocolo de digest\u00e3o enzim\u00e1tica. Foram as primeiras c\u00e9lulas-tronco de origem dent\u00e1ria a serem isoladas e tamb\u00e9m as que possuem maior gama de estudos no que diz respeito ao seu potencial de diferencia\u00e7\u00e3o e de regenera\u00e7\u00e3o de tecidos. Elas t\u00eam a capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o em osteoblastos, condr\u00f3citos, neur\u00f4nios, endoteli\u00f3citos e c\u00e9lulas da polpa dent\u00e1ria<sup>7,21<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As SHED s\u00e3o alcan\u00e7adas a partir de dentes dec\u00edduos, e surgem como uma alternativa terap\u00eautica bastante atraente, uma vez que cada indiv\u00edduo possuiria sua pr\u00f3pria fonte de c\u00e9lulas de reserva para a regenera\u00e7\u00e3o de tecidos dent\u00e1rios perdidos. As\u00a0SHED possuem potencial de prolifera\u00e7\u00e3o maior que o das DPSC, e h\u00e1 a comprova\u00e7\u00e3o de que se diferenciam em odontoblastos capazes de gerar dentina tubular e c\u00e9lulas endoteliais vasculares, neur\u00f4nios e tecidos semelhantes \u00e0 polpa dent\u00e1ria<sup>22,23<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As PDLSC s\u00e3o obtidas do ligamento periodontal, possuindo grande capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o em tecidos do periodonto de suporte e demonstraram potencial para se diferenciar em condr\u00f3citos, adip\u00f3citos e osteoblastos<sup>24<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As DFPC s\u00e3o origin\u00e1rias do tecido que envolve o germe dent\u00e1rio em desenvolvimento. As c\u00e9lulas progenitoras do fol\u00edculo dent\u00e1rio surgem, tamb\u00e9m, com grande potencial terap\u00eautico de apresentar diferencia\u00e7\u00e3o devido ao tecido do qual s\u00e3o extra\u00eddas<sup>19<\/sup>. Possuem capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o em oste\u00f3citos, adip\u00f3citos, condr\u00f3citos e ligamento periodontal. Estudos recentes mostram que essas c\u00e9lulas s\u00e3o capazes de promover regenera\u00e7\u00e3o tecidual \u00f3ssea e periodontal<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As SCAP s\u00e3o obtidas da papila dent\u00e1ria. Esse tecido pode ser encontrado, tamb\u00e9m, em dentes saud\u00e1veis que ainda n\u00e3o possuem a forma\u00e7\u00e3o completa da raiz. Por ser ainda um tecido n\u00e3o diferenciado, acredita-se que as SCAP possuam um potencial de diferencia\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o ainda maior que as DPSC e SHED. Isso pode ser verificado por dados da literatura, que mostraram capacidade de forma\u00e7\u00e3o de raiz completa (polpa, dentina, cemento e ligamento periodontal) em casos de apicig\u00eanese<sup>26<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda h\u00e1 um longo percurso no uso cl\u00ednico das c\u00e9lulas-tronco, mesmo com a variedade de fontes para obten\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e seu potencial regenerativo. Quando utilizadas, as c\u00e9lulas-tronco dever\u00e3o ser as mais adequadas para cada tecido a ser originado. No\u00a0caso de regenera\u00e7\u00e3o de tecidos de suporte do dente, a literatura sugere o uso das PDLSC ou SCAP<sup>20<\/sup>. Para regenerar uma polpa dent\u00e1ria funcional, principalmente com vistas ao fechamento do \u00e1pice de dentes jovens endodonticamente tratados, c\u00e9lulas como as SHED e\/ou DPSC t\u00eam mostrado excelente potencial. Essas c\u00e9lulas expressam genes marcadores de diferencia\u00e7\u00e3o odontobl\u00e1stica e formam tecidos muito semelhantes \u00e0 polpa dent\u00e1ria<sup>22<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que tudo isso ocorra, essas c\u00e9lulas necessitam de um microambiente adequado e espec\u00edfico para induzir sua diferencia\u00e7\u00e3o. Para a aplica\u00e7\u00e3o em Odontologia, a diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas nos diferentes tecidos depende de estruturas, como hidroxiapatita ou dentina<sup>23<\/sup>. Outro ponto a ser analisado \u00e9 que a aplica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas-tronco com finalidade terap\u00eautica em humanos necessitar\u00e1 do desenvolvimento e caracteriza\u00e7\u00e3o de matrizes que sejam adequadas<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o restam d\u00favidas de que a Odontologia est\u00e1 caminhando para terapias regenerativas com indutores biol\u00f3gicos de repara\u00e7\u00e3o tecidual. Logo, tanto cl\u00ednicos quanto pesquisadores ter\u00e3o que se capacitar com conceitos b\u00e1sicos de Biologia molecular e celular para terem condi\u00e7\u00f5es de aplicar tecnologias e estrat\u00e9gias mais avan\u00e7adas de tratamento. Com essa nova t\u00e9cnica, teremos capacidade de tratar condi\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as da cavidade bucal e do complexo craniofacial que hoje s\u00e3o intrat\u00e1veis.<\/p>\n<h2><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Slack<sup>1<\/sup>, Harada<sup>3<\/sup>, Risbud<sup>12<\/sup>, Gronthos<sup>5<\/sup>, Miura<sup>8<\/sup> e Huang<sup>26<\/sup> concordam que, independentemente do s\u00edtio de obten\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas utilizadas, elas apresentam um grande potencial para forma\u00e7\u00e3o de estruturas bucais, incluindo o germe dent\u00e1rio. No entanto, afirmam serem necess\u00e1rios mais estudos cl\u00ednicos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Filipe Leonardo Stringari<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Email: filipestringari@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Os avan\u00e7os cient\u00edficos para a compreens\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o molecular da morfog\u00eanese do dente, da biologia das c\u00e9lulas-tronco e da biotecnologia, oferecem oportunidades para viabilizar a regenera\u00e7\u00e3o de dentes em futuro pr\u00f3ximo. As c\u00e9lulas-tronco possuem a capacidade de estimular a regenera\u00e7\u00e3o tecidual e, consequentemente, apresentam diversas perspectivas terap\u00eauticas, fato que torna poss\u00edvel sua utiliza\u00e7\u00e3o em<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":17420,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}