{"id":1608,"date":"2013-09-25T17:57:46","date_gmt":"2013-09-25T20:57:46","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1608"},"modified":"2013-09-25T17:57:46","modified_gmt":"2013-09-25T20:57:46","slug":"luiz-meirelles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/luiz-meirelles\/","title":{"rendered":"Dr. Luiz Meirelles"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/imagem_011.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1656 alignright\" alt=\"imagem_01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/imagem_011.jpg\" width=\"400\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #1e1e1e;\"><em>Muitos brasileiros sonham em um dia estudar no exterior. Talvez fazer uma carreira em outro pa\u00eds ou, simplesmente, fazer ao Brasil uma contribui\u00e7\u00e3o verdadeira para o\u00a0 campo da ci\u00eancia e tecnologia. E se essa contribui\u00e7\u00e3o puder influenciar positivamente na melhoria de um produto que beneficie centenas de pacientes? Nesse caso, estaremos falando de um jovem prod\u00edgio chamado Luiz Augusto Meirelles, que nos concedeu essa maravilhosa entrevista. Foi no ano de 2007 que tivemos a grata surpresa de conhecer o Luiz. Organizamos um grupo que foi at\u00e9 Gotemburgo, na Su\u00e9cia, participar do primeiro Brazilian Day (Rev Dental Press Periodontia Implantol, v. 1, n. 3, p. 110-111, jul.\/ago.\/set. 2007). Tivemos v\u00e1rias palestras ministradas por professores da Su\u00e9cia e do Brasil, num interc\u00e2mbio cient\u00edfico muito proveitoso para todo o grupo. No dia seguinte, assistimos \u00e0 defesa de tese do nosso entrevistado. Na verdade, vimos um jovem ser verdadeiramente massacrado com perguntas objetivas, \u00e0s vezes agressivas, de seu arguidor (Prof. Lyndon Cooper, EUA), a respeito de seus trabalhos em superf\u00edcies dos implantes, especialmente no campo da nanotopografia. Mas, para nossa satisfa\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o apenas se saiu muito bem, mas tamb\u00e9m foi aplaudido por seus compatr\u00edcios e pelos suecos presentes ao final dos trabalhos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #1e1e1e;\"><em>Hoje temos um amigo, que exerce a doc\u00eancia e a pesquisa na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e que aos 37 anos j\u00e1 \u00e9 citado, pelos mais renomados pesquisadores, como uma das maiores autoridades mundiais no campo das superf\u00edcies dos implantes osseointegrados.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #1e1e1e;\"><em>Luiz Meirelles se formou em Odontologia em 1998, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e trabalhou em diferentes projetos de pesquisa na \u00e1rea de osseointegra\u00e7\u00e3o durante a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Em 2001, iniciou o mestrado na Faculdade de Piracicaba (Unicamp), analisando a distribui\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o em implantes por meio de an\u00e1lise fotoel\u00e1stica. Concluiu o mestrado em mar\u00e7o de 2003 e iniciou o doutorado, na Universidade de Gotemburgo, em 2003. Seu programa de doutorado foi concentrado em modifica\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie de implantes dent\u00e1rios, caracterizando as nanoestruturas com um modelo inovador. Defendeu sua tese de doutorado em 2007, sendo um dos pesquisadores pioneiros na avalia\u00e7\u00e3o da resposta \u00f3ssea em fun\u00e7\u00e3o da nanotopografia. Hoje, trabalha na Universidade de Rochester como professor assistente do Eastman Institute for Oral Health e da Faculdade de Bioengenharia. \u00c9 diretor de um laborat\u00f3rio de pesquisas na \u00e1rea de biomateriais, e trabalha com pacientes na \u00e1rea de reabilita\u00e7\u00e3o. Luiz Meirelles \u00e9 casado e pai de g\u00eameas.<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><em><strong>Luis Rog\u00e9rio Duarte<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea iniciou o processo de\u00a0<\/b><b>estudos em osseointegra\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Um dia, andando pela Faculdade de Odontologia da UFRJ, encontrei um an\u00fancio em busca de estagi\u00e1rio para atuar em um projeto da Capes, com a participa\u00e7\u00e3o da Fiocruz, do Instituto Militar de Engenharia e do Instituto Brasileiro de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-implantodontia-2\/\">Implantodontia<\/a>. O projeto foi um dos primeiros que avaliou implantes dent\u00e1rios de tit\u00e2nio fabricados no Brasil. A ideia era desenvolver a ind\u00fastria nacional e tornar os implantes produzidos no Brasil competitivos em rela\u00e7\u00e3o aos importados.<\/p>\n<p>A bolsa do est\u00e1gio n\u00e3o saiu, mas eu, achando o projeto fant\u00e1stico, ofereci-me para trabalhar assim mesmo. Foi\u00a0 meu primeiro contato com pesquisa cient\u00edfica, no segundo ano de faculdade. Conheci, nessa \u00e9poca, os professores Carlos Nelson Elias e Jos\u00e9 Henrique Cavalcanti, entre outros que faziam parte desse projeto pioneiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>J\u00e1 existia uma pol\u00edtica governamental\u00a0<\/b><b>achando que aquilo era, realmente, um nicho de desenvolvimento cient\u00edfico industrial?<\/b><\/p>\n<p>Com certeza. Mas a ind\u00fastria nacional, naquela \u00e9poca, estava iniciando a fabrica\u00e7\u00e3o de implantes dent\u00e1rios. J\u00e1 existia a fabrica\u00e7\u00e3o de componentes prot\u00e9ticos, mas implantes ainda n\u00e3o eram uma realidade concreta e aceita por todos. Existia uma necessidade no mercado, a necessidade de se desenvolver a ind\u00fastria nacional. Os implantes importados custavam um pre\u00e7o alt\u00edssimo e ainda sofr\u00edamos com o problema de estoque e reposi\u00e7\u00e3o de componentes. Foi nessa \u00e9poca que comecei a trabalhar com coelhos e experimenta\u00e7\u00e3o animal no IME e na Fiocruz, entre 1995 e 1996. Eu ia para a biblioteca do Fund\u00e3o depois do hor\u00e1rio das aulas e ficava lendo os artigos e estudando sobre osseointegra\u00e7\u00e3o. Um monte de refer\u00eancias dos professores Br\u00e5nemark e Albrektsson! Fiquei louco com aquilo e, naquele momento, decidi estudar e aprender com eles. Isso j\u00e1 era algo decidido em minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quais eram os seus planos?<\/b><\/p>\n<p>Em 1999, em meu primeiro ano de formado, fui a um congresso, na Dinamarca, da Academia Europeia de Osseointegra\u00e7\u00e3o. Naquele momento, eu j\u00e1 havia decidido que faria doutorado em Gotemburgo. Entrei em contato com algumas pessoas por e-mail, apresentando-me, e disseram que existia a possibilidade, mas que eu teria que levantar dinheiro porque eles n\u00e3o poderiam me pagar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 havia contatado Gotemburgo?<\/b><\/p>\n<p>Sim. Enviei um e-mail apresentando minhas ideias para o doutorado. Antes do congresso na Dinamarca (EAO,\u00a01999), eu trocava e-mails com alguns pesquisadores da \u00e1rea, sondando como poderia ser feito. Tive ajuda do professor Cl\u00e1udio Fernandes\u00a0 e consegui visitar algumas universidades na Escandin\u00e1via. Esse primeiro contato foi importante e consegui definir metas do que precisava ser feito. Visitei a Universidade de Gotemburgo e conversei com algumas pessoas do Departamento de Pr\u00f3tese Dent\u00e1ria. Ent\u00e3o, literalmente, bati \u00e0 porta de Stig Karlsson \u2014 que era o chefe de Pr\u00f3tese \u2014, e falei que queria trabalhar com <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-protese-sobre-implante-mais-protese-fixa\/\">implante<\/a>. Ele disse que tinha uma pessoa ali que trabalhava exatamente com o que eu estava falando.<\/p>\n<p>Fui apresentado \u00e0 professora Ann Wennerberg (minha futura orientadora) e, a partir desse encontro, j\u00e1 tinha algumas metas para o meu doutorado. Voltei ao Brasil e inscrevi-me na CAPES, em 1999. Meu projeto e o meu curr\u00edculo foram aprovados, mas n\u00e3o ganhei a bolsa, sob o argumento de que eu era muito novo e n\u00e3o possu\u00eda mestrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Assim, voc\u00ea decidiu fazer o mestrado?<\/b><\/p>\n<p>Decidi contrariado, pois ningu\u00e9m no Brasil estava fazendo o que eu queria e nem tinha tecnologia para faz\u00ea-lo. Quando estive em Gotemburgo, eles acharam muito interessante a ideia, mas disseram que n\u00e3o tinham dinheiro. Na verdade, eles n\u00e3o queriam financiar um cara que nem sequer conheciam. Fiz o mestrado na Unicamp, j\u00e1 com a inten\u00e7\u00e3o de ir a Gotemburgo fazer o doutorado. Nessa \u00e9poca, eu j\u00e1 havia publicado alguns artigos. Fiz um mestrado produtivo, fui estagi\u00e1rio do Fund\u00e3o por um bom tempo, dei aulas em lugares importantes, publiquei bastante e, \u00e0s vezes, escrevia para a Ann Wennerberg dizendo que o projeto estava de p\u00e9 e que, assim que eu terminasse o mestrado, iria para l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A essa altura voc\u00ea j\u00e1 sentia a\u00a0<\/b><b>receptividade de Gotemburgo?<\/b><\/p>\n<p>Eu nunca me fiz essa pergunta. Vou encontrar com o Tomas Albrektsson, em Chicago na semana que vem, e vou at\u00e9 perguntar isso a ele, \u00e9 uma pergunta interessante!<\/p>\n<p>Quando eu estive l\u00e1, a impress\u00e3o que tive \u00e9 que eles me acharam muito determinado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que aconteceu ao final de seu mestrado?<\/b><\/p>\n<p>Quando terminei o mestrado na Unicamp, inscrevi-me para o doutorado pleno pela CAPES e pelo CNPq. A CAPES aprovou o doutorado pleno e eu tive chance de fazer o doutorado em Gotemburgo. Defendi a tese na Unicamp em mar\u00e7o de 2003. Em setembro de 2003, comecei o meu doutorado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O Elias teve alguma influ\u00eancia nisso tudo?<\/b><\/p>\n<p>O professor Elias (Carlos Nelson Elias) \u00e9 um pesquisador de destaque e mandou uma carta de recomenda\u00e7\u00e3o. Quando uma pessoa como ele faz uma recomenda\u00e7\u00e3o, dizendo que sou competente e que tenho condi\u00e7\u00f5es de terminar o doutorado, eles levam em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi o in\u00edcio na Su\u00e9cia?<\/b><\/p>\n<p>Para ser sincero, j\u00e1 em setembro de 2003 eu peguei o projeto aprovado pela CAPES, traduzi para o ingl\u00eas, reformatei nos padr\u00f5es exigidos pela Universidade de Gotemburgo e apresentei para Ann Wennerberg. Esse projeto teria que ser aceito na Universidade de Gotemburgo como um projeto de doutorado. Fizemos v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es e, mais ou menos nessa \u00e9poca, o Prof. Tomas Albrektsson come\u00e7ou a participar de nossas reuni\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_0111.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1633\" alt=\"Imagem_01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_0111.jpg\" width=\"400\" height=\"352\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sua pesquisa de mestrado foi na \u00e1rea de\u00a0<\/b><b>Osseointegra\u00e7\u00e3o ou na \u00e1rea de Pr\u00f3tese?<\/b><\/p>\n<p>Foi um pouco das duas. Eu queria avaliar a influ\u00eancia do micromovimento na resposta \u00f3ssea. A minha ideia era determinar que esse valor provavelmente mudaria dependendo do est\u00e1gio de cicatriza\u00e7\u00e3o do implante. Era um projeto ambicioso para tese de mestrado e, junto com a professora Altair Cury, decidimos por um modelo in vitro, avaliando a distribui\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o entre implantes com conex\u00e3o externa e interna, atrav\u00e9s de an\u00e1lise fotoel\u00e1stica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Havia algum brasileiro vinculado a\u00a0<\/b><b>Gotemburgo nessa \u00e9poca?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o que eu saiba, mas o Prof. Maur\u00edcio Ara\u00fajo havia defendido seu doutorado no Departamento de Periodontia. Conversamos algumas vezes por telefone antes de mudar-me para l\u00e1. Ele foi muito generoso, dando um monte de dicas sobre a cidade, o que me tranquilizou bastante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual a sensa\u00e7\u00e3o de saber que trabalharia \u00a0<\/b><b>com o Prof. Albrektsson?<\/b><\/p>\n<p>A primeira vez que sentei para conversar com ele foi uma experi\u00eancia \u00fanica. Eu era um desconhecido, ent\u00e3o, no come\u00e7o, todos ficaram receosos. Eu teria que provar para qu\u00ea fui. Eles acharam que quatro anos seriam um per\u00edodo muito curto para a finaliza\u00e7\u00e3o, e que eu teria que come\u00e7ar a trabalhar imediatamente. Um ou dois meses ap\u00f3s minha chegada, o projeto j\u00e1 havia sido aceito como tese de doutorado, apesar de que l\u00e1, normalmente, teses de doutorado levam mais do que quatro anos. Todos ficaram empenhados em que eu terminasse no tempo determinado. Por isso, tudo foi muito r\u00e1pido. Profissional e eficiente, o Tomas Albrektsson \u00e9 uma pessoa rara. O racioc\u00ednio dele \u00e9 diferente, ele avalia tudo sob um \u00e2ngulo com que n\u00e3o estamos acostumados. Foi um grande aprendizado e uma experi\u00eancia muito produtiva. Hoje esfor\u00e7o-me e busco focar os problemas sob esse mesmo \u00e2ngulo. N\u00e3o tenho certeza se consigo, mas se eu pedir sua opini\u00e3o ele dir\u00e1 que estou no caminho certo. Ele sempre te estimula, deixa claro que o processo de amadurecimento profissional envolve\u00a0 a tomada de decis\u00f5es, certas ou erradas, n\u00e3o importa. Foi incr\u00edvel escutar, de um pesquisador como ele, uma resposta muito simples durante as discuss\u00f5es de projeto: \u201cN\u00e3o sei, vamos ter que esperar os resultados\u201d. Hoje, muitas inova\u00e7\u00f5es que estamos usando foram desenvolvidas sob a orienta\u00e7\u00e3o do Tomas. \u00c9 incr\u00edvel voc\u00ea avaliar como a impress\u00e3o <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-alinhadores-e-ortodontia-digital-2\/\">digital<\/a> dele est\u00e1 presente em v\u00e1rios produtos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>J\u00e1 era seu projeto estudar a nanotecnologia?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o, era um projeto que avaliaria a biomec\u00e2nica de interface osso\u2013implante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi sua primeira adapta\u00e7\u00e3o cultural?<\/b><\/p>\n<p>Em hor\u00e1rio comercial, das 8:00 \u00e0s 17:00, tudo era uma maravilha: eu tinha a minha sala, meu computador. Disseram-me como comprar um laptop e como come\u00e7ar a trabalhar com o projeto. Tive muita dificuldade para arrumar apartamento, e coisas simples se tornam complicadas para um rec\u00e9m-chegado. Mas acho que isso faz parte do crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>As regras de l\u00e1 para o doutorado\u00a0<\/b><b>s\u00e3o semelhantes \u00e0s do Brasil?<\/b><\/p>\n<p>Depende de sua dedica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 profissionais que fazem doutorado em meio per\u00edodo, um modelo muito interessante. S\u00e3o pessoas que trabalham na universidade e que podem, em paralelo, se dedicar 50% ao doutorado, mantendo seu sal\u00e1rio integral. Muita gente faz assim e, por isso, as teses de l\u00e1 saem t\u00e3o fortes. Voc\u00ea \u00e9 pago e tem tempo para ler e estudar. Sempre h\u00e1 reuni\u00e3o de comit\u00ea de pesquisa. Todos discutem as ideias, \u00e9 uma viv\u00eancia muito boa. No Brasil, \u00e9 uma correria. Voc\u00ea revisa a tese de doutorado enquanto almo\u00e7a, voc\u00ea pega a tese de doutorado de algu\u00e9m e est\u00e1 manchada de caf\u00e9&#8230; Falta apoio e sobra dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando entrou no projeto da nanotecnologia?<\/b><\/p>\n<p>No primeiro artigo de minha tese, eu queria saber o limite de movimento vertical que iniciaria a perda \u00f3ssea. Muito do que foi publicado nessa \u00e1rea \u00e9 com an\u00e1lise de elementos finitos, o que n\u00e3o d\u00e1 a resposta biol\u00f3gica final; h\u00e1 v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es. H\u00e1 alguns poucos trabalhos que foram feitos em animais, mas ainda n\u00e3o estou convencido dos valores que s\u00e3o propostos. Acho que temos que investigar isso, especialmente se levarmos em conta o est\u00e1gio de cicatriza\u00e7\u00e3o do osso.<\/p>\n<p>Minha ideia era colocar o implante dentro da t\u00edbia de coelho, colocar carga com diferentes graus de for\u00e7a e\u00a0 determinar qual \u00e9 o limite que o implante aceita. Esse foi meu primeiro artigo de tese: coloquei um implante liso solto e outro preso. A minha ideia, muito simples, era mostrar que o implante solto n\u00e3o osseointegraria; isso serviria de base para meu outro trabalho, em que eu colocaria diferentes tipos de carga nos implantes que estavam soltos. Por\u00e9m, o implante que estava solto formou mais osso do que o outro, o que eu entendi como dist\u00farbio do co\u00e1gulo, onde o implante solto gerava mais sangramento e, por isso, gerava um calo \u00f3sseo maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_0312.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1635\" alt=\"Imagem_03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_0312.jpg\" width=\"400\" height=\"739\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_021.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1634\" alt=\"Imagem_02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_021.jpg\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_021.jpg 600w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_021-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, entre 2003 e 2004, a nanotecnologia surgia na \u00e1rea de ci\u00eancia de materiais, com algumas potenciais vantagens \u00e0 forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. A Profa. Ann Wennerberg tinha um hist\u00f3rico maravilhoso de avalia\u00e7\u00e3o de microestrutura. Ent\u00e3o, conversando, surgiu a hip\u00f3tese de colocarmos nanoestrutura nesse modelo desenvolvido no primeiro artigo, sendo esse o modelo perfeito para coloca\u00e7\u00e3o de nanoestrutura e avalia\u00e7\u00e3o apenas do efeito da mesma; pois a estabilidade era controlada independentemente da superf\u00edcie. Enfim, foi um pouco ao acaso que surgiu a oportunidade: estar na hora certa, no lugar certo, com o modelo certo.<\/p>\n<p>Em paralelo a isso, a avalia\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do implante com for\u00e7a at\u00f4mica que eu desenvolvi foi fundamental para a minha tese, porque com essa an\u00e1lise eu consegui provar que a nanoestrutura modificava a superf\u00edcie do implante, o que ningu\u00e9m acreditava na \u00e9poca, simplesmente porque n\u00e3o era vis\u00edvel a olho nu. Eu provei que mudava-se a nanotopografia e quantifiquei cada nanoestrutura. Quando voc\u00ea modifica a microestrutura, voc\u00ea consegue ver; mas a nano voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a olho nu.<\/p>\n<p>A briga, na \u00e9poca, foi convencer as pessoas. Eu mostrava minhas imagens e provava que existia altera\u00e7\u00e3o; podia ser pequena, mas existia. Essa foi a grande contribui\u00e7\u00e3o: caracterizar a nanoestrutura como fiz e provar que ela est\u00e1 ligada \u00e0 topografia, e n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 qu\u00edmica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea encarou n\u00f3s, brasileiros, assistindo sua defesa de tese?<\/b><\/p>\n<p>A princ\u00edpio, quando Tomas me contou, eu achei que isso poderia me tirar o foco, e pedi para defender em data diferente da visita de voc\u00eas \u2014 porque tive medo de muita interfer\u00eancia e do aumento do estresse natural do momento. Eu convidara o Prof. Lyndon Cooper, apesar dos suecos me prevenirem de que os americanos s\u00e3o arguidores muito agressivos, bem mais que os suecos, que tratam o momento mais como uma atividade de confraterniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como uma prova final. Mas o Lyndon Cooper disse que era anivers\u00e1rio do filho dele e que ele prometera ao filho n\u00e3o mais faltar a esse dia; assim as datas acabaram coincidindo. Ent\u00e3o me convenci de que n\u00e3o havia jeito e esperava que n\u00e3o houvesse problemas. Realmente foi uma \u00f3tima surpresa, muita\u00a0 gente bacana. O Prof. Elias tamb\u00e9m estava l\u00e1, o qual eu considero como a prova viva de que a genialidade e a humildade podem estar presentes no mesmo homem. E a festa depois foi muito boa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tomas Albrektsson o convidou a ficar\u00a0<\/b><b>como professor l\u00e1?<\/b><\/p>\n<p>Foi Ann Wennerberg, que era do departamento de Pr\u00f3tese, quem me convidou para ficar como Research Assistant. Fiquei por cerca de dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea decidiu ir para Rochester?<\/b><\/p>\n<p>A princ\u00edpio n\u00e3o era minha ideia vir para c\u00e1 e, sim, continuar em Gotemburgo. Mas acabei decidindo vir para um projeto maior e conduzir o meu pr\u00f3prio laborat\u00f3rio. Acho que estava num momento de minha vida que caminhava para isso, para poder crescer e fazer as coisas que eu queria. Apesar do meu bom relacionamento com todos, eu precisava de espa\u00e7o para fazer as minhas coisas, e para isso tive total apoio deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea trabalha somente com Pr\u00f3tese\u00a0<\/b><b>ou opera tamb\u00e9m?<\/b><\/p>\n<p>Eu trabalho na cl\u00ednica com Pr\u00f3tese e fa\u00e7o pesquisa aplicada em diferentes modelos animais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea, hoje, \u00e9 professor de Pr\u00f3tese\u00a0<\/b><b>ou de Biomateriais?<\/b><\/p>\n<p>Sou professor da Faculdade de Odontologia, no departamento de Pr\u00f3tese, e professor da Faculdade de Bioengenharia. Trabalho com biomateriais que s\u00e3o usados para implantes e para pr\u00f3teses. S\u00e3o \u00e1reas muito pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mas a sua pesquisa \u00e9 na \u00e1rea\u00a0<\/b><b>de biomateriais?<\/b><\/p>\n<p>Sim, eu tenho um laborat\u00f3rio com interfer\u00f4metro, microsc\u00f3pio de for\u00e7a at\u00f4mica e todo equipamento para fazer a parte de histologia. O mesmo tipo de equipamento que eles t\u00eam na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Dessa forma, pode-se dizer que voc\u00ea tem\u00a0<\/b><b>condi\u00e7\u00e3o de fazer trabalhos de pesquisa\u00a0<\/b><b>do mesmo n\u00edvel que eles fazem por l\u00e1?<\/b><\/p>\n<p>Sim, isso foi uma condi\u00e7\u00e3o que eu impus ao pessoal da universidade porque estava numa fase da vida em que n\u00e3o podia parar de publicar, em que precisava continuar trabalhando. Portanto, para eu sair de l\u00e1 e vir para c\u00e1 eu precisava das mesmas condi\u00e7\u00f5es que tinha l\u00e1, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Se fosse aqui no Brasil, voc\u00ea teria que apelar para a CAPES ou o CNPq para tentar financiar os aparelhos. E nos EUA, como funciona? H\u00e1 fomento do governo ou \u00e9 iniciativa privada?<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 os dois. Aqui \u00e9 uma universidade particular da Ivy League, que \u00e9 a liga americana de <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-ortodontia-2\/\">excel\u00eancia<\/a> em ensino.<\/p>\n<p>\u00c9 a maior universidade particular americana de pesquisa. Quando eles detectam uma pessoa que tem potencial, eles simplesmente correm atr\u00e1s \u2014 aqui nos Estados Unidos \u00e9 assim. Se voc\u00ea vier para c\u00e1 dar uma aula, ficar uma semana, fizer pesquisa aqui, demonstrar interesse em ficar e eles o identificarem como potencial, eles v\u00e3o atr\u00e1s de voc\u00ea.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_041.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1636\" alt=\"Imagem_04\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_041.jpg\" width=\"400\" height=\"494\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como \u00e9 o sistema de Rochester? Voc\u00ea d\u00e1 aula, pesquisa, mas tem tempo de clinicar tamb\u00e9m?<\/b><\/p>\n<p>A universidade americana \u00e9 muito eficiente para dar retorno tanto para o profissional quanto para a institui\u00e7\u00e3o. Por exemplo, quando eu vim para c\u00e1, eles perguntaram-me como viabilizariam financeiramente a minha vinda. Eu disse que gostava de fazer Pr\u00f3tese, que queria voltar para a cl\u00ednica, pois sentia falta, j\u00e1 que n\u00e3o clinicava em Gotemburgo. Queria ter o meu pr\u00f3prio laborat\u00f3rio de pesquisa e que tamb\u00e9m poderia trabalhar com alunos, que seria importante para a faculdade. O meu tempo se dividiria nisso.<\/p>\n<p>A universidade americana est\u00e1 passando por uma mudan\u00e7a muito grande. Hoje, todo profissional que est\u00e1 em faculdade tem que justificar o seu sal\u00e1rio; ent\u00e3o, quando uma pessoa \u00e9 contratada por uma universidade, eles v\u00e3o querer dividir os hor\u00e1rios, para que seja produtivo. Voc\u00ea d\u00e1 aula, instrui os alunos em cl\u00ednica, faz revis\u00e3o de literatura e pesquisa, mas tamb\u00e9m atende na cl\u00ednica particular, para gerar receita ao departamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea tem alunos de mestrado\u00a0<\/b><b>e doutorado?<\/b><\/p>\n<p>Tenho um aluno de mestrado e um de doutorado, e recebo alunos visitantes de v\u00e1rios pa\u00edses, do Brasil ao Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quais os resultados que voc\u00ea j\u00e1 tem da nova micro-nano superf\u00edcie da P.I. Br\u00e5nemark Philosophy, que foi desenvolvida por voc\u00ea?<\/b><\/p>\n<p>Esse projeto come\u00e7ou em 2009. Fizemos v\u00e1rios testes para conseguir chegar aos par\u00e2metros ideais. S\u00e3o v\u00e1rias caracter\u00edsticas que foram observadas. H\u00e1 v\u00e1rias coisas sobre as quais n\u00e3o posso me aprofundar, pois ainda n\u00e3o foram publicadas, que mostram que, al\u00e9m das caracter\u00edsticas de topografia e de qu\u00edmica \u2014 que s\u00e3o muito interessantes \u2014, ela tem uma caracter\u00edstica de integridade de superf\u00edcie que \u00e9 \u00fanica. A gente precisa ter a superf\u00edcie intacta ao longo de todo o processo. \u00c9 a mesma linha de racioc\u00ednio que tinha desde 1999, quando tive a ideia do projeto inicial, de estudar o comportamento da interface, sendo que essa superf\u00edcie tamb\u00e9m tem um bom desempenho quando est\u00e1 sendo submetida \u00e0 carga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual o significado para o Brasil da superf\u00edcie criada por voc\u00ea e o impacto que isso poder\u00e1 ter no mercado mundial de implantes?<\/b><\/p>\n<p>O Brasil, hoje, est\u00e1 numa fase de crescimento, com destaque em todo mundo. Mas ainda falta investimento p\u00fablico e privado no desenvolvimento de novas ideias. O projeto da nova superf\u00edcie durou v\u00e1rios anos e teve investimento por parte da empresa at\u00e9 o lan\u00e7amento, sem retorno imediato. Eu aceitei essa tarefa, acreditando que poder\u00edamos fazer algo inovador, ao inv\u00e9s de simplesmente repetir o que j\u00e1 est\u00e1 sendo utilizado; um risco menor, mas que n\u00e3o traria nada de novo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Temos visto outros pa\u00edses investindo em pessoas para que elas se aperfei\u00e7oem fora e retornem trazendo conhecimento e tecnologia \u00e0s suas na\u00e7\u00f5es. Como voc\u00ea v\u00ea a pol\u00edtica brasileira em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/b><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o posso colocar isso como responsabilidade do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o ou do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia. Eu acho que n\u00e3o s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os apropriados porque t\u00eam de preocupar-se em educar uma camada enorme da popula\u00e7\u00e3o com ensino fundamental e m\u00e9dio. Caberia aos \u00f3rg\u00e3os de desenvolvimento, como a Finep ou fundos de investimentos, estabelecer mecanismos que viabilizassem laborat\u00f3rios de alta tecnologia no Brasil. Hoje, as parcerias s\u00e3o fundamentais para o sucesso de um projeto, mas voc\u00ea n\u00e3o pode depender 100% de colaboradores para seu projeto caminhar. Um projeto de sucesso depende de uma grande ideia, de equipamentos apropriados e, \u00e9 claro, de sorte ao longo do caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_051.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem_05\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_051.jpg\" width=\"400\" height=\"256\" \/><\/a><\/p>\n<p>Enviado: 23\/06\/2012<\/p>\n<p>Revisado e aceito: 26\/06\/2012<\/p>\n<p><b>Como citar esta se\u00e7\u00e3o: <\/b>Meireles L. Interview. Luiz Meireles. Dental Press Implantol. 2012 July-Sept;6(3):8-16.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_051.jpg\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o Dr. Luis Meirelles que trabalha na Universidade de Rochester como professor assistente do Eastman Institute for Oral Health e da Faculdade de Bioengenharia.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1608","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}