{"id":1199,"date":"2013-09-18T15:28:56","date_gmt":"2013-09-18T18:28:56","guid":{"rendered":"http:\/\/bangboo.com.br\/dentalpress\/?p=1199"},"modified":"2013-09-18T15:28:56","modified_gmt":"2013-09-18T18:28:56","slug":"a-interacao-da-ciencia-dos-materiais-com-a-implantodontia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/a-interacao-da-ciencia-dos-materiais-com-a-implantodontia\/","title":{"rendered":"A intera\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia dos Materiais com a Implantodontia"},"content":{"rendered":"<p><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o: a Ci\u00eancia dos Materiais hoje possui importante destaque na Odontologia, uma vez que os biomateriais envolvidos apresentam caracter\u00edsticas espec\u00edficas, resultando em uma aplica\u00e7\u00e3o previs\u00edvel. Dentro da <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/excelencia-em-implantodontia-2\/\">Implantodontia<\/a>, pode-se destacar os biomateriais, as membranas e as superf\u00edcies dos implantes. \u00c9 de fundamental import\u00e2ncia o conhecimento das caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas dos biomateriais para uma correta escolha, que proporcione um resultado biol\u00f3gico espec\u00edfico. Assim, a an\u00e1lise de propriedades, tais como cristalinidade, tamanho de part\u00edcula, porosidade e \u00e1rea superficial espec\u00edfica, \u00e9 crucial para a compreens\u00e3o de seu desempenho <i>in vivo<\/i>. Superf\u00edcies de implantes tamb\u00e9m t\u00eam sido desenvolvidas com o objetivo de melhorar o processo de osseointegra\u00e7\u00e3o em \u00e1reas com quantidade e\/ou qualidade \u00f3ssea pobre. Objetivo: o presente trabalho tem por objetivo fazer uma revis\u00e3o de literatura sobre a import\u00e2ncia da Ci\u00eancia dos Materiais no desenvolvimento dos biomateriais utilizados em Implantodontia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b><b> <\/b>Ci\u00eancia dos materiais. Biomateriais. Membranas. Superf\u00edcies de implantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Atualmente, a Implantodontia encontra-se em uma situa\u00e7\u00e3o desafiadora. Com o aumento da expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o e com a constante busca por melhor qualidade de vida, nos deparamos com pacientes ed\u00eantulos totais ou parciais que necessitam de reabilita\u00e7\u00e3o bucal, muitas vezes apresentando limita\u00e7\u00f5es de disponibilidade \u00f3ssea para a fixa\u00e7\u00e3o de implantes.<\/p>\n<p>A \u00e1rea da Implantodontia vem sendo estudada desde 1965, com a introdu\u00e7\u00e3o do conceito da osseointegra\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup>. No passado, o plano de tratamento era realizado de acordo com o tecido \u00f3sseo existente, n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o tridimensional dos implantes e a resolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica dos casos<sup>2<\/sup>. Atualmente, esse planejamento \u00e9 reverso, no qual a pr\u00f3tese determina a posi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-protese-sobre-implante-mais-protese-fixa\/\">implante<\/a>, sendo que, em muitas situa\u00e7\u00f5es, a quantidade \u00f3ssea dispon\u00edvel n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel para o caso.<\/p>\n<p>A Ci\u00eancia dos Materiais correlaciona as propriedades com a microestrutura de um determinado material. A microestrutura \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o at\u00f4mica dos s\u00f3lidos cristalinos; est\u00e1 relacionada com suas propriedades intr\u00ednsecas e extr\u00ednsecas. Com o aux\u00edlio da Engenharia, pode-se desenvolver materiais com caracter\u00edsticas controladas para aperfei\u00e7oar seu desempenho <i>in vivo<\/i><sup>3<\/sup>. A Implantodontia utiliza diversos biomateriais para aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, com o objetivo de restabelecer a forma, est\u00e9tica e fun\u00e7\u00e3o dos pacientes.<\/p>\n<p>O objetivo do presente estudo \u00e9 fazer uma revis\u00e3o sobre o desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o dos biomateriais utilizados na Implantodontia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Revis\u00e3o de<\/b> <b>literatura<\/b><\/p>\n<p>Biomateriais para enxertia \u00f3ssea<\/p>\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o, um biomaterial \u00e9 uma subst\u00e2ncia ou associa\u00e7\u00e3o de duas ou mais subst\u00e2ncias, farmacologicamente inertes, de origem natural ou sint\u00e9tica, utilizada para substituir, aumentar ou melhorar, parcial ou integralmente tecidos e \u00f3rg\u00e3os<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>Reconstru\u00e7\u00f5es \u00f3sseas associadas ao tratamento com implantes dent\u00e1rios t\u00eam sido cada vez mais necess\u00e1rias. Isso faz com que sejam desenvolvidos materiais para possibilitar a substitui\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o, do uso de enxerto aut\u00f3geno<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Os biomateriais devem apresentar fun\u00e7\u00f5es para as quais foram desenvolvidos; dentre essas, devem ser biocompat\u00edveis e biofuncionais, levando a resultados previs\u00edveis. A biofuncionalidade refere-se a propriedades mec\u00e2nicas e f\u00edsicas que habilitam o implante a desempenhar a fun\u00e7\u00e3o esperada; j\u00e1 a biocompatibilidade \u00e9 definida como um estado de m\u00fatua exist\u00eancia entre um material e o ambiente fisiol\u00f3gico, sem que um exer\u00e7a efeito desfavor\u00e1vel sobre o outro<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>Os biomateriais podem ser classificados quanto \u00e0 origem e a seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 origem, podem ser classificados como aut\u00f3genos, al\u00f3genos (banco de ossos), xen\u00f3genos (Bio-Oss) e alopl\u00e1sticos (Alobone Poros)<sup>7<\/sup>. Quanto ao mecanismo de a\u00e7\u00e3o, podem ser classificados como osteog\u00eanicos, osteoindutores e osteocondutores<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>Os materiais <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-imersao-laminados-ceramicos-clinico\/\">cer\u00e2micos<\/a> usados na Odontologia s\u00e3o conhecidos como biocer\u00e2micas. Entre esses, o fosfato de c\u00e1lcio [Ca<sub>3<\/sub>(PO<sub>4<\/sub>)<sub>2<\/sub>] e a hidroxiapatita [Ca<sub>10<\/sub>(PO<sub>4<\/sub>)<sub>6<\/sub>OH<sub>2<\/sub>] s\u00e3o amplamente estudados devido \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e estruturas cristalinas serem semelhantes \u00e0 composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica inorg\u00e2nica do tecido \u00f3sseo. O not\u00e1vel progresso das cer\u00e2micas resultou no desenvolvimento de materiais com propriedades qu\u00edmicas, f\u00edsicas e mec\u00e2nicas satisfat\u00f3rias para as aplica\u00e7\u00f5es biom\u00e9dicas<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>As propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas s\u00e3o respons\u00e1veis pela integra\u00e7\u00e3o dos biomateriais com o tecido vivo. As\u00a0propriedades f\u00edsicas s\u00e3o a \u00e1rea de superf\u00edcie, a forma (bloco ou gr\u00e2nulo), a porosidade (denso, macro ou microporo) e a cristalinidade (cristalino ou amorfo). As propriedades qu\u00edmicas referem-se \u00e0 raz\u00e3o c\u00e1lcio\/f\u00f3sforo (Ca\/P) e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>O conhecimento das caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas dos biomateriais \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o implantodontista selecionar o biomaterial mais indicado para determinada aplica\u00e7\u00e3o<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Membranas<\/strong><\/p>\n<p>O conceito da regenera\u00e7\u00e3o tecidual guiada (RTG) foi desenvolvido para a regenera\u00e7\u00e3o dos tecidos periodontais perdidos, resultantes de doen\u00e7a periodontal inflamat\u00f3ria. A RTG visa, por meio de barreiras de membrana, a exclus\u00e3o de c\u00e9lulas indesej\u00e1veis no repovoamento da \u00e1rea da ferida, e favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas teciduais definidas para a obten\u00e7\u00e3o da cicatriza\u00e7\u00e3o da ferida com um tipo de tecido desej\u00e1vel<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio da barreira mec\u00e2nica tamb\u00e9m \u00e9 aplic\u00e1vel em <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/curso-de-aperfeicoamento-em-cirurgia-de-dentes-retidos\/\">cirurgia<\/a> \u00f3ssea reconstrutiva, onde a coloca\u00e7\u00e3o de barreira de membrana previne o crescimento de tecido conjuntivo frouxo no interior do defeito \u00f3sseo. A membrana \u00e9 colocada em contato direto com a superf\u00edcie \u00f3ssea, posicionando, assim, o peri\u00f3steo na superf\u00edcie externa da membrana. A meta fundamental para a regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea guiada (ROG) \u00e9 o uso de um material tempor\u00e1rio que promova um ambiente adequado, permitindo o organismo utilizar seu potencial de cicatriza\u00e7\u00e3o natural e regenerar os tecidos perdidos e ausentes<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>As membranas utilizadas nos procedimentos regenerativos devem apresentar alguns requisitos indispens\u00e1veis para agir como barreira f\u00edsica passiva: biocompatibilidade, manuten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, integra\u00e7\u00e3o com os tecidos, manuseio cl\u00ednico satisfat\u00f3rio e propriedades oclusivas<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>A oclusividade visa impedir a migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas dos tecidos conjuntivo e epitelial para o interior do defeito; j\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o tecidual estabiliza a ferida e cria um selamento biol\u00f3gico entre os tecidos. A manuten\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o produzido pela membrana \u00e9 fundamental para a forma\u00e7\u00e3o do co\u00e1gulo sangu\u00edneo e posterior regenera\u00e7\u00e3o dos tecidos<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>Para a manuten\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o adequado para a regenera\u00e7\u00e3o, a membrana deve possuir caracter\u00edsticas mec\u00e2nicas ou estruturais que a permitam suportar as for\u00e7as exercidas pela tens\u00e3o dos retalhos ou decorrentes da mastiga\u00e7\u00e3o, prevenindo o colapso dessa sobre o defeito. Al\u00e9m disso, a fun\u00e7\u00e3o de barreira deve ser mantida por tempo suficiente para permitir a regenera\u00e7\u00e3o dos tecidos<sup>13<\/sup>. Para assegurar um per\u00edodo apropriado para forma\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, um per\u00edodo m\u00ednimo de seis meses \u00e9 recomendado<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>Obedecendo os crit\u00e9rios acima descritos, membranas n\u00e3o absorv\u00edveis e, tamb\u00e9m, absorv\u00edveis foram desenvolvidas para a RTG e a ROG.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Membranas n\u00e3o-absorv\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das membranas n\u00e3o-absorv\u00edveis \u00e9 composta por celulose ou politetrafluoretileno expandido (PTFE-e). Por apresentarem alta estabilidade em sistemas biol\u00f3gicos e n\u00e3o gerarem respostas imunol\u00f3gicas, essas membranas de PTFE-e (Gore-Tex Augmentation Material, W.L. Gore) eram as mais utilizadas<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>As membranas de PTFE-e possuem inatividade qu\u00edmica e biol\u00f3gica, que foram demonstradas pela aus\u00eancia de rea\u00e7\u00e3o tecidual adversa<sup>14<\/sup>. Possuem a grande vantagem de manter a fun\u00e7\u00e3o de barreira durante todo o tempo necess\u00e1rio para neoforma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. Sua desvantagem \u00e9 a necessidade de uma segunda interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica para a remo\u00e7\u00e3o da membrana n\u00e3o reabsorv\u00edvel<sup>15<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Membranas absorv\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>As membranas absorv\u00edveis devem ser feitas com materiais totalmente bioabsorv\u00edveis, os quais pertencem ao grupo dos pol\u00edmeros naturais ou sint\u00e9ticos (col\u00e1geno ou\u00a0poli\u00e9ster). Para representar essas membranas, podemos citar as de col\u00e1geno, \u00e1cido poli-l\u00e1ctico, poliglactina 910, \u00e1cido poliglic\u00f3lico e poliuretano<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>As membranas de col\u00e1geno reabsorv\u00edveis t\u00eam v\u00e1rias vantagens: estabilizam a ferida, permitem uma vasculariza\u00e7\u00e3o precoce, atraem os fibroblastos por meio da quimiotaxia e s\u00e3o semiperme\u00e1veis \u2014\u00a0o que facilita a transfer\u00eancia dos elementos nutritivos<sup>17<\/sup>. Al\u00e9m disso, com uma membrana reabsorv\u00edvel n\u00e3o h\u00e1 necessidade de uma segunda interven\u00e7\u00e3o para sua remo\u00e7\u00e3o. A grande desvantagem das membranas reabsorv\u00edveis \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o de barreira. Sua reabsor\u00e7\u00e3o pode ocorrer antes do per\u00edodo m\u00ednimo de forma\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. Al\u00e9m disso, a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o ou as caracter\u00edsticas de resist\u00eancia ao colapso (rigidez) de uma membrana para ROG s\u00e3o considera\u00e7\u00f5es importantes para a escolha de um material adequado. Isso \u00e9 verdadeiro para materiais degrad\u00e1veis, j\u00e1 que eles perder\u00e3o for\u00e7a mec\u00e2nica durante o processo de degrada\u00e7\u00e3o<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Superf\u00edcies de implantes<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es de superf\u00edcies de implantes t\u00eam sido desenvolvidas com os objetivos de melhorar a osseointegra\u00e7\u00e3o em \u00e1reas com quantidade e\/ou qualidade \u00f3ssea pobre, e acelerar a cicatriza\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, possibilitando, dessa forma, o protocolo de carga imediata ou precoce. Entre os diversos par\u00e2metros que influenciam o sucesso dos implantes, a interface osso-implante tem um papel importante na longevidade e na melhora da fun\u00e7\u00e3o das pr\u00f3teses implantossuportadas<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>Existe no mercado diferentes tipos de superf\u00edcie, que variam de acordo com o tratamento recebido, podendo ser agrupadas em cinco modalidades: usinados, que apresentam superf\u00edcie sem nenhum tipo de tratamento; modifica\u00e7\u00e3o da rugosidade por part\u00edculas abrasivas, ataque com \u00e1cido, dep\u00f3sito de revestimento de part\u00edculas de \u00f3xido de tit\u00e2nio ou tratamento a <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/como-inserir-lasers-de-baixa-e-alta-potencia-na-rotina-clinica\/\">laser<\/a>; modificados por hidroxiapatita ou por outros produtos qu\u00edmicos; tratamento eletroqu\u00edmico com solu\u00e7\u00f5es alcalinas para alterar a energia superficial do tit\u00e2nio ou variar a espessura da camada de \u00f3xido (anodiza\u00e7\u00e3o); e subtra\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica por bombardeamento i\u00f4nico<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p>Em superf\u00edcies de tit\u00e2nio, os efeitos biol\u00f3gicos da qu\u00edmica de superf\u00edcie est\u00e3o relacionados, principalmente, \u00e0 arquitetura da camada de \u00f3xido de tit\u00e2nio (TiO<sub>2<\/sub>). Como a osseointegra\u00e7\u00e3o \u00e9 relacionada diretamente ao espessamento din\u00e2mico da camada de TiO<sub>2<\/sub>, implantes com a camada de TiO<sub>2<\/sub> espessa \u2014 tais como os anodizados \u2014 apresentam melhor resposta do tecido \u00f3sseo, uma vez que aumentam a precipita\u00e7\u00e3o de matriz \u00f3ssea mineral na superf\u00edcie do implante<sup>20<\/sup>.<\/p>\n<p>Os objetivos da impregna\u00e7\u00e3o ou recobrimento com elementos inorg\u00e2nicos servem para estimular o embricamento bioqu\u00edmico entre a matriz \u00f3ssea e a camada de TiO<sub>2<\/sub><sup>21<\/sup>. As impregna\u00e7\u00f5es com fosfato de c\u00e1lcio<sup>22<\/sup> e com t\u00e9cnicas de recobrimento<sup>23<\/sup> t\u00eam sido amplamente investigadas, apresentando boas respostas \u00f3sseas. Todavia, o exato mecanismo subjacente, os n\u00edveis \u00f3timos de fosfato de c\u00e1lcio e os m\u00e9todos de incorpora\u00e7\u00e3o parecem n\u00e3o ser consensuais. A impregna\u00e7\u00e3o com f\u00f3sforo<sup>24<\/sup> ou magn\u00e9sio<sup>25<\/sup> tamb\u00e9m aumenta significativamente a resposta \u00f3ssea; e uma baixa impregna\u00e7\u00e3o com fluoreto<sup>26<\/sup> estimula a diferencia\u00e7\u00e3o celular \u00f3ssea por meio de meio de sinaliza\u00e7\u00e3o celular direta. Apesar disso, o mecanismo exato ainda n\u00e3o \u00e9 claro. Os resultados biol\u00f3gicos da arquitetura do cristal s\u00e3o positivos, como foi previamente mostrado para implantes que foram cobertos com tit\u00e2nio em forma de anat\u00e1sio<sup>27<\/sup>. A microrrugosidade ideal para forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea \u00e9 obtida em implantes moderadamente rugosos com o desvio de altura m\u00e9dia (Sa) igual a 1,5\u00b5m<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>A modula\u00e7\u00e3o da nanotopografia de uma superf\u00edcie de implante tem impacto significativo no comportamento das c\u00e9lulas \u00f3sseas. \u00c9 poss\u00edvel projetar uma nanotopografia desejada para aumentar e controlar a prolifera\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas \u00f3sseas<sup>28<\/sup>.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da nanotecnologia corresponde a mais uma etapa no desenvolvimento da superf\u00edcie dos implantes dent\u00e1rios, e os resultados indicam uma melhora na resposta \u00f3ssea em implantes conhecidos como &#8220;nanomodificados&#8221;<sup>29<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Discuss\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 uma grande quantidade de biomateriais comercializados no meio odontol\u00f3gico, que apresentam diferentes comportamentos <i>in vivo<\/i> e que s\u00e3o dependentes de suas caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>A porosidade aumenta a \u00e1rea de superf\u00edcie do biomaterial de enxerto, permitindo a forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea; assim, quanto maior a porosidade, mais r\u00e1pida ser\u00e1 a absor\u00e7\u00e3o do material<sup>30<\/sup>. Os poros devem apresentar um di\u00e2metro m\u00ednimo de 100\u00b5m<sup>31<\/sup>.<\/p>\n<p>A porosidade pode ser afetada pela temperatura no processo de sinteriza\u00e7\u00e3o do tratamento t\u00e9rmico das biocer\u00e2micas. O aumento da temperatura na sinteriza\u00e7\u00e3o resulta em menor porosidade do biomaterial<sup>32<\/sup>.<\/p>\n<p>Um biomaterial cristalino possui uma organiza\u00e7\u00e3o at\u00f4mica bem definida, ao contr\u00e1rio de um material amorfo, que apresenta forma de cristal irregular. A cristalinidade \u00e9 uma propriedade que altera o \u00edndice de absor\u00e7\u00e3o do biomaterial de enxerto<sup>3<\/sup>. Os biomateriais altamente cristalinos s\u00e3o mais resistentes \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o<sup>33<\/sup>.<\/p>\n<p>Existem diferen\u00e7as nas estruturas cristalinas dos materiais de enxerto, o que demonstra que cristais pequenos, semelhantes ao osso, s\u00e3o desej\u00e1veis. Os tamanhos dos cristais podem ser resultantes das diferen\u00e7as de seus\u00a0processamentos. O processamento de biomateriais em temperaturas acima de 1000\u00b0C resulta no crescimento do cristal<sup>34<\/sup>. As altas temperaturas de sinteriza\u00e7\u00e3o podem causar mudan\u00e7as na estrutura at\u00f4mica do cristal de HA<sup>35<\/sup> e, dessa forma, podem afetar fortemente o comportamento do material de enxerto<sup>36<\/sup>.<\/p>\n<p>O tamanho das part\u00edculas \u00e9 um fator importante, pois essas afetam diretamente a \u00e1rea de superf\u00edcie dispon\u00edvel para reagir com c\u00e9lulas e fluidos biol\u00f3gicos. Assim, quanto menor o tamanho das part\u00edculas menor o tempo de absor\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a nova forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea<sup>37<\/sup>.<\/p>\n<p>Deve haver um equil\u00edbrio entre a taxa de absor\u00e7\u00e3o do biomaterial e a taxa de forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, sendo que esse n\u00e3o pode ser absorvido de forma muito r\u00e1pida e nem ser absorvido como os biomateriais altamente cristalinos<sup>38<\/sup>.<\/p>\n<p>Foi demonstrado que a enxertia \u00f3ssea com biomateriais associada ao uso de membranas promove maior taxa de sucesso, isso devido \u00e0 maior propor\u00e7\u00e3o de osso vital formado<sup>39<\/sup>. O uso de membranas promove uma barreira eficiente contra a invas\u00e3o de tecido mucoso e para uma regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea sem complica\u00e7\u00f5es<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>Com o surgimento das membranas absorv\u00edveis, a utiliza\u00e7\u00e3o das n\u00e3o absorv\u00edveis tem diminu\u00eddo, haja vista que as absorv\u00edveis eliminam a necessidade de cirurgia para sua remo\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, as membranas de e-PTFE continuam sendo o padr\u00e3o de refer\u00eancia nos procedimentos de ROG<sup>15<\/sup>.<\/p>\n<p>A estabiliza\u00e7\u00e3o da membrana na ROG \u00e9 fundamental para obten\u00e7\u00e3o de resultados previs\u00edveis. Isso foi demonstrado em um estudo onde os autores compararam os resultados dos procedimentos regenerativos usando aloenxerto, membrana bioabsorv\u00edvel e a estabiliza\u00e7\u00e3o da membrana. Observaram que, nos casos onde a membrana foi estabilizada com parafusos, houve menor perda \u00f3ssea ap\u00f3s o per\u00edodo de cicatriza\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas onde foi realizado aumento da largura<sup>40<\/sup>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o de biomateriais para <a href=\"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/imersao-em-enxertos-osseos\/\">enxertos \u00f3sseos<\/a> e de membranas para ROG, estudos t\u00eam investigado diferentes tratamentos de superf\u00edcie de implantes dent\u00e1rios com a finalidade de melhorar os resultados cl\u00ednicos relacionados \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o com essa abordagem terap\u00eautica. Nesse contexto, resultados de diferentes experimentos demonstraram aumento do contato \u00f3sseo em implantes que combinaram micro e nanoestruturas<sup>41<\/sup>. H\u00e1 trabalhos demonstrando aumento na resposta \u00f3ssea com a configura\u00e7\u00e3o de nanotopografia (nano) + microestrutura (micro), quando comparadas com apenas micro, em humanos<sup>41<\/sup> e ratos<sup>42<\/sup>. Entretanto, em um acompanhamento de oito semanas em c\u00e3es, foram observados valores similares de contato osso-implante entre implantes micro comparados com micro + nano<sup>43<\/sup>. O benef\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o de nanoestruturas ainda n\u00e3o \u00e9 amplamente aceito na comunidade cient\u00edfica, e v\u00e1rios fatores contribuem para isso, em especial a dificuldade de caracteriza\u00e7\u00e3o adequada da topografia em 3D na escala microm\u00e9trica e nanom\u00e9trica. Futuros experimentos ajudar\u00e3o a esclarecer a import\u00e2ncia das nanoestruturas na resposta \u00f3ssea, e a correta caracteriza\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie \u00e9 um fator fundamental para a compara\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos resultados<sup>29<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Conclus\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>Podemos concluir que a Ci\u00eancia dos Materiais tem papel crucial no desenvolvimento dos biomateriais met\u00e1licos, cer\u00e2micos e polim\u00e9ricos. Deve haver um controle rigoroso em seu processamento para que apresente uma microestrutura com propriedades adequadas para uma dada aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como citar este artigo: <\/strong><\/p>\n<p>Desterro FP, Caminha MW, Gon\u00e7alves ES, Vidigal Junior GM, Conz MB. The interaction between Implantology and Materials Science. Dental Press Implantol. 2013 Apr-June;7(2):60-6.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Os autores declaram n\u00e3o ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><b>Fernanda de Paula do Desterro<\/b><\/p>\n<p>Rua Conde de Bonfim, 232 \u2013 Sala 701 \u2013 Tijuca<\/p>\n<p>CEP: 20520-054 \u2013 Rio de Janeiro\/RJ<\/p>\n<p>E-mail: fernandadesterro@ig.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ci\u00eancia dos Materiais hoje possui importante destaque na Odontologia, uma vez que os biomateriais envolvidos apresentam caracter\u00edsticas espec\u00edficas, resultando em uma aplica\u00e7\u00e3o previs\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1199","post","type-post","status-publish","format-standard"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dentalpress.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}