{"id":16383,"date":"2017-03-09T12:29:46","date_gmt":"2017-03-09T15:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dentalpress.com.br\/portal\/?p=16383"},"modified":"2017-03-09T13:33:59","modified_gmt":"2017-03-09T16:33:59","slug":"teste-linguinha-anquiloglossia-alberto-consolaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/teste-linguinha-anquiloglossia-alberto-consolaro\/","title":{"rendered":"\u201cTeste da linguinha\u201d e a anquiloglossia: as controv\u00e9rsias do assunto!"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Resumo<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Congresso Nacional tramita um projeto de lei que institui o \u201cteste da linguinha\u201d para tornar obrigat\u00f3ria a avalia\u00e7\u00e3o bucal criteriosa de rec\u00e9m-nascidos, especialmente quanto \u00e0 mobilidade lingual, a partir da an\u00e1lise do fr\u00eanulo lingual. Essa iniciativa da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia sofre restri\u00e7\u00e3o por parte da Sociedade Brasileira de Pediatria, que a considera desnecess\u00e1ria e onerosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo \u00e9 o diagn\u00f3stico e tratamento precoce da anquiloglossia resultante da inser\u00e7\u00e3o curta e\/ou anteriorizada do fr\u00eanulo lingual. A plena mobilidade da l\u00edngua favorece o desempenho das suas v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es desde quando beb\u00ea at\u00e9 a fase adulta da vida. A\u00a0avalia\u00e7\u00e3o bucal em todos os rec\u00e9m-nascidos pode levar, ainda, a diagn\u00f3sticos mais precoces de fissuras, dentes natais, cistos e tumores. Os v\u00e1rios aspectos da anquiloglossia s\u00e3o discutidos no presente trabalho.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>Anquiloglossia. L\u00edngua. Mobilidade lingual. L\u00edngua presa.<\/p>\n<h3><strong>O \u201cTeste da linguinha\u201d e a opini\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>p\u00fablica nacional<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os m\u00e9dicos e fonoaudi\u00f3logos t\u00eam discutido pela imprensa leiga a obrigatoriedade de se aplicar um protocolo de avalia\u00e7\u00e3o bucal quanto \u00e0 inser\u00e7\u00e3o da l\u00edngua no soalho bucal ou at\u00e9 mesmo \u00e0 gengiva. Nessa avalia\u00e7\u00e3o se examinaria a espessura, o comprimento e a mobilidade lingual oferecida pelo freio ou fr\u00eanulo que a une \u00e0 parte mais inferior da boca. Esse protocolo passou a ser conhecido como \u201cteste da linguinha\u201d, especialmente depois que foi apresentado como um projeto de lei, j\u00e1 aprovado, na C\u00e2mara Federal dos Deputados, e recentemente enviado ao Senado Federal para novas an\u00e1lises e vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as raz\u00f5es pelo sim na aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei do \u201cteste da linguinha\u201d, a presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Irene Marchesan, explicou que a entidade tomou a iniciativa por ser comum o atendimento de crian\u00e7as mais velhas com problemas de fala por falta de diagn\u00f3stico da anquiloglossia (anquilo = aderido ou atado; e glosso = l\u00edngua) quando eram beb\u00eas. Segundo ela, a falta de movimentos da l\u00edngua dificultaria a amamenta\u00e7\u00e3o, e um corte simples resolveria o problema, muito embora no projeto da lei n\u00e3o se tenha a realiza\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">cirurgia<\/a> como obrigat\u00f3ria, apesar de estar inclu\u00edda no rol de procedimentos do SUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas raz\u00f5es pela n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o da lei do \u201cteste da linguinha\u201d s\u00e3o mencionadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria em parecer oficial, no qual afirmam que o exame bucal j\u00e1 \u00e9 realizado rotineiramente pelos pediatras e que a lei propiciaria um aumento de custo desnecess\u00e1rio. Para o presidente da entidade, Eduardo Vaz, raramente a altera\u00e7\u00e3o do fr\u00eanulo lingual causaria problemas para a amamenta\u00e7\u00e3o, e a <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">corre\u00e7\u00e3o<\/a>, se necess\u00e1ria, pode ser feita mais tarde, mas n\u00e3o necessariamente na maternidade. A lei poderia levar a cirurgias desnecess\u00e1rias, em apenas 12% dos raros casos de anquiloglossia diagnosticada necessita-se, efetivamente, de cirurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas discuss\u00f5es na m\u00eddia, n\u00e3o se tem mencionado a participa\u00e7\u00e3o das sociedades odontol\u00f3gicas, apesar do diagn\u00f3stico, preven\u00e7\u00e3o de consequ\u00eancias e tratamentos cir\u00fargicos serem \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do cirurgi\u00e3o-dentista. Induzir reflex\u00f5es e revis\u00f5es sobre o assunto em profissionais da Odontologia e da <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">Ortodontia<\/a>: essa \u00e9 a proposi\u00e7\u00e3o do presente trabalho.<\/p>\n<h3><strong>O conhecimento da anquiloglossia\u00a0<\/strong><strong>baseado em evid\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um criterioso estudo<sup>25<\/sup> sobre os fatos e mitos no diagn\u00f3stico e tratamento da anquiloglossia revisou sistematicamente o assunto na literatura quanto aos crit\u00e9rios de diagn\u00f3sticos, indica\u00e7\u00f5es, necessidades de tratamento e suas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es nas diferentes idades de diagn\u00f3stico. Foram, ainda, inclu\u00eddas an\u00e1lises epidemiol\u00f3gicas, rela\u00e7\u00e3o com m\u00e1\u00a0oclus\u00e3o, recess\u00f5es gengivais, cirurgias e complica\u00e7\u00f5es. No final do estudo, foram inclu\u00eddos apenas 64 artigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As diferentes classifica\u00e7\u00f5es para a anquiloglossia propostas n\u00e3o t\u00eam aceita\u00e7\u00e3o uniforme na literatura. Em crian\u00e7as e adultos com anquiloglossia, as limita\u00e7\u00f5es da movimenta\u00e7\u00e3o lingual est\u00e3o presentes, mas o grau de desconforto e a severidade do problema associado ao falar s\u00e3o, ainda, subjetivamente descritos com dificuldades em categoriz\u00e1-los. N\u00e3o h\u00e1 sequer evid\u00eancias para uma afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica de que caso persista a anquiloglossia, haver\u00e1 o estabelecimento de recess\u00f5es gengivais. Da mesma forma, a literatura n\u00e3o apresenta qualquer evid\u00eancia sobre a influ\u00eancia da anquiloglossia quanto a problemas oclusais e ortod\u00f4nticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dificuldades de amamenta\u00e7\u00e3o nos rec\u00e9m-nascidos s\u00e3o descritas, mas n\u00e3o se tem um estudo bem controlado que mostre isso de uma forma definitiva, nem qual seria o tratamento ideal para esses casos de um modo geral e que sirva de protocolo. A frenulotomia, frenulectomia e a frenuloplastia s\u00e3o as principais op\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas, mas nenhum se revela melhor que o outro pela aus\u00eancia de trabalhos pertinentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suter e Bornstein<sup>25<\/sup> conclu\u00edram que uma defini\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o da anquiloglossia feita a partir de estudos criteriosos ainda \u00e9 quase imposs\u00edvel. N\u00e3o se tem estudos prospectivos controlados para interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas em anquiloglossia na literatura, n\u00e3o se permitindo sugest\u00f5es conclusivas sobre o assunto; podendo ser controvertida at\u00e9 mesmo a necessidade da cirurgia em todos os casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As afirma\u00e7\u00f5es e conceitos a seguir t\u00eam como base os trabalhos publicados nesse contexto e s\u00e3o carregados de experi\u00eancia pessoal sobre o assunto, mas sem o suporte de um conhecimento obtido por evid\u00eancias testadas cientificamente.<\/p>\n<h3><strong>Conceito e causa da anquiloglossia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua est\u00e1 <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-protese-sobre-implante-mais-protese-fixa\/\">fixa<\/a> na parte posterior da boca e na entrada da faringe. A sua parte mais solta \u2014\u00a0seus dois ter\u00e7os anteriores\u00a0\u2014 sai mais ou menos para fora, de acordo com a pessoa. Na superf\u00edcie inferior, ou ventre lingual, tem-se uma prega, membrana ou feixe de tecido mole \u2014 o freio ou fr\u00eanulo \u2014 para conter a mobilidade excessiva. Sem o fr\u00eanulo haveria uma sa\u00edda exuberante da l\u00edngua e poderia se perder o controle, machucando-se pelo contato irrestrito com os dentes. Algumas raras pessoas t\u00eam essa mobilidade lingual excessiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A anquiloglossia se caracteriza por ser um dist\u00farbio do desenvolvimento representado pelo aumento da inser\u00e7\u00e3o parcial ou completa da l\u00edngua ao soalho da boca. Essa inser\u00e7\u00e3o decorre da presen\u00e7a de um fr\u00eanulo lingual m\u00ednimo ou curto, ou, at\u00e9 mesmo, por sua completa falta. A anquiloglossia ainda pode ser definida como a situa\u00e7\u00e3o em que se detecta um movimento limitado da l\u00edngua por um fr\u00eanulo curto ou inserido de forma anteriorizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da falta de estudos, parece que os casos de anquiloglossia s\u00e3o vis\u00edveis no momento do nascimento e, por isso, deve ser considerada uma altera\u00e7\u00e3o cong\u00eanita<sup>3<\/sup>. Observa\u00e7\u00f5es em alguns casos sugerem que se trata de uma altera\u00e7\u00e3o que envolve parentes. Os estudos gen\u00e9ticos e familiares s\u00e3o muito antigos e pouco consistentes, e sugerem que a anquiloglossia tem uma \u201ctend\u00eancia familiar\u201d<sup>4,12,13,24,28<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mecanismo de ocorr\u00eancia ainda n\u00e3o foi demonstrado durante a forma\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e do soalho bucal. Microscopicamente, o fr\u00eanulo lingual \u00e9 composto por um tecido conjuntivo rico em fibras col\u00e1genas e el\u00e1sticas, com algumas fibras musculares, vasos sangu\u00edneos e c\u00e9lulas gordurosas, sendo revestido por um epit\u00e9lio pavimentoso estratificado.<\/p>\n<h3><strong>Frequ\u00eancia da anquiloglossia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para verificar a ocorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es do sistema estomatogn\u00e1tico em pacientes com anquiloglossia, Morisso, Berwig e Silva<sup>18<\/sup> analisaram 1.516 pacientes brasileiros, com idades entre 5 e 16 anos, de ambos os sexos, provenientes de escolas municipais e estaduais. O diagn\u00f3stico de anquiloglossia foi realizado por um odontopediatra em 21 pacientes e, depois, encaminhados para as avalia\u00e7\u00f5es fonoaudiol\u00f3gica e ortod\u00f4ntica. A\u00a0preval\u00eancia foi maior nos meninos entre 5 e 6 anos e de 11 a 12 anos de idade. A maioria apresentou altera\u00e7\u00f5es na postura e mobilidade lingual, bem como nas fun\u00e7\u00f5es de degluti\u00e7\u00e3o e fonoarticula\u00e7\u00e3o. O tipo de oclus\u00e3o mais frequente foi a Classe\u00a0I; a Classe III e o diastema interincisal inferior foram eventuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma popula\u00e7\u00e3o de 621 crian\u00e7as com idade entre 0 e 6 meses, as altera\u00e7\u00f5es bucais mais prevalentes foram os cistos de inclus\u00e3o, que compreendem os n\u00f3dulos de Bohn, as p\u00e9rolas de Epstein e os cistos da l\u00e2mina dent\u00e1ria. Nenhum caso de anquiloglossia foi diagnosticado nessa casu\u00edstica de crian\u00e7as<sup>21<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para van der Waal e Pindborg<sup>27<\/sup>, ocorre uma anquiloglossia a cada 1.000 nascimentos. Neville et al.<sup>19<\/sup> descrevem que a preval\u00eancia varia de 1,7 a 4,4%, e que os casos mais acentuados seriam raros, com uma incid\u00eancia de dois a tr\u00eas casos a cada 10 mil nascimentos.<\/p>\n<h3><strong>Consequ\u00eancias das anquiloglossia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fonoaudi\u00f3logos encontram muitos pacientes com queixas, nas quais o fr\u00eanulo lingual pode ser a causa ou o fator agravante do problema<sup>16<\/sup>. Entre as queixas est\u00e3o a imprecis\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o da fala; troca ou distor\u00e7\u00e3o de fonemas; abertura limitada da boca; imprecis\u00e3o dos movimentos isolados da l\u00edngua levando seu \u00e1pice para baixo; dificuldades com a ponta da l\u00edngua para lamber sorvetes; mastiga\u00e7\u00e3o e degluti\u00e7\u00e3o ineficientes com dificuldade de acoplamento da l\u00edngua no palato duro<sup>16<\/sup>. Essas queixas, n\u00e3o raramente, est\u00e3o associadas a um hist\u00f3rico de dificuldade na amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, os problemas decorrentes de altera\u00e7\u00f5es na normalidade do fr\u00eanulo lingual est\u00e3o relacionados \u00e0 fala, mas tamb\u00e9m \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, especialmente na amamenta\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e na degluti\u00e7\u00e3o<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua \u00e9 importante na degluti\u00e7\u00e3o, e, no momento da amamenta\u00e7\u00e3o, o mamilo \u00e9 comprimido e achatado pela l\u00edngua do beb\u00ea contra a papila palatina. O beb\u00ea realiza a preens\u00e3o do mamilo com os l\u00e1bios e a l\u00edngua, fazendo um vedamento formado, por cima, pelo l\u00e1bio superior e, por baixo, pela ponta da l\u00edngua e pelo l\u00e1bio inferior<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O correto movimento da l\u00edngua favorece o encaixe adequado entre a boca do beb\u00ea e a mama de sua m\u00e3e. As\u00a0disfun\u00e7\u00f5es bucais, quando presentes, levam a pouco ganho de peso ou desmame precoce. A amamenta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com anquiloglossia muitas vezes \u00e9 inadequada e traz desconforto e <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">dor<\/a> \u00e0s m\u00e3es<sup>22,26<\/sup>. Caso as altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam corrigidas, elas v\u00e3o gerar preju\u00edzos na amamenta\u00e7\u00e3o<sup>20<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os beb\u00eas com fr\u00eanulo da l\u00edngua alterado podem ter problemas na pega da mama, complicando a retirada do leite e interferindo no ganho de peso. A libera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do fr\u00eanulo, quando criteriosamente indicada, promove melhora dessa fun\u00e7\u00e3o<sup>23<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corre\u00e7\u00e3o da anquiloglossia em idade precoce reduz o risco de complica\u00e7\u00f5es aos lactentes. A frenectomia deve ser executada quando h\u00e1 interfer\u00eancia na degluti\u00e7\u00e3o e na fala<sup>5,9,11<\/sup>. Um estudo com ultrassonografia submentoniana foi realizado para determinar a efetividade da frenectomia em crian\u00e7as que apresentavam dificuldade na amamenta\u00e7\u00e3o. Os resultados revelaram que houve menor compress\u00e3o do mamilo pela l\u00edngua ap\u00f3s a frenectomia, o que acarretou menor desconforto na amamenta\u00e7\u00e3o, segundo as m\u00e3es<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<h3><strong>Diagn\u00f3stico da anquiloglossia: \u00a0<\/strong><strong>Para quem e em que momento?<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pediatra e suas subespecialidades, o odontopediatra e o cl\u00ednico geral s\u00e3o os profissionais capacitados para detectar anormalidades na boca de rec\u00e9m-nascidos, lactentes e crian\u00e7as. Cabe ao pediatra o diagn\u00f3stico das manifesta\u00e7\u00f5es presentes na boca dos beb\u00eas no in\u00edcio da vida. O odontopediatra geralmente examina as crian\u00e7as a partir do per\u00edodo da erup\u00e7\u00e3o dos dentes dec\u00edduos, por volta dos seis meses de idade. Com o advento da Odontologia para beb\u00eas, a aten\u00e7\u00e3o precoce, antes do nascimento dos dentes, tornou poss\u00edvel o diagn\u00f3stico antecipado de altera\u00e7\u00f5es bucais, como dente neonatal, pr\u00e9-natal e anquiloglossia, assim como de cistos, tumores e fissuras<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o de problemas no freio lingual permitir\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o de anormalidades de sua inser\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es das fun\u00e7\u00f5es de degluti\u00e7\u00e3o e fala pela corre\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da anquiloglossia<sup>17<\/sup>.<br \/>\nO momento mais correto deve ser logo ap\u00f3s o nascimento. Uma\u00a0vez diagnosticada a anquiloglossia, pode-se discutir o melhor momento para o tratamento cir\u00fargico. Deveria haver estudos mais amplos e definitivos com base em casu\u00edsticas maiores e em m\u00e9todos adequados para definir qual seria o melhor momento. A Sociedade Brasileira de Pediatria sugere que seja ap\u00f3s a sa\u00edda da maternidade, n\u00e3o necessariamente em seu contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma porcentagem dessas pessoas (nem todas) tem dificuldades em pronunciar certos fonemas, pois n\u00e3o consegue colocar a ponta da l\u00edngua para fora da boca ou no palato. Algumas pessoas, com a mesma dificuldade na fala, n\u00e3o t\u00eam l\u00edngua presa, mas t\u00eam v\u00edcios de posicionamento lingual.<\/p>\n<h3><strong>Categoriza\u00e7\u00e3o da anquiloglossia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da l\u00edngua com o soalho da boca, podemos ter tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>1) Pessoas que nascem com a l\u00edngua presa demais, pois o fr\u00eanulo pode ser curto e muito espesso, aderindo-a excessivamente ao soalho da boca ou, at\u00e9 mesmo, \u00e0 gengiva dos dentes anteriores.\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>2) Pacientes com fr\u00eanulo de tamanho normal, mas com sua inser\u00e7\u00e3o no ventre lingual anteriorizada, chegando-se pr\u00f3ximo \u00e0 extremidade, aumentando a rela\u00e7\u00e3o de proximidade com o soalho.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>3) Pacientes com fr\u00eanulos curtos e que tamb\u00e9m se apresentam inseridos muito \u00e0 frente, pr\u00f3ximos da ponta da l\u00edngua. Em outras palavra, t\u00eam fr\u00eanulos curtos e com inser\u00e7\u00e3o anteriorizada \u2014\u00a0um somat\u00f3rio das duas situa\u00e7\u00f5es anteriores.<\/i><\/p>\n<h3><strong>Protocolos de diagn\u00f3stico e\u00a0mensura\u00e7\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 uniformidade<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um protocolo uniformemente aceito em todos os centros mundiais poderia facilitar a tomada de decis\u00f5es, mas tal consenso ainda n\u00e3o existe<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crit\u00e9rios de Hazelbaker<sup>10<\/sup> avaliam o fr\u00eanulo lingual a partir de seus aspectos cl\u00ednicos e funcionais por meio dos par\u00e2metros que ser\u00e3o descritos a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig01.jpg\" xlink=\"href\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4071 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig01.jpg\" alt=\"v_13_n_01_96fig01\" width=\"800\" height=\"653\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig01.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig01-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><b>Aspectos cl\u00ednicos<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb L\u00edngua quando levantada:<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 = Quando redonda ou quadrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 = Ligeira fenda na ponta aparente .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">0 = Forma de cora\u00e7\u00e3o ou de \u201cV\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><i>\u00bb Elasticidade do freio:<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 = Muito el\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 = Moderadamente el\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">0 = Pouca ou nenhuma elasticidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Comprimento do fr\u00eanulo quando a l\u00edngua \u00e9 levantada<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Maior que 1cm.<\/p>\n<p>1 = De 1cm.<\/p>\n<p>0 = Menor que 1cm.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Inser\u00e7\u00e3o do fr\u00eanulo na l\u00edngua<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Posterior \u00e0 ponta.<\/p>\n<p>1 = Na ponta.<\/p>\n<p>0 = Ponta em forma de \u201cV\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Inser\u00e7\u00e3o do fr\u00eanulo no rebordo \u00a0<\/i><i>alveolar inferior<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Inser\u00e7\u00e3o no soalho da boca ou bem abaixo do rebordo.<\/p>\n<p>1 = Inser\u00e7\u00e3o logo abaixo do rebordo.<\/p>\n<p>0 = Inser\u00e7\u00e3o no rebordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Aspectos funcionais:<\/b><\/h3>\n<p><i><strong>\u00bb Lateraliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<\/i><\/p>\n<p>2 = Completa.<\/p>\n<p>1 = Corpo da l\u00edngua, mas n\u00e3o a ponta da l\u00edngua.<\/p>\n<p>0 = Nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><strong>\u00bb Eleva\u00e7\u00e3o da l\u00edngua<\/strong><br \/>\n<\/i><\/p>\n<p>2 = Ponta da l\u00edngua no meio da boca.<\/p>\n<p>1 = Somente a ponta na borda do meio da boca.<\/p>\n<p>0 = A ponta est\u00e1 abaixo do rebordo alveolar inferior ou sobe para o meio da boca com o fechamento da mand\u00edbula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Extens\u00e3o da l\u00edngua<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = A ponta sobre o l\u00e1bio inferior.<\/p>\n<p>1 = A ponta somente sobre a gengiva.<\/p>\n<p>0 = Nenhuma das alternativas; anterior ou protuber\u00e2ncia no meio da l\u00edngua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Depress\u00e3o do corpo da l\u00edngua<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Completa.<\/p>\n<p>1 = Moderada.<\/p>\n<p>0 = Pequena ou nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Peristaltismo<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Completo.<\/p>\n<p>1 = Moderado ou parcial.<\/p>\n<p>0 = Pequeno ou nenhum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>\u00bb Movimento brusco da l\u00edngua<\/i><\/strong><\/p>\n<p>2 = Nenhum.<\/p>\n<p>1 = Peri\u00f3dico.<\/p>\n<p>0 = Frequente ou em cada suc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, Marchesan<sup>16<\/sup>, depois de analisar alguns poucos trabalhos<sup>2,3,7,14,15<\/sup> que oferecem um protocolo de avalia\u00e7\u00e3o da anquiloglossia, destacou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Essas classifica\u00e7\u00f5es e protocolos dependem de crit\u00e9rios qualitativos, quando a experi\u00eancia do avaliador \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Pela dificuldade em mensurar tecidos moles, poucos estudos procuram avaliar o fr\u00eanulo por meio de medidas quantitativas, de modo que as imprecis\u00f5es poder\u00e3o ser frequentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um desses estudos, o comprimento m\u00e9dio dos fr\u00eanulos seria mensurado com uma r\u00e9gua espec\u00edfica, que determinaria a ocorr\u00eancia e o tipo de anquiloglossia. A\u00a0anquiloglossia seria classificada como suave quando o fr\u00eanulo se apresentasse com menos de 10mm, moderada entre 10 e 15mm, e severa com mais de 15mm.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro estudo, o par\u00e2metro foi o comprimento livre da l\u00edngua para fora da boca, medido a partir de uma r\u00e9gua. L\u00ednguas com mais de 16mm deveriam ser classificadas como normal; com menos que de 12 a 16mm uma anquiloglossia m\u00e9dia classe\u00a0I; quando a medida fosse de 8 a 11mm, moderada ou classe II; em casos em que a medida fosse de 3 a 7mm, a anquiloglossia seria considerada severa ou classe III. Em casos de comprimento inferior a 3mm, a anquiloglossia seria considerada classe IV ou completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro crit\u00e9rio utilizado foi o comprimento do fr\u00eanulo com a l\u00edngua levantada: a inser\u00e7\u00e3o normal do fr\u00eanulo seria a 1cm do \u00e1pice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que existe controv\u00e9rsia quanto aos par\u00e2metros diagn\u00f3sticos e crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m h\u00e1 controv\u00e9rsia a respeito da necessidade ou n\u00e3o de cirurgia como tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de an\u00e1lises em 98 pessoas (82 com fr\u00eanulo normal e 16 com alterado), Marchesan<sup>15,16<\/sup> estabeleceu para os fr\u00eanulos linguais a seguinte classifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a)<\/strong> Curtos: quando de tamanhos menores que os da maioria, embora inseridos em local correto, conforme descri\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica: da metade da face inferior da l\u00edngua, ou ventre, at\u00e9 o assoalho da boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b)<\/strong> Com inser\u00e7\u00e3o anteriorizada, embora de tamanho normal: quando inserido em qualquer ponto \u00e0 frente da metade da face inferior da l\u00edngua, inclusive pr\u00f3ximo ao \u00e1pice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c)<\/strong> Curto e com inser\u00e7\u00e3o anteriorizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensura\u00e7\u00e3o para essa classifica\u00e7\u00e3o do fr\u00eanulo e sua decorrente anquiloglossia, sugerida por Marchesan<sup>15,16<\/sup>, pode ser feita a partir de quatro etapas:<\/p>\n<p><strong>a)<\/strong> Com abertura m\u00e1xima da boca, sem interfer\u00eancia da l\u00edngua, tomando-se como ponto de apoio para o paqu\u00edmetro os incisivos centrais esquerdos superiores e inferiores.<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong> O indiv\u00edduo coloca o \u00e1pice da l\u00edngua na papila incisiva, mantendo-a nesse ponto e abrindo a boca ao m\u00e1ximo, novamente com os mesmos pontos de apoio para o paqu\u00edmetro.<\/p>\n<p><strong>c)<\/strong> Ap\u00f3s o indiv\u00edduo sugar a l\u00edngua na arcada superior, mant\u00e9m-na nessa posi\u00e7\u00e3o com a boca aberta.<\/p>\n<p><strong>d)<\/strong> Com esp\u00e1tula de madeira encostada na face vestibular dos incisivos centrais inferiores, solicita-se ao indiv\u00edduo que coloque sua l\u00edngua para fora, estirando-a ao m\u00e1ximo. Com um l\u00e1pis preto, risca-se a esp\u00e1tula no local de maior alcance da l\u00edngua, que, assim, pode ser mensurado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig02.jpg\" xlink=\"href\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4072 aligncenter\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig02.jpg\" alt=\"v_13_n_01_96fig02\" width=\"800\" height=\"620\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig02.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig02-300x232.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig03.jpg\" xlink=\"href\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4073\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig03.jpg\" alt=\"v_13_n_01_96fig03\" width=\"400\" height=\"588\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig03.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2014\/03\/v_13_n_01_96fig03-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><strong>\u201cTeste da Linguinha\u201d<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come\u00e7ar a falar, desde o nascimento, a l\u00edngua exerce outras fun\u00e7\u00f5es fundamentais, como participar da degluti\u00e7\u00e3o e da mastiga\u00e7\u00e3o. Nos rec\u00e9m-nascidos isso significa, literalmente, amamenta\u00e7\u00e3o e capacidade de suc\u00e7\u00e3o, que requerem uma intensa atividade da l\u00edngua com um grau m\u00ednimo de mobilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns beb\u00eas nascem com o fr\u00eanulo muito aderido \u00e0 l\u00edngua, ligando-a excessivamente ao soalho da boca e at\u00e9 \u00e0 \u201cgengiva\u201d, impedindo a mobilidade para succionar o leite materno. Sem succionar, o bebe mastiga os mamilos com o rebordo alveolar, ou \u201cgengiva sem os dentes\u201d, e l\u00e1bios, podendo machucar a m\u00e3e. O beb\u00ea se cansa, n\u00e3o se alimenta, n\u00e3o ganha peso e desiste de amamentar muito cedo, afetando seu desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas s\u00e3o as justificativas para a proposta de lei do \u201cteste da linguinha\u201d, que obriga o exame do fr\u00eanulo lingual logo ap\u00f3s o nascimento para evitar problemas na amamenta\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento da crian\u00e7a e, posteriormente, na fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para convencer as opini\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 import\u00e2ncia de uma avalia\u00e7\u00e3o bucal criteriosa nos rec\u00e9m-nascidos, inclusive quanto \u00e0 mobilidade da l\u00edngua, algumas quest\u00f5es precisariam ser respondidas cientificamente e baseadas em evid\u00eancias<sup>25<\/sup>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1) <\/strong>Toda crian\u00e7a com anquiloglossia efetivamente ter\u00e1 problemas na fala?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2)<\/strong> Quantas crian\u00e7as sem anquiloglossia t\u00eam os mesmos problemas na fala?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3)<\/strong> Seria a anquiloglossia uma causa significativa dos problemas de amamenta\u00e7\u00e3o ou as portadoras teriam o mesmo \u00edndice das crian\u00e7as sem o problema?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4)<\/strong> Quais os crit\u00e9rios para se indicar ou n\u00e3o a cirurgia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se adotar padroniza\u00e7\u00e3o, os protocolos precisam ser de consenso, e, para serem estabelecidos, requerem evid\u00eancias inequ\u00edvocas, metodologicamente obtidas.<\/p>\n<h2><strong>Considera\u00e7\u00e3o Final<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No rec\u00e9m-nascido, um protocolo de avalia\u00e7\u00e3o bucal deveria ser atividade normal do profissional, sem precisar de uma lei obrigando-o a isso, pois pode haver fissuras, dentes precoces, cistos e tumores. Leis, por exemplo, n\u00e3o devem determinar nem o tempo de uma consulta m\u00e9dica e nem se deveria fazer radiografias das ra\u00edzes antes de tratar os dentes em todos os pacientes. Talvez seja mais interessante ensinar um protocolo aos m\u00e9dicos e cirurgi\u00f5es-dentistas em sua gradua\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia do que criar uma lei para obrig\u00e1-los a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a lei do \u201cteste da linguinha\u201d for aprovada ou n\u00e3o, o\u00a0que mais importa foi o debate suscitado e os avan\u00e7os obtidos, inclusive a conscientiza\u00e7\u00e3o de um maior n\u00famero de pessoas e profissionais sobre o assunto.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>\u00bb O autor declara n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>\u00bb O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo autorizou(aram) previamente a publica\u00e7\u00e3o de suas fotografias faciais e intrabucais, e\/ou radiografias.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo:<\/b> Consolaro A. \u201cTeste da linguinha\u201d e a anquiloglossia: as controv\u00e9rsias do assunto! Rev Cl\u00edn Ortod Dental Press. 2014 fev-mar;13(1):96-104.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Endere\u00e7o de correspond\u00eancia: <\/b>Alberto Consolaro<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">E-mail: consolaro@uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo tem como objetivo o diagn\u00f3stico e tratamento precoce da anquiloglossia resultante da inser\u00e7\u00e3o curta e\/ou anteriorizada do fr\u00eanulo lingual. A plena mobilidade da l\u00edngua favorece o desempenho das suas v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es desde quando beb\u00ea at\u00e9 a fase adulta da vida. <\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":16385,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-16383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}