{"id":27965,"date":"2020-04-14T12:13:27","date_gmt":"2020-04-14T15:13:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=27965"},"modified":"2020-04-14T12:13:27","modified_gmt":"2020-04-14T15:13:27","slug":"experiencias-que-transformam-daniela-garib-na-floresta-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/experiencias-que-transformam-daniela-garib-na-floresta-amazonica\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancias que transformam: Daniela Garib na Floresta Amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Professora Daniela Garib viajou para a Floresta Amaz\u00f4nica e relata um pouco da experi\u00eancia que teve. Conhe\u00e7a a maior floresta do mundo pelos olhos da Dr\u00aa. Garib<\/em><\/h2>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27966 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica.png\" alt=\"Floresta Amaz\u00f4nica\" width=\"523\" height=\"523\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica.png 1000w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-300x300.png 300w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-150x150.png 150w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-768x768.png 768w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-585x585.png 585w\" sizes=\"(max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><\/p>\n<p>Nunca, talvez, algu\u00e9m definisse t\u00e3o bem o que \u00e9 viajar, como <a href=\"https:\/\/www.revistabula.com\/2329-os-10-melhores-poemas-de-mario-quintana\/\">Mario Quintana<\/a>, atrav\u00e9s do ep\u00edlogo &#8220;Viajar \u00e9 trocar a roupa da alma&#8221;. As experi\u00eancias que extrapolam o corriqueiro, comum ao cotidiano, s\u00e3o ferramentas que somente as viagens podem trazer a um indiv\u00edduo. Quem leu as Aventuras de Tintim &#8211; do c\u00e9lebre quadrinista belga Georges Prosper Remi, o Herg\u00e8 -, e n\u00e3o se imaginou a desvendar os mist\u00e9rios do mundo, em diferentes paisagens? Quem leu &#8220;Volta ao mundo em 80 dias&#8221; &#8211; um dos maiores romances da hist\u00f3ria da literatura, escrito pelo franc\u00eas J\u00falio Verne -, e n\u00e3o se imaginou com Mr. Phileas Fogg e Jean Passepartout, em uma aventura errante a fim de quebrar a rotina meticulosamente a eles imposta?<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/o-que-fazer-hoje-para-se-resguardar-da-crise-amanha\/\">O que fazer hoje para se resguardar da crise amanh\u00e3?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Para tanto, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ir muito longe: sair de Londres, ou da B\u00e9lgica, e se enroscar pelos inoportunos do destino. Viajar \u00e9 uma quest\u00e3o de simplesmente &#8220;estar&#8221;. Tragar cada informa\u00e7\u00e3o, ou experi\u00eancia, e fazer com que ela perpetue na pr\u00f3pria consci\u00eancia, mesmo que as arestas do tempo teimem em apagar os v\u00e9rtices da mem\u00f3ria. Viajar \u00e9 celebrar a vida em novas paisagens e combater os anseios que trazem os medos do desconhecido. \u00c9 se libertar. \u00c9 se permitir.<\/p>\n<p>A professora Daniela Garib fez, com a fam\u00edlia, um passeio pela Floresta Amaz\u00f4nica. Entre os nasceres e poentes do sol, entre as \u00e1guas dos rios Negro e Solim\u00f5es, e as aldeias ind\u00edgenas com toda a eleg\u00e2ncia de uma vida simples, ela registrou em imagens e texto a experi\u00eancia que teve na maior floresta do mundo. Voc\u00ea confere, abaixo, um pouco do que viveu a Dr\u00aa\u00a0 Garib e seus familiares em um &#8220;Di\u00e1rio de Bordo&#8221;. De fato, a Floresta Amaz\u00f4nica &#8211; para al\u00e9m de Herg\u00e8 ou Vernes &#8211; \u00e9 uma experi\u00eancia que transforma.<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 1. <\/strong><\/h2>\n<p>T\u00e3o pouco sobre a Amaz\u00f4nia escutei durante minha vida. Tirando os cadernos de geografia e os programas do Fant\u00e1stico que assistia na inf\u00e2ncia com a minha fam\u00edlia no Domingo \u00e0 noite, n\u00e3o sabia muito sobre nossa exuberante floresta. Talvez porque poucos amigos j\u00e1 a visitaram. Talvez porque n\u00e3o haja um incentivo tur\u00edstico para aquele lugar m\u00e1gico (o que nos parece um sacril\u00e9gio). O fato \u00e9 que o nosso interesse pelo Amazonas apenas foi despertado por amigos e ex-alunos nativos de Manaus. Celso, Fernando, Savana e N\u00faria nos despertaram o desejo de conhecer os mist\u00e9rios de nossa selva. E chegou a hora de desafiar os medos, os mitos e conceitos pr\u00e9-concebidos para nos deliciarmos com os encantos de nosso pa\u00eds. Mois\u00e9s nos pegou no Hotel em Manaus, no meio da tarde, com uma caminhonete. A partir dali n\u00e3o nos preocupamos com mais nada \u2013 sab\u00edamos pouco sobre o que vinha pela frente. Mois\u00e9s noticiou que o primeiro passeio da expedi\u00e7\u00e3o seria o encontro dos rios Negro e Solim\u00f5es. Quando a lancha parou sobre o limite entre as \u00e1guas escuras e barrentas do maior rio do mundo, o rio Amazonas, voc\u00ea \u00e9 tomado por uma certa excita\u00e7\u00e3o. \u00c9 incr\u00edvel n\u00e3o haver uma transi\u00e7\u00e3o, uma mistura. Rio Negro e Solim\u00f5es s\u00e3o individualizados na cor, temperatura, velocidade. Laurinha lembrou da escola \u2013 j\u00e1 tinha aprendido sobre o encontro das \u00e1guas. Que bom prover uma aula pr\u00e1tica desse calibre \u00e0s meninas<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 2. <\/strong><\/h2>\n<p>Pertinho do encontro das \u00e1guas visitamos um local de cria\u00e7\u00e3o do peixe Pirarucu. Uma esta\u00e7\u00e3o flutuante com 3 tanques repletos de peixes. Joaquim, o encantador de Pirarucu que n\u00e3o tinha mais que 18 anos, brincou com eles aproximando seu bon\u00e9 da \u00e1gua. Eles responderam imediatamente e levamos um susto! Aceitamos o desafio de brincar de pesc\u00e1-los! Os peixes puxaram a isca com uma for\u00e7a que deu medo. De toda a fam\u00edlia Helena \u00e9 que conseguiu erguer o peix\u00e3o mais alto! Me diverti observando-os enfileirados na borda do tanque \u2013 todos aguardavam um peixe que n\u00e3o foi arremessado. Nos despedimos de Joaquim para apreciar, da lancha em movimento, o p\u00f4r-do-sol mais glamoroso desse Brasil. Chegamos \u00e0 nossa pousada \u00e0 noite. Mois\u00e9s estacionou a caminhonete na beira do rio e logo avistamos uma pequenina canoa que veio nos buscar. O piloteiro e seu pequeno filho nos ajudaram a embarcar. Depois o homem logo disse: &#8211; Deixa eu assumir o comando porque aqui tem muitos jacar\u00e9s. Fomos no meio da selva, no escuro, sem foco e sem luz. O piloteiro fez uma curva e falou alto: &#8211; Vamos passar agora numa forte correnteza, cuidado! N\u00e3o entendemos como nos cuidar, talvez rezar. E n\u00e3o sab\u00edamos se ele falava brincando ou s\u00e9rio. Mas depois descobrimos que falava s\u00e9rio \u2013 com uma pitada de exagero para impressionar o turista. A aventura estava apenas come\u00e7ando!<\/p>\n<h2><strong><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-27968 alignleft\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2.png\" alt=\"Floresta Amaz\u00f4nica\" width=\"331\" height=\"332\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2.png 1000w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2-300x300.png 300w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2-150x150.png 150w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2-768x768.png 768w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-2-585x585.png 585w\" sizes=\"(max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/>Floresta Amaz\u00f4nica 3. <\/strong><\/h2>\n<p>Chegamos \u00e0 pousada e fomos recebidos com suco de Cupua\u00e7u e um jantar caseiro. Manoel, nosso guia, veio ao nosso encontro, com aquela simplicidade Amazonense e marcou o passeio do nascer do sol no dia seguinte. Nosso quarto parecia uma cabana da anima\u00e7\u00e3o do Z\u00e9 Colm\u00e9ia \u2013 todo de madeira, sobre palafitas na beira do rio. O despertador tocou 5 da manh\u00e3. Caminhamos at\u00e9 a canoa no escuro. Tomamos os primeiros bancos da canoa cumprida e verde. Nessa viagem pudemos sentir a paz, uma confian\u00e7a repentina. O c\u00e9u era lindo \u2013 tinha muito mais estrelas do que no quintal de minha casa. A silhueta negra da mata, os barulhos da selva. Manoel parou a canoa num lago. Num sil\u00eancio po\u00e9tico da mata despertando, uma pincelada de laranja tingiu o negro do rio. Vimos o sol nascer primeiro no rio, depois no c\u00e9u. O amanhecer chamou a revoada de p\u00e1ssaros nativos e pela primeira vez enxergamos a mata na luz do dia. A alma j\u00e1 estava alimentada e retornamos 7h para o caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 4. <\/strong><\/h2>\n<p>No quintal da pousada tem 2 jacar\u00e9s. O Eug\u00eanio e o Eug\u00eanio Junior que n\u00e3o tem nada de diminutivo. Mois\u00e9s pegou dois peixes gigantes sem a carne para aliment\u00e1-los. As crian\u00e7as assistiam est\u00e1ticas o almo\u00e7o dos jacar\u00e9s. Era esse o aviso do hotel: n\u00e3o tomem banho no rio \u2013 o advertising mais efetivo que vi em toda a minha vida. Agora apelidamos nossa cachorrinha de Eug\u00eania. Ela tem o mesmo apetite dos jacar\u00e9s e \u00e9 r\u00e1pida para degustar pequenos quitutes humanos! O pr\u00f3ximo passeio sairia \u00e0s nove da manh\u00e3 para uma trilha na selva a fim de conhecer a vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Fomos com um grupo grande e animado e as meninas se entrosaram com as outras crian\u00e7as do grupo. Assim que descemos da canoa na margem com uma floresta mais fechada, Manoel nos falou: &#8211; Cuidado pois h\u00e1 perigo na trilha. H\u00e1 riscos de cobras, escorpi\u00f5es, formigas e aranhas. N\u00e3o coloquem as m\u00e3os nas \u00e1rvores! Soou como brincadeira, a princ\u00edpio, mas imediatamente nos lembramos que ali n\u00e3o era a Disney e Manoel era nativo da regi\u00e3o. Caminhamos atentos e receosos. Manoel nos mostrou a palha <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-estetica-vermelha-e-branca\/\">branca<\/a>, o coquinho com larvas sabor de coco (duas crian\u00e7as da expedi\u00e7\u00e3o tiveram a coragem de experiment\u00e1-las!), o formigueiro, os igarap\u00e9s&#8230; Vencemos esse primeiro desafio sem nenhuma picada. Chegamos de volta \u00e0 canoa vitoriosos!<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 5. <\/strong><\/h2>\n<p>Depois do almo\u00e7o, o passeio era conhecer a casa dos ribeirinhos. Fomos recebidos pelo caboclo e seus dois netos. Nos mostraram todo o processo da produ\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca, aquela amarelinha que s\u00f3 tem no Norte e \u00e9 muito crocante. Os instrumentos do Caboclo me lembraram os prot\u00f3tipos de alavanca de Leonardo da Vinci, que vimos no seu museu em Roma. O caboclo preparou quatro grandes tapiocas no mesmo forno em que fazia farinha. Misturou castanhas do Par\u00e1 picadas \u00e0 tapioca e as assou. Ficamos meio ressabiados em experimentar, preocupados com a limpeza, coisa de paulista&#8230; Quando mordemos a tapioca, n\u00f3s quatro fomos un\u00e2nimes: a melhor tapioca de nossas vidas. Crocante e saborosa. Estamos certos que nunca mais comeremos outra igual. O Ribeirinho respondeu todas as perguntas das crian\u00e7as. J\u00e1 tinha perdido quatro cachorros devorados pelos jacar\u00e9s na margem do rio. E o curupira? Descobrimos que o Curupira n\u00e3o \u00e9 folclore. \u00c9 cren\u00e7a verdadeira dos nativos. O curupira pode ajudar a ca\u00e7a ou amea\u00e7ar o ca\u00e7ador, dependendo se \u00e9 respeitado ou desrespeitado pelo homem. As crian\u00e7as nem piscavam quando o caboclo contou da Sucuri que fez seu bra\u00e7o e sua boca adormecerem numa pr\u00e9-hipnose. Voltamos para a canoa todos f\u00e3s do caboclo e de seus lindos netos que viajavam uma hora de barco para chegar \u00e0 escola do vilarejo, todos os dias. Qual seria o destino daqueles lindos meninos? A simplicidade da vida na mata talvez fosse a maior felicidade que almejamos na vida encontrar. A volta reflexiva nos presenteou com o p\u00f4r-do-sol da floresta. Do nascer ao p\u00f4r-do-sol, nosso primeiro dia na pousada ainda n\u00e3o tinha chegado ao fim.<\/p>\n<h2><strong><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-27967 alignright\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3.png\" alt=\"Floresta Amaz\u00f4nica\" width=\"374\" height=\"374\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3.png 1000w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3-300x300.png 300w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3-150x150.png 150w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3-768x768.png 768w, \/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Floresta-Amaz\u00f4nica-3-585x585.png 585w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/>Floresta Amaz\u00f4nica 6. <\/strong><\/h2>\n<p>Estamos voando de Manaus para Guarulhos enquanto escrevo essas mem\u00f3rias. Levantei um pouco e vi que quase todos os passageiros do avi\u00e3o est\u00e3o dormindo. Prefiro escrever a dormir. Mas se esse relato estiver te cansando, por favor, n\u00e3o continue lendo. Eu continuarei escrevendo para reter boas mem\u00f3rias e compartilhar divinas experi\u00eancias. Entenderei se tiver que parar de ler por aqui \u2013 antes da aventura da ca\u00e7a noturna aos jacar\u00e9s! A expedi\u00e7\u00e3o de focagem de jacar\u00e9s partiu \u00e0s 18:30h ao cair da noite. Eu estava com medo. Mas quando uma m\u00e3e deseja mostrar o mundo a seus filhos \u2013 n\u00e3o h\u00e1 frio na barriga que a segure. Entramos na canoa de cal\u00e7as e manga comprida. Manoel foi na frente da canoa, logo depois um casal de franceses, a nossa fam\u00edlia e atr\u00e1s de tudo um pai e filho paulistanos. Mois\u00e9s foi mais atr\u00e1s operando o motor. Manoel carregava um holofote de luz e uma vara de fisgar jacar\u00e9s. Nos explicou que a luz forte paralisaria o jacar\u00e9 que se tornaria presa f\u00e1cil para captura. T\u00ednhamos que fazer absoluto sil\u00eancio para n\u00e3o espant\u00e1-los. E esse sil\u00eancio era a melhor parte desse passeio cheio de suspense. Nosso barquinho saiu mata adentro. O farolete do Manoel ajudava a identificar os jacar\u00e9s pelo brilho dos olhos. Foi incr\u00edvel ver dois pares de olhos brilhando perto das vit\u00f3ria-r\u00e9gias, sob o c\u00e9u estrelado e no sil\u00eancio absoluto da mata. O barco se aproximava vagarosamente com o motor j\u00e1 desligado. N\u00f3s nos encolh\u00edamos. Manoel, como um jungle man, levantava o corpo e sua m\u00e3o esquerda dava um bote na \u00e1gua, numa coragem insana. Tr\u00eas tentativas frustradas e eu j\u00e1 estava conformada de voltar \u00e0 pousada sem a visita do jacar\u00e9 dentro da nossa canoa. Mas o jungle man n\u00e3o desistia f\u00e1cil e ca\u00e7ou dois jacar\u00e9s em seguida, para mostrar \u00e0s crian\u00e7as. Helena foi a \u00fanica corajosa de nossa fam\u00edlia que pegou o jacar\u00e9 no colo. Os Franceses n\u00e3o quiserem saber de carregar jacar\u00e9. E come\u00e7ou a aula de biologia, in natura! Examinamos a boca do jacar\u00e9, o rabo, descobrimos o sexo e depois o devolvemos \u00e0 \u00e1gua para v\u00ea-lo nadando. De volta \u00e0 pousada, todos de acordo: a focagem de jacar\u00e9s foi o melhor filme de suspense, e em 3D (e interativo), de nossas vidas!<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 7.<\/strong><\/h2>\n<p>Em nossa segunda noite na pousada, dormimos 10 horas seguidas. Acordamos para visitar uma aldeia ind\u00edgena. Todo Ortodontista \u00e9 um pouco antrop\u00f3logo. Estava vibrando com a oportunidade de visitar verdadeiros nativos da Amaz\u00f4nia. Me lembrei muito de meu amigo David Normando durante a manh\u00e3. David, em sua primorosidade cient\u00edfica, fez sua tese de doutorado em ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, demonstrando a preponder\u00e2ncia da gen\u00e9tica sobre o ambiente na arquitetura das m\u00e1s oclus\u00f5es dent\u00e1rias. Pois navegando no meio dos igap\u00f3s, chegamos a um lago cheio de paz. Quando nos aproximamos da margem, as crian\u00e7as ind\u00edgenas come\u00e7aram a tocar um instrumento de m\u00fasica para avisar a tribo de nossa chegada. Fomos recebidos pelo paj\u00e9 que nos levou no seu \u201cconsult\u00f3rio\u201d e nos mostrou como o \u00edndio usa ervas, o fogo e raspas de ossos de alguns animais para a cura. As meninas casam-se cedo e come\u00e7am a ter filhos logo que amadurecem os \u00fateros, mas n\u00e3o o comportamento. Ent\u00e3o as gr\u00e1vidas sobem em \u00e1rvores e nadam nos rios, como crian\u00e7as, sem enxergar perigo em nada. Ao nascer, o beb\u00ea ind\u00edgena recebe tr\u00eas toques de uma pedra no cr\u00e2nio para que desenvolva bom temperamento, trazendo alegria \u00e0 tribo. O paj\u00e9 nos mostrou a luva de formigas que usam os homens no ritual de passagem da inf\u00e2ncia para a idade adulta. Uma picada daquela formiga pode doer at\u00e9 24h. A luva de palha, recebe 62 formigas para o ritual. Se eu tivesse nascido ind\u00edgena, agradeceria todas as manh\u00e3s por ser mulher. Visitamos a pequena escola, sem paredes, da tribo. E recebemos um show de canto e percuss\u00e3o das crian\u00e7as. Brilho, a indiazinha de 10 anos e cheia de luz, nos tirou para dan\u00e7ar. Primeiro Helena, depois mam\u00e3e e papai e por \u00faltimo a Laurinha. Foi uma honra dan\u00e7ar com Brilho. Por fim conhecemos a arte dos \u00edndios. Algumas m\u00e3es artes\u00e3s traziam seus filhos, pequenos ou grandes, pendurados ao peito, sem pudor pela presen\u00e7a do grupo de visitantes. Mais natural, imposs\u00edvel! Trouxe alguns colares feitos por essas m\u00e3es. Vou us\u00e1-los com imenso orgulho para assinalar a nossa brasilidade encantadora, aqui e ali.<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 8. <\/strong><\/h2>\n<p>Chegou na pousada uma fam\u00edlia de Holandeses. Lindos e loiros. Uma filha e dois filhos, adolescentes. Sa\u00edram da Holanda para conhecer as belezas da Amaz\u00f4nia. Com eles fomos nadar com os botos cor-de-rosa. No caminho, rio adentro, Manoel encerrou o motor da canoa e foi encostando em uma \u00e1rvore grandiosa. Dezenas de macaquinhos vieram em busca de alimento. E rimos muito com a rapidez e sagacidade dos bichinhos. Helena, novamente, foi a mais corajosa de nossa fam\u00edlia recebendo os macacos nos bra\u00e7os. Lembrei de minha melhor amiga do 2. Ano fundamental. Gisele veio do Amazonas para morar em Bauru com a av\u00f3, tinha olhos verdes e l\u00e1bios grandes, e seu animal de estima\u00e7\u00e3o era um macaquinho, o que revelava que ela era nativa da Amaz\u00f4nia. Ela voltou para o Amazonas e nunca mais a encontrei. Mas as lembran\u00e7as do seu macaquinho brincando de cip\u00f3 nos cord\u00f5es da cortina nova da sala de mam\u00e3e, n\u00e3o esquecerei jamais. Meu pai gargalhava com a cena inusitada do visitante Amazonas com comportamento selvagem numa sala de visitas Bauruense. Gisele se despedia de meus pais com o macaco agarrado \u00e0s suas costas como se fosse uma mochila e subia a rua de casa com naturalidade. N\u00e3o lembro seu sobrenome para procur\u00e1-la nas redes sociais. Gisele, onde estaria voc\u00ea hoje? Manoel nos mostrou uma Sana\u00fana de 200 anos, depois adentrou no lado dos patos e vimos a maior revoada de patos selvagens de nossas vidas. A m\u00e3e holandesa apontou ao longe o boto que j\u00e1 guiava o nosso barco, mergulhando na superf\u00edcie. Que espet\u00e1culo da natureza. Ao chegar na esta\u00e7\u00e3o de madeira, no meio do rio, fomos recebidos por dois botos cor-de-rosa. Os \u00edndios tinham nos explicado que os botos t\u00eam alma. E quase foram extintos pois eram usados como isca para um peixe da Amaz\u00f4nia consumido no exterior. Agora eles estavam ali na nossa frente. Depois disso \u00e9 s\u00f3 entrar na \u00e1gua e sentir sua pele, admirar sua beleza e nadar no rio aberto. O dia estava completo.<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 9. <\/strong><\/h2>\n<p>Na noite ap\u00f3s o incr\u00edvel passeio com os botos, a m\u00e3e Holandesa veio at\u00e9 n\u00f3s para compartilhar as fotos que tirou em seu celular de nossa fam\u00edlia, de dentro do Rio, via airdrop. Ela estava maravilhada com a beleza do Amazonas e manifestamos nossa alegria pelo fato de estarem gostando de nossa pa\u00eds (amado e sofrido). Com um brilho nos olhos, ela nos disse: \u201cN\u00f3s gostamos muito do Brasil e sabe por que? Porque aqui n\u00e3o vemos preconceito. Todo mundo se mistura, todas as etnias se juntam em todos os cantos do pa\u00eds.\u201d Mal sabia ela que eu j\u00e1 estava fazendo planos de misturar, no futuro, o sangue Italiano, Liban\u00eas e Espanhol da minha filha mais velha com o sangue germ\u00e2nico de seu filho mais velho, de uma beleza, simplicidade e alto astral magnetizantes (Brincadeirinha! Muito cedo para pensar nisso ainda!). E continuou: \u201cNa Holanda, dizem que n\u00e3o somos preconceituosos, mas somos sim, pois n\u00e3o misturamos. Voc\u00eas j\u00e1 se deram conta de como voc\u00eas n\u00e3o hesitam em misturar-se?\u201d Como ortodontistas, sabemos que isso \u00e9 verdade. A pousada era uma amostra, com sua staff toda mesti\u00e7a. At\u00e9 na tribo ind\u00edgena, percebemos que a textura dos cabelos e a cor da pele era bastante vari\u00e1vel entre um nativo e outro. Tarsila do Amaral pareceu nos escutar quando pintou a tela \u201cOs Oper\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Floresta Amaz\u00f4nica 10 &#8211; FINAL.<\/strong><\/h2>\n<p>Amanhecemos no \u00faltimo dia prontos para experimentar a pesca de piranhas. Manoel atravessou o igap\u00f3 e estacionou o barco sob as \u00e1rvores. Nos orientou e arremessarmos nossos anz\u00f3is. A Laurinha sentiu a primeira fisgada e n\u00e3o quis mais saber da vara. Pegamos piranhas vermelhas e amarelas. Manoel pegou uma folha e colocou dentro da boca da piranha \u2013 parecia um picotador de ingressos. Nhoc nhoc nhoc. Eu pescava, mas sem muita proximidade com o peixe capturado. Laurinha implorava para devolv\u00ea-las ao rio \u2013 era a protetora dos animais. Helena alimentava nossos anz\u00f3is com cora\u00e7\u00e3o de boi e n\u00e3o tinha medo de aproximar, do pr\u00f3prio corpo, a piranha ainda pendurada no fio de nylon. Pescar piranhas foi nosso \u00faltimo passeio na selva. Elegemos a Helena a Jungle Girl \u2013 seus olhos brilharam de alegria e encanto em cada canto da Amaz\u00f4nia. Quanto ao melhor passeio, n\u00e3o conseguimos ranquear. Foram todos genuinamente especiais. Torcemos para que muitos brasileiros venham visitar a Amaz\u00f4nia. N\u00e3o sei o quanto ela durar\u00e1. A m\u00e3e Holandesa me perguntou se o Brasil estava cuidando bem da floresta. A verdade \u00e9 que escutamos serras el\u00e9tricas no dia em que fizemos a trilha caminhando pela selva. Os \u00edndios nos contaram que eles tiveram que migrar de suas moradas nativas porque as empresas de explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio implodiam a terra e espantavam os animais. Os \u00edndios passaram a caminhar 15 dias em vez de 5 dias para ca\u00e7ar seu sustento. E resolveram migrar. A Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ser amea\u00e7ada. Ela n\u00e3o tem pre\u00e7o porque \u00e9 sagrada. Ela tem vida. E que seja infinita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora Daniela Garib viajou para a Floresta Amaz\u00f4nica e relata um pouco da experi\u00eancia que teve. Conhe\u00e7a a maior floresta do mundo pelos olhos da Dr\u00aa. Garib Nunca, talvez, algu\u00e9m definisse t\u00e3o bem o que \u00e9 viajar, como Mario Quintana, atrav\u00e9s do ep\u00edlogo &#8220;Viajar \u00e9 trocar a roupa da alma&#8221;. As experi\u00eancias que extrapolam o<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":27969,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-27965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27965\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}