{"id":1486,"date":"2013-09-23T16:17:07","date_gmt":"2013-09-23T19:17:07","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1486"},"modified":"2013-09-23T16:17:07","modified_gmt":"2013-09-23T19:17:07","slug":"analise-cefalometrica-para-apneia-do-sono-estudo-comparativo-entre-medidas-padrao-e-de-individuos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/analise-cefalometrica-para-apneia-do-sono-estudo-comparativo-entre-medidas-padrao-e-de-individuos-brasileiros\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise cefalom\u00e9trica para apneia do sono:  estudo comparativo entre medidas padr\u00e3o  e de indiv\u00edduos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><b>Objetivo:<\/b> verificar se os valores de refer\u00eancia da an\u00e1lise cefalom\u00e9trica para <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-dtm-dor-orofacial-e-apneia-do-sono\/\">apneia<\/a> do sono, referentes a indiv\u00edduos norte-americanos, s\u00e3o semelhantes aos de indiv\u00edduos brasileiros n\u00e3o portadores de anomalias craniofaciais. Identificar, tamb\u00e9m por meio dessa an\u00e1lise cefalom\u00e9trica, altera\u00e7\u00f5es craniofaciais em indiv\u00edduos portadores de s\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) em rela\u00e7\u00e3o a indiv\u00edduos sem caracter\u00edsticas cl\u00ednicas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><b>M\u00e9todos: <\/b>foram utilizadas 55 radiografias cefalom\u00e9tricas laterais advindas de arquivos, sendo 29 radiografias para o grupo controle, sendo composto de indiv\u00edduos adultos sem caracter\u00edsticas cl\u00ednicas de SAOS, e 26 de indiv\u00edduos adultos apneicos. Todas as radiografias foram submetidas \u00e0 an\u00e1lise cefalom\u00e9trica para apneia do sono por meio do software Radiocef Studio 2.0. Por meio do teste z, valores-padr\u00e3o dessa an\u00e1lise foram comparados aos valores obtidos do grupo controle, e esses, por sua vez, foram comparados aos valores do grupo de apneicos por meio do teste t de Student.<\/p>\n<p><b>Resultados: <\/b>n\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas entre os valores obtidos do grupo controle e os valores-padr\u00e3o. No\u00a0grupo de indiv\u00edduos portadores de SAOS, observou-se diminui\u00e7\u00e3o nas dimens\u00f5es das vias a\u00e9reas superiores e aumento do comprimento do palato mole.<\/p>\n<p><b>Conclus\u00f5es: <\/b>os valores-padr\u00e3o da an\u00e1lise de apneia do sono podem ser utilizados como refer\u00eancia em indiv\u00edduos brasileiros. Al\u00e9m disso, por meio da radiografia cefalom\u00e9trica lateral foi poss\u00edvel identificar altera\u00e7\u00f5es craniofaciais em indiv\u00edduos portadores de SAOS.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Apneia do sono tipo obstrutiva. Estudo comparativo. Circunfer\u00eancia craniana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A cefalometria radiogr\u00e1fica \u00e9 um elemento importante em pesquisas das altera\u00e7\u00f5es que ocorrem durante o crescimento e desenvolvimento craniofacial. Essa t\u00e9cnica transcendeu os limites da Odontologia e, atualmente, apresenta import\u00e2ncia significativa em outras \u00e1reas, como em Otorrinolaringologia, na qual passou a ser solicitada para avalia\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas superiores (VAS). Dentre suas mais recentes aplica\u00e7\u00f5es, destaca-se a utiliza\u00e7\u00e3o como recurso complementar para o diagn\u00f3stico da s\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS)<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p>A SAOS consiste em repetidos eventos apneicos, resultantes do colapso total ou parcial da faringe durante o sono. Na etiologia dessa s\u00edndrome s\u00e3o identificados fatores predisponentes, tais como obesidade e altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o neuromuscular, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas esquel\u00e9ticas e de tecidos moles<sup>24<\/sup>.<\/p>\n<p>Muitos autores<sup>1,4,7,9,21<\/sup> j\u00e1 discutiram sobre e validaram a radiografia cefalom\u00e9trica lateral para avalia\u00e7\u00e3o das VAS. Apesar de consistir de um m\u00e9todo de diagn\u00f3stico por imagem bidimensional, a radiografia cefalom\u00e9trica lateral permite a realiza\u00e7\u00e3o de mensura\u00e7\u00f5es lineares e angulares essenciais para localiza\u00e7\u00e3o dos locais de obstru\u00e7\u00e3o da faringe<sup>17,18<\/sup>.<\/p>\n<p>Sim\u00f5es<sup>24<\/sup> avaliou, por meio de radiografias cefalom\u00e9tricas laterais, o espa\u00e7o faringiano em indiv\u00edduos norte-americanos com oclus\u00e3o normal, pertencentes a uma amostra da cidade de Ann Arbor. Esse trabalho gerou uma tabela com valores-padr\u00e3o que \u00e9 amplamente utilizada como refer\u00eancia em cl\u00ednicas radiol\u00f3gicas e ortod\u00f4nticas brasileiras. Encontra-se, inclusive, dispon\u00edvel em softwares destinados \u00e0s an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas computadorizadas. Por\u00e9m, n\u00e3o foram encontrados estudos que validassem essa an\u00e1lise para utiliza\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Em vista disso, o objetivo desse estudo \u00e9 verificar se valores de refer\u00eancia da an\u00e1lise cefalom\u00e9trica para apneia do sono referentes a indiv\u00edduos norte-americanos s\u00e3o semelhantes aos de indiv\u00edduos brasileiros n\u00e3o portadores de anomalias craniofaciais. E, ainda, identificar altera\u00e7\u00f5es craniofaciais em indiv\u00edduos portadores de SAOS em rela\u00e7\u00e3o a indiv\u00edduos sem caracter\u00edsticas cl\u00ednicas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/strong><\/p>\n<p>O presente estudo foi aprovado pelo Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa da Universidade Estadual Paulista, campus de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, da Faculdade de Odontologia, sob o protocolo n\u00b0 103\/2007\/2006-PH\/CEP.<\/p>\n<p>Sele\u00e7\u00e3o da amostra<\/p>\n<p>Para realiza\u00e7\u00e3o desse trabalho foram selecionadas 55 radiografias cefalom\u00e9tricas laterais. Vinte e seis pertencem a indiv\u00edduos com diagn\u00f3stico de SAOS confirmado por meio de exame polissonogr\u00e1fico, sendo 18 indiv\u00edduos do sexo masculino, com idades entre 20 e 70 anos, e 8 do sexo feminino, na faixa et\u00e1ria de 30 a 57 anos. As radiografias foram obtidas em um mesmo centro de radiologia odontol\u00f3gica; da mesma forma, os exames polissonogr\u00e1ficos foram realizados em uma mesma cl\u00ednica especializada em dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>Foram, ainda, utilizadas 29 radiografias de indiv\u00edduos n\u00e3o portadores de sintomas relativos \u00e0 SAOS, sendo 11 indiv\u00edduos do sexo masculino, na faixa et\u00e1ria de 18 a 29 anos, e 18 do sexo feminino, com idades entre 19 e 35 anos.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para inclus\u00e3o das radiografias cefalom\u00e9tricas de indiv\u00edduos portadores de SAOS foram que esses possu\u00edssem laudo de exame polissonogr\u00e1fico confirmando o diagn\u00f3stico de SAOS, realizado em cl\u00ednica especializada e conforme o protocolo preconizado pela Sociedade Brasileira do Sono no \u201cI Consenso em Ronco e Apn\u00e9ia do sono\u201d<sup>27<\/sup>, incluindo o valor do IAH, IMC, tempo total de sono e tempo de sono em cada est\u00e1gio, frequ\u00eancia card\u00edaca m\u00e9dia e satura\u00e7\u00e3o basal de oxihemoglobina (SaCO<sub>2<\/sub>).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao grupo controle, os crit\u00e9rios foram exist\u00eancia de prontu\u00e1rio com informa\u00e7\u00f5es completas sobre condi\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas dos indiv\u00edduos, que n\u00e3o fossem sindr\u00f4micos, n\u00e3o roncassem, n\u00e3o fizessem uso de medicamentos que induzissem ao sono (hipn\u00f3ticos ou neurol\u00e9pticos), n\u00e3o terem sido submetidos a tratamentos cir\u00fargico ortogn\u00e1tico, das vias a\u00e9reas superiores ou a tratamento ortod\u00f4ntico pr\u00e9vio, n\u00e3o possu\u00edssem problemas respirat\u00f3rios ou neurol\u00f3gicos, n\u00e3o fossem obesos e que possu\u00edssem perfil facial harmonioso e padr\u00e3o esquel\u00e9tico Classe I.<\/p>\n<p>Foram exclu\u00eddas radiografias que apresentavam a imagem do palato mole em formato de \u201cv\u201d invertido, o que, segundo, McNamara Jr.<sup>19<\/sup>, indica que o indiv\u00edduo deglutiu no momento da aquisi\u00e7\u00e3o da imagem, o que pode interferir nas mensura\u00e7\u00f5es relacionadas a essa estrutura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise cefalom\u00e9trica<\/strong><\/p>\n<p>As radiografias cefalom\u00e9tricas foram digitalizadas com resolu\u00e7\u00e3o de 300dpi por meio do scanner de mesa Epson Perfection 4990 Photo (Epson America Inc., Long Beach, EUA), com leitor de transpar\u00eancia acoplado e com seu respectivo software, o SilverFast SE<sup>6<\/sup>. As imagens foram salvas no formato TIFF, sem compress\u00e3o.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises cefalom\u00e9tricas foram realizadas por um \u00fanico avaliador e de forma computadorizada por meio do programa Radiocef Studio 2.0 (Radiomemory, Belo Horizonte\/MG).<\/p>\n<p>Quanto ao padr\u00e3o esquel\u00e9tico sagital para classifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos do grupo controle no presente estudo, foi utilizado o \u00e2ngulo ANB. Apenas indiv\u00edduos com ANB entre 0 e 4\u00b0 foram inclu\u00eddos nesse grupo.<\/p>\n<p>Para avalia\u00e7\u00e3o das VAS e das estruturas relacionadas, foi utilizada a an\u00e1lise de apneia do sono, que consta na lista de an\u00e1lises do programa utilizado e baseia-se nos trabalhos de Sim\u00f5es<sup>24<\/sup> e de Pinto<sup>21<\/sup>. Essa an\u00e1lise cefalom\u00e9trica consta de 28 pontos que formam 14 fatores (medidas lineares), ilustrados na Figura 1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0151.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1493\" alt=\"Imagem_Fig01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0151.jpg\" width=\"400\" height=\"430\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise estat\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Para avalia\u00e7\u00e3o do erro do m\u00e9todo, as medidas foram obtidas duas vezes, com intervalo de 30 dias entre si. Os resultados das duas leituras foram comparados por meio da An\u00e1lise de Regress\u00e3o Linear simples e do teste t de Student, com n\u00edvel de signific\u00e2ncia de 5% (\u03b1 = 0,05).<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de cada fator obtido no grupo controle foi comparada aos valores-padr\u00e3o da an\u00e1lise para apneia do sono por meio do teste z. Posteriormente, para verificar se existem diferen\u00e7as entre o grupo de indiv\u00edduos portadores de SAOS e o grupo controle foi utilizado o test t de Student com \u03b1 = 0,05.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>RESULTADOS<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e9dia entre a primeira e a segunda leitura de cada medida foi empregada no c\u00e1lculo dos fatores analisados.<\/p>\n<p>Os resultados do teste z, utilizado para compara\u00e7\u00e3o das m\u00e9dias do grupo controle e dos valores-padr\u00e3o da an\u00e1lise de apneia do sono<sup>24<\/sup>, s\u00e3o apresentados na Tabela 1 e na Figura 2, para o sexo feminino, e na Tabela 2 e Figura 3, para o sexo masculino.<\/p>\n<p>Os valores de p das compara\u00e7\u00f5es e resultados do teste t de Student para os grupos estudados s\u00e3o apresentados nas Tabelas 3 e 4.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela016.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1497\" alt=\"Imagem_Tabela01\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela016.jpg\" width=\"400\" height=\"427\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0231.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1494\" alt=\"Imagem_Fig02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0231.jpg\" width=\"400\" height=\"439\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela0251.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1498\" alt=\"Imagem_Tabela02\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela0251.jpg\" width=\"400\" height=\"426\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela0251.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela0251-281x300.jpg 281w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0321.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1495\" alt=\"Imagem_Fig03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0321.jpg\" width=\"400\" height=\"436\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0321.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig0321-275x300.jpg 275w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela035.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1499\" alt=\"Imagem_Tabela03\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela035.jpg\" width=\"400\" height=\"423\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela035.jpg 400w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela035-283x300.jpg 283w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela043.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1500\" alt=\"Imagem_Tabela04\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Tabela043.jpg\" width=\"400\" height=\"417\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Por meio dos resultados do presente estudo, observou-se que, apesar das evidentes diferen\u00e7as f\u00edsicas entre indiv\u00edduos brasileiros e norte-americanos, n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa nas dimens\u00f5es cefalom\u00e9tricas relacionadas \u00e0s VAS entre os indiv\u00edduos dessas duas nacionalidades, indicando a viabilidade da utiliza\u00e7\u00e3o da tabela de valores-padr\u00e3o para SAOS na avalia\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos brasileiros.<\/p>\n<p>Atualmente, o diagn\u00f3stico e o tratamento da SAOS dependem de uma equipe multidisciplinar de profissionais da sa\u00fade. Os cirurgi\u00f5es-dentistas, \u00a0especialmente os ortodontista, os ortopedista funcional dos maxilares e os cirurgi\u00f5es bucomaxilofaciais, possuem papel fundamental no diagn\u00f3stico dos locais onde ocorrem as obstru\u00e7\u00f5es das VAS, por meio de radiografias que fazem parte de suas rotinas de trabalho. Al\u00e9m disso, participam ativamente do tratamento dos indiv\u00edduos apneicos por meio de aparelhos intrabucais<sup>11,12,22<\/sup> ou de cirurgias ortogn\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Diversos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico por imagem podem ser utilizados com a finalidade de avaliar as dimens\u00f5es das VAS; por\u00e9m, no presente estudo optamos por utilizar a radiografia cefalom\u00e9trica lateral por considerarmos esse m\u00e9todo mais acess\u00edvel e amplamente solicitado, concordando com outros autores<sup>1,4,17,18<\/sup>.<\/p>\n<p>A escolha da an\u00e1lise cefalom\u00e9trica utilizada nesse estudo foi devida \u00e0 sua ampla utiliza\u00e7\u00e3o em cl\u00ednicas radiol\u00f3gicas e ortod\u00f4nticas, e por englobar medidas em todas as regi\u00f5es suscept\u00edveis \u00e0 obstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Consideramos importante verificar se valores de refer\u00eancia para medidas craniofaciais baseadas em estudos com indiv\u00edduos americanos podem ser utilizados para indiv\u00edduos brasileiros, j\u00e1 que um estudo<sup>6<\/sup> comparando indiv\u00edduos portadores de SAOS de duas etnias distintas encontrou diferen\u00e7as significativas nas caracter\u00edsticas craniofaciais associadas \u00e0s VAS entre os grupos.<\/p>\n<p>O estreitamento da nasofaringe observado nos indiv\u00edduos do sexo masculino portadores de SAOS (Tab. 3) foi um achado similar ao de outros autores<sup>1,4,17,21,23<\/sup>. Segundo alguns estudos<sup>5,19,21<\/sup>, o espa\u00e7o far\u00edngeo superior \u00e9 uma das regi\u00f5es mais suscept\u00edveis ao colapso devido \u00e0 frequente hipertrofia das tonsilas far\u00edngeas. No presente estudo, as tonsilas n\u00e3o foram avaliadas separadamente, mas consideramos a dimens\u00e3o dos tecidos moles na nasofaringe ao marcar o ponto posterior onde houvesse maior obstru\u00e7\u00e3o da passagem a\u00e9rea, conforme McNamara Jr.<sup>19<\/sup><\/p>\n<p>King<sup>15<\/sup> citou que o crescimento da face para frente e para baixo \u00e9 influenciado pelo crescimento anterior da base do cr\u00e2nio e pelo crescimento posterior do osso occipital, ou pela associa\u00e7\u00e3o de ambos, e que esse crescimento contribuir\u00e1 para o aumento do di\u00e2metro da faringe. Em indiv\u00edduos do sexo feminino portadores de SAOS, observamos diminui\u00e7\u00e3o da base do cr\u00e2nio e das dimens\u00f5es em todas as regi\u00f5es da faringe. Alguns autores<sup>3,2,8,26<\/sup> citaram a diminui\u00e7\u00e3o da base do cr\u00e2nio como um dos achados cefalom\u00e9tricos caracter\u00edsticos da SAOS.<\/p>\n<p>O osso hioide se apresentou mais anteriorizado no sexo feminino no grupo de portadores de SAOS, e n\u00e3o apresentou diferen\u00e7a significativa no sexo masculino na presente pesquisa, o que foi semelhante aos achados de Tsai et al.<sup>27<\/sup>, que constataram que esse fator est\u00e1 associado \u00e0 maior severidade da SAOS no sexo feminino.<\/p>\n<p>Sabe-se que o osso hioide n\u00e3o tem comunica\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, mas est\u00e1 suspenso por uma rede de m\u00fasculos e ligamentos. Portanto, sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 amplamente dependente das estruturas \u00e0s quais se comunica por meio de ligamentos musculares \u2014 como a l\u00edngua \u2014, e tamb\u00e9m \u00e9 influenciada pela postura do indiv\u00edduo<sup>8<\/sup>. Esse fato explica a import\u00e2ncia de avaliar essa estrutura em indiv\u00edduos apneicos.<\/p>\n<p>Battagel e L\u2019Estrange<sup>4<\/sup> afirmaram que as maiores altera\u00e7\u00f5es de dimens\u00e3o das VAS em indiv\u00edduos portadores de SAOS ocorreram na orofaringe, concordando com Lowe et al.<sup>16<\/sup>, e foram relacionadas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o posteropalatal mediano que, no presente trabalho, tamb\u00e9m apresentou-se diminu\u00eddo no grupo de portadores de SAOS. Esse espa\u00e7o possui \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com as dimens\u00f5es do palato mole, cujo comprimento aumentado esteve relacionado \u00e0 presen\u00e7a de SAOS em v\u00e1rias pesquisas<sup>3,4,10,20,25,26<\/sup>, inclusive no presente estudo.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o a\u00e9reo inferior encontrou-se significativamente diminu\u00eddo no grupo de portadores de SAOS, concordando com Lyberg et al.<sup>17<\/sup> Essa obstru\u00e7\u00e3o da hipofaringe relaciona-se \u00e0 regi\u00e3o epigl\u00f3tica, sendo local de grande interesse para cirurgias ortogn\u00e1ticas<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p>Na Figura 4 pode-se comparar radiografias cefalom\u00e9tricas laterais correspondentes ao grupo de portadores de SAOS e ao grupo controle, nas quais s\u00e3o observadas as altera\u00e7\u00f5es mais comuns das VAS e de estruturas relacionadas encontradas no grupo de portadores de SAOS em compara\u00e7\u00e3o ao grupo controle.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de que fatores anat\u00f4micos, como os estudados no presente trabalho, est\u00e3o envolvidos na etiologia da SAOS possui grande respaldo na literatura. Por isso, conhecer altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas prevalentes em indiv\u00edduos apneicos \u00e9 importante para que profissionais que trabalham diretamente com radiografia cefalom\u00e9trica lateral possam identificar fatores de risco e encaminhar o paciente para m\u00e9dicos especialistas, tamb\u00e9m para que solicitem exames espec\u00edficos \u2014 como polissonografia \u2014, considerado o exame padr\u00e3o-ouro para diagn\u00f3stico de SAOS. Isso contribuir\u00e1 para o diagn\u00f3stico mais precoce da doen\u00e7a evitando, portanto, as graves sequelas a ela relacionadas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig042.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1496\" alt=\"Imagem_Fig04\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig042.jpg\" width=\"800\" height=\"380\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig042.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagem_Fig042-300x142.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb As medidas craniofaciais utilizadas como refer\u00eancia no diagn\u00f3stico da SAOS podem ser aplicadas a indiv\u00edduos brasileiros.<\/p>\n<p>\u00bb Houve altera\u00e7\u00f5es craniofaciais significativas em indiv\u00edduos portadores de SAOS quando comparados aos indiv\u00edduos sem caracter\u00edsticas cl\u00ednicas dessa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00bb Em apneicos do sexo masculino foram observadas diminui\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os a\u00e9reos superior, m\u00e9dio, inferior e retropalatal, e aumento do comprimento do palato mole.<\/p>\n<p>\u00bb Em apneicos do sexo feminino, foram observadas diminui\u00e7\u00f5es das dimens\u00f5es em todas as regi\u00f5es far\u00edngeas avaliadas, da base anterior do cr\u00e2nio e do comprimento da maxila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b>: Maschtakow PSL, Tanaka JLO, Rocha JC, Giannasi LC, Moraes MEL, Costa CB, Castilho JCM, Moraes LC. Cephalometric analysis for the diagnosis of sleep apnea: A comparative study between reference values and measurements obtained for Brazilian subjects. Dental Press J Orthod. 2013 May-June;18(3):143-9.<\/p>\n<p><b>Enviado em<\/b>: 16 de novembro de 2009 &#8211; <b>Revisado e aceito<\/b>: 29 de dezembro de 2010<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b>: Patr\u00edcia Superbi Lemos Maschtakow<\/p>\n<p>pat.lems@yahoo.com.br \/ rocha@fosjc.unesp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objetivo: verificar se os valores de refer\u00eancia da an\u00e1lise cefalom\u00e9trica para apneia do sono, referentes a indiv\u00edduos norte-americanos, s\u00e3o semelhantes aos de indiv\u00edduos brasileiros n\u00e3o portadores de anomalias craniofaciais. Identificar, tamb\u00e9m por meio dessa an\u00e1lise cefalom\u00e9trica, altera\u00e7\u00f5es craniofaciais em indiv\u00edduos portadores de s\u00edndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) em rela\u00e7\u00e3o a indiv\u00edduos sem caracter\u00edsticas<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1486","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}