{"id":24469,"date":"2018-11-22T09:15:32","date_gmt":"2018-11-22T11:15:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=24469"},"modified":"2018-11-22T10:53:25","modified_gmt":"2018-11-22T12:53:25","slug":"entenda-a-historia-por-tras-da-medicina-do-sono-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/entenda-a-historia-por-tras-da-medicina-do-sono-no-mundo\/","title":{"rendered":"Entenda a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da Medicina do Sono no Mundo"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24470\" aria-describedby=\"caption-attachment-24470\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono-.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-24470\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono--300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono--300x300.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono--150x150.jpg 150w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono--768x768.jpg 768w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono--585x585.jpg 585w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Odontologia-do-Sono-.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24470\" class=\"wp-caption-text\">Livro \u00e9 uma refer\u00eancia na \u00e1rea da Medicina do Sono<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u2013 Texto assinado por S\u00e9rgio Tufik e Lia Rita Azeredo Bittencourt, retirado da obra<strong> &#8220;A Odontologia na Medicina do Sono&#8221;<\/strong>, de Cibele Dal Fabbro, Cauby Maia Chaves J\u00fanior e S\u00e9rgio Tufik \u2013<\/em><\/p>\n<p>O interesse pelo sono e pelos sonhos existe desde os prim\u00f3rdios da humanidade. Eles foram objeto privilegiado de aten\u00e7\u00e3o das civiliza\u00e7\u00f5es antigas, dos relatos b\u00edblicos, dos fil\u00f3sofos gregos e dos poetas. Hop\u00f3cretes (466-377 a.C.) foi um dos primeiros a associar o sono e sa\u00fade em seu coment\u00e1rio: &#8220;o sono e a sua aus\u00eancia, quando em excessos, s\u00e3o ruins&#8221;. Arist\u00f3teles (384-322 a.C.) atribuiu a regula\u00e7\u00e3o do sono a vapores produzidos pela digest\u00e3o. O primeiro relato de um caso de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">apneia<\/a> do sono data 300 a.C. e refere-se a Dionisius, governante de Heracleia, extremamente obeso, que, para evitar pausas respirat\u00f3rias, tinha agulhas colocadas no abdome, por seus m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Pode-se considerar que uma abordagem cient\u00edfica do sono come\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1830, com a descoberta do hidrato de clorar. Nessa \u00e9poca, o escoc\u00eas Robert MacNish publica &#8220;A Filosofia do Sono&#8221; (1834), livro no qual afirma ser o sono um estado intermedi\u00e1rio entre a vig\u00edlia e a morte. Em 1877, Westphal, psiquiatra alem\u00e3o, relata um caso de fraqueza muscular associada \u00e0 sonol\u00eancia diurna excessiva e poucos anos mais tarde, Jean Baptiste Gellineau, m\u00e9dico franc\u00eas, descreve a narcolepsia. Em 1903, Adolph Von Bayer sintetiza o primeiro barbit\u00farico terapeuticamente ativo.<\/p>\n<p>V\u00e1rias teorias para explicar o sono come\u00e7am a ser descritas, entre elas, a teoria vascular, na qual o in\u00edcio do sono \u00e9 explicado pelo desvio de sangue do c\u00e9rebro para o trato digestivo ou o oposto, pelo ac\u00famulo de sangue no c\u00e9rebro. A teoria das hipnotoxinas fundamenta-se no princ\u00edpio de que, durante a vig\u00edlia, produtos t\u00f3xicos se acumulam no sangue, causam sono e, gradualmente, se dissipam. Em 1907, os fisiologistas franceses Legendre e Pieron realizam o c\u00e9lebre experimento no qual induzem sono em c\u00e3es normais ao infundir-lhes soro obtido de c\u00e3es privados de sono. A ent\u00e3o denominada teoria da hipnotoxinas veio dar lugar \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que v\u00e1rios &#8220;fatores do sono&#8221; end\u00f3genos induzem ativamente o sono por meio de mecanismos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1920, Nathaniel Kelitman, considerado o pai da pesquisa norte-americana em sono, inicia seus estudos sobre sono e ritmo circadiano. Entretanto, a partir\u00a0 dos primeiros registros de atividade el\u00e9trica cerebral, pelo psiquiatra alem\u00e3o Hans Berger, em 1924, e da clara demonstra\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre o padr\u00e3o obtido no sono e na vig\u00edlia, o interesse cient\u00edfico ganha impulso. Os principais elementos dos padr\u00f5es de ondas cerebrais no sono s\u00e3o descritos por\u00a0 Harvey, Horbat, Davis e outros, na Universidade de Harvard, entre 1937 e 1939, e com eles a no\u00e7\u00e3o de um c\u00e9rebro adormecido completamente &#8220;desligado&#8221; perde terreno. Ainda na d\u00e9cada de 1930, Frederik Bremer realizou seus estudos de sono e deaferenta\u00e7\u00e3o cerebral em gatos . Em 1949, Moruzzi e Magoun publicam seu cl\u00e1ssico artigo &#8220;A forma\u00e7\u00e3o reticular do tronco cerebral e a ativa\u00e7\u00e3o do eletrograma (EEG)&#8221;, um dos mais importantes e influentes estudos da fisiologia do sono. Em 1957, a presen\u00e7a de ciclos de sono no EEF \u00e9 observada por Dement e Kleitman e, em 1959, Jouvet descreve o sono em REM (Rapid Eye Movement) e o sono n\u00e3o-REM, sendo o REM caracterizado por atonia muscular e movimentos oculares r\u00e1pidos. Outras importantes descobertas na d\u00e9cada de 1950 foram o primeiro benzodiazep\u00ednico, o clorduazep\u00f3xido, em 1954, e o tratamento da narcolepsia com metilfenidato, por Daly e Voss, em 1956.<\/p>\n<p>A pesquisa cl\u00ednica em sono, iniciada na d\u00e9cada de 1960, com \u00eanfase nos estudos de noite inteira, pode ser considerada a leg\u00edtima precursora da Medicina do Sono e de seu principal exame complementar, a polissonografia. Inicialmente, grande parte da pesquisa esteve direcionada para o estudo dos sonhos e do sono REM, influenciada pela abordagem psicoanal\u00edtica das doen\u00e7as mentais. Quando um n\u00famero suficiente de registros de sono permitiu a defini\u00e7\u00e3o denominada &#8220;arquitetura do sono&#8221; normal, observou-se que a depress\u00e3o est\u00e1 associada a uma redu\u00e7\u00e3o da lat\u00eancia para o sono REM. Outros fatores e circunst\u00e2ncias importantes para o surgimento da Medicina do Sono merecem destaques, tais como a descri\u00e7\u00e3o do sono REM, inicialmente no paciente narcol\u00e9pticos, por Gerald Vogel, em 1960; o interesso pelo estudo da epilepsia e dos movimentos anormais do sono, primariamente na Fran\u00e7a, traduzido na realiza\u00e7\u00e3o de um simp\u00f3sio em Paris, em 1965, e a introdu\u00e7\u00e3o dos benzodiazep\u00ednicos, criando uma demanda por laborat\u00f3rios de sono para a realiza\u00e7\u00e3o de testes de efic\u00e1cia hipn\u00f3tica.<\/p>\n<p>Um dos mais importantes eventos para a hist\u00f3ria da Medicina do Sono \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da apneia do sono, realizada de forma independente por Gastaut, Tassinari e Durmom, na Fran\u00e7a, e Jung Kuhlo, na Alemanha, no ano do sono muito estudado hoje em dia. Previamente, Burwell, Robin, Whaley e Bickelmann haviam descrito a S\u00edndrome de Pickwickian que, por avaliarem somente durante a vig\u00edlia seus paciente obesos, erroneamente atribuem \u00e0 hipercapnia como causa de sonol\u00eancia nesses indiv\u00edduos. Por volta dos anos 1970, Lugaresi, Tassinari e Coccgna realiza in\u00fameras investiga\u00e7\u00f5es e, finalmente, descrevem minuciosamente a S\u00edndrome da apneia do Sono, esclarecendo que eram os despertares e n\u00e3o a hipercapnia os respons\u00e1veis pela sonol\u00eancia excessiva e que, mesmo pacientes n\u00e3o obesos, poderiam ter apneia durante o sono.<\/p>\n<p>Em 1968, Rechtschafen e Kales publicam o manual de estagiamento do sono intitulado &#8220;A manual of standardized terminolofy, rechniques and scoring system for sleep stages of human subjects&#8221;, que continua a ser refer\u00eancia at\u00e9 os dias atuais. A Universidade de Stanford, Calif\u00f3rnia, sedia a primeira cl\u00ednica especializada em dist\u00farbios do sono, que entra em funcionamento em 1970, sob a dire\u00e7\u00e3o de Dement e Guilleminault, assim como o primeiro <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">curso<\/a> sobre diagn\u00f3stico e tratamento de dist\u00farbios do sono, realizado em 1972. Em 1974, Holland, um membro do grupo de Stanford, deu nome de &#8220;polissonografia&#8221; ao exame de registro das diversas vari\u00e1veis fisiol\u00f3gicas durante o sono. Os par\u00e2metros para definir a apneia obstrutiva do sono foram publicados por Guilleminault e Carskadon estabelece o teste das M\u00faltiplas Lat\u00eancias do Sono. \u00c0 medida que transcorria a d\u00e9cada de 1970, foi-se contemplando o processo de consolida\u00e7\u00e3o e formaliza\u00e7\u00e3o da Medicina do Sono. Em 1975, \u00e9 fundada a American Sleep Disorders Association e, nesse mesmo ano, publica-se o primeiro fasc\u00edculo do peri\u00f3dico especializado &#8220;Sleep&#8221;.\u00a0 Em 1979, \u00e9 publicada a primeira classifica\u00e7\u00e3o dos dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>O tratamento da S\u00edndrome da Apneia Obstrutiva do Sono foi marcada pela populariza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica cir\u00fargica da uvulopalatofaringoplastia por Fujita, Conway e Zorick, em 1981, e pela inven\u00e7\u00e3o da CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) por Sullivan, no mesmo ano. No ano seguinte, Rosalind Carrwrigth, uma pneumologista americana, descreve o primeiro aparelho intraoral, denominado TRD (Tongue Retaining Device). Em 1989, edita-se o primeiro texto de medicina do sono: Principles and Pratice of Sleep Medine. Pode-se dizer que a d\u00e9cada de 1990 assistiu \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o da Medicina do Sono como \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em todo o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2013 Texto assinado por S\u00e9rgio Tufik e Lia Rita Azeredo Bittencourt, retirado da obra &#8220;A Odontologia na Medicina do Sono&#8221;, de Cibele Dal Fabbro, Cauby Maia Chaves J\u00fanior e S\u00e9rgio Tufik \u2013 O interesse pelo sono e pelos sonhos existe desde os prim\u00f3rdios da humanidade. 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