{"id":1214,"date":"2013-09-18T18:29:31","date_gmt":"2013-09-18T21:29:31","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1214"},"modified":"2013-09-18T18:29:31","modified_gmt":"2013-09-18T21:29:31","slug":"estabilidade-em-longo-prazo-do-alinhamento-anterossuperior-em-casos-tratados-ortodonticamente-sem-extracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/estabilidade-em-longo-prazo-do-alinhamento-anterossuperior-em-casos-tratados-ortodonticamente-sem-extracoes\/","title":{"rendered":"Estabilidade em longo prazo do alinhamento  anterossuperior em casos tratados  ortodonticamente sem extra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><b>Objetivo:<\/b> o presente estudo avaliou, por meio de uma an\u00e1lise retrospectiva, a estabilidade p\u00f3s-tratamento do alinhamento dos incisivos anterossuperiores de pacientes submetidos ao tratamento ortod\u00f4ntico sem extra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>M\u00e9todos: <\/b>a amostra foi constitu\u00edda de 23 pacientes (13 do sexo feminino e 10 do sexo masculino), com idade inicial de 13,36\u00a0\u00b1\u00a01,81 anos. Mediu-se nos modelos de estudo das fases inicial (T<sub>1<\/sub>), final (T<sub>2<\/sub>) e p\u00f3s-tratamento (T<sub>3<\/sub>) de aproximadamente de 5 anos, a irregularidade dos incisivos superiores, as dist\u00e2ncias intercaninos e entre os primeiros e segundos pr\u00e9-molares, a dist\u00e2ncia intermolares, o comprimento e o per\u00edmetro da arcada superior. Ap\u00f3s a obten\u00e7\u00e3o dos dados, realizou-se a an\u00e1lise estat\u00edstica. Para a an\u00e1lise das altera\u00e7\u00f5es ao longo dos tr\u00eas tempos estudados, utilizou-se a an\u00e1lise de vari\u00e2ncia (ANOVA) a um crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o e, em caso de resultado significativo, o teste de Tukey. Para verificar a presen\u00e7a de correla\u00e7\u00e3o entre a recidiva do apinhamento anterossuperior e a recidiva das vari\u00e1veis dist\u00e2ncias intercaninos, interpr\u00e9-molares, intermolares, comprimento e per\u00edmetro da arcada, utilizou-se o teste de correla\u00e7\u00e3o de Pearson.<\/p>\n<p><b>Resultados: <\/b>os resultados n\u00e3o evidenciaram altera\u00e7\u00f5es dimensionais significativas ao final do tratamento; entretanto, durante o per\u00edodo de p\u00f3s-tratamento, foram observadas altera\u00e7\u00f5es significativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de irregularidade dos incisivos superiores.<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o: <\/b>concluiu-se que houve recidiva estatisticamente significativa (+1,52mm) na irregularidade anterossuperior durante o per\u00edodo de p\u00f3s-tratamento. Entretanto, nenhuma das vari\u00e1veis aferidas nos modelos p\u00f4de ser clinicamente associada \u00e0 recidiva anterossuperior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Recidiva. Ortodontia corretiva. M\u00e1 oclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento ortod\u00f4ntico tem como objetivo primordial a corre\u00e7\u00e3o das m\u00e1s oclus\u00f5es; entretanto, essa corre\u00e7\u00e3o apresenta consider\u00e1vel variabilidade na estabilidade p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o. Embora exista consenso na literatura ortod\u00f4ntica de que algumas altera\u00e7\u00f5es oclusais inevitavelmente ocorrer\u00e3o ap\u00f3s o t\u00e9rmino do tratamento ortod\u00f4ntico<sup>15,19,28<\/sup>, evidenciou-se que a estabilidade do alinhamento dos dentes \u00e9 altamente vari\u00e1vel e amplamente imprevis\u00edvel<sup>17<\/sup>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 abordagem cient\u00edfica, apesar de haver numerosas pesquisas sobre a etiologia da recidiva ortod\u00f4ntica do apinhamento anteroinferior, uma menor quantidade de estudos foi conduzida focando as altera\u00e7\u00f5es p\u00f3s-tratamento na regi\u00e3o anterossuperior e os poss\u00edveis fatores associados \u00e0 magnitude dessa recidiva<sup>2,3,9,12,18,23,25<\/sup>.<\/p>\n<p>A recidiva do apinhamento anterossuperior apresenta menor preval\u00eancia quando comparada \u00e0 recidiva na regi\u00e3o dos incisivos inferiores<sup>8,10,22,26,29,30<\/sup>. Alguns autores consideram a severidade inicial do apinhamento<sup>25<\/sup> e a tra\u00e7\u00e3o das fibras periodontais<sup>5,6,7<\/sup> fatores de risco para a recidiva do apinhamento dent\u00e1rio anterossuperior. Todavia, verificou-se uma associa\u00e7\u00e3o entre um per\u00edodo de conten\u00e7\u00e3o prolongado e a maior estabilidade no alinhamento dos dentes anterossuperiores<sup>23<\/sup>. Os incisivos superiores tendem a rotacionar no sentido de suas posi\u00e7\u00f5es iniciais<sup>25,26<\/sup>, apesar da recidiva no sentido vestibulolingual apresentar-se imprevis\u00edvel<sup>25<\/sup>. Os contatos palatinos existentes com os incisivos inferiores representam limites ao deslocamento no sentido lingual dos incisivos superiores, e qualquer movimento no sentido vestibular provavelmente \u00e9 determinado pela posi\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o dos l\u00e1bios<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>Para Little<sup>14<\/sup>, a evid\u00eancia da instabilidade progressiva do tratamento ortod\u00f4ntico sempre \u00e9 notada primeiro pelo apinhamento dos incisivos inferiores ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o das conten\u00e7\u00f5es. Independentemente do fator causal da recidiva ortod\u00f4ntica, a irregularidade dos incisivos inferiores apresenta-se sempre como a precursora do apinhamento superior.<\/p>\n<p>Kahl-Nieke, Fischbach e Schwarze<sup>13<\/sup> analisaram os modelos inicial, final e p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o de pacientes tratados ortodonticamente. Observaram que a recidiva dos apinhamentos anterossuperior e anteroinferior ocorreu em aproximadamente metade da amostra, e que o apinhamento anteroinferior foi mais significativo, aumentando em 68,8% dos casos. Vari\u00e1veis\u00a0pr\u00e9-tratamento\u00a0\u2014 como apinhamento severo, defici\u00eancia no comprimento da arcada, defici\u00eancias transversais e sobremordida profunda \u2014 foram consideradas fatores associados ao aumento do apinhamento e da irregularidade na regi\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>Em um estudo longitudinal, Moussa, O\u2019Reilly e Close<sup>18<\/sup> avaliaram 55 pacientes tratados ortodonticamente sem extra\u00e7\u00f5es e submetidos \u00e0 expans\u00e3o r\u00e1pida. Observaram uma altera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 0,6mm na irregularidade dos incisivos superiores no per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o e sugeriram que o procedimento de expans\u00e3o r\u00e1pida poderia ter favorecido essa estabilidade; por\u00e9m, devido \u00e0 falta de um grupo controle, n\u00e3o foram realizadas conclus\u00f5es mais objetivas quanto \u00e0 influ\u00eancia do procedimento de ERM sobre a recidiva do apinhamento. Entretanto, Canuto et al.<sup>3<\/sup>, comparando grupos compostos por pacientes tratados ortodonticamente sem extra\u00e7\u00f5es, com e sem a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento de ERM, n\u00e3o constataram diferen\u00e7as entre os grupos no que diz respeito \u00e0 estabilidade p\u00f3s-tratamento do alinhamento dos incisivos superiores.<\/p>\n<p>Vaden, Harris e Gardner<sup>30<\/sup> observaram, ap\u00f3s 15 anos do t\u00e9rmino do tratamento, que houve uma altera\u00e7\u00e3o de apenas 0,3mm na irregularidade dos incisivos superiores, que correspondeu a uma manuten\u00e7\u00e3o de 96% da corre\u00e7\u00e3o durante o tratamento. Surbeck et al.<sup>25<\/sup> verificaram a influ\u00eancia da quantidade de apinhamento inicial na recidiva p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a an\u00e1lise dos resultados, esses autores observaram que a quantidade de irregularidade no per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente associada \u00e0 quantidade de deslocamento dos pontos de contato anat\u00f4mico ao in\u00edcio do tratamento, e que dentes rotacionados no per\u00edodo de pr\u00e9-tratamento apresentam tend\u00eancia estatisticamente significativa de retornarem \u00e0s suas posi\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n<p>Taner et al.<sup>27<\/sup> avaliaram os efeitos da fibrotomia supracristal na estabilidade do alinhamento de incisivos superiores e inferiores. Observaram um aumento significativo da irregularidade dent\u00e1ria do grupo controle, em ambos os segmentos anteriores. O grupo em que foi realizada a fibrotomia n\u00e3o apresentou aumento significativo de apinhamento.<\/p>\n<p>Ferris et al.<sup>9<\/sup> avaliaram a estabilidade de um protocolo de tratamento que envolvia a expans\u00e3o r\u00e1pida da maxila, o uso de placa labioativa e, posteriormente, corre\u00e7\u00f5es ortod\u00f4nticas com aparelhos fixos. A amostra apresentava 20 pacientes submetidos ao tratamento ortod\u00f4ntico ao final da denti\u00e7\u00e3o mista e que foram reavaliados ap\u00f3s<\/p>\n<p>um per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o m\u00e9dio de 7,9 anos. Os\u00a0resultados demonstraram que os incrementos nas dimens\u00f5es das arcadas dent\u00e1rias superior e inferior foram, em sua maioria, mantidos no per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o. Em longo prazo, a irregularidade dos incisivos superiores e inferiores aumentou 0,5\u00a0\u00b1\u00a01,2mm e 1,1\u00a0\u00b1\u00a01,5mm, respectivamente. Conclu\u00edram que o emprego desse protocolo de tratamento consiste em uma forma efetiva de corre\u00e7\u00e3o da discrep\u00e2ncia entre o tamanho dos dentes e o comprimento da arcada.<\/p>\n<p>Erdinc, Nanda e Isiksal<sup>8<\/sup> propuseram a avalia\u00e7\u00e3o em longo prazo do apinhamento dos incisivos em pacientes ortod\u00f4nticos tratados com e sem extra\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-molares. Os resultados demonstraram que a recidiva da irregularidade dos incisivos superiores foi m\u00ednima (de\u00a00,19mm e 0,12mm para os grupos com e sem extra\u00e7\u00f5es, respectivamente) e apresentou-se menor que a recidiva dos incisivos inferiores em ambos os grupos. A largura intercaninos foi expandida durante o tratamento. As posi\u00e7\u00f5es dos incisivos em ambos os grupos tenderam a retornar aos valores pr\u00e9-tratamento. Por\u00e9m, foi obtida uma estabilidade clinicamente aceit\u00e1vel<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 necessidade da cont\u00ednua busca por meios que propiciem maior estabilidade dos resultados ortod\u00f4nticos, e devido \u00e0 escassa abordagem cient\u00edfica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recidiva do apinhamento anterossuperior, o presente artigo prop\u00f4s-se a avaliar a estabilidade do alinhamento dos dentes anterossuperiores em longo prazo e poss\u00edveis fatores que possam influenciar essa estabilidade.<\/p>\n<p>MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/p>\n<p>A amostra utilizada foi constitu\u00edda de 23 documenta\u00e7\u00f5es ortod\u00f4nticas de pacientes tratados no <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">curso<\/a> de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ortodontia da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 Faculdade de Odontologia de Bauru, que inicialmente apresentavam m\u00e1s oclus\u00f5es de Classe\u00a0I ou\u00a0II, tratados ortodonticamente sem extra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para a sele\u00e7\u00e3o da amostra inclu\u00edram a presen\u00e7a de todos os dentes permanentes irrompidos ao in\u00edcio do tratamento ortod\u00f4ntico (at\u00e9 os primeiros molares) e a aus\u00eancia de anomalias dent\u00e1rias de forma e\/ou de n\u00famero. Todos os pacientes foram tratados com aparelhos fixos (mec\u00e2nica Edgewise), e apresentavam documenta\u00e7\u00e3o ortod\u00f4ntica completa, incluindo os modelos de estudo das fases inicial (T<sub>1<\/sub>), final de tratamento\u00a0(T<sub>2<\/sub>) e de controle\u00a0(T<sub>3<\/sub>). Nenhum dos pacientes foi submetido \u00e0 expans\u00e3o r\u00e1pida da maxila.<\/p>\n<p>Os pacientes inclu\u00eddos na amostra eram leucodermas, sendo 13 do sexo feminino e 10 pacientes do sexo masculino, com idade m\u00e9dia de 13,36\u00a0\u00b1\u00a01,81 anos em\u00a0T<sub>1<\/sub>. O tempo m\u00e9dio de tratamento foi de 2,18\u00a0\u00b1\u00a00,93 anos. Em T<sub>2<\/sub>, todos os pacientes apresentavam finaliza\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria. Nessa fase, os pacientes apresentavam uma m\u00e9dia de idade de 15,54\u00a0\u00b1\u00a01,86 anos. Os pacientes foram reavaliados ap\u00f3s um per\u00edodo p\u00f3s-tratamento m\u00e9dio de 4,92\u00a0\u00b1\u00a01,11 anos; nessa fase (T<sub>3<\/sub>) os pacientes apresentavam, em m\u00e9dia, 20,46 anos de idade.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1 oclus\u00e3o inicial, a amostra apresentava 10 pacientes com m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe I e 13 pacientes com m\u00e1 oclus\u00e3o de Classe\u00a0II (8 pacientes apresentando \u00bc de Classe\u00a0II e 5 pacientes \u00bd Classe\u00a0II). Nenhum dos pacientes apresentava mordida cruzada posterior ao in\u00edcio do tratamento.<\/p>\n<p>Os pacientes utilizaram como conten\u00e7\u00e3o ao final do tratamento ortod\u00f4ntico ativo uma placa de Hawley remov\u00edvel na arcada superior e uma 3&#215;3 colada de canino a canino na arcada inferior. A placa de conten\u00e7\u00e3o superior foi utilizada, em m\u00e9dia, por 1 ano, enquanto a 3&#215;3 permaneceu por um per\u00edodo m\u00e9dio de 3 anos. Sendo assim, os pacientes foram reavaliados (T<sub>3<\/sub>) ap\u00f3s um tempo m\u00e9dio de 3,92 anos da suspens\u00e3o do uso do aparelho de conten\u00e7\u00e3o superior, e ap\u00f3s 1,92 anos da remo\u00e7\u00e3o da conten\u00e7\u00e3o inferior.<\/p>\n<p>M\u00e9todos<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o dos modelos de estudo<\/p>\n<p>Os modelos de gesso das fases T<sub>1<\/sub>, T<sub>2<\/sub> e T<sub>3<\/sub> foram avaliados. Todas as medidas foram obtidas utilizando-se um paqu\u00edmetro digital (Mitutoyo Sul Americana Ltda., S\u00e3o Paulo\/SP), com precis\u00e3o de at\u00e9 0,01mm.<\/p>\n<p>As vari\u00e1veis estudadas nos modelos de estudo superiores foram:<\/p>\n<p>a) Irregularidade dos incisivos superiores<sup>14<\/sup> (LITTLE) (Fig.\u00a01).<\/p>\n<p>b) Dist\u00e2ncia intercaninos (A; INTERC): dist\u00e2ncia medida em mil\u00edmetros, de ponta a ponta das c\u00faspides dos caninos superiores direito e esquerdo. Nos casos em que os caninos apresentavam facetas por desgaste, a ponta da c\u00faspide era estimada (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p>c) Dist\u00e2ncias interpr\u00e9-molares (INTERPB e INTERPB\u2032): dist\u00e2ncias medidas em mil\u00edmetros, entre as fossas mesiais dos primeiros pr\u00e9-molares superiores direito e esquerdo (B) e dos segundos pr\u00e9-molares superiores direito e esquerdo (B\u2032), respectivamente (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Fig_12.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1219\" alt=\"Imagens_Fig_1,2\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Fig_12.jpg\" width=\"800\" height=\"292\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Fig_12.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Fig_12-300x109.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>D) Dist\u00e2ncia intermolares (C; INTERMOL): dist\u00e2ncia medida em mil\u00edmetros, de ponta a ponta das c\u00faspides mesiovestibulares dos primeiros molares superiores direito e esquerdo. Nos casos em que os molares apresentavam facetas de desgaste, a ponta da c\u00faspide era estimada (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p>E) Comprimento da arcada superior (D\u00a0+\u00a0E; COMPR): corresponde \u00e0 soma das dist\u00e2ncias medidas entre o ponto de contato dos incisivos centrais superiores e a face mesial dos primeiros molares nos lados direito e esquerdo (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p>F) Per\u00edmetro da arcada superior (F; PERIM): dist\u00e2ncia em mil\u00edmetros, que se estende da face mesial do primeiro molar superior direito \u00e0 fase mesial do primeiro molar superior esquerdo (Fig.\u00a02).<\/p>\n<p>An\u00e1lise estat\u00edstica<\/p>\n<p>Erro do m\u00e9todo<\/p>\n<p>O erro intraexaminador foi avaliado realizando-se novas medi\u00e7\u00f5es das vari\u00e1veis estudadas nos modelos iniciais, finais e de controle de 10 pacientes selecionados aleatoriamente. A primeira e a segunda medi\u00e7\u00e3o foram realizadas com intervalo de tempo de um m\u00eas. A f\u00f3rmula proposta por Dahlberg<sup>4<\/sup> (Se<sup>2<\/sup> = Sd<sup>2<\/sup>\/2n) foi aplicada para estimar a ordem de grandeza dos erros casuais, enquanto os erros sistem\u00e1ticos foram analisados por meio de aplica\u00e7\u00f5es do teste t pareado, conforme Houston<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>M\u00e9todo estat\u00edstico<\/p>\n<p>Para a avalia\u00e7\u00e3o do comportamento das vari\u00e1veis medidas nos modelos nos tr\u00eas tempos estudados (T<sub>1<\/sub>, T<sub>2<\/sub> e T<sub>3<\/sub>), utilizou-se a an\u00e1lise de vari\u00e2ncia a um crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o (ANOVA) e, em caso de resultado significativo, o teste de Tukey.<\/p>\n<p>Por meio do teste de correla\u00e7\u00e3o de Pearson, avaliou-se a presen\u00e7a de correla\u00e7\u00e3o entre a recidiva do apinhamento anterossuperior e a quantidade de apinhamento inicial, bem como a quantidade de corre\u00e7\u00e3o do apinhamento.<\/p>\n<p>Por fim, utilizou-se o teste de correla\u00e7\u00e3o de Pearson para verificar a presen\u00e7a de correla\u00e7\u00e3o entre a recidiva do apinhamento anterossuperior e a recidiva das vari\u00e1veis dist\u00e2ncias intercaninos, interpr\u00e9-molares, intermolares, comprimento e per\u00edmetro da arcada.<\/p>\n<p>Todos os testes foram realizados por meio do programa Statistica 6.0 (StatSoft, Inc. 2001), adotando-se um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de 5%.<\/p>\n<p>RESULTADOS<\/p>\n<p>Os resultados demonstram que n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as estatisticamente significativas para as vari\u00e1veis estudadas em rela\u00e7\u00e3o aos erros sistem\u00e1tico e casual.<\/p>\n<p>A Tabela\u00a01 apresenta os resultados da ANOVA para as vari\u00e1veis medidas nos modelos de estudo nas tr\u00eas fases estudadas (T<sub>1<\/sub>, T<sub>2<\/sub> e T<sub>3<\/sub>). Na presen\u00e7a de um resultado significativo, realizou-se o teste de Tukey, no qual letras diferentes demonstram diferen\u00e7a significativa entre as medi\u00e7\u00f5es. Os resultados evidenciaram que o \u00edndice de Little sofreu altera\u00e7\u00f5es significativas, tanto durante o tratamento quanto durante o per\u00edodo de p\u00f3s-tratamento. Ocorreu recidiva do apinhamento anterossuperior na grande maioria dos pacientes avaliados, com uma porcentagem m\u00e9dia de 30,64% da quantidade de corre\u00e7\u00e3o obtida com o tratamento. Entretanto, n\u00e3o ocorreram altera\u00e7\u00f5es significativas das vari\u00e1veis dimensionais\u00a0estudadas durante essas fases, com exce\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre os primeiros pr\u00e9-molares (INTERPB), que sofreu um aumento estatisticamente significativo entre os tempos inicial (T<sub>1<\/sub>) e final (T<sub>2<\/sub>).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1220\" alt=\"Imagens_Tabela_1,\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_1.jpg\" width=\"800\" height=\"256\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_1.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_1-300x96.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os resultados dos testes de correla\u00e7\u00e3o de Pearson (Tab.\u00a02, 3) evidenciaram uma correla\u00e7\u00e3o negativa e estatisticamente significativa entre a quantidade de recidiva do apinhamento anterossuperior e a quantidade de redu\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias intercaninos e entre os primeiros pr\u00e9-molares.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_231.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1221\" alt=\"Imagens_Tabela_2,3\" src=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Imagens_Tabela_231.jpg\" width=\"800\" height=\"197\" \/><\/a><strong>DISCUSS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da recidiva anterossuperior apresentar-se menos prevalente que a anteroinferior, sua avalia\u00e7\u00e3o e a busca por fatores que possam auxiliar em sua estabilidade apresentam validade, j\u00e1 que um deterioramento do tratamento nesse segmento da arcada tamb\u00e9m pode resultar em um comprometimento est\u00e9tico e funcional. Devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o na arcada, o apinhamento na regi\u00e3o anterossuperior tende a apresentar-se mais vis\u00edvel e, consequentemente, a promover maiores preju\u00edzos est\u00e9ticos que a irregularidade dent\u00e1ria anteroinferior.<\/p>\n<p>Os resultados da ANOVA e do teste de Tukey demonstraram altera\u00e7\u00f5es estatisticamente significativas no \u00edndice de irregularidade de Little nos tr\u00eas tempos avaliados (Tab.\u00a01). Dessa forma, observou-se, como esperado, uma redu\u00e7\u00e3o significativa do apinhamento dent\u00e1rio anterossuperior pelo tratamento; entretanto, durante o per\u00edodo de p\u00f3s-tratamento, houve recidiva significativa da irregularidade dos incisivos superiores. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es nas dimens\u00f5es e na forma da arcada superior durante o tratamento, notou-se uma altera\u00e7\u00e3o significativa somente na vari\u00e1vel INTERPB (dist\u00e2ncia entre os primeiros pr\u00e9-molares), sugerindo manuten\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es da arcada durante o tratamento e estabilidade dessas dimens\u00f5es durante o per\u00edodo p\u00f3s-tratamento. Sadowsky et al.<sup>23<\/sup>, avaliando a estabilidade longitudinal das arcadas superior e inferior de casos tratados sem extra\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias e mec\u00e2nica Edgewise, tamb\u00e9m observaram que as dist\u00e2ncias intercaninos e entre os primeiros e segundos pr\u00e9-molares superiores n\u00e3o apresentaram altera\u00e7\u00f5es significativas durante um per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o m\u00e9dio de 5 anos. Erdinc, Nanda e Isiksal<sup>8<\/sup> avaliaram a estabilidade de casos tratados com e sem extra\u00e7\u00f5es. Assim como no presente estudo, esses autores observaram uma redu\u00e7\u00e3o significativa da\u00a0irregularidade dos incisivos superiores durante o\u00a0tratamento. O grupo tratado sem extra\u00e7\u00f5es exibiu durante o tratamento incrementos transversais significativos nas dist\u00e2ncias intercaninos e interpr\u00e9-molares. Todas as vari\u00e1veis que representam as dimens\u00f5es da arcada superior n\u00e3o apresentaram altera\u00e7\u00f5es significativas no per\u00edodo p\u00f3s-tratamento; entretanto, a recidiva do apinhamento anterossuperior mostrou-se significativa. Os trabalhos citados<sup>8,23<\/sup> e os resultados da presente pesquisa demonstram um progn\u00f3stico favor\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estabilidade dimensional em longo prazo do arcada superior em casos tratados sem extra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os resultados da presente pesquisa demonstram que a quantidade de recidiva do apinhamento anterossuperior durante o per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o foi, em m\u00e9dia, de 1,52mm. Sadowsky et al.<sup>23<\/sup>, avaliando a estabilidade de casos tratados sem extra\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s 5 anos de remo\u00e7\u00e3o das conten\u00e7\u00f5es, observaram uma recidiva relativamente similar (1,1mm). Entretanto, Moussa, O\u2019Reilly e Close<sup>18<\/sup> observaram resultados mais favor\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o a essa recidiva de 8\u00a0a\u00a010 anos ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o das conten\u00e7\u00f5es. E ao avaliarem casos tratados com expans\u00e3o r\u00e1pida e com aparelhos fixos, observaram uma recidiva anterossuperior m\u00e9dia de 0,6\u00a0\u00b1\u00a01,30mm). Vaden, Harris e Gardner<sup>30<\/sup> observaram que 96% da corre\u00e7\u00e3o do apinhamento anterossuperior durante o tratamento foi mantida ap\u00f3s 15 anos do t\u00e9rmino do tratamento. A quantidade de apinhamento aumentou de 1,5mm ao final do tratamento para 1,8mm na avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o. Ferris et al.<sup>9<\/sup>, tamb\u00e9m avaliando a recidiva desse segmento da arcada em casos tratados sem extra\u00e7\u00f5es, observaram durante o per\u00edodo p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o (7,9 anos) um aumento na irregularidade dos incisivos superiores de apenas 0,47\u00a0\u00b1\u00a01,19mm. A maior estabilidade do alinhamento dos dentes anterossuperiores desses trabalhos talvez possa ser explicada pelo prolongamento do tempo de uso das conten\u00e7\u00f5es<sup>23<\/sup> ap\u00f3s o tratamento ortod\u00f4ntico fixo. No trabalho realizado por Sadowsky et al.<sup>23<\/sup>, o tempo m\u00e9dio de uso da conten\u00e7\u00e3o foi de 8,4 anos. O trabalho realizado por Moussa, O\u2019Reilly e Close<sup>18<\/sup> apresentou um tempo de conten\u00e7\u00e3o para a arcada inferior de 6,6 anos e o uso cont\u00ednuo de uma Placa de Hawley na arcada superior por 2 anos. A pesquisa realizada por Vaden, Harris e Gardner<sup>30<\/sup> somente informa que os pacientes utilizaram placas de Hawley nas arcadas superior e inferior ou uma placa de Hawley na arcada superior e uma conten\u00e7\u00e3o fixa 3&#215;3 na arcada inferior. O primeiro controle p\u00f3s-tratamento foi realizado somente ap\u00f3s 6 anos. O estudo realizado por Ferris et al.<sup>9<\/sup> apresentou um protocolo de conten\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda o uso de conten\u00e7\u00e3o remov\u00edvel na arcada superior por tr\u00eas anos (um ano de uso cont\u00ednuo) e o uso de 3&#215;3 ou de placa de Hawley na inferior por um per\u00edodo m\u00e9dio de 3 anos. No presente trabalho, todos os pacientes receberam como conten\u00e7\u00e3o uma placa de Hawley na arcada superior por um per\u00edodo m\u00e9dio de 1 ano, e um fio de a\u00e7o colado de canino a canino na arcada inferior (3&#215;3) por um per\u00edodo de 3 anos.<\/p>\n<p>Erdinc, Nanda e Isiksal<sup>8<\/sup> observaram um aumento de 0,19mm na irregularidade dos incisivos superiores, e de 0,12mm em casos tratados com e sem extra\u00e7\u00f5es, respectivamente, 4 anos e 11 meses p\u00f3s-tratamento. O grupo tratado com extra\u00e7\u00e3o apresentava um apinhamento inicial de 4,4mm, enquanto o grupo tratado sem extra\u00e7\u00f5es apresentava uma apinhamento inicial de apenas 1,94mm, valor bem menor que o do presente trabalho (6,56mm). As conten\u00e7\u00f5es superior e inferior (placas de Hawley) foram removidas pelo menos dois anos antes da avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o. A excepcional estabilidade desse trabalho pode estar relacionada \u00e0 pequena quantidade de apinhamento inicial e a um curto intervalo entre a remo\u00e7\u00e3o das conten\u00e7\u00f5es e a avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que os resultados demonstrem uma recidiva anterossuperior p\u00f3s-tratamento maior que a relatada em estudos pr\u00e9vios<sup>8,9,18,23,30<\/sup>, o \u00edndice de irregularidade no per\u00edodo p\u00f3s-tratamento (3,12mm) pode ser considerado clinicamente aceit\u00e1vel, de acordo com Little<sup>14<\/sup>.Os testes de correla\u00e7\u00e3o apresentaram, em sua maioria, resultados n\u00e3o significativos (Tab.\u00a02, 3). Observou-se que a quantidade de apinhamento inicial n\u00e3o influenciou na recidiva, como j\u00e1 descrito em estudos pr\u00e9vios<sup>1,17<\/sup>. Surbeck et al.<sup>25<\/sup>, em contrapartida, relataram uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a quantidade de irregularidade dent\u00e1ria anterossuperior e a quantidade de recidiva nesse segmento da arcada. Afirmaram que a tend\u00eancia em se observar uma recidiva da irregularidade dos incisivos superiores aumenta 2,3 vezes para cada 0,2mm de deslocamento dos pontos de contato dos incisivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arcada dent\u00e1ria. Al\u00e9m disso, a cada 4\u00b0 de rota\u00e7\u00e3o dos incisivos ao in\u00edcio do tratamento, tem-se um aumento de 2,7 vezes na probabilidade de recidiva da irregularidade. Esses mesmos autores tamb\u00e9m ressaltaram que dentes parcialmente alinhados durante o tratamento apresentam riscos significativos de recidiva. Sugeriram o emprego de diferentes protocolos de conten\u00e7\u00e3o e o esclarecimento aos pacientes de forma individualizada sobre possibilidade de instabilidade p\u00f3s-conten\u00e7\u00e3o de\u00a0acordo com a irregularidade inicial<sup>25<\/sup>. Entretanto, analisando os resultados de outros autores e os resultados obtidos, uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a quantidade de apinhamento anterossuperior inicial sobre a quantidade de recidiva p\u00f3s-tratamento parece improv\u00e1vel. No presente trabalho, por exemplo, o grupo experimental apresentava ao in\u00edcio do tratamento 6,56mm de irregularidade e apresentou uma recidiva p\u00f3s-tratamento m\u00e9dia de 1,52mm. A quantidade m\u00e9dia de recidiva desse trabalho mostrou-se maior que a verificada por Ferris et al.<sup>9<\/sup>, Sadowsky et al.<sup>23<\/sup> e Vaden, Harris e Gardner<sup>30<\/sup>, os quais apresentaram maiores valores para a irregularidade inicial dos incisivos superiores: 10,45mm; 8,0mm e 7,9mm, respectivamente. Esses trabalhos, mesmo apresentando quantidades ligeiramente maiores de apinhamento, demonstraram uma menor quantidade de recidiva do apinhamento no per\u00edodo p\u00f3s-tratamento (0,47mm; 1,1mm e 0,3mm, respectivamente).<\/p>\n<p>A quantidade de recidiva do apinhamento anterossuperior no per\u00edodo p\u00f3s-tratamento (LITTLE<sub>3-2<\/sub>) apresentou correla\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa (p\u00a0&lt;\u00a00,05) com as altera\u00e7\u00f5es das dist\u00e2ncias intercaninos (INTERC<sub>3-2<\/sub>) e entre os primeiros pr\u00e9-molares (INTERPB<sub>3-2<\/sub>) durante esse mesmo per\u00edodo (Tab.\u00a03). As correla\u00e7\u00f5es observadas apresentaram coeficiente de valor negativo. Interpretando esses resultados, verifica-se que quanto maior a redu\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias intercaninos e entre os primeiros pr\u00e9-molares na fase p\u00f3s-tratamento, maior a recidiva do apinhamento anterossuperior. Embora essas correla\u00e7\u00f5es apresentem signific\u00e2ncia estat\u00edstica, os valores de seus coeficientes revelam uma correla\u00e7\u00e3o fraca (valores de r de -0,459 e de -0,419). Portanto, pode-se afirmar que a correla\u00e7\u00e3o observada entre recidiva do apinhamento anterossuperior e a redu\u00e7\u00e3o dessas dist\u00e2ncias apresenta pouca signific\u00e2ncia cl\u00ednica. Al\u00e9m disso, parece \u00f3bvio que a redu\u00e7\u00e3o dessas dist\u00e2ncias tende a ser reflexo de um estreitamento da arcada superior na regi\u00e3o anterior e, consequentemente, resulte em diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o dispon\u00edvel e em aumento da quantidade de apinhamento.<\/p>\n<p>Apesar dos numerosos estudos que avaliaram uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre as altera\u00e7\u00f5es da dist\u00e2ncia intercaninos inferiores e a recidiva ortod\u00f4ntica anteroinferior, uma correla\u00e7\u00e3o entre a recidiva da dist\u00e2ncia intercaninos superiores e a recidiva da apinhamento anterossuperior foi investigada somente por Surbeck et al.<sup>25<\/sup> e por Erdinc, Nanda e Isiksal<sup>8<\/sup>. Surbeck et al.<sup>25<\/sup> encontraram uma associa\u00e7\u00e3o significativa (p\u00a0&lt;\u00a00,001) entre a redu\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia intercaninos e a recidiva anterossuperior; entretanto, o resultado do teste de correla\u00e7\u00e3o revela uma associa\u00e7\u00e3o fraca (r\u00a0&lt;\u00a00,70). Erdinc, Nanda e Isiksal<sup>8<\/sup> n\u00e3o encontraram correla\u00e7\u00e3o entre o aumento na irregularidade dos incisivos e a redu\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia intercaninos, corroborando os resultados do presente trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/strong><\/p>\n<p>O alinhamento dos dentes anterossuperiores apresenta menor tend\u00eancia \u00e0 recidiva quando comparado ao mesmo segmento na arcada inferior, tal fato talvez explique a escassa abordagem na literatura cient\u00edfica. Apesar da maior estabilidade, a recidiva anterossuperior pode comprometer o tratamento ortod\u00f4ntico no per\u00edodo de p\u00f3s-tratamento. O valor m\u00e9dio de recidiva observado no presente trabalho (1,52mm), apesar de estatisticamente significativo, pode ser considerado clinicamente aceit\u00e1vel<sup>14<\/sup>. Entretanto, essa pequena quantidade de recidiva pode ser a causa de insatisfa\u00e7\u00e3o de alguns pacientes.<\/p>\n<p>A recidiva do apinhamento anterossuperior apresenta influ\u00eancia de v\u00e1rios fatores, como tempo de conten\u00e7\u00e3o, grau de apinhamento inicial, recidiva do segmento dent\u00e1rio oposto, altera\u00e7\u00f5es na forma da arcada, dentes rotacionados no per\u00edodo de pr\u00e9-tratamento e falta de completa corre\u00e7\u00e3o da girovers\u00e3o dos dentes, resultando em quebra dos pontos de contato. Dessa forma, torna-se evidente que melhores resultados em longo prazo podem ser obtidos por meio de um protocolo de conten\u00e7\u00e3o mais r\u00edgido e uma boa finaliza\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Houve recidiva estatisticamente significativa (1,52mm) na irregularidade anterossuperior, ap\u00f3s aproximadamente 5 anos de finaliza\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p>Nenhuma das vari\u00e1veis aferidas nos modelos p\u00f4de ser clinicamente associada \u00e0 recidiva anterossuperior.<\/p>\n<p>Os resultados sugerem que o cl\u00ednico deve tomar maiores cuidados em rela\u00e7\u00e3o ao protocolo de conten\u00e7\u00e3o da arcada superior, pois a recidiva da corre\u00e7\u00e3o do apinhamento anterossuperior, apesar de ocorrer em menor magnitude quando comparada \u00e0 da arcada inferior, pode ser significativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este artigo<\/b>: Canuto LFG, Freitas MR, Freitas KMS, Can\u00e7ado RH, Neves LS. Long-term stability of maxillary anterior alignment in nonextraction cases. Dental Press J Orthod. 2013 May-June;18(3):46-53.<\/p>\n<p><b>Enviado em<\/b>: 12 de agosto de 2009 &#8211; <b>Revisado e aceito<\/b>: 17 de dezembro de 2010<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b>: Luiz Filiphe Gon\u00e7alves Canuto<\/p>\n<p>Alameda Oct\u00e1vio Pinheiro Brisolla, 9-75<\/p>\n<p>CEP: 17.012-901 \u2013 Bauru\/SP<\/p>\n<p>E-mail: luizfiliphecanuto@yahoo.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objetivo: o presente estudo avaliou, por meio de uma an\u00e1lise retrospectiva, a estabilidade p\u00f3s-tratamento do alinhamento dos incisivos anterossuperiores de pacientes submetidos ao tratamento ortod\u00f4ntico sem extra\u00e7\u00f5es. M\u00e9todos: a amostra foi constitu\u00edda de 23 pacientes (13 do sexo feminino e 10 do sexo masculino), com idade inicial de 13,36\u00a0\u00b1\u00a01,81 anos. Mediu-se nos modelos de estudo<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1214","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}