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Cúrcuma com gengibre aumenta adesão de implantes, diz estudo

Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington (WSU), nos Estados Unidos, desenvolveram um revestimento à base de cúrcuma e gengibre capaz de melhorar significativamente a integração de implantes ósseos, além de combater bactérias e células cancerígenas. O estudo, publicado no Journal of the American Ceramic Society, pode representar um avanço importante no tratamento de pacientes com próteses ortopédicas e câncer ósseo.

Nos testes iniciais, o extrato natural praticamente dobrou a integração entre o osso e o implante após seis semanas. Além disso, os pesquisadores observaram a eliminação de mais de 90% das bactérias presentes na superfície dos implantes e uma redução expressiva das células cancerígenas ao redor da área tratada.

A pesquisa une conhecimentos da medicina tradicional com tecnologias biomédicas modernas. A cúrcuma, conhecida pelo pigmento amarelo-alaranjado, e o gengibre são utilizados há milhares de anos na medicina tradicional chinesa e indiana, tanto na alimentação quanto em tratamentos terapêuticos.

“Estamos combinando o melhor da natureza com o que há de mais moderno na engenharia biomédica”, afirmou Susmita Bose, professora da Escola de Engenharia Mecânica e de Materiais da WSU e autora principal do estudo.

O trabalho dá continuidade às pesquisas conduzidas por Bose e Amit Bandyopadhyay, professor da mesma instituição, sobre o uso de impressão 3D para fabricação de implantes ósseos personalizados, tecnologia que hoje já é amplamente utilizada na medicina regenerativa.

No estudo mais recente, os cientistas concentraram esforços em problemas recorrentes relacionados a implantes ortopédicos. Atualmente, cerca de 7 milhões de americanos vivem com próteses metálicas de quadril e joelho, mas parte desses implantes apresenta falhas ao longo do tempo, principalmente devido à má integração com o tecido ósseo ou ao surgimento de infecções.

Segundo os pesquisadores, infecções em superfícies metálicas representam quase um terço dos casos de falha de implantes e frequentemente exigem a retirada completa da prótese.

“Muitas vezes, quando ocorre uma infecção, o implante precisa ser removido. Isso pode gerar sérios problemas de saúde e um enorme impacto financeiro para os pacientes”, explicou Bose.

Além do combate às bactérias, o revestimento também foi testado contra células de osteossarcoma, o tipo mais comum de câncer ósseo entre crianças e jovens adultos. Mesmo após cirurgias, quimioterapia e colocação de implantes, algumas células tumorais podem permanecer no organismo.

Durante os experimentos, os pesquisadores aplicaram um revestimento contendo curcumina, principal composto ativo da cúrcuma, e extrato de gengibre sobre implantes de titânio. O material foi desenvolvido para liberar lentamente os compostos terapêuticos ao longo do tempo.

Os testes laboratoriais e em modelos animais mostraram resultados promissores. O revestimento aumentou significativamente a fixação do implante ao osso, eliminou 92% das bactérias presentes na superfície metálica e reduziu em até 11 vezes a quantidade de células cancerígenas em comparação com implantes sem tratamento.

Para Amit Bandyopadhyay, o estudo aborda múltiplos desafios enfrentados na área de implantes ortopédicos.

“Estamos desenvolvendo implantes mais resistentes a infecções e que também favorecem a regeneração óssea. O objetivo final é melhorar a qualidade de vida de pacientes que precisam de próteses no quadril, joelho, coluna ou ombro”, destacou o pesquisador.

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