{"id":1520,"date":"2013-09-23T17:21:09","date_gmt":"2013-09-23T20:21:09","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1520"},"modified":"2013-09-23T17:21:09","modified_gmt":"2013-09-23T20:21:09","slug":"interferencia-de-fatores-relacionados-a-tecnica-de-aplicacao-sobre-as-propriedades-dos-agentes-de-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/interferencia-de-fatores-relacionados-a-tecnica-de-aplicacao-sobre-as-propriedades-dos-agentes-de-uniao\/","title":{"rendered":"Interfer\u00eancia de fatores relacionados \u00e0 t\u00e9cnica de aplica\u00e7\u00e3o sobre as propriedades dos agentes de uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p><strong>Objetivo:<\/strong> revisar na literatura os fatores que afetam a camada de adesivo e ampliar o conhecimento sobre os sistemas adesivos, bem como seus mecanismos de uni\u00e3o com os substratos dent\u00e1rios. M\u00e9todos: efetuou-se uma busca de artigos em peri\u00f3dicos indexados. Resultados:<b> <\/b>os avan\u00e7os imediatos ocorridos na Odontologia <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/especializacao-em-dentistica-restauradora\/\">Restauradora<\/a> em fun\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de hibridiza\u00e7\u00e3o dos tecidos dent\u00e1rios s\u00e3o evidentes; no entanto, a efetividade e a durabilidade da uni\u00e3o ao substrato dent\u00e1rio t\u00eam sido questionadas em fun\u00e7\u00e3o de sinais precoces de falhas relacionadas \u00e0s propriedades da camada do agente de uni\u00e3o. Conclus\u00e3o: diante da diversidade dos fatores que podem interferir no desempenho do processo adesivo, faz-se necess\u00e1rio conhecer a fisiologia do substrato e os protocolos de aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para o sucesso e durabilidade das liga\u00e7\u00f5es adesivas.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave: <\/b>Adesivos dentin\u00e1rios. Materiais dent\u00e1rios. Solventes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>A ades\u00e3o em Odontologia tem evolu\u00eddo muito nos \u00faltimos tempos devido \u00e0 \u00eanfase dada aos procedimentos est\u00e9ticos adesivos, representados, principalmente, pelas restaura\u00e7\u00f5es em <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-resina-compostas\/\">resina<\/a> composta.<\/p>\n<p>Os sistemas adesivos atuais constituem uma mistura de mon\u00f4meros resinosos hidr\u00f3filos e hidr\u00f3fobos, geralmente dissolvidos em solventes vol\u00e1teis, como acetona e etanol, podendo ainda conter \u00e1gua<sup>1<\/sup>. Enquanto os mon\u00f4meros resinosos s\u00e3o respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o da camada h\u00edbrida e copolimeriza\u00e7\u00e3o com o comp\u00f3sito restaurador, os solventes respondem pela fluidez da solu\u00e7\u00e3o e pelo deslocamento da \u00e1gua presente na superf\u00edcie dentin\u00e1ria desmineralizada, facilitando, dessa forma, a infiltra\u00e7\u00e3o da mistura monom\u00e9rica nos espa\u00e7os microsc\u00f3picos criados na estrutura dent\u00e1ria ap\u00f3s seu condicionamento<sup>2<\/sup>. A composi\u00e7\u00e3o dos diferentes sistemas adesivos, seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o nos substratos dentin\u00e1rios e a forma de aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica constituem t\u00f3picos fundamentais para o sucesso e durabilidade das liga\u00e7\u00f5es adesivas.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os imediatos ocorridos na Odontologia Restauradora em fun\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de hibridiza\u00e7\u00e3o dos tecidos dent\u00e1rios s\u00e3o evidentes, principalmente no que concerne \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de estrutura sadia<sup>3<\/sup>. No entanto, a efetividade e durabilidade da uni\u00e3o ao substrato dent\u00e1rio promovida por diferentes protocolos de aplica\u00e7\u00e3o dos sistemas adesivos t\u00eam sido questionada em avalia\u00e7\u00f5es longitudinais de restaura\u00e7\u00f5es adesivas, nas quais foram observados sinais precoces de falhas, tais como recorr\u00eancia de c\u00e1rie, sensibilidade p\u00f3s-operat\u00f3ria, descolora\u00e7\u00e3o das margens, infiltra\u00e7\u00e3o e fratura de bordas, sugerindo a fragilidade da interface de uni\u00e3o formada pelos sistemas adesivos e os substratos dent\u00e1rios<sup>4,5<\/sup>.<\/p>\n<p>O sucesso cl\u00ednico dos sistemas adesivos depende de fatores sens\u00edveis \u00e0 t\u00e9cnica, como a evapora\u00e7\u00e3o correta do solvente na superf\u00edcie da dentina, grau de umidade do substrato, a intensidade de luz da unidade de polimeriza\u00e7\u00e3o e do tipo de aplica\u00e7\u00e3o desses sistemas adesivos, como por exemplo a condi\u00e7\u00e3o de armazenamento dos frascos de adesivo e sua agita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Esse trabalho tem por objetivo revisar a literatura sobre os fatores que afetam a camada de adesivo e proporcionar melhor conhecimento sobre os sistemas adesivos e seus mecanismos de uni\u00e3o com os substratos dent\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REVIS\u00c3O DA LITERATURA<\/b><\/p>\n<p><b>Ades\u00e3o aos substratos dentin\u00e1rios<\/b><\/p>\n<p>O mecanismo b\u00e1sico de uni\u00e3o dos materiais restauradores est\u00e9ticos ao substrato condicionado por \u00e1cidos ocorre fundamentalmente por um processo de troca, o qual envolve a substitui\u00e7\u00e3o dos minerais removidos dos tecidos dent\u00e1rios duros por mon\u00f4meros resinosos, que se infiltram e s\u00e3o polimerizados nas porosidades criadas (<i>tags<\/i>), promovendo uma ades\u00e3o micromec\u00e2nica<sup>6-9<\/sup>. No entanto, o sucesso cl\u00ednico das restaura\u00e7\u00f5es depende da efetividade e durabilidade dessa interface de uni\u00e3o, o que torna necess\u00e1rio o conhecimento sobre os substratos dent\u00e1rios nos quais os sistemas adesivos ser\u00e3o aplicados e o mecanismo pelo qual ocorre essa uni\u00e3o<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Os sistemas adesivos atuais interagem com os substratos dent\u00e1rios via dois mecanismos, os quais diferem, entre outros aspectos, quanto ao tratamento da smear layer (camada de esfrega\u00e7o). O primeiro mecanismo envolve a remo\u00e7\u00e3o completa da <i>smear layer<\/i> (sistemas convencionais), enquanto no outro essa estrutura \u00e9 mantida como substrato para ades\u00e3o (sistemas autocondicionantes)<sup>10,11<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Smear layer<\/i><\/b><\/p>\n<p>O termo <i>smear layer<\/i> foi definido por Eick et al.<sup>12<\/sup>, em 1970. \u00c9 um substrato din\u00e2mico, produzido clinicamente quando deixado sobre a dentina durante o preparo cavit\u00e1rio. Ela \u00e9 composta basicamente por\u00a0part\u00edculas de origem dent\u00e1ria e outros elementos salivares, sangu\u00edneos, \u00f3leo lubrificante de canetas e contra-\u00e2ngulos, entre outros.<\/p>\n<p>A camada de esfrega\u00e7o, entretanto, n\u00e3o se deposita de maneira homog\u00eanea sobre os tecidos dent\u00e1rios duros, apresenta diferentes espessuras e composi\u00e7\u00f5es de acordo com a localiza\u00e7\u00e3o do corte e tipo de instrumento utilizado. \u00c9 respons\u00e1vel pela diminui\u00e7\u00e3o de energia da superf\u00edcie da estrutura dent\u00e1ria, principalmente da dentina, cuja smear layer tem maior conte\u00fado org\u00e2nico, dificultando as rea\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o dos materiais restauradores ao substrato dent\u00e1rio, ou mesmo dificultando a justaposi\u00e7\u00e3o dos materiais n\u00e3o adesivos com as paredes cavit\u00e1rias, construindo, assim, uma via de microinfiltra\u00e7\u00e3o nessas restaura\u00e7\u00f5es<sup>13,14<\/sup>.<\/p>\n<p>Em 2006, Martins et al.<sup>15<\/sup> ao avaliar, por meio de microscopia eletr\u00f4nica de varredura, o padr\u00e3o de condicionamento da dentina sem tratamento pr\u00e9vio, tratada com \u00e1cido fosf\u00f3rico a 37% (sistema adesivo convencional) ou tratada com sistema adesivo autocondicionante (Clearfill Liner Bond 2), variando-se o instrumento para preparo (ponta diamantada, broca carbide e ponta de ultrassom), conclu\u00edram que, quando se utiliza o \u00e1cido fosf\u00f3rico a 37% para condicionamento, seguido do passo de lavagem, remove-se toda smear layer, al\u00e9m de alargar-se a embocadura dos t\u00fabulos dentin\u00e1rios. Dessa forma tem-se superf\u00edcies id\u00eanticas, independentemente da instrumenta\u00e7\u00e3o utilizada. Em contrapartida, para os sistemas autocondicionantes, a forma de preparo da dentina influencia na remo\u00e7\u00e3o da smear layer. Os autores identificaram que, quando realizado o preparo com ponta diamantada, por formar maior espessura de <i>smear layer<\/i>, a qualidade do condicionamento \u00e9 inferior e, portanto, o processo de ades\u00e3o torna-se prejudicado.<\/p>\n<p>Esses achados corroboram os de Kenshima et al.<sup>16<\/sup>, que avaliaram o efeito do condicionamento com adesivos autocondicionantes com diferentes n\u00edveis de acidez aplicado em smear layer espessa e delgada, os correspondentes tags de resina e camada h\u00edbrida. Em paralelo, avaliaram o efeito do condicionamento da dentina nos sistemas autocondicionantes e convencional. Os resultados mostraram que a <i>smear layer<\/i> espessa n\u00e3o foi totalmente removida pelo <i>primer<\/i> autocondicionante. Portanto, o adesivo convencional formou camada h\u00edbrida mais espessa e foi o \u00fanico adesivo que produziu tags resinosos com maior densidade e distribui\u00e7\u00e3o uniforme ao longo da superf\u00edcie da dentina, independentemente da espessura da <i>smear layer<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sistemas adesivos<\/b><\/p>\n<p>Os sistemas adesivos s\u00e3o os materiais respons\u00e1veis por produzir a ades\u00e3o do material restaurador \u00e0s estruturas dent\u00e1rias. S\u00e3o combina\u00e7\u00f5es de mon\u00f4meros resinosos de diferentes pesos moleculares e viscosidades, diluentes resinosos e solventes org\u00e2nicos (acetona, etanol ou \u00e1gua)<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Os mon\u00f4meros resinosos podem ser hidrof\u00edlicos, os quais permitem que o adesivo seja compat\u00edvel com a umidade natural do substrato dentin\u00e1rio; ou hidrof\u00f3bicos, que apresentam maior peso molecular, s\u00e3o mais viscosos e conferem maior resist\u00eancia mec\u00e2nica e estabilidade ao material<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Os adesivos convencionais s\u00e3o aqueles em que a solu\u00e7\u00e3o \u00e1cida \u00e9 aplicada previamente \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o dos mon\u00f4meros resinosos, enquanto os sistemas autocondicionantes n\u00e3o requerem a aplica\u00e7\u00e3o isolada de um \u00e1cido para produzir as porosidades no substrato<sup>3,9,10<\/sup>. Os sistemas adesivos autocondicionantes, portanto, possuem em sua formula\u00e7\u00e3o mon\u00f4meros resinosos \u00e1cidos que, simultaneamente, desmineralizam e infiltram nos tecidos dent\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os sistemas adesivos convencionais, que utilizam o pr\u00e9vio condicionamento com \u00e1cido fosf\u00f3rico, apresentam boa uni\u00e3o ao esmalte, por\u00e9m ainda apresentam algumas dificuldades de uni\u00e3o \u00e0 dentina<sup>17<\/sup>. Dessa forma, a uni\u00e3o adesiva s\u00f3 ser\u00e1 confi\u00e1vel\u00a0quando executada sob rigoroso controle e com um protocolo bem definido e executado. A varia\u00e7\u00e3o morfofisiol\u00f3gica da dentina \u00e9 citada como um importante complicador nesse processo<sup>18,19,20<\/sup>, sendo que, de acordo com a regi\u00e3o do dente, t\u00eam-se os diferentes efeitos da presen\u00e7a de fluidos pulpares, varia\u00e7\u00f5es do grau de calcifica\u00e7\u00e3o da dentina, n\u00famero e disposi\u00e7\u00e3o dos t\u00fabulos dentin\u00e1rios<sup>21<\/sup>. Setien et al.<sup>22<\/sup> e Russo et al.<sup>23<\/sup> destacaram que a forma\u00e7\u00e3o de falhas marginais e a subsequente microinfiltra\u00e7\u00e3o levam a um problema cl\u00ednico, especialmente em restaura\u00e7\u00f5es classe V, onde a margem cavossuperficial <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-correcao-de-sorriso-gengival\/\">gengival<\/a> encontra-se em dentina radicular.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 estabelecida a dificuldade adesiva na esclerose dentin\u00e1ria<sup>24<\/sup>. A dentina esclerosada difere dos outros tipos de dentina por apresentar o l\u00famen tubular oclu\u00eddo. Isto ocorre devido \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de minerais da saliva em locais em que a dentina encontra-se exposta ao meio bucal (\u00e1reas de retra\u00e7\u00e3o gengival, fraturas de dente ou interface dente-restaura\u00e7\u00e3o) ou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de dentina escler\u00f3tica em virtude de algum trauma ou les\u00e3o cariosa cr\u00f4nica pr\u00f3xima \u00e0 polpa. Esses dep\u00f3sitos de minerais, ou a produ\u00e7\u00e3o de dentina escler\u00f3tica, levam a um aumento de dureza e induzem altera\u00e7\u00f5es nas caracter\u00edsticas \u00f3pticas dentin\u00e1rias, conferindo \u00e0 estrutura uma apar\u00eancia lisa e v\u00edtrea. Essas altera\u00e7\u00f5es estruturais e varia\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas dentin\u00e1rias podem determinar uma redu\u00e7\u00e3o da qualidade adesiva<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p>Harnirattisai et al.<sup>26<\/sup> avaliaram as diferen\u00e7as entre as camadas h\u00edbridas formadas em dentina normal e escler\u00f3tica de les\u00f5es de abras\u00e3o ou eros\u00e3o em regi\u00f5es cervicais. Foram utilizados primeiros pr\u00e9-molares com les\u00f5es de abras\u00e3o ou eros\u00e3o cervicais, condicionadas com \u00e1cido fosf\u00f3rico a 35% por 60 segundos e posterior aplica\u00e7\u00e3o do sistema adesivo Clearfil Photo Bond. Os autores observaram espessura de camada h\u00edbrida inferior \u00e0 formada em dentina normal, al\u00e9m da presen\u00e7a de poucos tags de resina. Realizou-se, tamb\u00e9m, an\u00e1lise da microdureza dos diferentes tipos de substratos, por\u00e9m nenhuma rela\u00e7\u00e3o foi encontrada entre os valores de microdureza e as espessuras de camada h\u00edbrida formada.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, pesquisas investigaram o efeito desses fatores cl\u00ednicos e estruturais da dentina, promovendo grande avan\u00e7o na indica\u00e7\u00e3o e uso dos sistemas adesivos<sup>27,28<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Umidade<\/b><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, uma das etapas cl\u00ednicas mais cr\u00edticas \u00e9 o momento da secagem do substrato, isso devido \u00e0 dificuldade de padronizar o n\u00edvel de umidade da superf\u00edcie dentin\u00e1ria para que o processo de uni\u00e3o seja satisfat\u00f3rio. Uma grande vantagem dos sistemas autocondicionantes \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o dessa fase, j\u00e1 que o objetivo desses sistemas \u00e9 incorporar a smear layer \u00e0 camada h\u00edbrida<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p>Em esmalte, a perda de umidade n\u00e3o demonstra um efeito significativo na for\u00e7a de ades\u00e3o nem no selamento<sup>27<\/sup>. J\u00e1 a dentina, quando desmineralizada e mantida seca, favorece o colapso das fibras col\u00e1genas, com o desaparecimento dos espa\u00e7os interfibrilares, reduzindo, assim, a penetra\u00e7\u00e3o dos sistemas adesivos<sup>27<\/sup>. Por outro lado, o excesso de umidade compete com os mon\u00f4meros hidrof\u00edlicos pelos espa\u00e7os desmineralizados no interior da dentina, n\u00e3o permitindo a permea\u00e7\u00e3o deles<sup>1<\/sup>. Isso est\u00e1 de acordo com os achados de Spazinn et al.<sup>17<\/sup>, que, ao avaliar o efeito da ades\u00e3o \u00e0 dentina \u00famida ou seca na resist\u00eancia de uni\u00e3o e selamento de restaura\u00e7\u00f5es de resina composta, conclu\u00edram que, ap\u00f3s desmineraliza\u00e7\u00e3o, a resist\u00eancia de uni\u00e3o \u00e0 dentina \u00famida foi significativamente maior que \u00e0 seca. A prov\u00e1vel explica\u00e7\u00e3o a esse fato est\u00e1 relacionada \u00e0 zona de interdifus\u00e3o resina\/dentina formada durante a ades\u00e3o. Para os autores, quando a dentina desmineralizada \u00e9 seca, ocorre colapso das fibrilas col\u00e1genas e estabelecimento de pontes de hidrog\u00eanio entre elas, contraindo e enrijecendo a malha de col\u00e1geno e levando \u00e0 perda da configura\u00e7\u00e3o espacial tridimensional. Assim, h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o da permeabilidade dessa rede aos mon\u00f4meros adesivos, o que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma \u201ccamada hibridoide\u201d, que \u00e9 menos espessa e n\u00e3o propicia adequado selamento dos t\u00fabulos dentin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da umidade dentin\u00e1ria e da que reside sobre o dente ap\u00f3s lavagem, tamb\u00e9m interessa ao procedimento adesivo a umidade do ambiente intrabucal. Mathias et al.<sup>31<\/sup> testaram a influ\u00eancia da temperatura, umidade relativa do ar e ciclo respirat\u00f3rio de inala\u00e7\u00e3o\/exala\u00e7\u00e3o sobre a microinfiltra\u00e7\u00e3o em restaura\u00e7\u00f5es de resina composta confeccionadas na regi\u00e3o anterossuperior da cavidade bucal usando tr\u00eas sistemas adesivos diferentes. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que a uni\u00e3o em esmalte e dentina n\u00e3o foi afetada pelas condi\u00e7\u00f5es ambientais testadas.<\/p>\n<p>Tais resultados foram justificados pela umidade relativa mensurada na regi\u00e3o anterossuperior da cavidade bucal (76,78 \u00b1 1,94%) que, segundo os autores, se assemelha \u00e0 do ambiente externo. Essa umidade relativa provavelmente n\u00e3o foi suficiente para levar uma quantidade prejudicial de \u00e1gua \u00e0 interface resina-dentina, n\u00e3o comprometendo o processo de uni\u00e3o. Por\u00e9m, outros estudos determinaram que, em regi\u00e3o posterior, onde h\u00e1 maior umidade pela proximidade com a musculatura e ductos salivares, \u00e9 imprescind\u00edvel o uso do isolamento na preven\u00e7\u00e3o de microinfiltra\u00e7\u00f5es marginais, o que tamb\u00e9m garante melhores propriedades mec\u00e2nicas e longevidade dos materiais adesivos sobre a superf\u00edcie dentin\u00e1ria<sup>28<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Solvente<\/b><\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos solventes nos sistemas adesivos convencionais e autocondicionantes \u00e9 fundamental para a efetividade das t\u00e9cnicas de aplica\u00e7\u00e3o deles sobre a dentina<sup>29,30<\/sup>. O solvente age como um ve\u00edculo de transporte e diminui a viscosidade do adesivo para que penetre nas microporosidades do esmalte e dentina<sup>32<\/sup>. Entretanto, a presen\u00e7a residual de solvente, em fun\u00e7\u00e3o da incompleta evapora\u00e7\u00e3o, pode influenciar demasiadamente a polimeriza\u00e7\u00e3o da pel\u00edcula de adesivo, tornando essa interface suscet\u00edvel \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Dessa forma, o uso de artif\u00edcios para melhorar a quantidade de solvente a ser removido, dentro de um tempo cl\u00ednico m\u00ednimo, \u00e9 fundamental para que se possa potencializar a longevidade de uni\u00e3o \u00e0 dentina<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Um estudo pr\u00e9vio<sup>33<\/sup> demonstrou que a aplica\u00e7\u00e3o de jato de ar quente, de aproximadamente 60\u00b0C, pode aumentar significativamente a evapora\u00e7\u00e3o do solvente de adesivos convencionais simplificados, tais como o Adper Single Bond e o Prime &amp; Bond 2.1. Isso ocorre porque a aplica\u00e7\u00e3o do calor pode aumentar a energia cin\u00e9tica das mol\u00e9culas, levando \u00e0 maior evapora\u00e7\u00e3o do solvente da pel\u00edcula de adesivo.<\/p>\n<p>Carrilho et al.<sup>21<\/sup>, ao examinar a extens\u00e3o de penetra\u00e7\u00e3o dos solventes org\u00e2nicos por meio de cinco vers\u00f5es de mon\u00f4meros com diferentes graus de hidrofilicidade, conclu\u00edram que, idealmente, todos os solventes devem ser completamente eliminados do adesivo antes da sua polimeriza\u00e7\u00e3o. Para atingir esse objetivo, \u00e9 necess\u00e1rio que se permita tempo adequado para a evapora\u00e7\u00e3o do solvente. De maneira semelhante, Argolo et al.<sup>34<\/sup> observaram que o tempo de espera de 60 segundos traz benef\u00edcios significativos sobre a resist\u00eancia de uni\u00e3o e o grau de convers\u00e3o de sistemas adesivos convencionais simplificados.<\/p>\n<p>As propriedades qu\u00edmicas dos solventes s\u00e3o outro fator que influencia na intera\u00e7\u00e3o entre as resinas adesivas e o substrato dent\u00e1rio. A acetona apresenta menor temperatura de evapora\u00e7\u00e3o (56,5\u00baC) e maior press\u00e3o de vapor (180mmHg) do que o etanol e a \u00e1gua. Sendo assim, pode provocar o colapso das fibras col\u00e1genas quando usada sobre a dentina seca, requerendo, por isso, atua\u00e7\u00e3o sobre a dentina \u00famida<sup>1,27<\/sup>. O etanol possui temperatura de evapora\u00e7\u00e3o de 78,3\u00baC e press\u00e3o de vapor de 43,9mmHg; quando associado \u00e0 \u00e1gua, como solvente inorg\u00e2nico, al\u00e9m da maior estabilidade da solu\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua presente\u00a0no sistema adesivo pode promover a reidrata\u00e7\u00e3o das fibras col\u00e1genas, impedindo o seu colapso, aumentando a permea\u00e7\u00e3o do adesivo<sup>35<\/sup>.<\/p>\n<p>Recentemente, adesivos \u00e0 base de \u00e1gua v\u00eam sendo desenvolvidos com o objetivo de melhorar a uni\u00e3o substrato\/adesivo. Manhart e Trumm<sup>36<\/sup>, ao avaliar <i>in vitro<\/i> a adapta\u00e7\u00e3o marginal de adesivos (XP Bond, P&amp;B NT, Optibond Solo Plus, Syntac Classic, Scotchbond 1 XT) em cavidades classe II, conclu\u00edram que o adesivo XP Bond (solvente \u00e0 base de \u00e1gua) mostrou excelente adapta\u00e7\u00e3o marginal em esmalte e dentina. Esse resultado \u00e9 corroborado por outros estudos, em que o tipo de solvente influenciou fortemente na aplica\u00e7\u00e3o de sistemas adesivos<sup>1,14<\/sup>. Embora os sistemas \u00e0 base de acetona tenham bom desempenho em dentina \u00famida, funcionam como carreador de \u00e1gua e podem levar a resultados ruins no enrijecimento da dentina condicionada por \u00e1cido. Por outro lado, os sistemas \u00e0 base de \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o sens\u00edveis no que diz respeito ao teor de umidade da dentina, pois apresentam propriedade inerente de reidrata\u00e7\u00e3o, por\u00e9m requerem um tempo de evapora\u00e7\u00e3o adequado para o solvente, pois a \u00e1gua possui baixa press\u00e3o de vapor<sup>36<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fotoativa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A unidade fotopolimerizadora desempenha importantes fun\u00e7\u00f5es para o sucesso das restaura\u00e7\u00f5es adesivas. A emiss\u00e3o suficiente de intensidade de luz, comprimento de onda adequado e densidade de energia s\u00e3o caracter\u00edsticas relevantes dos aparelhos fotopolimerizadores para obten\u00e7\u00e3o de uma adequada profundidade de cura<sup>37<\/sup>.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre a fonte de luz e a superf\u00edcie adesiva pode interferir diretamente na intensidade de luz que alcan\u00e7a a superf\u00edcie do material e, consequentemente, na profundidade de polimeriza\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que se distancia da superf\u00edcie irradiada, a polimeriza\u00e7\u00e3o dos comp\u00f3sitos torna-se menos efetiva, pois a dispers\u00e3o tende a minimizar a convers\u00e3o dos mon\u00f4meros em pol\u00edmeros, afetando a qualidade do pol\u00edmero formado<sup>38<\/sup>.<\/p>\n<p>Cavalcanti et al.<sup>18<\/sup> avaliaram a resist\u00eancia de uni\u00e3o de diferentes sistemas adesivos em paredes cavit\u00e1rias de preparos de classe II e conclu\u00edram que a parede gengival de dentina configura uma regi\u00e3o de dif\u00edcil ades\u00e3o devido, \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o dos t\u00fabulos dentin\u00e1rios (paralela\/obl\u00edqua) e pela dificuldade de se aplicar uma intensidade da luz suficiente para a adequada convers\u00e3o monom\u00e9rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Condi\u00e7\u00f5es de armazenamento do frasco<\/b><\/p>\n<p>Temperatura do frasco de adesivo<\/p>\n<p>Os sistemas adesivos geralmente est\u00e3o sujeitos a altera\u00e7\u00f5es de temperatura, entre elas: as baixas temperaturas, que podem ser alcan\u00e7adas durante o armazenamento em refrigerador (pr\u00f3ximas a 5\u00b0C); e as elevadas temperaturas (pr\u00f3ximas a 40\u00b0C), que podem ser alcan\u00e7adas em locais pr\u00f3ximos \u00e0s estufas, com incid\u00eancia direta de luz solar, ou at\u00e9 mesmo em consult\u00f3rios localizados em regi\u00f5es com temperatura ambiente elevada. Tal constata\u00e7\u00e3o apresenta alta relev\u00e2ncia pr\u00e1tica na cin\u00e9tica da rea\u00e7\u00e3o de fotopolimeriza\u00e7\u00e3o, pois sua altera\u00e7\u00e3o modifica a viscosidade do material polim\u00e9rico, o que leva \u00e0 altera\u00e7\u00e3o da capacidade de penetra\u00e7\u00e3o, dissolu\u00e7\u00e3o, tempo de evapora\u00e7\u00e3o do solvente e no grau de convers\u00e3o, tendo reflexo nas propriedades f\u00edsicas e mec\u00e2nicas da ades\u00e3o<sup>39,40<\/sup>.<\/p>\n<p>Considerando a \u00e1gua, o \u00e1lcool e a acetona como os solventes frequentemente presentes no material adesivo, deve-se considerar que a altera\u00e7\u00e3o da temperatura da mistura adesiva modificar\u00e1 a press\u00e3o de vapor dessa mistura<sup>2<\/sup>. Assim, com o seu aumento ou resfriamento, haver\u00e1 um aumento ou uma redu\u00e7\u00e3o na evapora\u00e7\u00e3o do solvente, respectivamente.<\/p>\n<p>Alexandre et al.<sup>41<\/sup>, ao avaliar a influ\u00eancia da temperatura de tr\u00eas sistemas adesivos na uni\u00e3o em esmalte, ressaltaram a import\u00e2ncia da baixa viscosidade dos sistemas adesivos devida \u00e0 adi\u00e7\u00e3o de solventes e mon\u00f4meros diluentes, o que permite a excelente capacidade da volatiliza\u00e7\u00e3o e penetra\u00e7\u00e3o. Nesse estudo, a aplica\u00e7\u00e3o do sistema adesivo autocondicionante sobre o esmalte em temperatura ambiente (20\u00b0C) promoveu forte uni\u00e3o, semelhante \u00e0 dos adesivos convencionais. A hip\u00f3tese a ser testada pelos autores n\u00e3o foi confirmada. Observaram que a for\u00e7a de uni\u00e3o da superf\u00edcie do esmalte foi dependente da temperatura, sugerindo que a temperatura de sistemas adesivos deve ser considerada como um fator importante para o bom desempenho cl\u00ednico de procedimentos adesivos.<\/p>\n<p>Seguindo o racioc\u00ednio de que mon\u00f4meros mais viscosos dificultam o processo adesivo, \u00e9 v\u00e1lido saber se o modo de aplica\u00e7\u00e3o interfere na difus\u00e3o e se contribuir\u00e1 para maior ades\u00e3o ao substrato. Em estudo anterior<sup>42<\/sup>, os autores conclu\u00edram que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a estatisticamente significativa na forma de aplica\u00e7\u00e3o do sistema adesivo (ativa ou passiva) quanto \u00e0 ades\u00e3o, discordando dos resultados obtidos por Jacobsen e S\u00f6derholm<sup>43<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/b><\/p>\n<p>A resist\u00eancia de uni\u00e3o continua sendo um fator cr\u00edtico no desempenho dos sistemas adesivos em dentina. V\u00e1rios s\u00e3o os fatores que podem interferir no desempenho desse processo, entre eles a espessura da <i>smear layer<\/i>, grau de umidade do substrato dentin\u00e1rio, evapora\u00e7\u00e3o correta do solvente na superf\u00edcie da dentina, intensidade de luz da unidade de polimeriza\u00e7\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o de armazenamento dos frascos de adesivo. Portanto, torna-se extremamente importante o conhecimento aprofundado da fisiologia do substrato e dos protocolos de aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, para o sucesso e durabilidade das liga\u00e7\u00f5es adesivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b><b>: <\/b>Argolo S, Mathias P, Aguiar TR, Cavalcanti AN. Interfer\u00eancia de fatores relacionados \u00e0 t\u00e9cnica de aplica\u00e7\u00e3o sobre as propriedades da camada de adesivos. Rev Dental Press Est\u00e9t. 2012 out-dez;9(4):62-70.<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>Enviado em: 26\/11\/2011<\/p>\n<p>Revisado e aceito: 10\/10\/2012<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>Saryta Argolo<\/b><\/p>\n<p>Rua Jo\u00e3o Jos\u00e9 Rescala, 210<\/p>\n<p>CEP: 41.720-000 \u2013 Salvador\/BA<\/p>\n<p>E-mail: saryta_argolo@hotmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Objetivo: revisar na literatura os fatores que afetam a camada de adesivo e ampliar o conhecimento sobre os sistemas adesivos, bem como seus mecanismos de uni\u00e3o com os substratos dent\u00e1rios. M\u00e9todos: efetuou-se uma busca de artigos em peri\u00f3dicos indexados. Resultados: os avan\u00e7os imediatos ocorridos na Odontologia Restauradora em fun\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de hibridiza\u00e7\u00e3o dos<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1520","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1520\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}