{"id":1638,"date":"2013-09-25T17:43:32","date_gmt":"2013-09-25T20:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1638"},"modified":"2013-09-25T17:43:32","modified_gmt":"2013-09-25T20:43:32","slug":"influencia-da-abertura-coronaria-na-localizacao-dos-canais-radiculares-em-incisivos-inferiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/influencia-da-abertura-coronaria-na-localizacao-dos-canais-radiculares-em-incisivos-inferiores\/","title":{"rendered":"Influ\u00eancia da abertura coron\u00e1ria na localiza\u00e7\u00e3o dos canais radiculares em incisivos inferiores"},"content":{"rendered":"<p><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Objetivo: avaliar a influ\u00eancia das formas de aberturas coron\u00e1rias na localiza\u00e7\u00e3o dos canais radiculares em incisivos inferiores. M\u00e9todos: foram utilizados 32 <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> extra\u00eddos de humanos, sendo 16 com canal \u00fanico e 16 com dois canais radiculares que receberam, inicialmente, aberturas coron\u00e1rias ovais conservadoras, seguidas de montagem aleat\u00f3ria em manequim, para avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do n\u00famero de canais radiculares por dois especialistas. Ap\u00f3s essa etapa, os acessos foram ampliados para forma triangular n\u00e3o conservadora, sendo submetidos a uma segunda avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica quanto ao n\u00famero de canais radiculares. Resultados: nos exames das aberturas conservadoras, os examinadores 1 e 2 obtiveram, respectivamente, 15 (94%) e 14 (87%) acertos para os dentes com um canal, com nenhum (0%) e 5 acertos (31,2%) para os dentes com 2 canais. Ap\u00f3s ampliar as aberturas, os examinadores 1 e 2 obtiveram, respectivamente, 16 acertos (100%) nos casos com 1 canal, com 5 (31,2%) e 10 (62%) acertos nos casos com 2 canais. Entre os examinadores, na abertura n\u00e3o conservadora obteve-se Kappa = 0,456 e, na conservadora, Kappa=0,629, determinando concord\u00e2ncia moderada. Conclus\u00e3o: conforme os resultados, as aberturas coron\u00e1rias triangulares n\u00e3o conservadoras levam a um percentual maior de acertos na localiza\u00e7\u00e3o dos canais de incisivos inferiores do que as aberturas conservadoras ovais, sendo essa diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&lt;0,05).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Palavras-chave: <\/b>Preparo de canal radicular. <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-intensivo-de-endodontia-para-molares\/\">Endodontia<\/a>. Cavidade pulpar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O acesso cl\u00ednico ao sistema de canais radiculares, obtido por meio de uma abertura idealmente planejada e realizada na coroa do dente, objetiva n\u00e3o apenas aceder \u00e0 c\u00e2mara pulpar, mas prepar\u00e1-la de forma adequada para localizar e explorar os canais radiculares que ser\u00e3o submetidos aos procedimentos de limpeza, modelagem e obtura\u00e7\u00e3o do sistema de canais, contribuindo, assim, para o \u00eaxito do tratamento.<\/p>\n<p>Na abertura de incisivos inferiores, um \u00fanico canal radicular com maior dimens\u00e3o vestibulolingual \u00e9 localizado na maioria das vezes, no entanto, tais dentes podem apresentar dois canais radiculares (vestibular e lingual) numa incid\u00eancia que varia de 11,5 a 45,0%, conforme estudos realizados por Madeira e Hetem<sup>1<\/sup>, Benjamin e Dowson<sup>2<\/sup>, Kartal e Yanikoglu<sup>3<\/sup> e Oliveira et al.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Para Buchanan<sup>5<\/sup>, a cavidade de acesso tradicional, ou cl\u00e1ssica, que envolve toda a circunfer\u00eancia da c\u00e2mara pulpar em um formato triangular ou oval, resulta em um acesso 50% maior que o necess\u00e1rio, o que significa um desperd\u00edcio bruto de estrutura dent\u00e1ria saud\u00e1vel. Assim, recomenda que durante o acesso de dentes anteroinferiores a forma de contorno seja oval, com desgaste conservador no sentido mesiodistal de 1,5mm. Contudo, Nielsen e Shahmohammadi<sup>6<\/sup> comentaram que a forma adequada de acesso depende mais da anatomia em si e, no caso dos incisivos inferiores, consider\u00e1vel aten\u00e7\u00e3o deve ser dada no preparo da cavidade de acesso a fim de localizar dois canais. Por isso, ampliar mesiodistalmente al\u00e9m de 1mm \u00e9 justific\u00e1vel, se for necess\u00e1rio obter adequada visualiza\u00e7\u00e3o e instrumenta\u00e7\u00e3o do canal.<\/p>\n<p>Segundo Peters<sup>7<\/sup>, os erros de abertura geralmente originam-se de aberturas estendidas aqu\u00e9m ou al\u00e9m do necess\u00e1rio. Aberturas diminutas podem levar o profissional a n\u00e3o encontrar os canais, ou caso seja encontrado e n\u00e3o tenha sido feito um acesso em linha reta, aumentam as chances de fratura da lima ou de transporte do canal. Cavidades muito extensas geralmente causam remo\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de estrutura dent\u00e1ria e enfraquecem o remanescente coron\u00e1rio, podendo ocasionar, em longo prazo, comprometimento irrepar\u00e1vel do elemento dent\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diante do exposto, o presente trabalho tem por objetivo comparar se aberturas coron\u00e1rias conservadoras com formato oval e aberturas coron\u00e1rias n\u00e3o conservadoras com formato triangular, influenciam na localiza\u00e7\u00e3o dos canais radiculares de incisivos inferiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Material e M\u00e9todos<\/b><\/p>\n<p>Foram utilizados incisivos inferiores permanentes de humanos, cedidos pelo Banco de Dentes da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas (FOUFAL), n\u00e3o tendo sido anotada a raz\u00e3o da exodontia, o ant\u00edmero, idade, sexo e ra\u00e7a do paciente. O projeto foi aprovado pelo Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa (CEP) sob protocolo n\u00b0 000470\/2011-85.<\/p>\n<p>Participaram da pesquisa apenas incisivos inferiores com coroas h\u00edgidas ou com pequenas restaura\u00e7\u00f5es localizadas nas faces proximais sem envolvimento da c\u00e2mara pulpar, portadores de ra\u00edzes h\u00edgidas, isentos de calcifica\u00e7\u00f5es na cavidade pulpar, contendo um ou dois canais radiculares com bifurca\u00e7\u00e3o no ter\u00e7o cervical. Para confirmar a aus\u00eancia de calcifica\u00e7\u00f5es, bem como o n\u00famero de canais, realizaram-se radiografias digitais de mesial para distal e de vestibular para lingual utilizando um aparelho de raios X (Intra-oral Focus, Kavo<sup>\u00ae<\/sup>), de 60 kVp e 10 mA, regulado para 0,3 de segundos de exposi\u00e7\u00e3o (Fig. 1).<\/p>\n<p>Um total de 32 incisivos inferiores, sendo 16 dentes com canal \u00fanico e 16 dentes com 2 canais radiculares (vestibular e lingual) foram utilizados. Para avaliar se a forma de abertura influenciava na localiza\u00e7\u00e3o dos canais radiculares, todas as amostras tiveram seus acessos feitos de forma conservadora (grupo conservador oval), seguidos de avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica por dois examinadores especialistas em Endodontia. Finda essa etapa, os mesmos dentes receberam um desgaste adicional em suas aberturas, dando origem ao segundo grupo (grupo n\u00e3o conservador triangular), para posterior avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de canais radiculares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig015.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1639\" alt=\"Artigos_ENDO_v02_n03_fig01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig015.jpg\" width=\"400\" height=\"337\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig015.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig015-300x252.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na abertura coron\u00e1ria oval conservadora utilizou-se uma ponta diamantada esf\u00e9rica de alta rota\u00e7\u00e3o n\u00famero 1011 (KG Sorensen) para trabalhar em esmalte no centro da face lingual, objetivando obter uma forma ovalada com maior di\u00e2metro cervicoincisal, a qual se estendia das proximidades da borda incisal \u00e0 \u00e1rea um pouco acima (coron\u00e1ria) do c\u00edngulo. Ap\u00f3s dar a forma oval inicial, perfurou-se a c\u00e2mara pulpar com a ponta esf\u00e9rica e, com uma ponta diamantada c\u00f4nica de extremidade inativa n\u00famero 3082 (KG Sorensen), em alta rota\u00e7\u00e3o, removeu-se o teto da c\u00e2mara e interfer\u00eancia vestibular, inclinando-se ligeiramente a ponta diamantada para a borda incisal da abertura. Em seguida realizou-se o desgaste da dentina lingual localizada sob o c\u00edngulo. A largura mesiodistal da abertura conservadora ficou entre 1,0 e 1,25mm (Fig. 2).<\/p>\n<p>Na abertura coron\u00e1ria triangular n\u00e3o conservadora a forma de contorno oval foi ampliada com a mesma ponta diamantada 3082 (KG Sorensen<sup>\u00ae<\/sup>), deixando as paredes proximais do acesso ligeiramente divergentes para incisal. Na borda incisal da abertura realizou-se um bisel objetivando englobar a borda incisal do dente e, cervicalmente, a abertura foi estendida \u00e0 \u00e1rea do c\u00edngulo, recebendo um desgaste adicional da dentina situada na parede lingual da abertura. A extens\u00e3o mesiodistal da abertura ficou entre 1,5 e 2mm (Fig. 3).<\/p>\n<p>Para exame do n\u00famero de canais radiculares, os incisivos com um e dois canais, previamente identificados, foram posicionados de forma aleat\u00f3ria no segmento anteroinferior de um manequim para periodontia (Prodens) e avaliados em ambos os momentos por dois especialistas em Endodontia com diferentes per\u00edodos de experi\u00eancia (o examinador 1 com 7 anos de experi\u00eancia e o examinador 2 com 25 anos de experi\u00eancia).<\/p>\n<p>Com os manequins devidamente posicionados na cadeira odontol\u00f3gica e sob a ilumina\u00e7\u00e3o de um refletor (Persus Simples, Gnatus), cada observador recebeu uma ficha de identifica\u00e7\u00e3o dos elementos dent\u00e1rios, espelho bucal plano, uma sonda exploradora endod\u00f4ntica e limas tipo K n\u00famero 10 de 21mm (Dentsply Maillefer) para explorar e identificar o n\u00famero de canais radiculares.<\/p>\n<p>Para an\u00e1lise de concord\u00e2ncia inter e intraexaminadores foi utilizado o \u00edndice Kappa e para compara\u00e7\u00e3o dos resultados obtidos com os diferentes tipos de aberturas foi utilizado o teste de McNemar (p=0,05).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Resultados<\/b><\/p>\n<p>Na Tabela 1, observam-se que nas aberturas conservadoras os examinadores 1 e 2 obtiveram, respectivamente, 94% e 97% de acertos na identifica\u00e7\u00e3o dos casos com canal \u00fanico, obtendo 0 e 31% de acertos dos casos com dois canais. Ademais, dos 16 casos que continham canal \u00fanico, os examinadores 1 e 2 classificaram equivocadamente um e dois dentes portadores de 2 canais radiculares, respectivamente. Ap\u00f3s examinar as aberturas ampliadas (n\u00e3o conservadoras triangulares), os examinadores 1 e 2, respectivamente, obtiveram acertos de 5 (31,2%) e 10 (62%) dos 16 casos com 2 canais, com 100% de acerto para os casos com canal \u00fanico.<\/p>\n<p>A Tabela 2 demonstra que o examinador 1 obteve 15 acertos e 11 erros na localiza\u00e7\u00e3o dos canais dos mesmos dentes nas duas formas de abertura (oval e triangular). No entanto, com os seis erros ocorridos no exame de dentes com aberturas conservadoras, ocorreram acertos quando eles foram examinados ap\u00f3s ampliar-se a cavidade. Para comparar os resultados obtidos pelo examinador 1, foi utilizado o teste de McNemar, obtendo-se um valor de p=0,031, o que indica a exist\u00eancia de diferen\u00e7a significativa entre as t\u00e9cnicas (p&lt;0,05), tendo a abertura coron\u00e1ria n\u00e3o conservadora obtido um percentual de acertos maior do que a abertura conservadora. O coeficiente de concord\u00e2ncia entre as t\u00e9cnicas de abertura para localizar canais radiculares para o examinador 1 foi Kappa = 0,632, indicando que existiu concord\u00e2ncia moderada entre as duas t\u00e9cnicas de abertura coron\u00e1ria na localiza\u00e7\u00e3o de canais radiculares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig02-32.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1640\" alt=\"Artigos_ENDO_v02_n03_fig02-3\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig02-32.jpg\" width=\"800\" height=\"250\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig02-32.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_fig02-32-300x93.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab0111.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1642\" alt=\"Artigos_ENDO_v02_n03_tab01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab0111.jpg\" width=\"800\" height=\"175\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab0111.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab0111-300x65.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab02-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1643\" alt=\"Artigos_ENDO_v02_n03_tab02-3\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab02-3.jpg\" width=\"800\" height=\"181\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab02-3.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Artigos_ENDO_v02_n03_tab02-3-300x67.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Tabela 3 demonstra que para o examinador 2 houve 18 acertos e 5 erros tanto na forma conservadora oval como na forma n\u00e3o conservadora triangular, sendo observado que em 8 casos de erros da abertura conservadora ocorreram acertos quando a cavidade foi ampliada. Para comparar os resultados, foi utilizado o teste de McNemar, com valor de p=0,039, o que indica a exist\u00eancia de diferen\u00e7a significativa entre as t\u00e9cnicas (p&lt;0,05), tendo a abertura coron\u00e1ria triangular n\u00e3o conservadora obtido um percentual de acertos de 81,3%, contra 59,4% da abertura conservadora oval. O coeficiente de concord\u00e2ncia entre as t\u00e9cnicas foi Kappa=0,363, indicando que para o examinador 2 existiu uma concord\u00e2ncia fraca entre as duas t\u00e9cnicas de abertura coron\u00e1ria na localiza\u00e7\u00e3o de canais radiculares.<\/p>\n<p>O coeficiente de concord\u00e2ncia entre os examinadores 1 e 2 para a abertura triangular n\u00e3o conservadora foi Kappa = 0,456 e, para a abertura oval conservadora, foi Kappa = 0,629, assim determinando que os examinadores 1 e 2 apresentaram concord\u00e2ncia moderada. A maior concord\u00e2ncia dos resultados entre os examinadores na determina\u00e7\u00e3o do n\u00famero de canais ocorreu na forma de abertura oval conservadora pelo fato do n\u00famero de erros ter sido maior para os dois examinadores nessa etapa. No entanto, tanto para o examinador 1 como para o examinador 2, a abertura triangular n\u00e3o conservadora foi mais eficiente do que a conservadora para detec\u00e7\u00e3o do n\u00famero de canais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Discuss\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Para os incisivos inferiores com dois canais, Warren e Laws<sup>8<\/sup> e Clements e Gilboe<sup>9<\/sup> recomendam que a abertura coron\u00e1ria seja realizada por vestibular ou, conforme LaTurno e Zillich<sup>10<\/sup>, Mauger et al.<sup>11<\/sup> e Johnson<sup>12<\/sup>, que a cavidade seja estendida mais para vestibular, uma vez que a abertura por lingual dificultar\u00e1 a localiza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o do segundo canal pela presen\u00e7a da protuber\u00e2ncia proeminente da dentina na \u00e1rea do c\u00edngulo. Sobre a extens\u00e3o da cavidade de acesso para vestibular, Mauger et al.<sup>11<\/sup> conclu\u00edram que nos dentes com maior desgaste da borda incisal, o local ideal para obter-se acesso em linha reta muda de vestibular para a borda incisal. Nesse trabalho os melhores resultados obtidos nas aberturas com forma triangular podem ter sofrido influ\u00eancia do envolvimento da borda incisal dos dentes na cavidade de acesso, conforme citam os autores que defendem essa forma de abordagem.<\/p>\n<p>Em contrapartida, Janik<sup>13<\/sup> defende ser imperativo estender a cavidade de acesso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea do c\u00edngulo para localizar e desbridar adequadamente o canal lingual, caso evid\u00eancias radiogr\u00e1ficas sugiram a possibilidade de dois canais nos incisivos inferiores. Concordando com essa forma de abordagem, est\u00e3o autores como Ingle et al.<sup>14<\/sup>, Vertucci et al.<sup>15<\/sup>, Buchanan<sup>5<\/sup> e Peters<sup>7<\/sup>. Procedimentos similares foram adotados nesse estudo, onde aberturas n\u00e3o conservadoras tiveram a cavidade ampliada \u00e0 \u00e1rea do c\u00edngulo, com maior desgaste da parede dentin\u00e1ria lingual, o que pode ter auxiliado no maior n\u00famero de acertos obtidos pelos examinadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o dos canais de incisivos inferiores.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma e tamanho da cavidade de acesso Stock<sup>16<\/sup>, Ingle et al.<sup>14<\/sup> e Vertucci et al.<sup>15<\/sup> afirmaram que o contorno externo das aberturas coron\u00e1rias em incisivos inferiores pode ser triangular ou oval, dependendo da proemin\u00eancia dos cornos pulpares mesial e distal. Ruddle<sup>17<\/sup> recomenda que o tamanho da cavidade de acesso seja determinado pela posi\u00e7\u00e3o do(s) orif\u00edcio(s) de entrada do(s) canal(is) e, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s paredes axiais, recomenda que sejam estendidas lateralmente de forma que o(s) orif\u00edcio(s) esteja(m) em continuidade com elas. A esse aspecto, Janik<sup>13<\/sup> relata que em um acesso excessivamente pequeno, a lima inserida no dente geralmente passar\u00e1 no canal vestibular de forma livre, n\u00e3o localizando o canal lingual. Tal fato foi observado no presente trabalho onde a dificuldade em localizar dois canais foi maior nas aberturas conservadoras ovais, quando comparado com as aberturas n\u00e3o conservadoras, para os dois examinadores.<\/p>\n<p>Corcoran et al.<sup>18<\/sup> demonstraram em um estudo que a experi\u00eancia profissional influencia na localiza\u00e7\u00e3o de canais adicionais. No presente estudo, ao examinar-se os elementos dent\u00e1rios com aberturas coron\u00e1rias ovais conservadoras, nenhum caso que continha dois canais foi identificado pelo examinador 1 (menos experiente). No entanto, no mesmo grupo conservador, o examinador 2 (mais experiente) acertou 5 (31,2%) dos 16 casos que apresentavam 2 canais radiculares. Quando os mesmos 16 dentes foram examinados no segundo momento, ou seja, ap\u00f3s ampliar a abertura conservadora, o examinador 1 aumentou os acertos, localizando em 5 (31,2%) dos 16 casos os 2 canais, e o examinador 2 acertou 10 (62%) dos 16 casos que apresentavam 2 canais radiculares. Na abertura conservadora, 6,2%\u00a0(1\u00a0dente) e 13% (2 dentes) dos 16 dentes que continham canal \u00fanico, foram classificados equivocadamente como portadores de 2 canais pelos examinadores 1 e 2, respectivamente, n\u00e3o sendo observados casos de erro na identifica\u00e7\u00e3o dos casos com um canal ap\u00f3s obter-se a forma de abertura triangular n\u00e3o conservadora, tanto para o examinador 1 quanto para o 2.<\/p>\n<p>Esse trabalho demonstra a necessidade do procedimento de acesso nos dentes anteriores inferiores com dois canais apresentarem uma maior amplitude nos sentidos mesiodistal e cervicoincisal para facilitar a localiza\u00e7\u00e3o do canal lingual. O n\u00e3o envolvimento da borda incisal, assim como da \u00e1rea do c\u00edngulo do dente na extens\u00e3o cervicoincisal da abertura oval conservadora, dificultou, em muito, a localiza\u00e7\u00e3o do segundo canal e, segundo Janik<sup>13<\/sup>, em muitos momentos a conserva\u00e7\u00e3o do c\u00edngulo pode levar ao fracasso em localizar o canal lingual, assim como o acesso tradicional por lingual pode deixar um segundo canal sem ser tratado, conforme citam Warren e Laws<sup>8<\/sup> e Clements e Gilboe<sup>9<\/sup>, que defendem o envolvimento da face vestibular ou da borda incisal na abertura de incisivos inferiores. A diminuta extens\u00e3o da abertura oval no sentido mesiodistal (1,0 a 1,25mm), defendida por autores como Buchanan<sup>5<\/sup>, pode ter prejudicado a ilumina\u00e7\u00e3o e inspe\u00e7\u00e3o indireta no exame cl\u00ednico dos dentes que continham dois canais, pelo fato das suas paredes n\u00e3o serem expulsivas como nas aberturas triangulares n\u00e3o conservadoras, que permitem melhor passagem da luz refletida pelo espelho para a parte interna da cavidade. Ainda, segundo Nielsen e Shahmohammadi<sup>6<\/sup>, ampliar mesiodistalmente al\u00e9m de 1mm \u00e9 justific\u00e1vel se for necess\u00e1rio obter adequada visualiza\u00e7\u00e3o e instrumenta\u00e7\u00e3o do canal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Com base nesse estudo, pode-se concluir que a forma de abertura coron\u00e1ria triangular n\u00e3o conservadora favorece significativamente a localiza\u00e7\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o dos canais radiculares de incisivos inferiores quando comparada com a forma de abertura oval conservadora. No entanto, como em nenhuma das formas de abertura houve 100% de acerto na localiza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de dois canais, pesquisas adicionais s\u00e3o necess\u00e1rias para observar se aberturas coron\u00e1rias com abordagem vestibular influenciam na localiza\u00e7\u00e3o do segundo canal de incisivos inferiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b>:<\/p>\n<p>Vasconcellos RCC, Barbosa VF, Inojosa IFAJ, Machado JL, Santos RA, Menezes RF, Soares MMLT. Influence of coronal opening in the location of root canals in mandibular incisors. Dental Press Endod. 2012 July-Sept;2(3):74-9.<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Renata Carvalho Cabral de Vasconcellos<\/strong><\/p>\n<p>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia:<\/p>\n<p>Rua H\u00e9lio Pradines, 475 \u2013 Edif. P\u00e9rgamo, Apto 802 \u2013 Ponta Verde \u2013 Macei\u00f3\/AL<\/p>\n<p>CEP: 57035-220 \u2013 Email: recarvalhocabral@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avaliar a influ\u00eancia das formas de aberturas coron\u00e1rias na localiza\u00e7\u00e3o dos canais radiculares em incisivos inferiores.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1638","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1638\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}