{"id":16954,"date":"2017-03-23T12:15:57","date_gmt":"2017-03-23T15:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=16954"},"modified":"2017-03-27T10:39:32","modified_gmt":"2017-03-27T13:39:32","slug":"aparelho-protracao-mandibular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/aparelho-protracao-mandibular\/","title":{"rendered":"Os efeitos do Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular em conjunto com o aparelho fixo em pacientes adultos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16921\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"945\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1.jpg 1500w, \/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1-300x189.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1-768x484.jpg 768w, \/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1-1024x645.jpg 1024w, \/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1-1170x737.jpg 1170w, \/wp-content\/uploads\/2017\/03\/APM1-585x369.jpg 585w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Autores:<\/b><\/p>\n<p><strong>Bruno D\u2019Aurea Furquim<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Doutorando em Reabilita\u00e7\u00e3o Oral, FOB-USP.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Fernando Castanha Henriques<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Livre-docente em <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">Ortodontia<\/a> e Professor Titular, FOB-USP.<\/p>\n<p><strong>Guilherme Janson<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Livre-docente em Ortodontia e Professor Titular, FOB-USP.<\/p>\n<p><strong>Danilo Furquim Siqueira<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Doutor em Ortodontia, FOB-USP. Professor, UNICID.<\/p>\n<p><strong>Laurindo Zanco Furquim<sup><br \/>\n<\/sup><\/strong><\/p>\n<p>Doutor em Patologia Bucal, FOB-USP. Professor Associado, UEM.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Objetivo:<\/b> esse estudo retrospectivo teve como objetivo avaliar, cefalometricamente, os efeitos esquel\u00e9ticos, dent\u00e1rios e tegumentares decorrentes do tratamento com o Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular em conjunto ao aparelho fixo em pacientes adultos para <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">corre\u00e7\u00e3o<\/a> da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>M\u00e9todos: <\/b>a amostra foi composta por telerradiografias pr\u00e9- e p\u00f3s-tratamento de nove adultos (idade inicial m\u00e9dia de 22,48 anos), portadores de m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II, divis\u00e3o 1 bilateral. O teste <i>t<\/i> pareado (p\u00a0&lt;\u00a00,05) foi empregado para compara\u00e7\u00e3o dos valores iniciais e finais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Resultados: <\/b>de acordo com o teste <i>t,<\/i> observou-se aumento da altura facial anteroinferior e da altura facial posterior. As altera\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias foram: extrus\u00e3o dos incisivos superiores, inclina\u00e7\u00e3o para vestibular e protrus\u00e3o dos incisivos inferiores; e mesializa\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o dos molares inferiores. Com rela\u00e7\u00e3o ao componente tegumentar, houve aumento do \u00e2ngulo nasolabial e retrus\u00e3o do l\u00e1bio superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Conclus\u00e3o: <\/b>os efeitos do tratamento com o Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular em conjunto com aparelho fixo em pacientes adultos para corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II foram direcionados, principalmente, \u00e0 arcada inferior, com inclina\u00e7\u00e3o vestibular, protrus\u00e3o e intrus\u00e3o dos incisivos e mesializa\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o dos molares.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> M\u00e1 oclus\u00e3o Classe II de Angle. Aparelhos ortod\u00f4nticos funcionais. Avan\u00e7o mandibular. Adulto.<\/p>\n<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitos anos, o tratamento de pacientes adultos \u00e9 uma realidade na pr\u00e1tica ortod\u00f4ntica<sup>1,2,3<\/sup>. Para os casos de pacientes adultos portadores de defici\u00eancia mandibular, existem duas possibilidades usuais de tratamento: a primeira, compensat\u00f3ria, com extra\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-molares, permitindo retra\u00e7\u00e3o dos incisivos superiores e consequente corre\u00e7\u00e3o do trespasse horizontal; a segunda, cir\u00fargica, reposicionando a mand\u00edbula em uma posi\u00e7\u00e3o mais anterior<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dessas duas possibilidades mais tradicionais de tratamento, os aparelhos funcionais fixos correspondem a uma terceira possibilidade para o tratamento da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II sem extra\u00e7\u00f5es ou <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">cirurgia<\/a><sup>4-12<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aparelho de Herbst foi o primeiro aparelho funcional fixo descrito para a corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II, e tamb\u00e9m o primeiro descrito para essa corre\u00e7\u00e3o em pacientes adultos<sup>8<\/sup>. Al\u00e9m do aparelho de Herbst, existem outros aparelhos funcionais fixos eficazes na corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II, como o Jasper Jumper, o MARA, o FMA e o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-apm\/\">APM<\/a><sup>5,6,7,13<\/sup>. O Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular (APM) se destaca por sua f\u00e1cil confec\u00e7\u00e3o, baixo custo e r\u00e1pida instala\u00e7\u00e3o<sup>14<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns estudos compararam o tratamento da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II por meio do uso do APM associado a outros dispositivos em pacientes adolescentes<sup>13,15<\/sup>. Casos cl\u00ednicos de pacientes adultos tratados com o APM j\u00e1 foram apresentados na literatura<sup>16,17,18<\/sup>, mas nenhum trabalho de pesquisa que investigue o tratamento com APM em um grupo de pacientes adultos foi apresentado. Sendo assim, o presente estudo objetivou avaliar, cefalometricamente, os efeitos esquel\u00e9ticos, dent\u00e1rios e tegumentares do tratamento com o APM em conjunto com aparelho fixo em pacientes adultos para corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe II.<\/p>\n<h3><strong>Material e M\u00e9todos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os seguintes crit\u00e9rios de inclus\u00e3o foram observados para a sele\u00e7\u00e3o da amostra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Presen\u00e7a de m\u00e1 oclus\u00e3o inicial de Classe II divis\u00e3o, 1 bilateral;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Aus\u00eancia de agenesias ou perdas de dentes permanentes;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Aus\u00eancia de dentes supranumer\u00e1rios;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Tratamento realizado exclusivamente por meio do Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular associado a aparelho ortod\u00f4ntico fixo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) Rela\u00e7\u00e3o molar de Classe I e redu\u00e7\u00e3o do trespasse horizontal ao final do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pacientes foram considerados adultos utilizando-se o m\u00e9todo de matura\u00e7\u00e3o vertebral cervical para avalia\u00e7\u00e3o do crescimento mandibular, proposto por Baccetti et al.<sup>21<\/sup> Foram considerados adultos os pacientes a partir do quinto est\u00e1gio de natura\u00e7\u00e3o vertebral cervical (EMVC V). A avalia\u00e7\u00e3o foi realizada utilizando-se a telerradiografia inicial. Os pacientes que geraram d\u00favida quanto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o foram exclu\u00eddos da amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amostra foi composta por nove brasileiros leucodermas adultos (seis do sexo feminino e tr\u00eas do masculino), portadores da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II, divis\u00e3o\u00a01 bilateral. Os pacientes apresentaram idade inicial m\u00e9dia de 22,48\u00a0\u00b1\u00a05,64 anos; variando de 15,14 a 29,69\u00a0anos). O per\u00edodo m\u00e9dio de acompanhamento foi de 4,01 anos, e a idade m\u00e9dia final dos pacientes foi de 26,50 anos. Os pacientes foram tratados por dois professores experientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por se tratar de um trabalho retrospectivo, as telerradiografias foram realizadas em diferentes centros de documenta\u00e7\u00e3o. O tra\u00e7ado anat\u00f4mico e os pontos demarcados foram digitalizados em uma mesa digitalizadora Numonics AccuGrid XNT, modelo A30TL.F (Numonics Corporation, Montgomeryville, EUA). O\u00a0programa utilizado para a medi\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis cefalom\u00e9tricas foi o Dentofacial Planner 7.02 (Dentofacial Planner Software Inc., Toronto, Canad\u00e1), com o qual a magnifica\u00e7\u00e3o da imagem radiogr\u00e1fica j\u00e1 \u00e9 corrigida. Para as estruturas bilaterais, foi efetuado o tra\u00e7ado m\u00e9dio, com exce\u00e7\u00e3o dos molares, uma vez que se levou em considera\u00e7\u00e3o o mais distalmente posicionado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O erro intraexaminador foi realizado tomando-se novas medidas para as 15 telerradiografias, iniciais ou finais, 30 dias ap\u00f3s a primeira medi\u00e7\u00e3o. Os erros sistem\u00e1ticos foram analisados pela aplica\u00e7\u00e3o do teste <i>t<\/i> dependente, conforme Houston<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para avalia\u00e7\u00e3o dos erros casuais, foi empregada a f\u00f3rmula de Dahlberg, a qual demonstra a varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia entre a primeira e a segunda medi\u00e7\u00e3o. O teste \u00e9 calculado pela seguinte f\u00f3rmula: S<sup>2\u00a0<\/sup>=\u00a0\u03a3d<sup>2<\/sup>\/2n, onde S<sup>2<\/sup> \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o do erro, d representa a diferen\u00e7a entre a primeira e a segunda medi\u00e7\u00e3o e n \u00e9 o n\u00famero de medi\u00e7\u00f5es duplas<sup>20<\/sup>. O c\u00e1lculo do erro casual foi realizado mediante o emprego de uma planilha do Microsoft Excel XP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O teste de Kolmogorov-Smirnov foi empregado para avaliar se os valores apresentam distribui\u00e7\u00e3o normal, possibilitando a realiza\u00e7\u00e3o do teste <i>t<\/i> dependente. Esse \u00faltimo foi realizado para comparar os valores cefalom\u00e9tricos m\u00e9dios ao in\u00edcio e ao final do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os testes estat\u00edsticos foram realizados por meio do programa Statistica for Windows 6.0 (Statsoft, Inc. Tulsa, EUA), sendo considerados estatisticamente significativos os resultados com valor de p\u00a0&lt;\u00a00,05.<\/p>\n<h2><strong>Resultados<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas duas vari\u00e1veis (1-PTV e 1-PP) apresentaram erro sistem\u00e1tico ap\u00f3s, aproximadamente, um m\u00eas da primeira medi\u00e7\u00e3o, e os erros casuais variaram de 0,28 (para SML) a 2,80 (para 1.PP) (Tab.\u00a01).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O APM n\u00e3o proporcionou nenhuma altera\u00e7\u00e3o significativa na maxila ou mand\u00edbula. Com rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de crescimento, apenas as vari\u00e1veis lineares (altura facial anteroinferior e altura facial posterior) se alteraram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A extrus\u00e3o dos incisivos foi a \u00fanica altera\u00e7\u00e3o significativa para o componente dentoalveolar superior. Por outro lado, para o componente dentoalveolar inferior, observou-se inclina\u00e7\u00e3o para vestibular e protrus\u00e3o dos incisivos, e mesializa\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o dos molares. O tratamento proporcionou corre\u00e7\u00e3o significativa dos trespasses horizontal e vertical, e da rela\u00e7\u00e3o molar. Com rela\u00e7\u00e3o ao componente tegumentar, o \u00e2ngulo nasolabial aumentou e o l\u00e1bio superior retraiu, tendo a linha E como refer\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente estudo avaliou os efeitos dent\u00e1rios, esquel\u00e9ticos e tegumentares do APM para corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II em um grupo de pacientes adultos. O m\u00e9todo de matura\u00e7\u00e3o vertebral cervical para avalia\u00e7\u00e3o do crescimento mandibular<sup>21<\/sup> e a idade cronol\u00f3gica foram os crit\u00e9rios utilizados para a classifica\u00e7\u00e3o dos pacientes como adultos. Em virtude de n\u00e3o haver nenhum outro trabalho que tenha avaliado os efeitos do APM em pacientes adultos, os resultados ser\u00e3o discutidos em compara\u00e7\u00e3o a trabalhos que avaliaram outros aparelhos funcionais fixos, que n\u00e3o o APM, para corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II em pacientes adultos ou adultos jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ressaltar que os efeitos observados referem-se ao tratamento realizado em conjunto pelo APM e o aparelho fixo. Seria interessante que estudos futuros avaliassem os efeitos limitados ao per\u00edodo em que o APM foi utilizado, al\u00e9m dos efeitos totais do tratamento.<\/p>\n<h3><strong>Efeitos esquel\u00e9ticos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros trabalhos est\u00e3o de acordo com os resultados demonstrados com rela\u00e7\u00e3o aos efeitos do APM na maxila. O tratamento com FMA em um grupo com idade inicial m\u00e9dia de 15 anos e cinco meses tamb\u00e9m n\u00e3o foi capaz de produzir efeitos na maxila<sup>6<\/sup>. Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> avaliaram os efeitos do Jasper Jumper em um grupo com idade inicial m\u00e9dia de 16,5 anos, e relataram a\u00e7\u00e3o limitada do Jasper Jumper na maxila, tamb\u00e9m com diferen\u00e7a insignificante entre o in\u00edcio e o fim do tratamento. Todavia, na compara\u00e7\u00e3o com o grupo controle, sugeriram que o Jasper Jumper inibiu o potencial de crescimento da maxila<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como no presente estudo, Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> n\u00e3o observaram efeito significativo no crescimento mandibular de pacientes com idade inicial m\u00e9dia de 16,5 anos tratados com Jasper Jumper, mas observaram altera\u00e7\u00e3o significativa da rela\u00e7\u00e3o maxilomandibular. G\u00f6nner et al.<sup>5<\/sup> observaram maior diminui\u00e7\u00e3o (3\u00b0) do valor do \u00e2ngulo ANB em pacientes mais velhos que os da presente amostra (33,7\u00a0\u00b1\u00a07,9 anos), tratados com o aparelho MARA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de crescimento, apenas as vari\u00e1veis lineares (altura facial anteroinferior e altura facial posterior) aumentaram, o que tamb\u00e9m pode ser compreendido em virtude das altera\u00e7\u00f5es tardias do crescimento craniofacial. Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> tamb\u00e9m n\u00e3o observaram altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o de crescimento. Ruf e Pancherz<sup>12<\/sup> observaram que o \u00e2ngulo SN.GoGn n\u00e3o foi alterado durante a fase com o Herbst, o que est\u00e1 de acordo com estudos de Herbst em crian\u00e7as. A diminui\u00e7\u00e3o do \u00e2ngulo SN.GoGn, durante a fase com aparelho fixo e durante todo o per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o, assim como o avan\u00e7o mandibular, resultaram na redu\u00e7\u00e3o da convexidade do perfil esquel\u00e9tico e tegumentar. Controles mostraram desenvolver-se de maneira oposta, com aumento da convexidade facial com o passar do tempo<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<h3><strong>Efeitos dent\u00e1rios<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como no presente estudo, Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> observaram extrus\u00e3o dos incisivos superiores como efeito do tratamento com o aparelho Jasper Jumper. Tamb\u00e9m observaram retra\u00e7\u00e3o dos incisivos superiores e inclina\u00e7\u00e3o distal da coroa do molar superior, o que n\u00e3o se observou no presente estudo, provavelmente porque os pacientes do presente estudo eram mais velhos (22,41 anos) que os pacientes avaliados por Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> (16,5 anos). Como o l\u00e1bio superior abaixa durante o\u00a0envelhecimento<sup>22<\/sup>, a extrus\u00e3o dos incisivos superiores pode ser considerada uma vantagem desse tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observou-se, no componente dentoalveolar inferior, altera\u00e7\u00f5es significativas para quase todas as vari\u00e1veis analisadas (inclina\u00e7\u00e3o para vestibular, protrus\u00e3o e intrus\u00e3o dos incisivos e mesializa\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o dos molares), sendo a posi\u00e7\u00e3o vertical dos incisivos a exce\u00e7\u00e3o, pois manteve-se inalterada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ruf e Pancherz apresentaram<sup>11<\/sup> as adapta\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias e faciais que obtiveram em pacientes adolescentes e em adultos jovens. Em ambos os grupos, a corre\u00e7\u00e3o da Classe II e do trespasse horizontal foi promovida, em sua maior parte, por altera\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias, e, em menor parte, por altera\u00e7\u00f5es esquel\u00e9ticas<sup>10<\/sup>. Os pacientes adolescentes apresentaram maior crescimento mandibular, enquanto os pacientes adultos jovens apresentaram maior mesializa\u00e7\u00e3o do molar inferior e, consequentemente, maior protrus\u00e3o dos incisivos inferiores. G\u00f6nner et al.<sup>5<\/sup> observaram aumento de mais de 5\u00b0 do valor de IMPA para pacientes adultos (33,7\u00a0anos) tratados com o aparelho MARA em conjunto com aparelho fixo. Assim como no presente estudo, Nalbantgil et al.<sup>7<\/sup> observaram, al\u00e9m da protrus\u00e3o dos incisivos inferiores, a intrus\u00e3o desses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inclina\u00e7\u00e3o vestibular dos incisivos inferiores e sua repercuss\u00e3o no <i>status<\/i> periodontal s\u00e3o controversas. Alguns trabalhos consideraram a protrus\u00e3o um fator de risco \u00e0 recess\u00e3o gengival, uma vez que observaram associa\u00e7\u00e3o entre essa e o movimento vestibular<sup>22-25<\/sup>; todavia, outros n\u00e3o observaram tal associa\u00e7\u00e3o<sup>26,27,28<\/sup>. Para Melsen e Allais<sup>29<\/sup>, outros fatores predisponentes \u00e0 recess\u00e3o gengival devem ser levados em conta, como bi\u00f3tipo gengival, placa vis\u00edvel e inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma rela\u00e7\u00e3o positiva entre a idade do paciente e a severidade da perda \u00f3ssea j\u00e1 foi identificada<sup>30,31<\/sup>. De acordo com Ko-Kimura et al.<sup>32<\/sup>, a preval\u00eancia dos espa\u00e7os negros no p\u00f3s-tratamento ortod\u00f4ntico \u00e9 maior em pacientes acima dos 20 anos de idade, e est\u00e3o associados \u00e0 reabsor\u00e7\u00e3o da crista alveolar. A preval\u00eancia m\u00e9dia de espa\u00e7os negros encontrados na popula\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica adulta p\u00f3s-tratamento, independentemente do apinhamento inicial, foi de 38%<sup>33<\/sup>, e, na popula\u00e7\u00e3o adolescente, ap\u00f3s a corre\u00e7\u00e3o dos incisivos apinhados, foi de 43%, segundo Burke\u00a0et\u00a0al.<sup>34<\/sup> Foi demonstrado por Tanaka et al.<sup>35<\/sup> que, com o apinhamento, a papila interdent\u00e1ria pode ser esmagada, e s\u00f3 ap\u00f3s a corre\u00e7\u00e3o das m\u00e1s posi\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias o espa\u00e7o negro pode ficar evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tuverson<sup>36<\/sup> relatou que, como os dentes triangulares n\u00e3o apresentam \u00e1reas de contato, mas pontos, s\u00e3o mais inst\u00e1veis e mais suscet\u00edveis ao apinhamento. Segundo Olsson e Lindhe<sup>37<\/sup>, pacientes com incisivos centrais superiores de formato triangular (fino e alto) tendem a apresentar mais recess\u00e3o gengival do que aqueles pacientes com incisivos centrais superiores mais largos e curtos, uma vez que parece haver uma rela\u00e7\u00e3o entre bi\u00f3tipo gengival e o formato dos incisivos centrais superiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A est\u00e9tica relacionada ao posicionamento dent\u00e1rio envolvendo os incisivos superiores \u00e9 o fator que exerce maior influ\u00eancia sobre a motiva\u00e7\u00e3o dos pacientes adultos em buscar o tratamento ortod\u00f4ntico, e poucos percebem as anomalias esquel\u00e9ticas<sup>38<\/sup>. Portanto, cuidados preventivos devem ser aplicados no decorrer da qualquer movimenta\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica, principalmente nos movimentos protrusivos em pacientes com bi\u00f3tipo gengival fino e incisivo triangular. Aten\u00e7\u00e3o especial deve ser dada quando essas caracter\u00edsticas estiverem associadas a algum grau de apinhamento e\/ou placa vis\u00edvel e inflama\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2808 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab01.jpg\" alt=\"v18_n05_46_tab01\" width=\"800\" height=\"1073\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab01-223x300.jpg 223w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab01-763x1024.jpg 763w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2809\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab02.jpg\" alt=\"v18_n05_46_tab02\" width=\"800\" height=\"1081\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab02-222x300.jpg 222w, \/wp-content\/uploads\/2013\/11\/v18_n05_46_tab02-757x1024.jpg 757w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Efeitos tegumentares<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observou-se retrus\u00e3o do l\u00e1bio superior para a vari\u00e1vel Ls-E e aumento do \u00e2ngulo nasolabial. Essas altera\u00e7\u00f5es podem ter sido influenciadas pelo crescimento do nariz, uma vez que o l\u00e1bio superior permaneceu inalterado quando levada em considera\u00e7\u00e3o a vari\u00e1vel Ls-Pog\u2019Sn, coerente com a posi\u00e7\u00e3o inalterada dos incisivos superiores no sentido sagital. Apesar de terem ocorrido protrus\u00e3o e inclina\u00e7\u00e3o vestibular dos incisivos inferiores, o l\u00e1bio inferior n\u00e3o protruiu.<\/p>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos do tratamento com o Aparelho de Protra\u00e7\u00e3o Mandibular em conjunto com aparelho fixo, em pacientes adultos, para corre\u00e7\u00e3o da m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II, aconteceram, principalmente, na arcada inferior, com inclina\u00e7\u00e3o vestibular e protrus\u00e3o dos incisivos e mesializa\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o dos molares. A extrus\u00e3o dos incisivos foi a \u00fanica altera\u00e7\u00e3o significativa na arcada superior.<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b><b>:<\/b> Furquim BD, Henriques JFC, Janson G, Siqueira DF, Furquim LZ. Effects of mandibular protraction appliance associated to fixed appliance in adults. Dental Press J Orthod. 2013 Sept-Oct;18(5):46-52.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #808080;\">\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b><b>:<\/b> Bruno D\u2019Aurea Furquim<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Email: brunofurquim@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autores: Bruno D\u2019Aurea Furquim Doutorando em Reabilita\u00e7\u00e3o Oral, FOB-USP. Jos\u00e9 Fernando Castanha Henriques Livre-docente em Ortodontia e Professor Titular, FOB-USP. Guilherme Janson Livre-docente em Ortodontia e Professor Titular, FOB-USP. Danilo Furquim Siqueira Doutor em Ortodontia, FOB-USP. Professor, UNICID. Laurindo Zanco Furquim Doutor em Patologia Bucal, FOB-USP. Professor Associado, UEM. Objetivo: esse estudo retrospectivo teve como<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":16921,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-16954","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16954\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}