O professor Maurício Guimarães Araújo, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ocupa a segunda posição em um ranking mundial de impacto científico na área de implantodontia. O levantamento tem como base dados da plataforma Scopus, uma das principais bases de produção científica do mundo.
Maurício aparece entre pesquisadores que estão na história da implantodontia, especialmente nomes ligados à Suécia, país considerado um dos berços da implantodontia moderna. No ranking de impacto, o primeiro lugar é ocupado pelo sueco Ragnar Adell, com aproximadamente 330 pontos. O professor da UEM aparece na segunda colocação, com cerca de 140.
Na sequência estão os suecos Tomas Albrektsson, com aproximadamente 120 pontos; Jan Lindhe, com 118; e Per-Ingvar Brånemark, com cerca de 108. O suíço Niklaus Lang ocupa a sexta posição, com aproximadamente 98 pontos.
De acordo com os dados apresentados pela UEM, Maurício Guimarães Araújo publicou 92 artigos científicos, que somam 12.889 citações. O indicador utilizado no ranking considera a relação entre o número de citações e a quantidade de trabalhos publicados.
A posição do pesquisador brasileiro ganha relevância pelo fato de ele estar inserido em um grupo historicamente dominado por pesquisadores europeus ligados ao desenvolvimento da implantodontia.
A história da área está diretamente relacionada à descoberta da osseointegração pelo sueco Per-Ingvar Brånemark. Na década de 1950, durante experimentos com coelhos, Brånemark observou que o titânio havia se integrado ao tecido ósseo e não podia ser removido. O fenômeno passou a ser denominado osseointegração e posteriormente se tornou um dos fundamentos dos implantes dentários modernos.
Em 1965, na Suécia, um paciente recebeu o primeiro implante dentário de titânio da história. A tecnologia posteriormente se disseminou mundialmente e transformou o tratamento de pacientes que dependiam de próteses removíveis.
Quatro décadas de pesquisa
Natural do Rio de Janeiro, Maurício chegou a Maringá em 1990, interessado no concurso para a área de Periodontia da UEM. No ano seguinte, assumiu como professor efetivo e se tornou o primeiro docente de Periodontia da universidade.
Formado em Odontologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o pesquisador fez mestrado na Universidade de São Paulo (USP) e doutorado na Universidade de Gotemburgo, na Suécia — instituição onde também estudou Per-Ingvar Brånemark.
Ao comentar a posição no ranking, Maurício atribui o resultado ao trabalho desenvolvido ao longo de décadas no ensino e na pesquisa dentro da universidade brasileira. Para ele, a produção científica de alto nível não está restrita aos grandes centros internacionais.
O professor também destaca a formação de novos pesquisadores. Segundo ele, na última década, participou da indicação de aproximadamente dez estudantes e doutores para experiências acadêmicas no exterior, em países como Estados Unidos, Alemanha e Suíça.
Para Maurício, a pesquisa científica deve manter uma relação direta com a sociedade e ser capaz de transformar conhecimento acadêmico em benefícios para a população.
O resultado coloca um pesquisador de uma universidade pública do interior do Paraná entre os nomes de maior impacto científico mundial na implantodontia, ao lado de pesquisadores responsáveis por parte importante do desenvolvimento histórico da especialidade.
