{"id":24369,"date":"2018-10-22T15:00:17","date_gmt":"2018-10-22T18:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=24369"},"modified":"2018-10-22T15:43:56","modified_gmt":"2018-10-22T18:43:56","slug":"maxilares-podem-ser-menores-ou-hipoplasicos-mas-atresicos-e-impreciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/maxilares-podem-ser-menores-ou-hipoplasicos-mas-atresicos-e-impreciso\/","title":{"rendered":"Maxilares podem ser menores ou hipopl\u00e1sicos, mas &#8220;atr\u00e9sicos&#8221; \u00e9 impreciso!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7393\" aria-describedby=\"caption-attachment-7393\" style=\"width: 363px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/consolaro3.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7393\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/consolaro3-300x208.png\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"252\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/consolaro3-300x208.png 300w, \/wp-content\/uploads\/2015\/09\/consolaro3.png 431w\" sizes=\"(max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7393\" class=\"wp-caption-text\">Alberto Consolaro \u00e9 um dos autores do artigo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Insight Ortod\u00f4ntico<\/strong>, por Alberto Consolaro e Renata Bianco Consolaro.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>RESUMO:<\/strong><\/em> Para induzir reflex\u00f5es e discuss\u00f5es sobre o uso adequado da nomenclatura em <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">Ortodontia<\/a> e Patologia, para os casos em que a maxila e a mand\u00edbula apresentam-se pequenas ou menores do que o habitual, ou seja, an\u00f4malas, comparou-se o significado conceitual do termo \u201catr\u00e9sica\u201d. Esse termo n\u00e3o \u00e9 adequado quando aplicado \u00e0 maxila e \u00e0 mand\u00edbula para identi\u001eficar situa\u00e7\u00f5es em que houve um desenvolvimento com crescimento\u00a0insuficiente para se chegar ao tamanho normal. Para identificar maxila e mand\u00edbula menores, \u00e9 mais adequado e preciso o uso do termo maxila ou mand\u00edbula hipopl\u00e1sica. Isso porque atresia representa uma anomalia por obstru\u00e7\u00e3o da luz ou lume em \u00f3rg\u00e3os ocos, o que n\u00e3o ocorre na maxila ou na mand\u00edbula. Maxila ou mand\u00edbula hipopl\u00e1sica tamb\u00e9m podem ser chamadas, apropriada e especificamente, de micrognatia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Os dist\u00farbios do desenvolvimento s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es que ocorrem durante a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. O desenvolvi-mento, em boa parte, continua depois do nascimento at\u00e9 que se complete o ciclo do tempo em que se forma o corpo humano. Na Odontologia, convencionou-se que o desenvolvimento dos maxilares, muitas vezes chamado de crescimento, termina ao redor de 22-24 anos, variando entre os indiv\u00edduos e, especialmente, entre mulheres e homens.<\/p>\n<p><strong>QUANDO \u00c9 ANOMALIA, DISPLASIA OU DEFORMIDADE?<\/strong><br \/>\nPode-se dividir o desenvolvimento humano em tr\u00eas per\u00edodos distintos:<\/p>\n<p><strong>1\u00ba) Per\u00edodo Pr\u00e9-Embrion\u00e1rio<\/strong>: estende-se do 13\u00ba ao 21\u00ba dia depois da fecunda\u00e7\u00e3o, quando ocorre a gastrula\u00e7\u00e3o, na qual as c\u00e9lulas embrion\u00e1rias se diferenciam e organizam-se em tr\u00eas popula\u00e7\u00f5es diferentes conhecidas como folhetos germinativos: ectoderma, mesoderma e endoderma. Nesse per\u00edodo, predomina a lei do tudo ou nada: quando atua algum agente teratog\u00eanico, produz-se o aborto; o pr\u00e9-embri\u00e3o dificilmente sobrevive.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba) Per\u00edodo Embrion\u00e1rio<\/strong>: \u00e9 a fase mais cr\u00edtica e suscet\u00edvel \u00e0 a\u00e7\u00e3o de agentes internos e externos pois: 1. Caracteriza-se pela ocorr\u00eancia de in\u00fameras mitoses e diferencia\u00e7\u00f5es celulares e 2. Termina no come\u00e7o do terceiro m\u00eas, per\u00edodo em que boa parte das mulheres n\u00e3o sabe ainda que est\u00e1 gr\u00e1vida.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, os \u00f3rg\u00e3os e tecidos est\u00e3o sendo definidos, com muita mobiliza\u00e7\u00e3o celular \u2014 que, no conjunto, se chama organog\u00eanese. Anomalias ou malforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o os nomes que se d\u00e1 aos dist\u00farbios do desenvolvimento que ocorrem nessa fase, comprometendo n\u00famero, tamanho e forma de tecidos e \u00f3rg\u00e3os, quase sempre de forma significativa e importante.<\/p>\n<p>As anomalias podem ser simples quando afetam um tecido ou \u00f3rg\u00e3o. Por\u00e9m, o agente causador pode atuar em v\u00e1rios tecidos e partes ao mesmo tempo, promovendo anomalias m\u00faltiplas, classificadas como s\u00edndromes, associa\u00e7\u00f5es e sequ\u00eancias, dependendo de alguns crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Do ponto de vista morfol\u00f3gico e conceitual, as anomalias ou malforma\u00e7\u00f5es podem ser por: 1) Incompletude do \u00f3rg\u00e3o ou tecido, 2) Redund\u00e2ncia ou 3) Aberra\u00e7\u00e3o. Algumas das anomalias por incompletude s\u00e3o exemplificadas a seguir, recebendo nomes como:<\/p>\n<p>\u00bb Agenesia: representa o grau m\u00e1ximo, caracterizado pela aus\u00eancia completa de desenvolvimento do \u00f3rg\u00e3o como na agenesia renal e na anodontia.<\/p>\n<p>\u00bb Aplasia: caracteriza-se pela forma\u00e7\u00e3o apenas dos rudimentos dos \u00f3rg\u00e3os, mas totalmente afuncionais. Do ponto de vista fisiol\u00f3gico, a aplasia tem o mesmo efeito que a agenesia.<\/p>\n<p>\u00bb Hipoplasia: consiste no insuficiente desenvolvimento do \u00f3rg\u00e3o, sem comprometimento total da fun\u00e7\u00e3o. Tratam-se de \u00f3rg\u00e3os deficientes no tamanho, como na hipoplasia renal, que produz rins estruturalmente deficientes, mas funcionais. A hipoplasia do esmalte mostra redu\u00e7\u00e3o na quantidade e qualidade do tecido. A hipoplasia mandibular resulta em mand\u00edbulas reduzidas no tamanho, mas permite uma vida quase normal, sendo ainda pass\u00edvel de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">corre\u00e7\u00e3o<\/a> cir\u00fargica, ortop\u00e9dica e\/ou ortod\u00f4ntica.<\/p>\n<p>\u00bb Atresia: \u00e9 a insufici\u00eancia ou falta do desenvolvimento de lumes, luz em \u00f3rg\u00e3os ocos como o tubo digestivo, traqueia e ductos excretores, cujos esbo\u00e7os embrion\u00e1rios eram maci\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00bb Estenose: estreitamento pontual de estruturas ocas como ductos, condutos ou orif\u00edcios naturais. O dist\u00farbio funcional resultante ser\u00e1 uma obstru\u00e7\u00e3o parcial.<\/p>\n<p>\u00bb Persist\u00eancia: representa uma falha na regress\u00e3o de estruturas embrion\u00e1rias transit\u00f3rias, como o divert\u00edculo de Meckel, ducto tireoglosso e l\u00e2mina dent\u00e1ria. Os remanescentes ou estruturas vestigiais persistentes, na forma de ilhotas, cord\u00f5es ou fragmentos teciduais, podem dar origem a les\u00f5es indesejadas, como o cisto do ducto tireoglosso, cistos e neoplasias odontog\u00eanicas.<\/p>\n<p><strong> 3\u00ba) Per\u00edodo Fetal<\/strong>: a partir do in\u00edcio do terceiro m\u00eas at\u00e9 o nascimento, os tecidos iniciam um processo de matura\u00e7\u00e3o estrutural e capacita\u00e7\u00e3o funcional tamb\u00e9m chamado histog\u00eanese (Fig. 1). No in\u00edcio do per\u00edodo fetal, o indiv\u00edduo em forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 consegue ter uma forma semelhante \u00e0 sua esp\u00e9cie e, por isso, passa a ser identificado como feto. Antes disso, era um embri\u00e3o, no qual n\u00e3o se de\u001efine ainda a forma da esp\u00e9cie de origem.<\/p>\n<p>Quando ocorrem altera\u00e7\u00f5es nesse per\u00edodo, os tecidos formados s\u00e3o afetados, especialmente, na sua matura\u00e7\u00e3o organizacional e capacidade funcional, e essas altera\u00e7\u00f5es passam a ser chamadas de displasias. Na displasia \u001efibrosa dos maxilares, por exemplo, o tecido se forma, mas \u00e9 desorganizado e com dificuldades funcionais para cumprir a miss\u00e3o do osso. Os tecidos tamb\u00e9m podem se formar de forma muito exagerada, como ocorre na macrognatia, o que corresponde a uma displasia simples, por envolver apenas um \u00fanico tecido. As displasias podem ser simples, mas h\u00e1, ainda, as do tipo hamartoplasia e heteroplasia.<\/p>\n<p>Na etapa \u001efinal do per\u00edodo fetal, quanto quase tudo est\u00e1 formado, mas ainda se formatando em definitivo, as partes anat\u00f4micas podem sofrer press\u00f5es, tens\u00f5es, compress\u00f5es e falta de movimentos no espa\u00e7o uterino. Isso pode provocar deformidades no formato \u001efinal daquela regi\u00e3o. Membros podem \u001eficar tortos, p\u00e9s posicionados de forma inadequada ou o cr\u00e2nio amassado. Esses dist\u00farbios do desenvolvimento s\u00e3o conhecidos como deformidades. Pode-se afirmar que displasias e deformidades s\u00e3o dist\u00farbios do per\u00edodo fetal, pois a histog\u00eanese foi comprometida.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>QUAL \u00c9 O PER\u00cdODO DE TEMPO PARA CADA TIPO DE DIST\u00daRBIO?<\/strong><\/p>\n<p>Os tipos de dist\u00farbios do desenvolvimento e o tempo de forma\u00e7\u00e3o intrauterina podem ser determinados e previs\u00edveis. No entanto, depois do nascimento, muitos tecidos ainda est\u00e3o em fase embrion\u00e1ria e fetal, ou seja, em organog\u00eanese e histog\u00eanese, respectivamente.<\/p>\n<p>Um exemplo disso s\u00e3o os <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a>, os quais, muitos, ainda nem tiveram seus bot\u00f5es formados, ou seja, ainda est\u00e3o como embri\u00f5es e fetos. Do mesmo modo, certas partes dos maxilares ainda est\u00e3o se desenvolvendo, para se chegar aos tecidos craniomandibulares de um adulto. Em alguns casos, um agente externo pode agir e modificar sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo: 1) Quando a suc\u00e7\u00e3o do dedo promove uma altera\u00e7\u00e3o no crescimento mandibular, ocorre uma deformidade. 2) Quando a mand\u00edbula cresce al\u00e9m do tamanho relacionado corretamente com a maxila, a macrognatia corresponde a uma displasia simples. 3) Em muitos casos, a falta de uma rela\u00e7\u00e3o proporcionalmente adequada entre os maxilares por posicionamentos incorretos, e n\u00e3o por tamanhos discrepantes, corresponde \u00e0 deformidade. 4) O l\u00e1bio fissurado ocorre entre a quarta e a oitava semanas de vida intrauterina, e constitui uma anomalia ou malforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais exemplos: 1) A anodontia parcial ou os dentes supranumer\u00e1rios s\u00e3o anomalias ou malforma\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias. 2) A dilacera\u00e7\u00e3o radicular \u00e9 uma deformidade. 3) A fluorose e as manchas brancas do esmalte n\u00e3o cariosas s\u00e3o anomalias do tipo hipoplasia. 4) O dente invaginado ou dens in dente \u00e9 uma displasia dos tecidos dent\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em suma: em alguns tecidos e \u00f3rg\u00e3os, os per\u00edodos embrion\u00e1rio e fetal podem se iniciar e\/ou se estender fora desses tempos cl\u00e1ssicos, mesmo que depois do nascimento. Um corpo humano pode ser considerado completamente formado depois 22 a 24 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u2013 Artigo publicado originalmente na Dental Press Journal of Orthodontics v23n5. Leia o artigo completo<a href=\"https:\/\/www.dentalgo.com.br\/\"> aqui.<\/a> \u2013<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Insight Ortod\u00f4ntico, por Alberto Consolaro e Renata Bianco Consolaro. RESUMO: Para induzir reflex\u00f5es e discuss\u00f5es sobre o uso adequado da nomenclatura em Ortodontia e Patologia, para os casos em que a maxila e a mand\u00edbula apresentam-se pequenas ou menores do que o habitual, ou seja, an\u00f4malas, comparou-se o significado conceitual do termo \u201catr\u00e9sica\u201d. 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