{"id":1536,"date":"2013-09-24T10:53:25","date_gmt":"2013-09-24T13:53:25","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1536"},"modified":"2013-10-25T12:23:51","modified_gmt":"2013-10-25T15:23:51","slug":"comparacao-de-matizes-em-diferentes-marcas-comerciais-de-resina-composta-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/comparacao-de-matizes-em-diferentes-marcas-comerciais-de-resina-composta-2\/","title":{"rendered":"Compara\u00e7\u00e3o de matizes em diferentes marcas comerciais de resina composta"},"content":{"rendered":"<p><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/b> a sele\u00e7\u00e3o de cor \u00e9 um processo complexo, influenciado por muitas vari\u00e1veis. Esse estudo analisou comparativamente a cor de quatro resinas compostas A2 de diferentes marcas comerciais, entre si e entre as resinas, e pela escala Vita Classical avaliou-se se essa diferen\u00e7a \u00e9 capt\u00e1vel pelo olho humano. <b>M\u00e9todos:<\/b> foram confeccionados seis corpos de prova para cada <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-resina-compostas\/\">resina<\/a> composta de cor A2 utilizada: Amelogen (grupo 1), Filtek Supreme (grupo 2), Estelite (grupo 3) e Point 4 (grupo 4). Foi realizada, subsequentemente, an\u00e1lise por fotografia e pelo sistema CIE Lab de cada corpo de prova e da palheta da escala de cor Vita Classical. Os dados obtidos foram submetidos \u00e0 an\u00e1lise estat\u00edstica pelos m\u00e9todos One Way ANOVA e de Tukey HSD. <b>Resultados:<\/b> houve diferen\u00e7a estatisticamente significativa entre os grupos 2 e 4 (p&lt;0,05). A resina Point 4 obteve os resultados mais pr\u00f3ximos aos da palheta A2 da escala Vita Classical, embora seja uma varia\u00e7\u00e3o clinicamente inaceit\u00e1vel. A resina Filtek Supreme apresentou os resultados mais discrepantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escala. As resinas Amelogen e Estelite n\u00e3o apresentaram resultados satisfat\u00f3rios, mas se aproximaram mais da resina Point 4. <b>Conclus\u00f5es:<\/b> ao serem analisadas resinas compostas de uma mesma cor, facilmente s\u00e3o encontradas discrep\u00e2ncias, tanto entre diferentes amostras da mesma resina como em marcas comerciais distintas, al\u00e9m das diverg\u00eancias presentes entre a resina e a palheta de mesma cor da escala. Sendo assim, aumenta-se a dificuldade para confec\u00e7\u00e3o de uma restaura\u00e7\u00e3o est\u00e9tica pelo profissional.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave: <\/b>Resinas compostas. Cor. Fotografia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1541\" alt=\"Imagem\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem.jpg\" width=\"800\" height=\"270\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem-300x101.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da cor e da apar\u00eancia da estrutura dent\u00e1ria apresenta um mecanismo complexo, que \u00e9 influenciado por muitos fatores, como condi\u00e7\u00f5es de luz, translucidez, opacidade, espalhamento da luz e polimento, al\u00e9m das vari\u00e1veis referentes ao olho humano e ao c\u00e9rebro. Al\u00e9m disso, a cor varia de acordo com a \u00e1rea a ser medida; sendo influenciada, por exemplo, pela espessura de dentina<sup>1,2<\/sup>.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Internacional de Ilumina\u00e7\u00e3o (CIE), em 1976, definiu um espa\u00e7o de cores (L* a* b*) baseado em tr\u00eas par\u00e2metros para definir cor, onde L* representa valor, e a* e b* s\u00e3o as coordenadas de cromaticidade, sendo a* relacionado ao teor vermelho-esverdeado e b* ao teor amarelado-azulado. Conforme os valores de a* e b* aumentam, o croma tamb\u00e9m aumenta. A vantagem desse sistema de cores se d\u00e1 pelo fato de seu arranjo espacial ser tridimensional e uniforme, e porque cores diferentes podem ser expressas em unidades relacionadas \u00e0 percep\u00e7\u00e3o visual e ao significado cl\u00ednico<sup>3,4<\/sup>. As diferen\u00e7as para os valores-padr\u00e3o s\u00e3o calculadas a partir dos valores \u2206L*, \u2206a* e \u2206b*. A varia\u00e7\u00e3o total de cor, \u2206E, no sistema CIE L*a*b* \u00e9 calculada usando a f\u00f3rmula: \u2206E = [(\u2206L*)<sup>2<\/sup> + (\u2206a*)<sup>2<\/sup> + (\u2206b*)<sup>2<\/sup>]<sup>1\/2<\/sup>, onde \u2206L* = L<sub>0<\/sub> &#8211; L<sub>1<\/sub>; \u2206a* = a<sub>0<\/sub> &#8211; a<sub>1<\/sub> e \u2206b*= b<sub>0<\/sub> &#8211; b<sub>1<\/sub> (0 = valor inicial e 1 = valor final)<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo mais utilizado e pr\u00e1tico para sele\u00e7\u00e3o de cor pelos <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/reforma-tributaria-impacta-dentistas-e-pacientes-com-custos\/\">dentistas<\/a> \u00e9 baseado em escalas de cor, como a Vitapan Classical e a Vitapan 3-D Master, da Vita. No entanto, a sua confiabilidade \u00e9 bastante questionada uma vez que v\u00e1rios estudos mostram uma pobre correspond\u00eancia entre as resinas compostas e suas respectivas cores na escala de cor<sup>6-11<\/sup>.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m outras formas de medidas, por meio\u00a0 de espectrofot\u00f4metros<sup>8,12<\/sup>, color\u00edmetros<sup>7,13,14<\/sup> ou por an\u00e1lise de imagens fotogr\u00e1ficas no computador<sup>9,15<\/sup>, expressando as mudan\u00e7as de cor em termos de valores CIE Lab. O uso desses recursos \u00e9 atraente, pois permite uma avalia\u00e7\u00e3o objetiva da cor do dente, independentemente das condi\u00e7\u00f5es de visualiza\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia do examinador. Sendo assim, oferece maior precis\u00e3o do que as escalas de cor. Contudo, h\u00e1 a necessidade de superar um conjunto de limita\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, como o custo e a facilidade de uso em ambiente cl\u00ednico<sup>8,12<\/sup>.<\/p>\n<p>Chen et al.<sup>16<\/sup> desenvolveram e avaliaram uma nova forma de sele\u00e7\u00e3o de cor online que consiste em uma interface de treinamento e um sistema de administra\u00e7\u00e3o para gerenciamento dos dados coletados. Ao sistema foram incorporadas simula\u00e7\u00f5es para treinamento das cores b\u00e1sicas, o que inclu\u00eda pesquisa de valor e croma, correspond\u00eancias na escala de cor, e sele\u00e7\u00e3o da cor clinicamente. Com isso, obtiveram uma sele\u00e7\u00e3o de cor mais apurada e mostraram que o sistema fornece uma ferramenta eficiente, principalmente para o ensino da ci\u00eancia da cor para estudantes de Odontologia.<\/p>\n<p>A correta escolha da cor \u00e9 um objetivo a ser perseguido; por\u00e9m, essa tarefa \u00e9 um problema que aflige a grande maioria dos cirurgi\u00f5es-dentistas, pois, mesmo quando h\u00e1 conhecimento e treinamento espec\u00edficos para tal fim, essa sele\u00e7\u00e3o carrega consigo uma grande dose de subjetividade e depend\u00eancia da acuidade visual, al\u00e9m de uma aptid\u00e3o natural privilegiada<sup>12,17<\/sup>. De forma mais objetiva, pode-se classificar a percep\u00e7\u00e3o da cor por meio de valores de \u2206E. Quando esse valor encontra-se entre 2 e 3, ele \u00e9 percept\u00edvel a olho nu; quando maior que 3,3, \u00e9 clinicamente inaceit\u00e1vel<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito do presente estudo \u00e9 fazer uma an\u00e1lise comparativa da cor de quatro resinas compostas A2 de diferentes marcas comerciais entre si e entre as resinas e a escala Vita Classical, al\u00e9m de avaliar se essa diferen\u00e7a \u00e9 percept\u00edvel ao olho humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/b><\/p>\n<p>Foram utilizadas quatro resinas compostas de cor A2 de diferentes marcas comerciais: Amelogen Plus (Ultradent Products, Inc. Salt\u00a0Lake City, EUA), Filtek \u00a0Supreme (3M Espe, St. Paul, EUA), Estelite (Tokuyama, T\u00f3quio, Jap\u00e3o) e Point 4 (Kerr CO, Orange, EUA).<\/p>\n<p>Foram confeccionados seis corpos de prova de cada resina composta a partir de uma matriz de a\u00e7o retangular contendo 30 orif\u00edcios com 5mm de di\u00e2metro por 5mm de altura cada. Cada amostra foi obtida atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de duas camadas de resina composta, tendo sido cada uma fotoativada por 20 segundos com aux\u00edlio de um fotopolimerizador Elipar S10 (3M Espe, St. Paul, EUA). Ap\u00f3s 48 horas, foi realizado o acabamento e polimento de cada corpo de prova com discos de lixa Sof-Lex (3M Espe, St. Paul, EUA) nas granula\u00e7\u00f5es grossa, m\u00e9dia e fina.<\/p>\n<p>Para an\u00e1lise fotogr\u00e1fica, os corpos de prova (Fig. 1) e a palheta A2 da escala Vita Classical (Vita, Zahnfabrik, Sackingen, Alemanha) (Fig. 2) foram posicionados num dispositivo com fundo preto confeccionado para uniformizar as condi\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise, gerando uma dist\u00e2ncia constante de 6cm da lente at\u00e9 o objeto de estudo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig01021.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1537\" alt=\"Imagem_Fig01,02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig01021.jpg\" width=\"800\" height=\"282\" \/><\/a><\/p>\n<p>As fotografias foram obtidas com uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica Nikon D100 sem flash acoplada a uma lente MicroNikkor 105mm 1:4 e a uma lente auxiliar Macro Adapter 1:1 com velocidade\/abertura de 4\/4\u2019. As fotografias, catalogadas de acordo com o n\u00famero conferido pela m\u00e1quina <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-alinhadores-e-ortodontia-digital-2\/\">digital<\/a> e o n\u00famero dos corpos de prova, foram salvas em arquivos do tipo TIFF com 1504\u00a0x 1000 pixels e visualizadas no programa Adobe Photoshop CS3. Em seguida, passaram pela seguinte sequ\u00eancia para an\u00e1lise: recorte na \u00e1rea do quadril\u00e1tero; salvamento da nova imagem obtida; aprecia\u00e7\u00e3o e anota\u00e7\u00e3o no programa Microsoft Excel 2010 dos valores apresentados como cor da imagem, avaliada pela ferramenta conta-gotas do Adobe Photoshop CS3 (Fig.\u00a03); an\u00e1lise feita pelo sistema CIE Lab considerando a diferen\u00e7a entre as resinas e entre elas e a escala Vita Classical. Sendo assim, foram analisadas as cores atrav\u00e9s dos par\u00e2metros L*, n\u00edvel de cinza, correspondendo ao brilho; a*, representando o eixo vermelho-verde; e b*, eixo azul-amarelo. Tamb\u00e9m foi avaliado se essa diferen\u00e7a era percept\u00edvel ao olho humano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0331.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1539\" alt=\"Imagem_Fig03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0331.jpg\" width=\"400\" height=\"248\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0331.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0331-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>RESULTADOS<\/b><\/p>\n<p>Os valores m\u00e9dios resultantes da an\u00e1lise de cor pelo sistema CIE Lab da palheta A2 da escala Vita Classical e das resinas s\u00e3o apresentados na Tabela 1, onde tamb\u00e9m constam os valores da diferen\u00e7a de cor (\u2206E) para cada corpo de prova de cada grupo de resinas, com base na equa\u00e7\u00e3o \u2206E = [(\u2206L)<sup>2<\/sup> + (\u2206a)<sup>2<\/sup> +\u00a0(\u2206b)<sup>2<\/sup>]<sup>1\/2<\/sup>,onde \u2206L, \u2206a e \u2206b s\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es de L, a e b entre as medidas Lab obtidas na palheta da escala com as de cada corpo de prova.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tab01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1540\" alt=\"Imagem_Tab01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tab01.jpg\" width=\"400\" height=\"250\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tab01.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tab01-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A an\u00e1lise estat\u00edstica foi realizada no programa SPSS for Windows 8.0 (SPSS Inc.) pelos m\u00e9todos One Way Anova e Tukey HSD. O primeiro gerou valor de signific\u00e2ncia (p) igual a 0,024 (p&lt;0,05), constatando-se que houve diferen\u00e7a estatisticamente significativa entre os grupos. A an\u00e1lise de Tukey HSD mostrou que h\u00e1 diferen\u00e7a estat\u00edstica significativa apenas entre os grupos 2 e 4. Como o grupo 4 foi o que obteve resultados mais pr\u00f3ximos aos da palheta A2 da escala Vita Classical, conclui-se, ent\u00e3o, que o grupo 2 foi o que gerou resultados mais destoantes, sendo considerado o pior. Os grupos 1 e 3, estatisticamente, se comparam ao grupo 4, isso \u00e9, n\u00e3o apresentam diferen\u00e7as estatisticamente significativas, embora esse, em valores absolutos, tenha se destacado como o mais semelhante \u00e0 escala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>DISCUSS\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Idealmente, uma resina composta classificada por meio de uma escala de cor deve coincidir com resinas compostas da mesma e de outras marcas comerciais. No entanto, alguns estudos t\u00eam demonstrado diferen\u00e7as entre as resinas compostas dispon\u00edveis comercialmente, apesar de cada uma delas ter sido classificada como representando a mesma cor pela escala<sup>7,10<\/sup>.<\/p>\n<p>As varia\u00e7\u00f5es nas leituras de cor podem ser atribu\u00eddas a v\u00e1rios fatores, incluindo o fato de que os <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">dentes<\/a> n\u00e3o apresentam sempre a mesma cor. Placa e saliva tamb\u00e9m t\u00eam um importante papel na inconsist\u00eancia da cor: a saliva pode alterar o \u00edndice de reflex\u00e3o da superf\u00edcie subjacente e a placa tem caracter\u00edstica espec\u00edfica de cor, podendo interferir no brilho da superf\u00edcie dent\u00e1ria. Os procedimentos de medida tamb\u00e9m podem induzir varia\u00e7\u00f5es. A press\u00e3o que \u00e9 aplicada na ponta de contato e o \u00e2ngulo com que \u00e9 segurada a ponteira de um espectrofot\u00f4metro ou color\u00edmetro s\u00e3o fatores importantes. Finalmente, as caracter\u00edsticas da superf\u00edcie do dente influenciam a medida. Embora os fabricantes dos color\u00edmetros recomendem uma superf\u00edcie de contato plana para obten\u00e7\u00e3o de melhores resultados, essa superf\u00edcie ideal n\u00e3o \u00e9 encontrada frequentemente <i>in vivo<\/i>. H\u00e1 um n\u00famero limitado de dentes com um tamanho suficiente de superf\u00edcie plana para acomodar a medida de 4,0mm da ponteira<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o que as caracter\u00edsticas dos materiais restauradores podem influenciar a mudan\u00e7a de colora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 relatos de alguns fatores que podem gerar altera\u00e7\u00e3o na cor, como ativador qu\u00edmico; iniciadores e inibidores; progresso de ativa\u00e7\u00e3o; composi\u00e7\u00e3o do mon\u00f4mero; tipo, quantidade e carga do inibidor; oxida\u00e7\u00e3o das duplas liga\u00e7\u00f5es de carbono; ilumina\u00e7\u00e3o UV; calor e \u00e1gua. Al\u00e9m disso, as diferentes cores de resina, condi\u00e7\u00f5es de polimeriza\u00e7\u00e3o, espessura de resina, cores de fundo para medi\u00e7\u00e3o da cor do comp\u00f3sito, m\u00e9todos de armazenamento dos esp\u00e9cimes durante a observa\u00e7\u00e3o, m\u00e9todos e tipos de instrumentos para medi\u00e7\u00e3o da cor e m\u00e9todos de observa\u00e7\u00e3o da cor est\u00e3o diretamente relacionados<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>Na literatura \u00e9 poss\u00edvel encontrar diferentes meios de se mensurar a cor de uma amostra, seja ela o dente, a resina ou a pr\u00f3pria palheta da escala de cor<sup>7-11,13,14,15,19<\/sup>. A forma mais fidedigna \u00e9 com o aux\u00edlio de equipamentos, como o espectrofot\u00f4metro ou o color\u00edmetro<sup>7,8,10,11,13,14<\/sup>. No entanto, tamb\u00e9m pode ser realizada por meio de fotografia seguida de an\u00e1lise em softwares para computadores<sup>9,15,19<\/sup>.<\/p>\n<p>Ao serem analisadas as resinas compostas de uma mesma cor, facilmente s\u00e3o encontradas discrep\u00e2ncias, tanto entre diferentes amostras de uma mesma resina quanto em marcas comerciais distintas (sem mencionar as diverg\u00eancias presentes entre a resina e a palheta de mesma cor da escala)<sup>7-11,13,14,15,19<\/sup>.<\/p>\n<p>No presente estudo, para todas as resinas analisadas, o valor de \u2206E foi bem alto, ultrapassando muito o valor m\u00ednimo aceit\u00e1vel para percep\u00e7\u00e3o visual, que \u00e9 de 3,3<sup>18<\/sup>. O valor m\u00e9dio mais baixo de \u2206E foi igual a 13,07, relativo \u00e0 resina Point 4 (grupo 4).<\/p>\n<p>Como o n\u00edvel de luminosidade, ou valor, encontrado para a palheta A2 da escala de cor foi igual a 78, pode-se considerar que ela se encontra associada ao branco, uma vez que est\u00e1 mais pr\u00f3xima do 100 (branco puro) do que do zero (preto puro)<sup>3,4,5<\/sup>. Da mesma forma, observou-se que o valor m\u00e9dio da luminosidade da resina Amelogen foi o mais cont\u00edguo ao da palheta (74,17), seguida pela Estelite (70,83), Point 4 (67) e Supreme (57,57).<\/p>\n<p>A coordenada de cromaticidade a* (n\u00edvel de vermelho-verde) apresentou um valor negativo (-7), mostrando uma pequena inclina\u00e7\u00e3o para o verde na escala. Apesar de todos os grupos resultarem em valores diferentes aos da palheta, todos foram bem pr\u00f3ximos, seguindo a ordem de aproxima\u00e7\u00e3o: G4, G1, G3 e G2.<\/p>\n<p>A coordenada de cromaticidade b* (n\u00edvel de amarelo-azul) gerou um valor mais definido para o amarelo (65) na palheta da escala. No entanto, a escala exp\u00f4s uma grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s resinas, sendo a vari\u00e1vel que levou a um maior \u2206E para todas as resinas.<\/p>\n<p>Todas essas consider\u00e1veis diferen\u00e7as entre a palheta da escala de cor e as resinas compostas podem ser atribu\u00eddas \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das resinas, por pertencerem a marcas comerciais distintas. Embora as empresas busquem melhorias de seus produtos a fim de gerar materiais cada vez mais est\u00e9ticos, n\u00e3o se pode considerar, clinicamente, as escalas de cor como forma de padroniza\u00e7\u00e3o para sele\u00e7\u00e3o da cor da resina composta. No entanto, ainda s\u00e3o um auxiliar importante para orientar a escolha da colora\u00e7\u00e3o mais adequada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>CONCLUS\u00d5ES<\/b><\/p>\n<p>Ao serem analisadas as resinas compostas de uma mesma cor, facilmente s\u00e3o encontradas discrep\u00e2ncias, tanto entre diferentes amostras de uma mesma resina quanto em marcas comerciais distintas. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes diverg\u00eancias entre a resina e a palheta de mesma cor da escala. Sendo assim, aumenta a dificuldade para confec\u00e7\u00e3o de uma restaura\u00e7\u00e3o est\u00e9tica pelo profissional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b><b>: <\/b>Pess\u00f4a BM, Monnerat AF, Andrade Filho H, Perez CR, Miranda MSF, Pinto BD. Compara\u00e7\u00e3o de matizes em diferentes marcas comerciais de resina composta. Rev Dental Press Est\u00e9t. 2012 out-dez;9(4):114-20.<\/p>\n<p>Enviado em: 18\/03\/2012<\/p>\n<p>Revisado e aceito: 23\/03\/2012<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>B\u00e1rbara Monteiro Pess\u00f4a<\/b><\/p>\n<p>Av. 28 de Setembro, n\u00ba 157 \u2013 Vila Isabel<\/p>\n<p>CEP: 20.551-030 \u2013 Rio de Janeiro\/RJ<\/p>\n<p>E-mail: bmpfernandes@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Introdu\u00e7\u00e3o: a sele\u00e7\u00e3o de cor \u00e9 um processo complexo, influenciado por muitas vari\u00e1veis. Esse estudo analisou comparativamente a cor de quatro resinas compostas A2 de diferentes marcas comerciais, entre si e entre as resinas, e pela escala Vita Classical avaliou-se se essa diferen\u00e7a \u00e9 capt\u00e1vel pelo olho humano. M\u00e9todos: foram confeccionados seis corpos de<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1536","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1536\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}