{"id":25536,"date":"2019-04-12T11:15:36","date_gmt":"2019-04-12T14:15:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=25536"},"modified":"2020-01-08T16:02:43","modified_gmt":"2020-01-08T19:02:43","slug":"o-bullying-na-esfera-de-atuacao-do-ortodontista-por-flavia-artese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/o-bullying-na-esfera-de-atuacao-do-ortodontista-por-flavia-artese\/","title":{"rendered":"&#8220;O bullying na esfera de atua\u00e7\u00e3o do ortodontista&#8221;, por Fl\u00e1via Artese"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_23257\" aria-describedby=\"caption-attachment-23257\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/flavia-artese.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23257\" src=\"\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/flavia-artese.jpg\" alt=\"flavia artese\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/flavia-artese.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2018\/05\/flavia-artese-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23257\" class=\"wp-caption-text\">Editora-Chefe do Dental Press Journal of Orthodontics<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Editorial publicado originalmente na DPJO (Dental Press Journal of Orthodontics), escrito pela editora-chefe Fl\u00e1via Artese, na edi\u00e7\u00e3o v24n2 do peri\u00f3dico<\/em><\/p>\n<p>Apesar da <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">Ortodontia<\/a> contempor\u00e2nea ter ampliado as indica\u00e7\u00f5es para o tratamento ortod\u00f4ntico em adultos, os adolescentes ir\u00e3o sempre constituir a maior parte de nossos pacientes. Afinal, sabe-se que o tratamento ortod\u00f4ntico, por si s\u00f3, apenas prov\u00ea mudan\u00e7as dentofaciais significativas durante o surto de crescimento puberal, as quais podem beneficiar nossos pacientes tanto em termos de fun\u00e7\u00e3o quanto de est\u00e9tica, al\u00e9m do aspecto psicossocial.<\/p>\n<p>E foi exatamente a associa\u00e7\u00e3o entre a necessidade de tratamento ortod\u00f4ntico, a qualidade de vida relacionada \u00e0 sa\u00fade bucal (QVRSB) e o bullying que o artigo original de Gatto et al., publicado nessa edi\u00e7\u00e3o da DPJO, avaliou em uma amostra de 815 adolescentes brasileiros. Os autores observaram que existe uma associa\u00e7\u00e3o entre a QVRSB e o bullying. Por exemplo, adolescentes sofrendo as consequ\u00eancias negativas oriundas de bullying foram tr\u00eas vezes mais propensos a ter QVRSB ruim. Uma correla\u00e7\u00e3o similar foi encontrada em crian\u00e7as da Jord\u00e2nia, em um estudo feito por Al-Omari et al., em 2014. Eles conclu\u00edram que uma rela\u00e7\u00e3o significativa foi encontrada entre o bullying motivado por caracter\u00edsticas dentofaciais e os efeitos negativos na QVRSB. Na verdade, os <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> t\u00eam sido descritos como sen-do o alvo mais frequente para o bullying, seguido de for\u00e7a f\u00edsica e peso corporal. Os alvos mais comuns dos agressores foram espa\u00e7os entre os dentes, dentes ausentes, forma e colora\u00e7\u00e3o dos dentes, e incisivos superiores proeminentes.<\/p>\n<p>Entretanto, olhando de perto para essas informa\u00e7\u00f5es, me questiono o quanto, como profissional da sa\u00fade, eu sei sobre bullying. Como ortodontista, compreendo o padr\u00e3o de atendimento para o tratamento das m\u00e1s oclus\u00f5es; mas, j\u00e1 que lido com tantos adolescentes, ser\u00e1 que realmente conhe\u00e7o as consequ\u00eancias do bullying? Posso perceber quando meu paciente \u00e9 v\u00edtima de bullying por causa de sua m\u00e1 oclus\u00e3o? E, caso n\u00e3o perceba e aguarde para trat\u00e1-lo, quais as poss\u00edveis consequ\u00eancias em longo prazo?<\/p>\n<p>O bullying \u00e9 definido como uma forma espec\u00edfica de agress\u00e3o, com um desequil\u00edbrio de poder, onde um indiv\u00edduo mais forte causa sofrimento repetido e intencional a um indiv\u00edduo mais fraco. Existem diferentes formas de bullying, que pode ser direto ou indireto. O bullying direto inclui atos de agress\u00e3o verbal ou f\u00edsica, como xingar ou bater; enquanto o indireto \u00e9 descrito como exclus\u00e3o social ou espalhar rumores. Sua preval\u00eancia pode variar de 10 a 60% dos adolescentes, atingindo, no mundo, entre 100 e 600 milh\u00f5es de indiv\u00edduos diretamente envolvidos em casos de bullying por ano.<\/p>\n<p>Acredita-se que o bullying n\u00e3o deve ser considera-do como uma simples disfun\u00e7\u00e3o de conduta, e prop\u00f5e-se que pode ser o resultado de fatores ambientais ou individuais empobrecidos e de um consequente desenvolvimento adaptativo. No entanto, por mais estranho que possa parecer, atualmente \u00e9 considerado por psic\u00f3logos como uma adapta\u00e7\u00e3o evolutiva com o prop\u00f3sito de melhorar os recursos som\u00e1ticos, a sele\u00e7\u00e3o de parceiros, a afirma\u00e7\u00e3o de domin\u00e2ncia e o status social. Isso pode explicar porque o bullying \u00e9 encontrado em diferentes culturas e regi\u00f5es geogr\u00e1ficas, porque n\u00e3o \u00e9 limitado \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o moderna e porque tantos adolescentes est\u00e3o envolvidos nisso.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica do bullying n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto parece, com apenas a rela\u00e7\u00e3o agressor\/v\u00edtima. Existem grupos distintos, que podem ser divididos em: agressores, v\u00edtimas e um terceiro grupo chamado agressores\/v\u00edtimas. Os agressores s\u00e3o caracterizados como agressivos, hostis, dominadores e exibem pouca ansiedade e inseguran\u00e7a. Por outro lado, as v\u00edtimas s\u00e3o mais depressivas, ansiosas e inseguras, com um baixo n\u00edvel de autoestima e um comportamento mais introspectivo. Elas, em geral, s\u00e3o mais solit\u00e1rias na escola, t\u00eam poucos amigos e apresentam comportamento de fuga, como evitar ir \u00e0 escola ou outros lugares p\u00fablicos. O terceiro grupo, o qual eu desconhecia, o grupo agressores\/v\u00edtimas, \u00e9 composto por aqueles que agridem e s\u00e3o agredidos. Pouco se conhece sobre esse grupo, mas parece tamb\u00e9m ter caracter\u00edsticas extrovertidas e agressivas de comportamento, fraca performance acad\u00eamica e aceita\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Os efeitos em longo prazo do bullying foram mui-to bem descritos em um recente artigo de revis\u00e3o que avaliou estudos prospectivos controlados sobre condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade preexistentes, situa\u00e7\u00e3o familiar e outras formas de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. V\u00edtimas que foram acompanhadas da inf\u00e2ncia at\u00e9 a idade adulta tiveram um maior risco para problemas mentais, ansiedade e depress\u00e3o, assim como relatos de pior sa\u00fade geral, mais <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a> corporal e recupera\u00e7\u00e3o mais lenta de doen\u00e7as. Al\u00e9m disso, as v\u00edtimas apresentavam n\u00edvel educacional mais baixo, eram piores em administra\u00e7\u00e3o financeira e ganhavam menos do que seus pares. Os agressores\/v\u00edtimas tinham um risco levemente maior para ansiedade, depress\u00e3o, eventos psic\u00f3ticos e tentativas de suic\u00eddio do que as v\u00edtimas. Pouco se conhece em longo prazo sobre os agressores, mas esse grupo parece n\u00e3o ter risco aumentado para doen\u00e7as mentais ou outros problemas de sa\u00fade; por\u00e9m, s\u00e3o mais propensos a ter menor n\u00edvel educacional, ficar desempregados e se envolver em crimes.<\/p>\n<p>Em resumo, o bullying \u00e9 um comportamento bastante frequente entre adolescentes, com efeitos de sa\u00fade e mentais, em longo prazo, tanto nas v\u00edtimas quanto nos agressores\/v\u00edtimas; e a m\u00e1 oclus\u00e3o pode ser um importante alvo para o bullying. Fica muito evidente que n\u00f3s, como ortodontistas, devemos aprofundar nosso conhecimento sobre essa quest\u00e3o. Por exemplo, abordagens adequadas devem ser criadas para se discutir esse assunto na primeira consulta com os pais e\/ou o paciente, e, se o bullying for reportado, um apoio psicol\u00f3gico deve ser indicado. Afinal, nossa atua\u00e7\u00e3o nesse problema, como ortodontistas, parece requerer extrema responsabilidade. Podemos ser os primeiros profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade a ter acesso aos relatos de bullying, j\u00e1 que est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 nossa especialidade. Algo para se pensar na nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial publicado originalmente na DPJO (Dental Press Journal of Orthodontics), escrito pela editora-chefe Fl\u00e1via Artese, na edi\u00e7\u00e3o v24n2 do peri\u00f3dico Apesar da Ortodontia contempor\u00e2nea ter ampliado as indica\u00e7\u00f5es para o tratamento ortod\u00f4ntico em adultos, os adolescentes ir\u00e3o sempre constituir a maior parte de nossos pacientes. 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