{"id":2617,"date":"2013-11-18T16:24:08","date_gmt":"2013-11-18T19:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=2617"},"modified":"2013-11-18T16:24:08","modified_gmt":"2013-11-18T19:24:08","slug":"carga-imediata-mini-implantes-momento-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/carga-imediata-mini-implantes-momento-reflexao\/","title":{"rendered":"Carga imediata em mini-implantes: momento de reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para melhor entendimento do uso de carga imediata em mini-implantes ortod\u00f4nticos, consideramos de import\u00e2ncia analisar, inicialmente, os fatores relacionados \u00e0 estabilidade do mini-implante (MI). O sucesso na sua instala\u00e7\u00e3o encontra-se em torno de 85%, pois depende de fatores distintos e relacionados ao MI, ao profissional e ao paciente<sup>1,2<\/sup> (Fig. 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v_12_n_04fig1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2618 aligncenter\" alt=\"v_12_n_04fig1\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v_12_n_04fig1.jpg\" width=\"400\" height=\"371\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v_12_n_04fig1.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v_12_n_04fig1-300x278.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As melhorias nas caracter\u00edsticas relacionadas \u00e0s suas dimens\u00f5es e desenhos t\u00eam contribu\u00eddo para facilitar a sele\u00e7\u00e3o dos MIs mais apropriados ao uso na <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">Ortodontia<\/a><sup>3<\/sup>. Ao\u00a0longo do tempo, a aquisi\u00e7\u00e3o de maior habilidade quanto \u00e0 t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o torna o profissional mais apto, aumentando a porcentagem de sucesso na sua instala\u00e7\u00e3o<sup>4,5,6<\/sup>. Por\u00e9m, os fatores da estabilidade relacionados com o paciente n\u00e3o sofrem influ\u00eancia do processo evolutivo em habilidade t\u00e9cnica ou do dispositivo. Consideram-se como os principais fatores de estabilidade relacionados ao paciente: a espessura da cortical, a largura do septo inter-radicular e a higiene bucal<sup>7,8<\/sup>.<\/p>\n<p>O imbricamento na interface entre a cortical \u00f3ssea e o mini-implante \u00e9 considerado o fator mais importante para a estabilidade ao mini-implante. Desse modo, a cortical deve apresentar uma espessura capaz de permitir o imbricamento do mini-implante. No entanto, quando essa cortical apresentar-se muito espessa, o uso excessivo de press\u00e3o promove o aumento de microfraturas na sua superf\u00edcie externa<sup>2<\/sup>. Atualmente, o comportamento de cortical \u00f3ssea alveolar ap\u00f3s instala\u00e7\u00e3o de mini-implante tem sido estudado como fator correlacionado \u00e0 estabilidade. A cortical apresenta variabilidade de sua espessura dependendo da regi\u00e3o da arcada dent\u00e1ria e do maxilar. As\u00a0maiores espessuras est\u00e3o presentes na regi\u00e3o posterior dos maxilares<sup>9,10<\/sup>.<\/p>\n<p>Algumas particularidades devem ser consideradas como elementos determinantes da estabilidade, as quais nem sempre s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o quando indica-se indiscriminadamente o uso da carga imediata. A inser\u00e7\u00e3o de um MI em uma cortical mais espessa implica no uso de maior for\u00e7a, e esse esfor\u00e7o para inser\u00e7\u00e3o do MI danifica a cortical, independentemente da t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o ou do tipo de MI. Tamb\u00e9m, uma cortical fina compromete a estabilidade do mini-implante quando o \u00e2ngulo de inser\u00e7\u00e3o torna-se muito obl\u00edquo. Na regi\u00e3o posterior dos maxilares, observa-se que corticais menores que 1mm est\u00e3o relacionadas \u00e0 perda de mini-implantes; pacientes jovens possuem corticais \u00f3sseas mais finas; mulheres possuem cortical \u00f3ssea maxilar mais fina do que homens da mesma idade; e a cortical distal ao primeiro molar \u00e9 mais espessa do que a cortical mesial do mesmo dente<sup>11,12,13<\/sup>.<\/p>\n<p>Assim como para o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-protese-sobre-implante-mais-protese-fixa\/\">implante<\/a> prot\u00e9tico, o torque m\u00e1ximo de inser\u00e7\u00e3o (TMI) representa a rela\u00e7\u00e3o num\u00e9rica que confere ao mini-implante seu mais significativo sinal de estabilidade prim\u00e1ria<sup>14<\/sup>.<\/p>\n<p>O conceito da carga imediata tem sua origem no uso de implantes prot\u00e9ticos, cuja qualidade do TMI permite a coloca\u00e7\u00e3o do dente provis\u00f3rio imediatamente ap\u00f3s a inser\u00e7\u00e3o no implante. Para ser considerado apto a receber carga imediata, o implante prot\u00e9tico deve obedecer par\u00e2metros mec\u00e2nicos<sup>15<\/sup>. O uso de carga imediata fundamenta-se, principalmente, no fato do MI oferecer pouca ou nenhuma osseointegra\u00e7\u00e3o e da for\u00e7a aplicada sobre ele n\u00e3o ultrapassar 400g<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de carga imediata torna-se ben\u00e9fica ao paciente porque o mini-implante entra em fun\u00e7\u00e3o imediatamente e, assim, espera-se uma redu\u00e7\u00e3o no tempo de tratamento. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio que o ortodontista tenha discernimento para utilizar esse princ\u00edpio. Alguns aspectos \u2014 como o grau de inclina\u00e7\u00e3o do implante, sua for\u00e7a de travamento (torque m\u00e1ximo de inser\u00e7\u00e3o), assim como as condi\u00e7\u00f5es periodontais do paciente \u2014 podem influenciar na cicatriza\u00e7\u00e3o do procedimento cir\u00fargico de inser\u00e7\u00e3o do mini-implante.<\/p>\n<p>Embora utilizada e defendida por alguns profissionais, a carga imediata em mini-implantes pode representar um iminente risco para a sua estabilidade. Nossa op\u00e7\u00e3o por n\u00e3o utilizar esse recurso t\u00e9cnico fundamenta-se em evid\u00eancias cient\u00edficas que merecem detalhamento e, portanto, ser\u00e3o descritas, a seguir, em t\u00f3picos.<\/p>\n<p>Baseando-se em recentes estudos sobre a estabilidade dos MIs, identificamos alguns fatores intimamente relacionados ao uso ou indica\u00e7\u00e3o da carga imediata para os MIs ortod\u00f4nticos: posicionamento p\u00f3s-inser\u00e7\u00e3o, \u00e2ngulo de inser\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o da cortical \u00f3ssea<sup>7,10,16<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Posicionamento p\u00f3s-inser\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 luz dos conhecimentos atuais, considera-se a quantifica\u00e7\u00e3o da espessura da cortical como um dado importante na inser\u00e7\u00e3o de MI. No presente momento, essa avalia\u00e7\u00e3o possui maior confiabilidade quando realizada em tomografias<sup>17,18<\/sup>. Portanto, essa relevante informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece ser uma realidade futura para uso em ampla escala.<\/p>\n<p>Observar a largura do septo inter-radicular \u00e9 um princ\u00edpio fundamental da t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o; portanto, \u00e9 obrigat\u00f3rio o uso da radiografia periapical pela t\u00e9cnica do paralelismo. A proximidade do mini-implante com a raiz dos <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a>, ou de apenas um dos dentes adjacentes, reduz de forma consider\u00e1vel a sua estabilidade<sup>19<\/sup>. Entre os cuidados pr\u00e9vios \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o de for\u00e7a sobre um mini-implante, encontra-se a realiza\u00e7\u00e3o de radiografia periapical p\u00f3s-inser\u00e7\u00e3o, para identificar a posi\u00e7\u00e3o do mini-implante no septo inter-radicular. O ideal seria o MI estar circundado por pelo menos 0,5mm de osso alveolar<sup>20<\/sup>.<\/p>\n<p>Mini-implantes com erro de posicionamento, provocando inj\u00farias periodontais e radiculares, mostram redu\u00e7\u00e3o na estabilidade quando submetidos a carga imediata<sup>21<\/sup>. Desse modo, a carga imediata promove, de alguma forma, o aumento do dano \u00f3sseo, e n\u00e3o aux\u00edlio para a regenera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, ao longo do tempo, observa-se ser ben\u00e9fica a tens\u00e3o sobre o MI, cujo osso circundante mostra maior densidade no lado de tens\u00e3o<sup>16,22<\/sup>.<\/p>\n<p>Os estudos sobre a estabilidade dos mini-implantes apresentam variabilidade quanto ao di\u00e2metro dos MIs e quanto \u00e0 t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o. Estudos considerados cl\u00e1ssicos na literatura utilizaram amostras com MIs de 1,2 ou 1,3mm. Contudo, em decorr\u00eancia de n\u00e3o suportarem for\u00e7as ortod\u00f4nticas para movimenta\u00e7\u00e3o de grupos de dentes, esses di\u00e2metros de MI n\u00e3o s\u00e3o, atualmente, muito utilizados<sup>23,24<\/sup>. Tamb\u00e9m, deve-se atentar \u00e0 t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o dos MIs. Embora o uso do MI autorrosque\u00e1vel seja mais aceito, pela facilidade t\u00e9cnica, sabe-se que esse tipo de MI induz maior dano \u00e0 cortical \u00f3ssea<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p>Para o implante prot\u00e9tico, o travamento \u00e9 um par\u00e2metro imprescind\u00edvel; portanto, pode-se considerar a mensura\u00e7\u00e3o do TMI o par\u00e2metro de mais f\u00e1cil obten\u00e7\u00e3o para indicar o usa da carga imediata. Por\u00e9m, o valor deveria ser estipulado pelos fabricantes das diferentes marcas comercias, pois as caracter\u00edsticas dos MIs variam. Sendo assim, o TMI mostra-se como um par\u00e2metro vari\u00e1vel, podendo apresentar-se com intervalo de for\u00e7a dependente das caracter\u00edsticas do osso alveolar. Para considerar o implante prot\u00e9tico apto a receber uma caga imediata, deve-se obedecer par\u00e2metros mec\u00e2nicos; sendo assim, o mesmo deve ocorrer com os MIs. Por\u00e9m, a falta de s\u00e9ries de estudos ou metodologias bem definidas n\u00e3o permite que essa informa\u00e7\u00e3o pare\u00e7a bem identificada na literatura ortod\u00f4ntica<sup>26<\/sup>. Portanto, ainda restam perguntas-chave a serem respondidas.<\/p>\n<p>A obten\u00e7\u00e3o de um par\u00e2metro num\u00e9rico de TMI seria suficiente para o MI estar apto a receber uma carga imediata? Essa pergunta somente poderia ser respondida se fosse rotineira a mensura\u00e7\u00e3o do TMI em Ortodontia<sup>26<\/sup>. At\u00e9 o momento, n\u00e3o temos dados divulgados acerca dos TMIs indicados para as diferentes marcas de MIs comercializados no Brasil. Al\u00e9m disso, para serem considerados confi\u00e1veis, os poucos cabos de inser\u00e7\u00e3o que mensuram o torque deveriam ter aferi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a certificada. Dessa\u00a0forma, somente os mini-implantes inseridos com quantifica\u00e7\u00e3o de TMI podem ser considerados aptos a receber carga imediata. A partir da\u00ed, poderia-se avaliar se o TMI corresponde ao par\u00e2metro que buscamos para a estabilidade do MI submetido \u00e0 carga imediata.<\/p>\n<p>Ainda, um grande avan\u00e7o para a confirma\u00e7\u00e3o da estabilidade tem sido o uso de cortes tomogr\u00e1ficos; contudo, entende-se que essa avalia\u00e7\u00e3o somente mensura a quantidade de cortical, e n\u00e3o permite quantificar o dano causado durante a inser\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, t\u00eam sido observados dados interessantes, como o de que uma cortical mais grossa \u2014 como a mandibular \u2014 acaba sofrendo maiores danos, devido \u00e0 necessidade de uso de maior for\u00e7a para inser\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o di\u00e2metro do MI, quando maior, tamb\u00e9m acaba por danificar mais a cortical. Por essa raz\u00e3o, a inser\u00e7\u00e3o com perfura\u00e7\u00e3o pr\u00e9via com instrumento rotat\u00f3rio preserva mais a cortical e, assim, possibilita melhor imbricamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00c2ngulo de inser\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A angula\u00e7\u00e3o do MI durante a inser\u00e7\u00e3o foi sugerida como um meio de deslocar o MI para uma \u00e1rea radicular mais superior, onde o septo inter-radicular tem maior largura<sup>27<\/sup>. Por\u00e9m, recomenda-se estipular essa angula\u00e7\u00e3o para n\u00e3o torna-l\u00e1 um fator de risco \u00e0 cortical. Ainda, a angula\u00e7\u00e3o do MI presta-se, tamb\u00e9m, para aumentar a \u00e1rea de contato do MI com a cortical \u00f3ssea; por\u00e9m, deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o que a espessura dessa cortical tem que contribuir para o maior contato na interface cortical\/mini-implante<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o dos mini-implantes com inclina\u00e7\u00f5es axiais entre 45 e 70<sup>\u00ba<\/sup> permite uma seguran\u00e7a maior em rela\u00e7\u00e3o a les\u00f5es nas ra\u00edzes dent\u00e1rias e, tamb\u00e9m, promove uma estabilidade prim\u00e1ria satisfat\u00f3ria<sup>28,29,30<\/sup>.<\/p>\n<p>Recentes pesquisas alertam para as vantagem da inser\u00e7\u00e3o em 90<sup>\u00ba<\/sup>, pois, independentemente do tipo (cil\u00edndrico ou c\u00f4nico) e espessura do MI, esses estudos observaram maior preserva\u00e7\u00e3o da cortical, pela redu\u00e7\u00e3o das microfraturas<sup>31,32,33<\/sup>.<\/p>\n<p>A angula\u00e7\u00e3o vertical do MI n\u00e3o aumenta a capacidade de suportar carga<sup>34<\/sup> e, quando presente, promove a redu\u00e7\u00e3o do TMI<sup>32<\/sup>. Mais uma vez, observa-se que a espessura da cortical tem se mostrado como o fator mais cr\u00edtico para garantir a estabilidade do mini-implante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Remodela\u00e7\u00e3o da cortical<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considera-se como inerente a ocorr\u00eancia de microfraturas na interface mini-implante\/cortical alveolar. Esse dano aparece de forma mais evidente na cortical do que no osso esponjoso, em decorr\u00eancia da cortical ser mais densa e compacta. Independentemente do modo de inser\u00e7\u00e3o ser precedido de perfura\u00e7\u00e3o, e sem levar em considera\u00e7\u00e3o a profundidade da perfura\u00e7\u00e3o, observa-se a presen\u00e7a de danos na cortical \u00f3ssea alveolar. Maiores danos e maior dificuldade de cicatriza\u00e7\u00e3o ocorrem com a perfura\u00e7\u00e3o por compress\u00e3o da ponta ativa do MI, em compara\u00e7\u00e3o com a realizada com instrumento rotat\u00f3rio<sup>35<\/sup>. Isso nos leva a pensar que seriam melhores, para o uso da carga imediata, os mini-implantes autorrosque\u00e1veis do que os autoperfurantes. Mas seria um retrocesso na t\u00e9cnica incluirmos mais etapas no processo de inser\u00e7\u00e3o do mini-implante.<\/p>\n<p>O reparo do osso esponjoso ocorre antes do cortical, por ter maior vasculariza\u00e7\u00e3o; dessa forma, a maior preocupa\u00e7\u00e3o deve recair, mais uma vez, sobre a cortical.<\/p>\n<p>Estudos t\u00eam mostrado que o tempo de quatro semanas \u00e9 suficiente para a remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea em torno do mini-implante. Nesse caso, observa-se que a remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea da maxila mostra-se mais lenta, em decorr\u00eancia do tipo de trabeculado \u00f3sseo da maxila favorecer maior contato na interface osso\/mini-implante<sup>36<\/sup>.<\/p>\n<p>Caso o inerente dano cortical ocorra de forma extensiva, a subsequente carga imediata deve aumentar a extens\u00e3o do dano, levando ao retardo na repara\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. Para oferecer seguran\u00e7a sobre a quantidade de for\u00e7a utilizada, deve-se mensurar a for\u00e7a colocada sobre o MI; permanece sensato utilizar for\u00e7as abaixo de 400g, porque, acima dessa quantidade, observa-se a redu\u00e7\u00e3o na velocidade de repara\u00e7\u00e3o \u00f3ssea<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os conhecimentos atuais revelam os seguintes fatores como favor\u00e1veis ao uso da carga imediata: a espessura da cortical compat\u00edvel com a capacidade de perfura\u00e7\u00e3o do MI; a r\u00e1pida remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea do osso esponjoso; e uma mensura\u00e7\u00e3o da for\u00e7a em at\u00e9 400g<sup>37<\/sup>. Entre esses fatores, o \u00fanico que pode ser clinicamente mensurado \u00e9 a for\u00e7a. Contudo, n\u00e3o \u00e9 comum os <i>kits<\/i> de inser\u00e7\u00e3o fornecerem torqu\u00edmetro para aferir se o TMI atingiu par\u00e2metros vi\u00e1veis para aplica\u00e7\u00e3o de carga imediata. Mesmo que dispon\u00edveis, seriam esses torqu\u00edmetros confi\u00e1veis? Temos estudos que aferiram os torqu\u00edmetros disponibilizados pelos fabricantes? Ainda, a aquisi\u00e7\u00e3o de torqu\u00edmetros espec\u00edficos para MI incorreria em mais um custo para o procedimento. Novamente, parece mais prudente e pr\u00e1tico aguardar um m\u00eas para se aplicar carga sobre os mini-implantes.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pelo uso de carga imediata sobre MIs merece melhor detalhamento, para tornar-se de uso comum. Alguns\u00a0estudos sobre a estabilidade de mini-implantes s\u00e3o oriundos de pesquisas em animais<sup>38,39,40<\/sup>; portanto, futuras pesquisas com metodologias adequadas para humanos trar\u00e3o respostas mais confi\u00e1veis e pr\u00f3ximas da realidade cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Os estudos sobre o efeito da angula\u00e7\u00e3o na estabilidade parecem mais conclusivos, em raz\u00e3o das variabilidades individuais exercerem menor influ\u00eancia e pela possibilidade de se obterem valores num\u00e9ricos mais precisos da correla\u00e7\u00e3o entre o \u00e2ngulo de inser\u00e7\u00e3o e o TMI.<\/p>\n<p>Consideramos o conforto do paciente um fator muito importante em qualquer tratamento odontol\u00f3gico. Isso deve ser levado em conta tamb\u00e9m no uso dos MIs. A ancoragem esquel\u00e9tica trouxe grande avan\u00e7o para otimizar o tratamento ortod\u00f4ntico, portanto, n\u00e3o parecer ser necess\u00e1ria tanta pressa para iniciar a retra\u00e7\u00e3o ou qualquer movimento dent\u00e1rio utilizando MIs como ancoragem.<\/p>\n<p>Alguns pacientes relatam desconforto ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o do mini-implante; como a t\u00e9cnica anest\u00e9sica indicada visa somente a anestesia da gengiva inserida, a press\u00e3o oriunda da inser\u00e7\u00e3o do mini-implante no septo inter-radicular ocasiona inc\u00f4modo e\/ou <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a> em alguns pacientes. Somando-se a esse fato, a ativa\u00e7\u00e3o do aparelho fixo promove um desconforto oriundo da movimenta\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria. Por que n\u00e3o esperar um per\u00edodo para que o paciente sinta mais conforto? Por que n\u00e3o esperar um per\u00edodo para a remodela\u00e7\u00e3o da cortical \u00f3ssea? Temos essas e outras quest\u00f5es ainda para serem respondidas. Enquanto n\u00e3o temos estudos in vivo que confirmem a necessidade do uso da carga imediata, consideramos prudente aguardar para iniciar o uso de for\u00e7a sobre o mini-implante.<\/p>\n<p>Ainda, a adapta\u00e7\u00e3o de el\u00e1sticos sint\u00e9ticos e molas na cabe\u00e7a dos MIs representa mais um fator para dificultar a higiene local. Desse modo, aguardar um per\u00edodo para que o paciente adquira pr\u00e1tica na higieniza\u00e7\u00e3o do MI tamb\u00e9m representa um fator favor\u00e1vel \u00e0 n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da carga imediata.<\/p>\n<p>Mesmo para os implantes prot\u00e9ticos, a literatura n\u00e3o tem demonstrado consenso quanto ao uso da carga imediata<sup>41,42<\/sup>. Procedimentos t\u00e9cnicos t\u00eam sido aventados para aumentar a estabilidade de implantes e mini-implantes. Mais recentemente, observa-se que tem sido recomendada a redu\u00e7\u00e3o da quantidade do perfil transmucoso dos MIs c\u00f4nicos; tamb\u00e9m observa-se que MIs com corpo cil\u00edndrico mostram redu\u00e7\u00e3o nas microfraturas da cortical<sup>33,35<\/sup>.<\/p>\n<p>Dessa forma, consideramos que, at\u00e9 o presente momento, n\u00e3o h\u00e1 subs\u00eddios cl\u00ednicos e cient\u00edficos que assegurem o emprego da carga imediata sem o comprometimento da estabilidade do mini-implante ortod\u00f4ntico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>CONCLUS\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O est\u00e1gio atual das pesquisas sobre a estabilidade dos mini-implantes p\u00f3s-aplica\u00e7\u00e3o de carga imediata em humanos n\u00e3o nos permite realizar afirma\u00e7\u00f5es embasadas. Esse texto n\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de realizar maiores afirma\u00e7\u00f5es sobre esse assunto, mas a preocupa\u00e7\u00e3o de analisar os fatores cl\u00ednicos e cient\u00edficos atualmente dispon\u00edveis para a indica\u00e7\u00e3o da carga imediata em MIs.<\/p>\n<p>Desse modo, consideramos que n\u00e3o utilizar a carga imediata favorece:<\/p>\n<p>\u00bb Um maior conforto para o paciente no per\u00edodo<br \/>\np\u00f3s-inser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00bb A compreens\u00e3o e a pr\u00e1tica na higieniza\u00e7\u00e3o do MI.<\/p>\n<p>\u00bb A remodela\u00e7\u00e3o da cortical \u00f3ssea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como citar este artigo: <\/strong><\/p>\n<p>Gurgel JA, Lima FVP, Klug RJ. Carga imediata em mini-implantes: momento de reflex\u00e3o. Rev Cl\u00edn Ortod Dental Press. 2013 ago-set;12(4):9-13.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para melhor entendimento do uso de carga imediata em mini-implantes ortod\u00f4nticos, consideramos de import\u00e2ncia analisar, inicialmente, os fatores relacionados \u00e0 estabilidade do mini-implante (MI).<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2623,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}