Por: Alberto Consolaro
Desde quando surgiu a publicidade apregoando a capacidade de um dentifrício regenerar e reparar o esmalte eu fiquei intrigado como alguém poderia falar isto. Era interesse para favorecer as vendas ou fruto do não saber. Quando escrevi o primeiro artigo afirmando que regenerar o esmalte ou repará-lo reconstruindo a estrutura com o próprio esmalte era impossível, algumas pessoas entenderam perfeitamente, visto que os conceitos de regeneração e reparação são universais.
Algumas pessoas ficaram indignadas e questionando: então significa que o esmalte que desgastamos diminuindo sua espessura ou alisamos com instrumentos rotatórios, nunca mais voltará a ser formado como era originalmente? É claro, nunca mais será o mesmo como era antes, infelizmente!
APOPTOSE DOS AMELOBLASTOS
O esmalte é formado pelos ameloblastos quando o germe dentário está na fase intraóssea. E ao terminar a fase sintetizadora de matriz adamantina e sua mineralização, geneticamente dentro dos ameloblastos se ativa o gene p53 que comanda o processo bioquímico intracelular da apoptose.
Na apoptose, o citoesqueleto dos ameloblastos é digerido, as células perdem seu formato, suas estruturas internas são destruídas enzimaticamente e as células murcham como uma maracujá na fruteira. Em seguida, ocorre a fragmentação celular e cada pedaço é embrulhado pela membrana externa sem que ocorra qualquer derramamento enzimático ou toxico para o meio ambiente. As células vizinhas e os macrófagos da região ingerem os fragmentos dissolvendo-os no seu interior, sem inflamação na área. Em dentes que estão presentes na boca, parcial ou totalmente, não tem como os ameloblastos existirem e produzirem esmalte em dentes que irromperam na boca.
MAL USO DA IA
Eu confesso que fiquei muito preocupado com algumas imagens que recebi feitas por IA. Nelas os ameloblastos ainda estavam presentes quando os dentes irrompiam na boca, o que advém de uma fonte de informação totalmente equivocada destas IAs e seus operadores.
Todas as imagens de IA devem ser analisadas de forma cética, pois apesar da beleza, elas precisam estar embasadas em informações bem fundamentadas que oferecemos a ela. Se não dermos os “prompts” ou enunciados adequados, as imagens geradas por IA ficam primitivamente erradas e seu uso em trabalhos didáticos e ilustrativos caem por terra.
Se houver um comando para fazer ameloblastos reconstruindo esmalte por nova deposição depois de uma lesão erosiva e cariosa, claro que a IA fará um desenho lindo, mas falso e isto não será encontrado em nenhuma lâmina microscópica, pois foge da realidade.
udo que você pede para a IA, tem que lhe ensinar e dar bases cientificas, artísticas, práticas e coerentes. Se a pessoa não sabe muito sobre amelogênese, regeneração e reparação, o resultado do pedido será uma imagem linda, mas defeituosa, ou então será um texto com conceitos completamente infundados.
REFLEXÃO FINAL
IA não pensa, não imagina e nem sonha, ela obedece a comandos de um humano. Ela não tem criatividade e nem reflete sobre a vida. Antes dela te responder, ela não está pensando, ela está buscando dados oferecidos a ela.
Ao ameloblastos são lindos, trabalham muito e produzem esmalte normalmente apenas na fase intraóssea da odontogênese, logo depois morrem pela apoptose, também chamada de morte celular programada geneticamente! Se foi um erro da IA, lamentamos!
