Ícone do site Dental Press Portal

Estudo de Stanford usa IA para prever doenças do sono

Pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, desenvolveram um modelo de inteligência artificial capaz de prever o risco de diversas doenças a partir da análise detalhada do sono. A ferramenta avalia sinais como atividade cerebral, frequência cardíaca, respiração e movimentos das pernas e dos olhos durante a noite.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Nature. Para treinar o modelo, batizado de SleepFM, os cientistas utilizaram mais de 580 mil horas de dados de sono coletados entre 1999 e 2024, envolvendo cerca de 65 mil pacientes.

As informações foram obtidas em clínicas do sono — unidades médicas especializadas na avaliação de padrões do sono noturno — e organizadas em segmentos de cinco segundos. Esses fragmentos funcionaram como “palavras” usadas no treinamento de grandes modelos de linguagem (LLMs), tecnologia semelhante à empregada em sistemas avançados de IA generativa.

“O SleepFM está, essencialmente, aprendendo a linguagem do sono”, afirmou James Zou, professor associado de ciência de dados biomédicos em Stanford e coautor do estudo.

Além dos registros do sono, os pesquisadores integraram dados dos prontuários médicos dos pacientes, o que permitiu ao modelo prever o desenvolvimento de doenças ao longo do tempo. Segundo o estudo, o SleepFM alcançou uma taxa de acerto de pelo menos 80% na previsão de condições como doença de Parkinson, Alzheimer, demência, cardiopatia hipertensiva, infarto, câncer de próstata e câncer de mama. O modelo também previu corretamente a morte de pacientes em 84% dos casos analisados.

“Registramos uma quantidade impressionante de sinais de saúde quando estudamos o sono”, destacou Emmanuel Mignot, professor de medicina do sono em Stanford e um dos autores da pesquisa.

De acordo com os cientistas, a combinação de múltiplos sinais fisiológicos foi fundamental para aumentar a precisão das previsões. Um dos exemplos citados no estudo envolve sinais corporais dessincronizados — como quando o cérebro aparenta estar em repouso, mas o coração apresenta atividade elevada —, um padrão associado a possíveis problemas de saúde.

A universidade informou ainda que pretende, em uma próxima etapa, incorporar dados de dispositivos vestíveis, como relógios e pulseiras inteligentes, à base de dados do SleepFM. A expectativa é que essas informações ampliem ainda mais a capacidade preditiva do modelo.

Sair da versão mobile