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Estudo identifica microplásticos em pacientes com apneia

A woman wearing anti-snoring chin straps

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de microplásticos nas vias aéreas superiores de todos os pacientes com apneia obstrutiva do sono avaliados. Além da detecção das partículas, os pesquisadores verificaram que concentrações mais elevadas estavam associadas ao aumento de proteínas relacionadas à inflamação, sugerindo uma possível influência dos microplásticos nos processos inflamatórios do sistema respiratório. A informação é do Jornal da USP.

A pesquisa surgiu após um recall realizado pela fabricante Philips, nos Estados Unidos, envolvendo aparelhos de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), utilizados no tratamento da apneia do sono. O desgaste da espuma interna de alguns equipamentos levantou a hipótese de que usuários do dispositivo poderiam estar mais expostos aos microplásticos.

No entanto, os resultados descartaram essa possibilidade. Segundo os pesquisadores, o uso do CPAP não aumentou a quantidade de microplásticos nas vias respiratórias. As partículas foram encontradas tanto em pacientes que utilizavam o equipamento quanto naqueles que nunca fizeram uso da terapia.

O principal achado do estudo foi a relação entre maior concentração de microplásticos e níveis mais elevados de marcadores inflamatórios. Embora a pesquisa não demonstre que essas partículas sejam responsáveis pelo desenvolvimento da apneia do sono, os autores destacam que a associação observada reforça a hipótese de que a exposição ambiental aos microplásticos possa contribuir para processos inflamatórios nas vias aéreas.

Os pesquisadores ressaltam que os microplásticos já foram identificados em diversos ambientes ao redor do planeta, inclusive em regiões remotas, como o Ártico e a Antártida. Diante da ampla disseminação dessas partículas, o estudo amplia o conhecimento sobre seus possíveis efeitos na saúde respiratória e aponta para a necessidade de novas pesquisas que esclareçam os mecanismos envolvidos e os riscos da exposição contínua à poluição plástica

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