Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, desenvolveu uma nova ferramenta voltada para compreender de forma mais ampla a experiência de pessoas que utilizam próteses parciais removíveis. O objetivo é ir além da avaliação clínica tradicional e considerar também os efeitos emocionais, sociais e psicológicos do tratamento odontológico. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Gerodontology.
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Batizada de Questionário de Experiência com Prótese Parcial (P-DEQ), a ferramenta foi criada para medir não apenas aspectos técnicos relacionados ao uso das próteses, mas também como elas influenciam a vida cotidiana dos pacientes.
O projeto foi desenvolvido em colaboração entre pesquisadores da Universidade de Sheffield, Queen’s University Belfast, Universidade de Lincoln e a empresa Haleon.
Além da prótese
Historicamente, pesquisas na área odontológica têm concentrado atenção em indicadores clínicos, como estabilidade, adaptação e funcionamento das próteses dentárias.
O novo estudo, no entanto, acompanha uma tendência crescente na saúde oral: compreender o tratamento a partir da experiência vivida pelos pacientes.
Para isso, os pesquisadores basearam o P-DEQ na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), modelo desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera a interação entre condições de saúde, ambiente, funcionalidade e participação social.
Na prática, a abordagem amplia o entendimento sobre a perda dentária, deixando de tratá-la apenas como uma condição clínica e investigando de que forma as próteses interferem em fatores como autoestima, comunicação, interação social e qualidade de vida.
Desafios x benefícios
Um dos diferenciais do novo questionário é a tentativa de captar o chamado “paradoxo da saúde positiva”.
Além de identificar dificuldades frequentemente associadas ao uso de próteses, como desconforto, insegurança ou limitações funcionais, o instrumento também busca registrar efeitos positivos proporcionados pelo tratamento.
Entre eles estão a melhora da aparência, o aumento da autoconfiança e a possibilidade de falar, sorrir ou se relacionar socialmente com mais conforto.
Segundo os pesquisadores, essa abordagem representa um avanço importante ao reconhecer que intervenções odontológicas podem gerar benefícios psicológicos e sociais relevantes, além das melhorias clínicas.
Aspectos emocionais
A dimensão emocional do uso de próteses recebeu atenção especial na elaboração do P-DEQ.
A versão atual da ferramenta inclui uma seção dedicada à chamada “Função Emocional”, destinada a avaliar sentimentos frequentemente presentes entre usuários de próteses dentárias.
O questionário investiga, por exemplo, níveis de autoconsciência, ansiedade relacionada à possibilidade de ser visto sem a prótese e a sensação de segurança e confiança proporcionada por um novo dispositivo.
Ao incorporar essas questões, os pesquisadores pretendem destacar aspectos emocionais que, segundo eles, ainda costumam ser subestimados nos cuidados com a saúde bucal.
Para Barry Gibson, professor de Sociologia Médica e um dos envolvidos no projeto, a expectativa é que a ferramenta possa acompanhar a experiência dos pacientes ao longo do tempo e contribuir para tratamentos mais personalizados.
“Uma vez totalmente aprimorado, esperamos que o P-DEQ se torne uma ferramenta robusta para monitorar as experiências dos pacientes. Isso poderá ajudar os profissionais a adaptar os tratamentos de forma mais eficaz e garantir que os cuidados reflitam melhor as necessidades reais das milhões de pessoas que convivem com a perda dentária”, afirmou o pesquisador.
Os autores do estudo acreditam que iniciativas desse tipo podem contribuir para uma mudança de paradigma na odontologia, aproximando os tratamentos não apenas de parâmetros técnicos, mas também das necessidades emocionais e sociais dos pacientes.
