ODONTOLOGIA DIGITAL
Odontologia Digital em 2026: O Que o exocad Insights Revelou Sobre o Futuro da Profissão
Especialistas brasileiros presentes em Palma de Mallorca compartilham suas visões sobre inteligência artificial, fluxos colaborativos e a transformação irreversível da prática odontológica
Dental Press | 7 de maio de 2026 | Odontologia Digital · Tecnologia · Inovação
Em Palma de Mallorca, a odontologia digital deu mais um passo decisivo. O exocad Insights 2026 reuniu milhares de profissionais de todo o mundo para discutir não apenas novas ferramentas, mas uma mudança profunda na forma de pensar, planejar e executar tratamentos. A Dental Press esteve presente — e trouxe de volta ao Brasil muito mais do que tendências: trouxe convicções.Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.
Realizado entre os dias 30 de abril e 1º de maio de 2026 na capital das Ilhas Baleares, o exocad Insights é considerado um dos principais eventos globais de odontologia digital. Nesta edição, o tema central — “What’s New? What’s Next?” — sintetizou com precisão o espírito do encontro: não apenas celebrar as conquistas tecnológicas já consolidadas, mas apontar o caminho para uma odontologia cada vez mais inteligente, colaborativa e centrada no paciente.
A Dental Press marcou presença no evento com especialistas que integram o topo da produção científica e da prática clínica brasileira. Conversamos com três deles — o Prof. Dr. Guilherme Saavedra, o Dr. Vitor Sapata e a Dra. Rachel Furquim Marson — para reunir, nesta reportagem, as principais reflexões que o Insights 2026 provocou sobre o presente e o futuro da odontologia digital no Brasil e no mundo.
A Odontologia Digital Chegou à Maturidade?
A primeira grande questão que o Insights 2026 colocou sobre a mesa foi direta: estamos diante de uma tecnologia realmente madura, ou ainda vivemos uma fase de adoção prematura disfarçada de progresso?
Para o Prof. Dr. Guilherme Saavedra, professor associado da UNESP e KOL certificado pela exocad, a resposta exige nuance. A maturidade, segundo ele, não é um estado final — é um processo contínuo, diretamente atrelado ao ritmo da inovação tecnológica.
“As ferramentas digitais atingiram um nível importante de maturidade, mas nunca será uma maturidade de 100%. E isso é positivo, porque a odontologia digital depende diretamente da evolução da tecnologia. A verdade de hoje pode ser completamente transformada amanhã.”
PROF. DR. GUILHERME SAAVEDRA — UNESP / SAAVEDRA DIGITAL DENTISTRY ACADEMY
Saavedra defende que o maior sinal de maturidade da odontologia digital não está nos equipamentos ou softwares isoladamente, mas nos fluxos de trabalho integrados. Em sua prática, ele já combina anamnese, exame clínico, fotografias, escaneamento intraoral, escaneamento facial, tomografia e dados funcionais em um único ambiente digital — o que chama de “paciente virtual”.
“Esse paciente virtual permite diagnosticar melhor, entender o problema com mais profundidade, simular diferentes soluções e, junto com o paciente, escolher a melhor abordagem”, explica. Para ele, um dos grandes erros da odontologia ainda é acreditar que existe uma solução única para todos os casos. “Existem várias possibilidades. O verdadeiro diferencial está em entender corretamente o problema e escolher a melhor solução para aquele paciente.”
O Dr. Vitor Sapata complementa essa visão com uma perspectiva estratégica: para ele, estamos num ponto de inflexão. A tecnologia já demonstra precisão suficiente; o próximo salto virá com a integração plena da inteligência artificial aos fluxos CAD/CAM.
“A IA remove a principal barreira do fluxo digital — a curva de aprendizado e o tempo de design — transformando o digital de uma ferramenta de nicho em um padrão de produtividade em larga escala.”
DR. VITOR SAPATA
O Verdadeiro Gargalo: Tecnologia, Custo ou Mentalidade?
Se as ferramentas já existem e a eficiência é comprovada, por que a maioria das clínicas no Brasil ainda opera de forma predominantemente analógica? Os especialistas convergem: o principal obstáculo não é tecnológico nem financeiro. É cultural.
Saavedra identifica três fatores interligados — custo, mentalidade e geração.
“Convivemos com diferentes gerações dentro da odontologia. Os profissionais mais
experientes têm enorme conhecimento clínico, mas muitas vezes menor abertura para
mudança. Outros já usam tecnologia, mas ainda tentam encaixar o digital dentro de um
fluxo analógico — e isso não faz sentido.”
Ele também chama atenção para um paradoxo das novas gerações: dominam as ferramentas, mas enfrentam um desafio crítico de senso clínico. “Saber clicar não significa saber diagnosticar. Saber usar um software não significa entender o paciente.” Nesse contexto, a educação continuada e a curadoria do conhecimento tornam-se fundamentais. Para Sapata, a equação do custo mudou de premissa. A pergunta, segundo ele, não deveria ser mais “quando o investimento se paga”, mas sim outra, mais urgente:
“Qual o custo de permanecer analógico em um mercado que exige rapidez e precisão? Em um cenário cada vez mais competitivo, a tecnologia deixa de ser um diferencial de luxo para se tornar uma condição de sobrevivência e sustentabilidade do negócio.”
DR. VITOR SAPATA
Clínica e Laboratório: Da Lacuna à Coautoria Digital
Um dos temas mais debatidos no Insights 2026 foi a integração entre clínicas e laboratórios odontológicos. Por muito tempo, essa relação foi marcada por fragmentação: arquivos perdidos em e-mails, orientações mal interpretadas por mensagem de texto, retrabalhos custosos. O evento sinalizou que esse modelo está se tornando obsoleto.
Saavedra foi enfático ao destacar o exocad Hub como um divisor de águas nesse sentido. “Para mim, essa é uma mudança enorme. A odontologia digital não pode depender de arquivos espalhados. O caso clínico precisa ter uma história digital organizada: escaneamentos, fotografias, vídeos, relatórios, planejamento, comunicação com o laboratório e visualizações para o paciente.”
Mas a integração, na visão dos especialistas, vai além da tecnologia. “O laboratório deixa de ser apenas executor e passa a ser parte do planejamento. O dentista deixa de apenas enviar uma moldagem e passa a compartilhar uma visão de tratamento”, resume Saavedra.
Sapata define essa transformação com uma síntese precisa: saímos de uma relação de “entrega de mercadoria” para um modelo de coautoria técnica — dentista e técnico trabalhando simultaneamente no mesmo projeto digital, reduzindo erros e eliminando retrabalhos. “A barreira física foi substituída pela conectividade”, afirma.
Inteligência Artificial: Evolução Incremental ou Disrupção Sistêmica?
Se há um tema que dominou as discussões no Insights 2026, foi a inteligência artificial. Não como promessa futura — mas como realidade presente, já integrada ao design odontológico, à automação de restaurações, ao Smile Creator e à colaboração em nuvem.
Para Saavedra, não há dúvida: trata-se de uma disrupção. “A IA pode ajudar a criar propostas automáticas de coroas, restaurações unitárias, restaurações sobre implantes e casos com oclusão. Mas a mensagem mais importante é: a IA não substitui o profissional. Ela acelera etapas, padroniza processos e melhora a eficiência.” O toque humano, insiste, continua essencial.
Sapata vai além e aponta um horizonte ainda mais ambicioso: diagnósticos preditivos baseados em grandes volumes de dados, tratamentos personalizados com precisão nanométrica e monitoramento pós-operatório mais assertivo. “É a transição da odontologia reativa para uma odontologia de alta performance e previsibilidade a longo prazo”, define.
“A grande questão não será apenas quem sabe desenhar melhor. Será quem sabe perguntar melhor, interpretar melhor e decidir melhor.”
PROF. DR. GUILHERME SAAVEDRA
Ambos concordam num ponto central: o valor do profissional está migrando da execução
para o planejamento. A “mão” do dentista torna-se menos diferenciadora que a sua
“mente”. A cirurgia guiada, o design automatizado e os fluxos integrados nivelam a
execução técnica — o que distinguirá os profissionais de excelência será a capacidade
diagnóstica, o raciocínio clínico e a qualidade das decisões.
Democratização ou Nova Elite? O Acesso ao Digital no Brasil
A odontologia digital democratiza o acesso ou cria uma nova camada de exclusão tecnológica? A questão divide opiniões — e os especialistas oferecem perspectivas complementares.
Saavedra acredita na democratização, mas com uma ressalva importante: “A nova elite não será apenas tecnológica. Será intelectual. A diferença não estará em quem tem a máquina mais cara. Será em quem sabe interpretar os dados, integrar informações, tomar boas decisões e entregar valor real ao paciente.”
Sapata é ainda mais direto ao comparar o movimento com o que aconteceu em outros setores impactados pela transformação digital: “Não creio na criação de uma elite, mas sim em uma convergência obrigatória. Quem não migrar para o digital acabará confinado a nichos muito específicos e reduzidos, enquanto o fluxo digital se tornará o padrão de cuidado para a massa da população.”
A Visão da Dental Press: Tecnologia a Serviço da Ciência e do Paciente
Entre os representantes brasileiros no Insights 2026, a presença da Dra. Rachel Furquim Marson teve um significado especial. Diretora Científica da Dental Press e Diretora Clínica, ela esteve em Palma de Mallorca com um objetivo claro: observar, avaliar e trazer para o Brasil as tecnologias mais relevantes apresentadas no evento — tanto para aplicação na prática clínica quanto para integração ao ecossistema de educação e conhecimento da Dental Press.
“O nosso papel é estar sempre à frente. Não basta acompanhar as tendências — precisamos avaliá-las com rigor científico e traduzi-las em benefícios reais para os profissionais e para os pacientes.”
DRA. RACHEL FURQUIM MARSON — DIRETORA CIENTÍFICA, DENTAL PRESS
Para a Dra. Rachel, o Insights 2026 confirmou aquilo que a Dental Press já vinha observando no horizonte da odontologia: o digital não é mais uma tendência de nicho — é o novo padrão da profissão. E, nesse contexto, a missão de uma empresa como a Dental Press se expande. Não se trata apenas de publicar ciência, mas de ser um elo ativo entre o que há de mais avançado no mundo e o cotidiano dos profissionais brasileiros.
As tecnologias observadas no evento — desde os novos módulos do exocad DentalCAD 3.3 até as soluções de inteligência artificial integradas ao planejamento protético e ortodôntico — foram analisadas sob a perspectiva de sua aplicabilidade clínica real. “A pergunta que nos guia não é ‘isso é inovador?’, mas sim ‘isso melhora o resultado para o paciente e facilita o dia a dia do profissional?'”, explica.
A Dental Press segue, portanto, comprometida com sua vocação histórica: ser referência em educação, ciência e inovação para a odontologia brasileira. Estar no exocad Insights 2026 foi mais um passo nessa direção — uma reafirmação de que o futuro da odontologia digital passa, necessariamente, pela formação contínua, pelo pensamento crítico e pelo compromisso com a excelência clínica.
DESTAQUES DO EXOCAD INSIGHTS 2026
Entre as principais novidades apresentadas no evento estão o exocad Hub (plataforma centralizada de colaboração clínica e laboratorial), a integração exocad + Align/Invisalign ART para planejamento ortodôntico-restaurador integrado, e os avanços em inteligência artificial aplicada ao design de restaurações, incluindo o Smile Creator com TruSmile Photo e TruSmile Video.
Os Especialistas

Prof. Dr. Guilherme Saavedra
PROFESSOR ASSOCIADO UNESP · KOL EXOCAD · KOL IVOCLAR · KOL
ALIGN
Doutor e Mestre em Odontologia Restauradora pela UNESP, com pós- doutorado e título de Livre-Docente. Professor Visitante da Universidade de Lisboa. Fundador da Saavedra Digital Dentistry Academy. Autor de mais de 141 artigos científicos e detentor de 3 patentes. Participou do exocad Insights pela terceira vez em 2026.
Dr. Vitor Sapata
ESPECIALISTA EM ODONTOLOGIA DIGITAL · PALESTRANTE NACIONAL E INTERNACIONAL · KOL EXOCAD
Referência brasileira em fluxos digitais CAD/CAM, integração clínico- laboratorial e estratégia de adoção tecnológica na odontologia. Palestrante em eventos nacionais e internacionais, com atuação voltada à formação de profissionais para o ecossistema digital odontológico
Dra. Rachel Furquim Marson
DIRETORA CIENTÍFICA · DENTAL PRESS · DIRETORA CLÍNICA
Responsável pela direção científica da Dental Press, maior grupo editorial odontológico do Brasil, e pela direção clínica de sua prática. Esteve presente no exocad Insights 2026 com o objetivo de identificar as tecnologias mais relevantes para aplicação clínica e para integração ao portfólio científico e educacional da Dental Press.
SAIBA MAIS EM: https://www.dropbox.com/scl/fo/psli7ikqfk5y55ixcpjc6/AAwzunS6_y1Agmz8cerY0Ho?rlkey=avt72j8y454s6xdlcc5dr1n3r&e=11&st=4o8fw9to&dl=0