{"id":2820,"date":"2013-12-30T12:51:32","date_gmt":"2013-12-30T15:51:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=2820"},"modified":"2014-01-27T11:01:30","modified_gmt":"2014-01-27T14:01:30","slug":"correlacao-densidade-ossea-alveolar-sistemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/correlacao-densidade-ossea-alveolar-sistemica\/","title":{"rendered":"Existe correla\u00e7\u00e3o entre a densidade \u00f3ssea alveolar e a sist\u00eamica?"},"content":{"rendered":"<p><b>Objetivo:<\/b> avaliar a correla\u00e7\u00e3o entre a densidade \u00f3ssea alveolar maxilomandibular e a densidade mineral \u00f3ssea sist\u00eamica.<\/p>\n<p><b>M\u00e9todos:<\/b> a absorciometria duoenerg\u00e9tica por raios X do osso alveolar maxilomandibular (regi\u00e3o anterior e posterior), dos s\u00edtios sist\u00eamicos padr\u00f5es (coluna lombar e f\u00eamur) e da terceira v\u00e9rtebra cervical foi realizada em 23 mulheres de meia idade. Radiografias periapicais dos incisivos superiores tamb\u00e9m foram obtidas com uma escala de alum\u00ednio como refer\u00eancia para a leitura <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-alinhadores-e-ortodontia-digital-2\/\">digital<\/a> da densidade \u00f3ssea da regi\u00e3o apical.<\/p>\n<p><b>Resultados:<\/b> o teste de correla\u00e7\u00e3o de Spearman revelou que a densidade da regi\u00e3o apical foi correlacionada com a do colo femoral (r\u00a0=\u00a00,433; p\u00a0&lt;\u00a00,05), a densidade \u00f3ssea da regi\u00e3o posterior mandibular e maxilar foram significativamente correlacionadas com a DMO da v\u00e9rtebra cervical (r = 0,554, p \u2264 0,01; e r = 0,423, p \u2264 0,05) e a da regi\u00e3o maxilar anterior foi correlacionada com a mandibular posterior (r = 0,488, p \u2264 0,05).<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o:<\/b> a densidade \u00f3ssea alveolar maxilar foi significativamente correlacionada com a do colo femoral. Entre as densidades \u00f3sseas das regi\u00f5es alveolares, somente a anterior maxilar (AMx) e posterior mandibular (PMd) foram significativamente correlacionadas. Esse achado sugere que a densitometria \u00f3ssea deveria ser individual e localmente avaliada.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Densidade \u00f3ssea. Radiografia dent\u00e1ria. Densitometria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Na Odontologia, considera-se a necessidade de reflex\u00e3o sobre a varia\u00e7\u00e3o da massa \u00f3ssea maxilomandibular e as diferentes respostas aos procedimentos odontol\u00f3gicos, como o movimento ortod\u00f4ntico, instala\u00e7\u00e3o de implantes e tratamento periodontal<sup>1-13<\/sup>. Indiv\u00edduos adultos saud\u00e1veis ou com altera\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas, como a osteoporose (ainda que sob terapia medicamentosa), s\u00e3o os principais alvos dessas pesquisas, haja vista que esses t\u00eam buscado cada vez mais o tratamento odontol\u00f3gico nas diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Embora haja um padr\u00e3o ouro para a avalia\u00e7\u00e3o da perda \u00f3ssea sist\u00eamica, n\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o de valores normativos para maxila e\/ou mand\u00edbula. Resultados divergentes t\u00eam sido encontrados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 correla\u00e7\u00e3o entre a massa \u00f3ssea sist\u00eamica (coluna, f\u00eamur e r\u00e1dio) e a maxilomandibular.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos<sup>6,14-19<\/sup> conclu\u00edram que a avalia\u00e7\u00e3o de alguns padr\u00f5es morfol\u00f3gicos observados nos exames radiogr\u00e1ficos odontol\u00f3gicos, como a espessura da cortical mandibular, o padr\u00e3o trabecular, \u00edndice cortical e densidade \u00f3ptica, s\u00e3o ferramentas promissoras como auxiliares do diagn\u00f3stico em osteoporose. Hildebolt<sup>20<\/sup>, em uma revis\u00e3o da literatura, revelou que, embora nem todos os estudos tenham encontrado associa\u00e7\u00e3o entre osteoporose e perda \u00f3ssea dos maxilares, essa rela\u00e7\u00e3o pode existir.<\/p>\n<p>Tanaka et al.<sup>13<\/sup> analisaram histomorfometricamente as mudan\u00e7as estruturais do trabeculado \u00f3sseo mandibular em ratas ovariectomizadas. Os autores observaram que as mudan\u00e7as osteopor\u00f3ticas causadas pela defici\u00eancia de estr\u00f3geno e o aumento significativo nos espa\u00e7os intertrabeculares do osso alveolar poderiam acelerar a reabsor\u00e7\u00e3o do osso alveolar e a perda dent\u00e1ria. Esse fato pode ser especialmente relevante em mulheres de maior idade afetadas por doen\u00e7a periodontal. Entretanto, Miyauchi<sup>11<\/sup> n\u00e3o observou diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre as densidades em mulheres com periodontite na pr\u00e9 e na p\u00f3s-menopausa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na comunidade ortod\u00f4ntica, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s prov\u00e1veis diferen\u00e7as biol\u00f3gicas em resposta \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica. Uma s\u00e9rie de estudos tem investigado o efeito do desequil\u00edbrio hormonal no metabolismo \u00f3sseo e sua influ\u00eancia no movimento ortod\u00f4ntico, enquanto outros t\u00eam pesquisado as consequ\u00eancias da administra\u00e7\u00e3o de determinadas subst\u00e2ncia qu\u00edmicas<sup>21<\/sup>. A taxa de remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea \u00e9 aumentada em ratos com osteoporose induzida, o que pode potencializar a movimenta\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica<sup>1,2<\/sup>. Esses achados corroboram o movimento mais r\u00e1pido encontrado em c\u00e3es com alto <i>turnover<\/i> \u00f3sseo causado por hiperparatireoidismo secund\u00e1rio<sup>22<\/sup>, e em coelhos submetidos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de osteoporose induzida pela aplica\u00e7\u00e3o de corticoides<sup>23<\/sup>.<\/p>\n<p>Considerando a car\u00eancia de estudos sobre esse assunto e a diverg\u00eancia dos resultados encontrados, o objetivo do presente estudo foi acessar as correla\u00e7\u00f5es da densidade mineral \u00f3ssea entre o osso alveolar maxilomandibular e a regi\u00e3o apical dos incisivos superiores, do f\u00eamur, da coluna lombar e da coluna cervical.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MATERIAL E M\u00e9todos<\/strong><\/p>\n<p>A amostra foi composta por 23 mulheres com idade entre 32,6 e 48,3 anos (m\u00e9dia de 40,2 anos). Um consentimento esclarecido e assinado, a presen\u00e7a da maioria dos dentes nas arcadas dent\u00e1rias, aus\u00eancia de tratamento ortod\u00f4ntico pr\u00e9vio e aus\u00eancia de hist\u00f3ria de osteoporose e hiperparatireoidismo, foram os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os procedimentos foram devidamente aprovados pelo Comit\u00ea Permanente de \u00c9tica em Pesquisa da Universidade Estadual de Maring\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2830 aligncenter\" alt=\"v18_n05_78_fig01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig01.jpg\" width=\"800\" height=\"360\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig01-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As volunt\u00e1rias foram submetidas ao exame de absorciometria duoenerg\u00e9tica por raios X (DXA), realizado por um densit\u00f4metro Lunar Prodigy 8743 (GE Medical Systems).<\/p>\n<p>Leituras densitom\u00e9tricas foram obtidas das seguintes regi\u00f5es: f\u00eamur total (FT), colo femoral (CF), primeira a quarta v\u00e9rtebra lombar (L1-L4), terceira v\u00e9rtebra cervical (C3), osso alveolar distal ao segundo molar inferior (PMd), osso alveolar entre as corticais da s\u00ednfise mandibular (AMd), osso alveolar apical aos incisivos centrais superiores (AMx) e osso alveolar distal ao segundo molar superior (PMx) (Fig.\u00a01). Os valores densitom\u00e9tricos foram expressos quanto \u00e0 quantidade de c\u00e1lcio hidroxiapatita em gramas por cent\u00edmetro quadrado (g\/cm<sup>2<\/sup>).<\/p>\n<p>Os exames para a \u00e1rea femoral e lombar seguiram um protocolo-padr\u00e3o, reconhecido internacionalmente. Os\u00a0exames para as \u00e1reas cervical e maxilomandibulares foram obtidos com a volunt\u00e1ria em posi\u00e7\u00e3o de dec\u00fabito ventral, com a face esquerda encostada sobre a mesa do\u00a0equipamento, de modo que o feixe radiogr\u00e1fico incidisse perpendicularmente ao plano sagital<sup>6,24<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2831 aligncenter\" alt=\"v18_n05_78_fig02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig02.jpg\" width=\"400\" height=\"361\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig02.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_fig02-300x270.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As radiografias periapicais dos incisivos superiores foram obtidas com o aparelho radiogr\u00e1fico (RX Timex 70 C, Gnatus, Ribeir\u00e3o Preto\/SP) operando com 70kVp, 7mA e tempo de exposi\u00e7\u00e3o de 0,25 segundos. Uma escala de alum\u00ednio (escala Al) 2\u00a0x\u00a020\u00a0x\u00a03,5mm com cinco degraus foi aderida na regi\u00e3o apical, perpendicular \u00e0 pel\u00edcula (Agfa Dentus M2 Comfort). Para processar as radiografias, foram utilizadas solu\u00e7\u00f5es tipo revelador e fixador Kodak (Kodak do Brasil, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos\/SP). Essas foram processadas manualmente utilizando o m\u00e9todo tempo-temperatura. O tempo de revela\u00e7\u00e3o foi determinado por uma tabela ap\u00f3s verificar-se a temperatura do l\u00edquido (dois minutos no revelador com temperatura entre 20 a 26\u00b0C); a lavagem intermedi\u00e1ria foi padronizada em 30 segundos e o tempo de fixa\u00e7\u00e3o em 10 minutos<sup>25<\/sup>. As imagens radiogr\u00e1ficas foram digitalizadas por um <i>scanner<\/i> com 400ppi de resolu\u00e7\u00e3o (ArtixScan 18000F, Microtek, S\u00e3o Paulo\/SP).<\/p>\n<p>Com a ferramenta histograma do programa Adobe Photoshop CS2, delimitou-se uma regi\u00e3o de interesse (RDI) em forma trapezoidal no osso alveolar ao redor do \u00e1pice de cada incisivo central superior, e estimou-se a densidade \u00f3ptica dessas regi\u00f5es em tons de cinza. Os tons de cinza medidos pelo programa variam de zero a 255; portanto, 256 diferentes tons s\u00e3o reconhecidos pelo programa, no qual o valor zero representa o preto e o valor 256 representa o branco.<\/p>\n<p>Cada RDI consistiu de, aproximadamente, 2.000 <i>pixels<\/i>, de modo a n\u00e3o incluir as ra\u00edzes, l\u00e2mina dura e espinha nasal. A leitura digital de cada degrau foi feita selecionando uma RDI retangular com, aproximadamente, 2.500 <i>pixels<\/i> (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p>Utilizando a densidade \u00f3ptica da escala de alum\u00ednio, a densidade \u00f3ptica m\u00e9dia do osso entre ambos os incisivos centrais p\u00f4de ser transformada em mil\u00edmetros equivalentes de alum\u00ednio (mmEq\/Al). Dessa forma, uma estimativa da massa \u00f3ssea alveolar maxilar anterior (IS_mmEq\/Al) foi obtida.<\/p>\n<p>Todas as mensura\u00e7\u00f5es foram realizadas duas vezes por um mesmo examinador, com 15 dias de intervalo entre as leituras. A confiabilidade intraexaminador foi avaliada estatisticamente analisando-se a diferen\u00e7a entre as mediadas duplicadas nas imagens radiogr\u00e1ficas e densitom\u00e9tricas de cada paciente. O erro do m\u00e9todo foi calculado pela f\u00f3rmula de Dahlberg:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na equa\u00e7\u00e3o, \u201cd\u201d \u00e9 a diferen\u00e7a entre os pares de medidas e \u201cn\u201d \u00e9 o n\u00famero de pares de medidas<sup>15<\/sup>. O teste <i>t<\/i> de Student tamb\u00e9m foi aplicado: tons de cinza_IS (p\u00a0=\u00a00,96), tons de cinza_1\u00ba degrau (p\u00a0=\u00a00,92), 2\u00ba (p\u00a0=\u00a00,95), 3\u00ba (p\u00a0=\u00a00,94), 4\u00ba (p\u00a0=\u00a00,97), 5\u00ba (p\u00a0=\u00a00,93). Embora, estatisticamente, n\u00e3o tenha havido diferen\u00e7a entre a primeira e a segunda mensura\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dia de cada vari\u00e1vel foi aplicada nos subsequentes testes estat\u00edsticos para amenizar o erro aleat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O examinador realizou as mensura\u00e7\u00f5es sem o conhecimento da identifica\u00e7\u00e3o das volunt\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Analise estat\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>O teste de correla\u00e7\u00e3o de Spearman foi aplicado entre todas as vari\u00e1veis (FT, CF, L1-L4, C3, PMd, AMd, PMx, AMx e IS). Esse teste n\u00e3o param\u00e9trico foi escolhido pelo tamanho reduzido da amostra e pela distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o normal dos dados (testes de Shapiro-Wilk e de Kolmogorov-Smirnov). Foram utilizados, para a an\u00e1lise estat\u00edstica, os <i>softwares<\/i> Excel 2007 (Microsoft, EUA) e SPSS 10.0 (SPSS Inc., Chicago, EUA).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>A Tabela\u00a01 apresenta a m\u00e9dia e o desvio-padr\u00e3o da idade das participantes, valores densitom\u00e9tricos das oito regi\u00f5es acessadas pela DXA (f\u00eamur total, colo femoral, coluna lombar, v\u00e9rtebra cervical, osso alveolar das regi\u00f5es anterior e posterior da maxila e mand\u00edbula), bem como as densidades digitais do processo alveolar da regi\u00e3o apical dos incisivos superiores.<\/p>\n<p>A Tabela\u00a02 mostra a matriz de correla\u00e7\u00e3o dos valores densitom\u00e9tricos de todas as regi\u00f5es avaliadas (FT, CF, L1-L4, C3, PMd, AMd, PMx, AMx e IS). Houve correla\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre IS e CF (r\u00a0=\u00a00,433; p\u00a0&lt;\u00a00,05).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Assim como na presente pesquisa, outros estudos tamb\u00e9m encontraram correla\u00e7\u00e3o entre a DMO sist\u00eamica e a massa \u00f3ssea alveolar avaliada por radiografias periapicais e obtida em mmEqAl<sup>15,19,26,27<\/sup>.<\/p>\n<p>O osso trabecular \u00e9 o mais suscet\u00edvel a perda mineral<sup>28<\/sup>. Portanto, a avalia\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es que t\u00eam maior quantidade desse tipo de osso \u00e9 importante para o entendimento da rela\u00e7\u00e3o entre a condi\u00e7\u00e3o \u00f3ssea sist\u00eamica e bucal<sup>26<\/sup>. A mand\u00edbula \u00e9 um osso predominantemente cortical, portanto, deveria ser comparada com outros ossos corticais, como r\u00e1dio e f\u00eamur. A maxila, um osso dominantemente trabecular, deveria ser comparada \u00e0 coluna e ao colo do f\u00eamur<sup>29<\/sup>.<\/p>\n<p>De acordo com esse proposto, em um estudo prospectivo de 10 anos, altera\u00e7\u00f5es \u00f3sseas mandibulares foram correlacionadas com mudan\u00e7as da DMO do r\u00e1dio e ulna<sup>19<\/sup>. Al\u00e9m disso, a DMO da regi\u00e3o anterior da maxila teve correla\u00e7\u00e3o significativa com a DMO da coluna lombar (r\u00a0=\u00a00,6; p\u00a0&lt;\u00a00,05)<sup>30<\/sup>. No presente estudo, houve correla\u00e7\u00e3o significativa entre a densidade \u00f3ssea do colo femoral e do osso alveolar da regi\u00e3o apical dos incisivos centrais superiores (r\u00a0=\u00a00,433; p\u00a0&lt;\u00a00,05).<\/p>\n<p>Klemetti et al.<sup>31<\/sup> encontraram uma consider\u00e1vel correla\u00e7\u00e3o entre a DMO da cortical mandibular distal ao forame mentoniano, determinada pela tomografia computadorizada e pela DMO do colo femoral e coluna lombar; no entanto, n\u00e3o houve correla\u00e7\u00e3o entre as por\u00e7\u00f5es trabeculares mandibulares.<\/p>\n<p>O presente estudo revelou uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre a DMO da v\u00e9rtebra C3 e a DMO sist\u00eamica (f\u00eamur total, colo femoral, coluna lombar) e a regi\u00e3o alveolar posterior maxilar (r\u00a0=\u00a00,466, p\u00a0\u2264\u00a00,05), corroborando estudo pr\u00e9vio<sup>32<\/sup>, que tamb\u00e9m encontrou uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre a terceira v\u00e9rtebra cervical e f\u00eamur total (r\u00a0=\u00a00,63, p\u00a0\u2264\u00a00,001)<sup>32<\/sup>. Poucos estudos acessaram a DMO da coluna cervical e tamb\u00e9m encontraram uma correla\u00e7\u00e3o fraca ou ausente com a DMO mandibular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_tab01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2832 aligncenter\" alt=\"v18_n05_78_tab01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_tab01.jpg\" width=\"800\" height=\"446\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_tab01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_78_tab01-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Southard et al.<sup>26<\/sup> relataram que a DMO do processo alveolar maxilar correlacionou-se com a DMO da coluna lombar (r\u00a0=\u00a00,53; p\u00a0\u2264\u00a00,001) e do f\u00eamur (r\u00a0=\u00a00,39; p\u00a0=\u00a00,01), enquanto no presente estudo a DMO do processo alveolar da maxila foi correlacionada com a do colo femoral (r\u00a0=\u00a00,433; p\u00a0&lt;\u00a00,05). Ambos os estudos relataram aus\u00eancia de correla\u00e7\u00e3o entre DMO mandibular e DMO sist\u00eamica. Os autores tamb\u00e9m reportaram correla\u00e7\u00e3o entre a DMO maxilar e mandibular (r\u00a0=\u00a00,57; p\u00a0\u2264\u00a00,001), enquanto o presente estudo encontrou correla\u00e7\u00e3o entre a DMO maxilar anterior e mandibular posterior (r\u00a0=\u00a00,488; p\u00a0&lt;\u00a00,05). As diverg\u00eancias dos resultados encontrados podem ser explicadas, em parte, pelas diferen\u00e7as de m\u00e9todo para obten\u00e7\u00e3o da DMO dos maxilares. No presente estudo, a radiografia periapical foi feita apenas na regi\u00e3o anterior da maxila, e as demais regi\u00f5es maxilomandibulares (PMd, AMd, AMx, PMx) foram acessadas pelo densit\u00f4metro DXA. J\u00e1 no estudo de Southard et al.<sup>26<\/sup>, as densidades maxilares e mandibulares foram acessadas por radiografias periapicais da regi\u00e3o anterior e interproximais da regi\u00e3o posterior. Al\u00e9m disso, consideraram para as an\u00e1lises de correla\u00e7\u00e3o o valor m\u00e9dio calculado entre todas as regi\u00f5es interproximais dispon\u00edveis (mesiais ao segundo molar), tanto para maxila quanto para mand\u00edbula.<\/p>\n<p>Lindh et al.<sup>30<\/sup> demonstraram que, embora a densidade \u00f3ssea da regi\u00e3o anterior da maxila e a densidade \u00f3ssea sist\u00eamica possam ser semelhantes, mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para investigar essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Corten et al.<sup>24<\/sup> encontraram um coeficiente de varia\u00e7\u00e3o de 0,5% em <i>ex vivo<\/i> e 3% <i>in vivo<\/i> dos valores densitom\u00e9tricos mandibulares obtidos pela DXA<sup>25<\/sup>. Os autores salientaram que um <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">aperfei\u00e7oamento<\/a> poderia ser obtido por medidas repetidas, j\u00e1 que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o X \u00e9 baixa. Entretanto, von Wowern<sup>34<\/sup> encontrou alta precis\u00e3o da DXA, tanto na mand\u00edbula quanto na maxila.<\/p>\n<p>A radiografia periapical nos permite selecionar a RDI com maior precis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 DXA, favorecendo a sele\u00e7\u00e3o do osso alveolar trabecular, evitando a crista, l\u00e2mina dura, raiz dent\u00e1ria e outras estruturas; por\u00e9m, ambos os m\u00e9todos n\u00e3o proporcionam a avalia\u00e7\u00e3o discriminada do osso cortical e trabecular, como \u00e9 realizado nas tomografias computadorizadas. Portanto, estudos com o objetivo de avaliar a densidade \u00f3ssea para instala\u00e7\u00e3o de implantes<sup>8,30<\/sup>, ou at\u00e9 mesmo mini-implantes ortod\u00f4nticos<sup>35<\/sup>, utilizam os exames tomogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Corroborando a conclus\u00e3o de que a DMO de um s\u00edtio n\u00e3o necessariamente reflete na densidade de outro<sup>6,8,30<\/sup>, dentre as regi\u00f5es maxilomandibulares, apenas a AMx e PMd correlacionaram-se. O maior valor densitom\u00e9trico m\u00e9dio foi da AMd (1,458g\/cm<sup>2<\/sup>), seguida da AMx (1,401g\/cm<sup>2<\/sup>), PMx (1,008g\/cm<sup>2<\/sup>) e PMd (0,958g\/cm<sup>2<\/sup>). Oliveira et al.<sup>8<\/sup> encontraram maior DMO para a regi\u00e3o mandibular anterior, seguida da maxilar anterior, mandibular posterior e maxilar posterior, obtidas por avalia\u00e7\u00e3o tomogr\u00e1fica computadorizada.<\/p>\n<p>Em um estudo tomogr\u00e1fico mais detalhado<sup>35<\/sup>, foi verificado que a densidade \u00f3ssea tende a diminuir com o aumento da profundidade, particularmente na regi\u00e3o posterior. A densidade \u00f3ssea m\u00e9dia mostrou um progressivo aumento da regi\u00e3o posterior para anterior, exceto para as regi\u00f5es vestibulares mandibular, que n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7a significativa. Uma compara\u00e7\u00e3o entre as faces vestibulares e linguais na mand\u00edbula mostrou maiores valores densitom\u00e9tricos para a regi\u00e3o anterior por lingual, e vice-versa para a regi\u00e3o posterior. Por outro lado, n\u00e3o houve diferen\u00e7a entre as faces vestibulares e linguais na maxila. Uma compara\u00e7\u00e3o da densidade \u00f3ssea m\u00e9dia entre a maxila e a mand\u00edbula mostrou maiores valores para mand\u00edbula, e essas diferen\u00e7as foram mais significativas para a regi\u00e3o posterior por vestibular. Os autores conclu\u00edram que as diferen\u00e7as das densidades \u00f3sseas, de acordo com a profundidade e regi\u00e3o, deveriam ser consideradas para sele\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o dos mini-implantes para ancoragem ortod\u00f4ntica.<\/p>\n<p>Embora v\u00e1rios estudos tenham encontrado correla\u00e7\u00e3o entre a massa \u00f3ssea alveolar maxilomandibular e a DMO sist\u00eamica (coluna lombar, f\u00eamur total, colo femoral e r\u00e1dio), h\u00e1 diverg\u00eancias entre os m\u00e9todos utilizados e a correla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica das regi\u00f5es avaliadas. Portanto, estudos adicionais s\u00e3o requeridos para que seja estabelecido um m\u00e9todo padronizado com valores densitom\u00e9tricos alveolares normativos para o estabelecimento dessas correla\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com base nos resultados do presente estudo, conclui-se que:<\/p>\n<p>\u00bb A densidade \u00f3ssea alveolar maxilar foi correlacionada com a densidade \u00f3ssea do colo femoral.<\/p>\n<p>\u00bb Entre as densidades \u00f3sseas das regi\u00f5es alveolares, somente a maxila anterior (AMx) e a mand\u00edbula posterior (PMd) correlacionaram-se.<\/p>\n<p>Diante disso, sugere-se que exames densitom\u00e9tricos sejam realizados individualmente para cada regi\u00e3o alveolar de interesse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo:<\/b> Scheibel PC, Ramos AL, Iwaki LCV. Is there correlation between alveolar and systemic bone density? Dental Press J Orthod. 2013 Sept-Oct;18(5):78-83.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Enviado em:<\/b> 22 de junho de 2011 &#8211; <b>Revisado e aceito:<\/b> 08 de novembro de 2011<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia:<\/b> Paula Cabrini Scheibel<\/p>\n<p>Av. Dr Luiz Teixeira Mendes, 2266 \u2013 Maring\u00e1\/PR<\/p>\n<p>CEP: 87015-001 \u2013 E-mail: pscheibel13@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Odontologia, considera-se a necessidade de reflex\u00e3o sobre a varia\u00e7\u00e3o da massa \u00f3ssea maxilomandibular e as diferentes respostas aos procedimentos odontol\u00f3gicos, como o movimento ortod\u00f4ntico, instala\u00e7\u00e3o de implantes e tratamento periodontal.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2831,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2820\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}